segunda-feira, março 01, 2010

ÀS VEZES PENSO


Há coisas engraçadas ou talvez seja eu que já ando a ver e a ouvir demais. Ora se não estou em erro, o Bloco de Esquerda propusera que fosse criada uma comissão parlamentar de inquérito, para que fossem apuradas quaisquer possíveis interferências do Governo relativamente ao negócio da PT e TVI. Nessa altura o PSD recusou a proposta (até parecia que estava a ser proposto algo de estranho).

Contudo, posteriormente, veio a mudar de ideias, avançando com uma proposta absolutamente igual para a criação de uma comissão parlamentar de inquérito, com a mesma finalidade – apurar se houve interferência do Governo no negócio PT/TVI. Possivelmente na tentativa de fazer desviar as atenções de um outro recuo: o de ter deixado cair um dos principais argumentos que utilizou em campanha, (que possivelmente utilizou para alcançar mais votos), que foi o fim do pagamento especial por conta pelas médias e pequenas empresas.

Não está em causa a minha concordância ou discordância no que refere à constituição dessa comissão parlamentar de inquérito, o que quero é pôr em evidencia que uma vez mais, ao votar nestes partidos, que exalam “responsabilidade” por todos os poros prometendo e logo de seguida estes se esquecem do prometido a quem lhes deu os votos e consequentemente o poder que detêm…

A pergunta que me martela a cabeça é a que futuro nos dirigimos com indícios destes, de falta de palavra?

publicado no
Clube dos Pensadores por mim

26.02.10

sábado, janeiro 23, 2010

OS QUE PODEM, OS QUE NÃOPODEM E OS QUE SE ESTÃO LIXANDO

A tragédia que resultou do terramoto do Haiti fez-me pensar que ao observar as pessoas, posso classificá-las como – as que podem, as que não podem e as que se estão lixando.
As que podem são as “afortunadas”. Podem ter formação ou não e habilidade para criar prestígio associado ao bem-estar económico. Tudo lhes corre de feição e não há mal que os faça sentir qualquer contrariedade, pelo menos que alguém se aperceba. Como "podem" em todas as vertentes, não admitem tristezas, não aceitam más disposições e conseguem mentalizar aqueles com quem convivem que podem pôr todas as negatividades de parte, para que os não moleste… ou para não se sentirem “agoniados” com os problemas desses outros, (acho que nem sabem o que é uma dor de dentes…) creio mesmo que esses afortunados não estão sensibilizados para aceitar e perceber a dor dos outros e estão prontos a criticar quem age de forma diferente da sua.
Contudo, dentro desta categoria há pessoas que não são egoístas, que gostam de partilhar e chegam a ser um ombro amigo… Respeitam quem se sente “em baixo”. Têm poder em várias vertentes, mas não se esquecem de respeitar os que não são tão afortunados…
As que não podem, posso dividi-las em tranches, pois aqui há os miseráveis, quer económica quer social e psicologicamente. Não têm força para ultrapassar as dificuldades e lastimam-se constantemente, gostando mesmo de ser “as coitadinhas”. Depois há as de fracos recursos económicos que são as pessoas desafortunadas e há os pobres, que embora tenham parcos recursos, são infelizes porque não sabem gerir as suas emoções nem os seus proventos, as suas revoltas e contrariedades.
As que se estão lixando são a grande maioria, porque aí incluo as que podem e as que não podem. São as desprovidas de qualquer noção de cidadania. Não respeitam o silêncio dos outros, deitam lixo para o chão na via pública, cospem e deitam pontas de cigarro para o chão… riscam e rasgam os assentos nos transportes públicos, riscam paredes e desrespeitam sinais de trânsito; estacionam em qualquer lugar… e teria muitas mais irregularidades para referir, mas todos as conhecemos… isto para não falar de quem nos tem orientado desde há muito e ainda não ter havido tempo para corrigir… como por exemplo Centros de Saúde em segundos andares de prédios sem elevador e de escadas estreitas… pensar em quem tem deficiências físicas, é perder tempo, por isso tudo continua errado…

22.01.10

terça-feira, dezembro 29, 2009

PASSANDO PELO 2009

Está mesmo a chegar ao fim este ano de 2009.
Não posso dizer que tenha sido um ano muito mau, porque dentro de tudo o que foi negativo, eu estou aqui e pronta para me recordar de algumas coisas que não gostei e outras que me deixaram triste, revoltada e desiludida. Claro que poderia referir todos os aspectos positivos, os sucessos e as conquistas, mas tudo o que é positivo deixo para quem goste de elevar os seus próprios feitos.
Não refiro aos problemas causados pelas chuvas e ventos que deixaram destruição à sua volta. A Natureza tem destas coisas.
Mas há situações que para além de me desgostarem provocam-me um sentimento de revolta muito forte, como o que se está a passar com os clientes do BPP.
Este ano que está a findar deixou um sem número de situações que mostram como a cidadania está longe de fazer parte da forma de estar de muitos de nós; durante o ano ouvimos mentiras, ouvimos falar de fraudes, verificaram-se assaltos violentos, houve crimes, ouvimos promessas; ouvimos como mesquinhices e intrigas podem ser perniciosas para o desenvolvimento de todos os sectores de um país que está a tentar sair de uma crise (sua) e na que se viu envolvido por ser um pouco de um todo.
O ano de 2009 não deixa saudades no que respeita ao tratamento para com os professores, sobretudo na pessoa da senhora ex-ministra da educação, que considerei uma pessoa fria e pouco virada a processos de entendimento. A actual ministra tem um ar doce e mostra o que espero ser um espírito de entendimento e respeito para com os professores deste país.
Este foi um ano de eleições. Deixou de haver uma maioria absoluta no Parlamento, mas continuou a verificar-se alguma arrogância e por vezes certos “risinhos nervosos” que me deixam possessa.
2009 Também deixou a pandemia da gripe A, que vai continuar por 2010, o que deixa preocupa.

quinta-feira, dezembro 10, 2009

NEM SEMPRE O QUE LUZ É OURO

Maria é o nome de uma mulher que mora na minha rua. Não é nova e está longe de podermos chamar-lhe velha. Não é alta, mas também não é baixinha… Maria é vistosa e veste-se muito bem. Não sendo bonita, chama a atenção, Maria é conhecida pela sua elegância e pelo bom carro que conduz. Apenas sei que é Maria porque assim a chamam quando entra numa loja ou no café do bairro.
Mas a Maria tem um quê indefinido que chama a atenção, sobretudo quando está calada. Digo isto, porque há dias pasmei quando ouvi a Maria falar com outra pessoa sobre o que acontecera dias antes, quando saia com o carro da garagem… nunca tinha ouvido tanto palavrão em tão pouco tempo!…
Claro que me apercebi imediatamente que o traje não faz o monge… aquela pessoa que me parecia muito bem, dado a forma como se veste e todo o seu aspecto em geral engana qualquer um; um perfeito faz de conta.
Mas há outras formas de enganar, fazendo de conta que são pessoas de bem e depois vem a saber-se que cometeram fraudes, que desviaram bens de terceiros e outras situações de desonestidade… aliás são as noticias do dia a dia.

10.12 .09

segunda-feira, novembro 23, 2009

TOMAR UM CAFÉ

Tomar um café!

Como recordo todos os cafés que tomei. Pretexto para conversa, um cafezinho… a célebre bica que sabia divinalmente e um copo de água. As fotos que intercalavam o diálogo e a bebida eram momentos que guardo com carinho e muita saudade. É verdade, a poesia! Escrevíamos enquanto o néctar do café se espalhava no ar… claro que a poesia continua, claro que apenas a distancia é diferente.

Claro que a conversa continua, agora à distância de dois telemóveis… não é o mesmo, mas a verdade se diga é que é mesmo uma maravilha… a abordagem a temas filosóficos ou a psicologia em tema de fundo deixam-me agarrada ao telemóvel por larguíssimos minutos… quase horas.

A esplanada também ficava cheia de gente (sobretudo fumadores) o que fazia com que no salão me sentisse mais confortável. Que saudade! Éramos assim; conversa, café, poesia, prosa poética e fotografias… Aguardo um dia ter oportunidade de repetir esses momentos que me marcaram tanto.


23.11.09

quinta-feira, novembro 12, 2009

OUVIR, ESCUTAR, ENTENDER

Ouvir, escutar, entender… ouvimos muitas notícias, por vezes sem atenção o que leva a pressupor que não escutámos nada do que estivemos a ouvir.

Por outro lado, escutamos atentamente “fofoquices” com o intuito de parecermos muito interessados… mas assim não é na realidade.

Quanto a entendimento, é difícil definir, porque pelo facto de não escutarmos atentamente, é razão suficiente para não entendermos…

Não sei bem qual a posição em que me coloque perante as múltiplas notícias sobre o “caso Face oculta”. Comecei por ouvir e não dar muita importância. Coisas jornalísticas… depois escutei com mais atenção, mas não entendi (sou burra quanto baste). Dada a insistência das notícias sobre o tema em questão, passei a ouvir, escutar e tentar entender… Corrupção! Mas serão assim tão idiotas as pessoas para se deixarem corromper?

Há valores altos no meio disto tudo, mas quem é honesto não consegue aceitar nada em troca de seja o que for… Favores! Será possível? Que barbárie!

Mas há quem escute. Nem sempre o ditado se aplica, “quem escuta de si ouve”… Há as escutas telefónicas, ou atrás da porta, o efeito é o mesmo… Será que adivinham quem devem escutar? Ou estão todos sob escuta? Isso é desconfiar. Não entendo mesmo nada.

Ouvir a consciência! Será que isto não diz nada a esse grupo de pessoas? Espanta-me! Que lata irem à confissão, rezarem… que filhos de um deus menor são estes indivíduos? Não têm esses procedimentos seguramente, pois se assim fosse também não haveria quem coleccionasse armas, quando só de “amor” se devesse tratar debaixo desses tectos…

Por estas e outras razões eu não vou em crendices nem tão pouco aceito certos preceitos. A minha verdade poderá não ser a de outros…



12.11.09

quarta-feira, novembro 04, 2009

ESCRITOTERAPIA

Escrever funciona como terapia para muitas pessoas. Uma das pessoas sou eu, a outra és tu e mais aquele escritor famoso.

A revolta que baila nos nossos pensamentos leva-nos a dizer mil coisas em poucas palavras ou… em muitas palavras não dizermos quase nada… é que nem sempre há a palavra certa para que a possamos aplicar para um determinado caso específico.

Pessoas que usam pessoas. Esta frase poderá dizer muito ou poderá até não querer dizer nada do que eu pretendo fazer chegar aqui. Mas, com o significado que eu quero, poderei dizer que manobrar gentes é uma arte (maléfica).

O stress do dia a dia que inclui esse tal jogo de mostrar simpatia e ao virar de costas, entre dentes, dizer-se “que se lixe”. Mas dizia, o stress desanuvia-se, escoa-se pelas letras, pelas palavras e até pelos sonhos… sonhamos quando deitamos a cabeça na almofada, sonhamos quando olhamos através da vidraça numa tarde de chuva, sonhamos num fim de tarde solarento ou mesmo ao crepúsculo, num sonho indefinido… também sonhamos quando vem da alma um desabafo e é maravilhoso se temos alguém para nos escutar. (Escutar não é entender).

Quando escrevo, às vezes choro, outras vezes solto um riso aberto, libertador, sobretudo, se estou a recordar passagens ridículas, que todos nós um dia vivemos, auto criticando-nos mais tarde…é mesmo assim. Quantas vezes dizemos de nós para nós “que disparate”, “que asneira crassa”…

Não faço a mínima ideia se existe a palavra “escritoterapia”, mas a verdade é que se adapta perfeitamente ao que pretendo dizer ao utilizá-la. Será pois a terapia pela escrita. Será uma auto analise em que questiono as questões que me surpreendem, as questões que há mais de um milénio mostram duvidas e vão continuar a mostrar.

Questionar questões que transcendem o cidadão comum, como o transformar a insegurança em segurança, discernir entre auto-estima e incompatibilidade laboral ou mesmo matrimonial, compatibilizar o obsoleto com o moderno e sentirmo-nos como o centro da atracção de todas a atenções, ou sermos tal como Sócrates dizia “Não sou Ateniense nem Grego, sou um cidadão do Mundo”, é sermos mesmo isso, ser e não ser e não pertencer nem aqui nem além…

Existem várias formas de superar o stress, a ansiedade e muitas das angústias que nos afectam no dia a dia, pelo que se enriqueceram várias maneiras de fazer face a tão prejudiciais “enfermidades”. Ir às compras… mas na crise não dá. Passear… mas sem fundo de maneio não há passeio… mas a escrita sim. É a terapia ideal para desanuviar duvidas e aliviar as raivas que nos correm pelas veias, por isso inventei esta palavra escritoterapia.



04.11.09


ver: jorgeferrorosa.blogspot.com

segunda-feira, novembro 02, 2009

RESCALDO

Tento fazer equilíbrio dos meus sentidos. Não é fácil, crê. Tremem as mãos e os olhos já não deixam ver com clareza tudo o que os cerca. São fragilidades dos anos e da saúde. Contudo, o pensamento mantém-se atento e observador.

Odeio ter medo. Odeio quem mete medo e odeio as razões que fazem ter medo. Mas os medos dominam e perturbam e causam transtornos quase que irreparáveis.

A sociedade está dominada pelo medo: desemprego, falta de alimentos nos carenciados, incertezas, ansiedades e quem mais sofre por esta ou aquela razão é adolescência e a juventude.

Os últimos dias da última semana foram um desastre com as perturbações do “Dia das Bruxas”. Os adolescentes e jovens andaram apavorados por se ter lançado pânico sobre a existência de gangs que se intitulavam “boca de palhaço” e que barbarizavam as jovens. A ser um facto real, porquê não alertar as entidades para que se agisse em conformidade? Que se espera? Alarmismo generalizado? Ou é mesmo verdade e por isso é urgente que se tomem medidas. Chega de falsos alarmismos. Chega de criar situações de instabilidade ou… atrás da cortina há outros senão? Criar instabilidade escolar e promover o insucesso? Ou pretende-se esconder o insucesso com ondas de medos para justificar?

Entre os docentes também se promove a falta de solidariedade, os antagonismos com que finalidade? Criar o caos? Será que não se pretende progredir? Será que querem criar situações de desgoverno? Acho isso um disparate, mas a verdade é que com o máximo civismo as pessoas têm de pensar e ajudar a colaborar num progresso a fim de que a estabilidade passe a ser um certeza e não mais um medo…



02.11.09

sábado, outubro 24, 2009

MISTURO-TE NOS PENSAMENTOS

Misturam-se as ideias quando se esgotam as palavras. Palavras que poderiam traduzir o que vai pelo pensamento.

Sabes que é assim porque contigo se passa o mesmo. Transcreves as palavras que a alma dita e nem sempre dizes o que te vai realmente na alma…

Mesmo sem querer misturo-te nos meus pensamentos. Estás ligado aos meus gostos, ao que detesto e a tantos mil aspectos que nem merece a pena enumerar. Os cafés que tomámos, as sombras que desfrutámos, as contrariedades que discutimos e ao que acabávamos por concordar… interessante! Mesmo que o não quisesse, misturar-te-ia nos meus pensamentos….


19.10.09

terça-feira, outubro 13, 2009

FOLHA AO VENTO

Como uma pena que esvoaça, vieste visitar o meu pensamento. Vieste tão docemente como foi a passagem da tua vida pela minha. Não sei se vais reprovar o que escreverei hoje nesta folha solta, mas não resisto, à laia de homenagem escrever sobre ti e sobre nós…

Onde estarás? Vives? Ainda passeias nas margens do Tamisa? Ainda tanta coisa que gostava de te perguntar…

Vivemos de recordações e as recordações são pedaços de vida que nos vão ajudando a transpor o ontem para o hoje e o hoje para amanhã…

Os teus cabelos revoltos, os óculos sempre sujos, o fecho das calças mal subido… parece que te estou a ver bater à minha porta e entrares num misto de inocência e servidão… abraçavas-me tão ternamente! Beijavas-me com tanto fulgor! E sentados no sofá, sentia a tua mão macia e fina como a de um delicado pianista, acariciar o meu joelho ao mesmo tempo que balbuciavas que não era isso que querias fazer…

Repito que não sei se teria a tua aprovação para revelar o que vou pondo aqui, palavra a apalavra… mas tem de ser. Não estaria bem comigo se não te dedicasse estas frases, este texto. Se não te dissesse que foste o grande amor da minha vida…

Estava a chover naquela tarde. Sentámo-nos como sempre, perto um do outro e sussurraste que precisavas de tomar um café. Fomos ao café mas senti-te distante e inseguro… que se estaria a passar?

Voltámos para casa e pediste-me que te desse atenção porque era sério o que tinha para me dizer. Se a memória não me falha, tremi… a primeira coisa que lembrei foi ter de abdicar ao meu amor secreto… mas foi pior e não foi…

Com um carinho que jamais encontrei em alguém, disseste-me que tinhas um namorado que te tinha repudiado e que te envergonhavas de me usares para esquecer as tuas desditas. Acho que naquele momento senti o que alguém pode sofrer por ser preterido. E dei-te alento. E dei-te força e pedi-te muito para que não te deixasses cair em sofrimento porque há sempre forma de superar desgostos desses… a morte, essa não deixaria oportunidade para outras situações, mas essa teria solução, seguramente…

A tarde foi a mais longa que me lembro ter passado, mas por muitos anos nos deixámos abraçados, secando as nossas lágrimas… até ao dia que num longo e terno beijo me disseste adeus… Primeiro Suécia, depois Dinamarca e por fim Londres, numa companhia célebre de teatro musicado… ainda me relataste alguns passeios ao longo do rio e eu olhando para o meu rio, imaginava-te sempre com o cabelo revolto e os óculos meio ensebados…



13.10.09

segunda-feira, outubro 12, 2009

MEDITAÇÕES


Gosto de meditar em frente ao mar, gigante sem tamanho, que se estende para além do horizonte. Gosto de reter na memória a linha do horizonte que nos mostra onde o mar deixa o azul transparente da atmosfera e se enlaça no mar como dois amantes apaixonados.

Medito. Interiorizo no meu silêncio o que talvez gostasse de gritar… mas que se perde antes que se faça som na minha boca. Medito! Retenho na memória o que ouvi, o que li… e também o que vejo, mas que preferiria não ter visto…

Surpreende-te que murmure tudo isto? Não. Não vou repetir o que sei que te iria magoar… só posso pedir-te que esqueças. Deixa que essas recordações mergulhem no nosso mar sem fim…

A voz do meu silêncio bate dentro de mim ao compasso das batidas do coração. Sinto as tuas mãos nas minhas e em uníssono somos ambos a mesma batida, mas em silêncio…

Nas minhas meditações questiono-me. Os porquês são muitíssimos e em abono da verdade nunca me sinto esclarecida. Será que carece de esclarecimento o facto de termos de suportar o que nos deprime, nos deixa inferiorizados? Porquê temos de enfrentar a doença, a morte, os imprevistos? Será que por nos sentirmos infimamente pequenos não podemos procurar a solução, acabando com a dor que nos constrange e nos derrota? Será que por nos sentirmos derrotados psicologicamente não poderemos solucionar a catástrofe que se abate sobre nós?

Aí está porquê o silêncio em que me fecho tem o som ensurdecedor do eco numa caverna…

Pensa agora e opina! Ainda achas que na tua especialidade encontras respostas, soluções apaziguantes, fraseologia que me iniba ainda mais? Ou que seja a resposta ao problema que se estende desde há muito – viver!



12.10.09

sexta-feira, outubro 02, 2009

BREVES MEDITAÇÕES

Abri o livro. Folheei-o devagar. Olhei todas as letras e apreciei os espaços dos parágrafos. Não li nada!

Algures um rádio ou uma televisão faziam alusão às eleições a realizar em breve. Desliguei a atenção porque me feriu ouvir falar de um evento que tão dificilmente foi conquistado pelas Mulheres e que agora, que livremente se pode votar, muitas fingem não perceber a importância do acto. Se o se que me acorrenta permitir, lá estarei… a doença não tem o direito de nos privar da liberdade que conquistámos, até com a vida.

Não sei se terei outra oportunidade de ir votar. Tudo é incerto e a ampulheta faz a sua contagem decrescente. Entrei no jogo e vou correr os riscos…

À partida, sempre soube quão doloroso seria. Também sempre soube que a dor física domina e até pode ser mais massacrante que a dor psicológica. Mas decidi ir à luta.

Voltei a pegar no livro. O livro é de um autor que faz parte da lista dos meus favoritos. Além do mais, sinto-me um pouco (patrícia) de Mia Couto.

Peguei no livro decidida a ler mais umas páginas. Li umas quantas folhas, mas começaram a faltar-me as forças. Nem para leituras nem para o “meu poema por dia” me sinto encorajada.

Talvez durma um pouco ou deixe que mais umas lágrimas corram pela face, como demonstrativo da revolta que sinto por não conseguir ultrapassar o que me prende…



02.10.09

quarta-feira, setembro 02, 2009

UMA ACHEGA AO TEXTO DE JJ

Política!

Política é a palavra que denomina a arte ou a ciência da organização, da administração e direcção de Nações ou Estados.

A política interna de um país é a aplicação desta arte aos negócios internos dessa nação e a política externa aos negócios que se têm com outras nações.

Analisando política à luz da democracia, esta ciência, a ciência política, é a actividade de cidadãos que se ocupam dos assuntos públicos, quer com a sua militância, quer com os seus votos.

Segundo Aristóteles o homem é um animal político, mas eu acrescento, nem sempre interpretando convenientemente esta arte… ora assim sendo, não podemos exigir que a política sirva os cidadãos nem que os ajude a realizar os seus sonhos, sem que antes, cada um de nós aprenda a ter procedimentos compatíveis com o que esta ciência/arte ensina.

O político tem de saber escutar (sem troça e ou arremessos) e tem de saber tomar decisões nos momentos oportunos e sempre que assim seja exigido, sem casmurrice; deverá aceitar as críticas desde que sejam construtivas (as não construtivas, deverá ignorá-las) deve partilhar os seus pontos de vista e as suas reflexões de modo a haver consenso. O diálogo permite que seja alcançado acordo ou que sejam percebidas quaisquer das partes. Da discussão nasce a razão…

O verdadeiro político sabe fazer prevalecer as suas razões e seguramente, apresentar argumentos válidos para que seja credível. Sabe ser assertivo aquando assim for necessário. Também tem de estar atento aos problemas das pessoas para que, como governante, possa accionar mecanismos que permitam que sejam ultrapassados os problemas que estejam a afectar os cidadãos.

Os problemas de carácter social devem estar sempre equacionados de forma evidente e com muita atenção e respeito por aqueles que ficam sem emprego, por aqueles que precisam de cuidados, na saúde, na velhice, e em situações imprevisíveis. Tem também de se acautelar para que não existam casos de fraude… Há sempre quem se “encoste” a subsídios para não se preocupar com o trabalho, quem não quer trabalhar, não deverá viver à custa do trabalho de outros… Há um provérbio que diz “se queres ajudar o pescador, não lhe dês o peixe, dá-lhe uma cana de pesca e ensina-o a pescar” creio que isso nem sempre terá sido feito.

30.08.09

sábado, agosto 29, 2009

PROGRAMA DE RÁDIO - CLUBE DOS PENSADORES

´Meeting Radio Station com Blogues


Programa na RCM irá para o ar -quarta-feira - dia 2 ,entre as 19h e as 20h. ( repete sábado às 24h ) .

Tem como assistente de realização José Silva.

Será um meeting radio station com autores de blogues : Marco Rodrigues - Sérias Dúvidas ; Cláudia Silva - a Carroça da Clau ; Vitor Maganinho - MatosinhosOnline ; Eugénio Queirós - O Porto de Leixões ; José Modesto - José Modesto ; Francisco Castelo Branco - Olhar Direito ; Isabel Carmo - Joaninha ; Carlos Alberto Cadsf ; Mário Russo - Clube dos Pensadores .

Este programa é para os membros , simpatizantes e sociedade civil que poderão sugerir , opinar e criticar .

Há um espaço que os interessados poderão entrar em directo no programa de rádio :
1 – Via telefone através do número 22 9381756
2 - Via net através do blogue Clube dos Pensadores , na hora as opiniões dos internautas serão lidas e tidas em conta para a discussão.

Esta emissão estará disponível online a partir do site RCM ou com a frequência 91.0 no seu rádio.


Agradeço antecipadamente a leitura desta informação

quinta-feira, agosto 20, 2009

RADIOCIRURGIA


Importante e interessante este vídeo.





Depois de ler no Clube dos Pensadores o quanto se vai gastar nas campanhas eleitorais, e sabendo que há tanta gente sofrendo das doenças referidas no vídeo, apetece ser o destruidor implacável...



quarta-feira, julho 29, 2009

ÀS VEZES APETECE!

Às vezes escrevemos só por escrever, mas a maior parte das nossas investidas no espaço que se apresenta à nossa frente, quer seja papel, quer seja o monitor do nosso PC, é para despejarmos o que nos vai na alma. É uma terapia muito positiva porque se expõem afectos que estavam na sombra ou porque temos de mostrar o nosso agrado ou desagrado por algo que nos atormenta.

Claro que o que nos atormenta dá-nos uma mais larga margem para nos expressarmos, porque desabafamos.

É o caso!

Tenho de “despejar o saco” porque senão fico “maluquinha”.

Não apareço em revistas, não dou conferências, mas apetecia-me fazer um comício.

Vá! Riam-se para aí e gozem… Porquê um comício? Porque sai barato e como é ao ar livre, de uma maneira geral, atrai muita gente e então podem dizer-se muitas coisas que de outra forma, rodeados de formalismos, não seria possível.

Pois bem! No meu comício e porque estamos num período propício, falaria de eleições. Falaria de possíveis passos a dar para angariar adeptos, mas sem mentir nem pintar quadros imaginários, de cores que se perderiam às primeiras chuvadas.

Não faria questão de aparecer sempre ajanotada e muito menos esconder o como não sou. Os anos são uma honra e não o motivo de nos mascararmos para parecermos mais novos…

No meu comício não diria mal de ninguém. Cada um é como é, e as acções são para quem as pratica. No meu comício tentaria mostrar que o respeito pelas pessoas não é prometer o que é impossível dar-lhes, (sei que as pessoas gostam de analgésicos para não sentirem dores, mas tratamento de fundo, esse não esconde a dor e é moroso…) mas fazê-las sentir que estão erradas, requer paciência e muito tacto, para não molestar ninguém.

Nem sempre o que parece é. Às vezes parecemos estar seguros dos nossos papéis e afinal não passa de mera confusão ou forma de fazer de conta que tudo está bem…

No meu comício não pediria votos. Quem se sentisse na minha onda, votaria em mim, seguramente… teria de ser muito verdadeira e perspicaz para usar termos e palavras que convencessem e levassem todos a colaborar no avanço e melhoria das condições sociais e económicas. Fazer sentir que o trabalho de equipa não significa que se eliminem os degraus que nos separam uns dos outros, nem que esperemos por “milagres” para se conseguir o que se pretende.

O meu comício terminaria com palavras de força e de que querendo, todos conseguimos!

28.07.09


(texto publicado no Clube dos Pensadores)



sexta-feira, junho 19, 2009

DIAS SIFICEIS

Não imagina quem vê o que são imagens distorcidas, sombras fantasmagóricas que se vão chegando a nós quando a visão começa a ser deficiente por causa de cataratas, sobretudo, quando se tem de aguardar por uma oportunidade, não estando dependendo de nós, nem do nosso querer, mas de decisões de quem vê bem e não consegue perceber quanto é difícil uma situação assim. Esta é minha experiência, neste momento e acrescento que me revolta profundamente, deixando bem demarcado que há muita injustiça em casos similares.

Enquanto aguardo, apenas vejo fantasmas em vez de figuras humanas, a deslocarem-se ante mim.

Vou desperdiçando o meu tempo uma vez que não posso ver para executar a maior parte das coisas que gosto e sei fazer… até para marcar um simples número de telefone tenho de usar uma lupa…. Já idealizaram há quanto tempo estou a escrever estas linhas? Não contabilizem! Chamavam-me louca e nem acreditariam…

Foi-me prometido para a próxima segunda-feira uma decisão e, que aceitarei ou não, dependendo do que for proposto. Estou no direito de recusar, sabendo que há alternativas mais fiáveis para mim.

19.06.09

quarta-feira, junho 17, 2009

CONFIDÊNCIAS E LAMENTOS

Apetecia-me ter os olhos enxutos, mas não tenho. Apetecia-me ter vontade de rir e não tenho. Apetecia-me não sentir a tristeza que me invade. Apetecia-me dizer a alguém que rir na cara de quem expõe as suas razões, por mais idiotas que sejam, é descarada falta de educação ou talvez demência…

Apetecia-me ter sido idiota durante o dia de hoje e não ter ouvido um terço do que ouvi…

Vamos votar na falta de educação! Claro que não refiro o conhecimento. Falo do que se aprende desde o berço, ou se devia aprender… não mentir! Não fazer de conta, mão prejudicar ninguém, e, muito menos tirar dividendos senegando meios de tratamento a quem está doente, para se mostrar que se economiza em gastos supérfluos.

Apetecia-me berrar que o ser velho ou doente não é sinónimo de “não presta”. Será que há pessoas que têm o elixir da longa vida e não envelhecem?... e não estão nunca doentes?!… nem sofrerão de cancro, jamais!

Arde dentro de mim um espírito de revolta que me apetecia destruir tudo e todos. Não há direito que se prejudique, seja quem for, a favor de ideais economicistas, em abono da degradação da qualidade e do bem-estar das pessoas. Ter qualidade de vida, passa por não subtrair certos direitos que as pessoas têm a certos tratamentos. Em abono de outros que poderão trazer o fim… Isto é injusto!

Sejamos inteligentes e pensemos: Se se tratar bem uma doença, e não se considerar um doente como um despesismo, poderemos até usufruir das qualidades desse doente, para dar apoio à sociedade em que se insere, sendo uma mais valia e não um desperdício.

Uma página para a hitória… a 17.06.09

quinta-feira, abril 02, 2009

VERDADE OU FICÇÃO














óleos sobre telas de Sonny









Subi as escadas de mármore. Fora um palácio imponente. Agora é um Museu conceituado. Os salões foram transformados em amplas galerias, onde os focos de luz davam vida às pinturas. Que quadros célebres de pintores não menos célebres e quase todos fazendo parte de grupos de celebridades de outros séculos passados.
Frente a cada quadro parei. Admirei e fiz um curto apontamento na memória, para mais tarde recordar.
Duas horas mais tarde iniciei a minha visita às galerias dos contemporâneos. Alguns artistas menos conhecidos, não deixavam de ter belos trabalhos. Parei em frente dos nus. Observei um a um; cor, traço, enfim, gostei!
Lentamente caminhei pela galeria, ora observando à esquerda, ora à direita. Completamente absorta entre o que via e o fluxo do pensamento que se misturava entre o que via e o que pensava, que nem tinha a perfeita percepção de estar numa galeria.
De repente senti-me abraçada. Alguém em quem não reparei abraçava-me e beijava-me fugazmente no meu pescoço, na testa, as bochechas, os lábios…
Só podia! Surpresa! Quem andava por ali, como eu a beber cor e figuras para alimentar a escrita…
Lado a lado, depois de braço dado, fomos complementando a nossa observação com um abraço, um beijo, um sorriso… que bom ter vindo ao Museu esta tarde!

04.04.09

sexta-feira, março 27, 2009

AQUELA RUA!

Será que devemos esquecer que ao fundo daquela rua há uma esquina? Será que, se o recordarmos vamos sempre lembrar a escorregadela que lá sofremos? Incrível! Pois é! Por mais incrível que pareça é exactamente por essa rua que me apetecia ir passar… talvez até só para recordar a escorregadela que sofri, não reparando que, para acender um cigarro (e isto já lá vão uns largos tempos, pois há muito que já nem fumo…), desconcentrava-me da atenção essencial que aquela rua me merecia, por ser tão escorregadia… Somos realmente assim, em tudo! Quanto mais escorregamos, mais nos apetece escorregar…
Mas lembro-me daquela rua, porque aquela rua me transporta, não só à escorregadela, mas e também à minha actividade como voluntária, ensinando numa Universidade Sénior.
Que saudade! Por motivos, mesmo contra a minha vontade, estou sem exercer a minha actividade… a ver vamos se posso recomeçar em breve. Adoro ensinar!
Mas ainda volto àquela rua. Quando olho ao fundo, vejo o Tejo, brilhante como cetim de seda fazendo de cama a algum barco que desliza de mansinho… O sol reflecte-se nas águas e gosto de sentir os olhos a sofrer as consequências desse brilho. Gosto de ver os prédios encavalitados como que a não querer deixar espaço para a passarada que pela Primavera esvoaça por aí… e tantos automóveis! Pelos passeios e mostrando como civicamente somos tão pouco respeitadores…

26.03.09