quarta-feira, agosto 23, 2006
PAPÉIS
Fiquei aqui, só, com a música baixa, a mexer em papéis e mais papéis: antigos; muito antigos. Papéis onde apontei tantas palavras. Papéis que são horas da minha existência, que são notas do que não quis esquecer, poemas de esperança, de desespero de impaciência… e sempre, sempre de procura… uma procura incessante, como que quisesse encontrar um escrito teu, só para mim… e tanto que me escrevi!...
Entre os papéis que guardo como relíquias, encontrei cartas de amigos. Velhos amigos. Amigos que já partiram para a sua viagem ao infinito. Cartas de amigos que a distancia separou e perdi o contacto, mas não os esqueci. Amigos que escreveram banalidades. Amigos que me escreveram verdadeiras cartas de amor. Hoje compreendo que eram cartas de amor… cartas que falavam de si, das suas vidas, dos seus encantos e desencantos…
Reli uma das cartas que encontrei do Roberto Mártir, do Brasil. Muitas cartas trocámos e até bolos lhe enviei… éramos ambos fans do Club de John Gavin… e muito amigos. Contou-me que era primo do Roberto Carlos e que também tocava violão. Nunca cheguei a receber um disco seu.
Dos papéis mais recentes, voltei a reler uns escritos que imprimi de um dos Blogs de um amigo. Sempre escreveu coisas lindas. Escritos profundos e a fazerem pensar, que julgava que eram escritos para mim… e como me enganei. Enganamo-nos sempre. Quando nos sentimos profundamente desenganados, é tarde demais para se recuar…
Há onze dias que vou passando o tempo em função do toque do telefone portátil, por isso, vou aproveitando o tempo de espera para fazer arquivos e reler os meus papéis. Quando ele toca, a maior parte das vezes, nem posso dar a atenção que queria a quem me liga, porque invariavelmente, só me telefonam quando estou a fazer qualquer coisa que não posso interromper… mas fico feliz, só por saber que não estou esquecida. Contudo, às vezes toca o fixo e não é ninguém… apenas digo “estou sim…” e desligam…
23.08.06
terça-feira, agosto 22, 2006
LETRAS E PALAVRAS OU VICE-VERSA
Eu sou tu quando escrevo as minhas folhas soltas deste diário, que desde adolescente venho escrevendo, cheio de palavras dirigidas a mim própria, como uma anotação, para não esquecer o que pretendo que me fique como registo, para posterior análise ou apenas porque quero mais tarde recordar, como quem lê um livro de histórias da infância. Letras e palavras… Umas grandes, outras pequenas, outras cruzadas, outras juntas, formando emaranhados de linhas e linhas, como se fossem uma trepadeira de hera, subindo por um choupo acima, fazendo uma mata cerrada, que muitas vezes nem tem significado para quem possa ler, a não ser para mim, que leio e escrevo e escrevo e leio, sempre pronta a criticar isto ou aquilo, este ou aquele facto, porque me chamou mais a atenção ou porque não estou de acordo… sempre fui contestatária…
Hoje comecei a ler um novo livro. Novo porque o comprei no sábado passado; novo porque está nas bancas depois de traduzido, desde Janeiro… e novo porque ainda não tinha lido nada sobre este tema, exposto desta maneira. O romance de Eugenia Rico e traduzido por Miguel Serras Pereira, trata de uma viagem, entre o real e o fantástico, de uma mulher à procura da sua segunda oportunidade – A idade Secreta – que poderia ser a tua, a minha ou a de qualquer um que, sem ter sido pela razão desta personagem, está dentro do mesmo carrinho verde, estrada fora, em direcção a um horizonte perdido... Ela vai por aí em busca de si, de alguém, de nada, de viver… eu vou por aqui, por além, por nenhures… em busca de amor…
…pela leitura das primeiras linhas, senti que gostava de ser a personagem deste romance… bem! a verdade é que me senti na sua pele desde que folheei o livro, ainda na livraria…
Pensei, ou melhor, revi-me nesta travessia de uma imensa floresta, em busca do “velo de ouro” suspenso de um carvalho, no bosque sagrado da Cólquida e guardado por um dragão não menos sagrado…
Não quero hoje saber de notícias. Não quero ouvir da guerra, dos crimes, do preço do petróleo. Afinal tu também não estás com qualquer interesse nestes temas. Outros assuntos te preenchem. Não sou esquecida, para justificar que não sou esquecida, mas não tenho significado, porque nem sempre significa alguma coisa, as coisas que não esquecemos. Entretanto voltou o telefone a tocar. A “minha fantasma” gosta de me ouvir dizer “Estou sim!” … … … …
22.08.06
segunda-feira, agosto 21, 2006
CONSIDERAÇÕES OU REFLEXÕES SOBRE O “ACABAR”
Ainda soam no meu ouvido as palavras que disseste. Deixaram-me a pensar. Deixaram que pensamentos se chocassem e se cruzassem, como os que escrevi na página de ontem, quando analisava os pensamentos. Os meus pensamentos.
Não sei se são para me marginalizar, se para me confundir, se apenas para me deixar a gravitar numa orbita distante… se para acelerar a minha decisão de um dia destes também viajar sem destino. Assim, param de ser lidas as minhas palavras e nem tão pouco lerei as tais “bocas foleiras” de uma piton, que à força me quer engolir, como quem come um pastel de nata… ou uma torrada bem amanteigada, deixando em reticencias o que cobardemente não digere como as suas gulodices ….
Já mais de uma vez deixei que a minha opinião sobre o “acabar”, que é muito minha, fosse escutada por ti. Tenho uma opinião própria, porque não concebo que se viva sem se amar ou ser amado. Já disse muitas vezes, também, que amar é tão largo como o oceano e tem intensidades diferentes, como as rajadas de vento… contudo, estou plenamente de acordo, que não podemos exigir que nos amem, como amamos.
No Amor fraternal, há intensidades diferentes. Todos sabemos que, se num seio familiar houver mais do que um filho, por mais que se mostre amar todos de igual forma, há sempre um, para quem se encontra uma justificação, para se lhe demonstrar mais amor e carinho. Entre dois ou mais irmãos, passa-se o mesmo. Há sempre aquele que é mais camarada, aquele com quem se partilha mais, aquele que é o cúmplice de brincadeiras e dos segredinhos de adolescente. Em parceiros, um deles, ama mais, muito embora a outra parte tente mostrar que é quem mais ama. Não há explicação para isso, assim como também não existe o que determine quando e porquê se começa a gostar (amar) de alguém – os espanhóis dizem “te quiero” porque a palavra “amar”, é suposto ser muito forte... Os factores que para isso contribuem são inumeráveis e as condições que favorecem o momento de se começar a gostar são indizíveis, até porque algumas anulam outras e por esse motivo qualquer explicação tornar-se-ia absurda.
O suicídio, muito condenado, pode ser a única solução para pôr fim a qualquer situação insustentável. Se a parte psicológica não tem garantes de sobrevivência e se a auto-estima está em baixo, se só existem incertezas e inseguranças, se falham as bases essenciais no âmbito emocional, se não se vislumbra qualquer hipótese de se alcançar um primeiro degrau para que se seja feliz, é muito complicado sobreviver. Antes de se praticar o suicídio, já se morreu há muito… porque a doença já dominou, porque a miséria já subjugou, porque o amor já se fundiu entre ódios, raivas e desesperos… Como se pode fazer juízos de quem está num caldeirão de ácido, desfazendo-se em cada segundo? É ser-se humano o criticar alguém neste extremo? Não me parece. Creio sim, que a melhor forma é aceitar, já que não soubemos dar Amor a quem tanto necessitava dele na altura própria …
Deixei que todas estas palavras fossem a mostra do que penso, porque já tive amigos que se suicidaram, sem que tivesse tido tempo de lhes dizer, que como seres humanos, os amava…… Não falei uma única vez sobre sexo em todas estas linhas, porque, Amor nem sempre é sexo, ou melhor, Amor pode nada ter a ver com sexo.
Mas, já que aqui chego, poderia opinar que sexo, também é muito complexo, quando não visto pelo lado material. Mas como poderia chocar o que viesse a acrescentar, prefiro dedicar outra folha dos meus escritos ao assunto em causa.
20.08.06
PENSAMENTOS
Os pensamentos correm a uma velocidade incomensurável.
Cruzam-se os pensamentos e escorrem como uma cascata do alto de um penhasco. Tombam uns nos outros e misturam-se numa amálgama contorcida, deixando a mente como a terra queimada, depois de uma erupção ter varrido a encosta do cone do vulcão, deixando-a coberta de lava semi incandescente…
Abraçam-se os pensamentos e à distância fundem-se. Dois pensamentos num. Pensamentos de dois, num só … pensamentos que são o eco silencioso da voz do pensamento.
Pensamentos cheios de positividade. Pensamentos tristes – ausência e saudade!
Outros pensamentos devastadores – a guerra; gentes que morrem inocentemente; gentes que por não serem tão inocentes provocam a morte a outros… e outros que morrem inocentemente por causa de quem os não ama…
Pensamentos que traduzem incerteza; pensamentos de promovem a insegurança, pensamentos que abalam, que revoltam, que promovem o ódio: falta de Amor de uns para com os outros.
Pensamentos que agitam todo o ser e lhes deixam o amargor do abandono… pensamentos de destruição, a deixarem o travo de traição na pele de quem se sente preterido… trair não é trocar, é preterir, que é muito mais destruidor…
Quer queiras, quer não, todos os meus pensamentos estão dirigidos para os teus, num esforço titânico para que possa seguir a tua corrente de pensamentos e não ser nunca uma barreira à forma como pensas, ou como ages. Muito ao contrário, ser uma força invisível para que nada te destrua ou te faça oscilar no como és, uma vez que toda a beleza que te envolve está no ser como realmente és, mesmo que não proporcione felicidade a quem quer que aspire a partilhar contigo a cumplicidade que a liberdade dá à imaterialidade do nosso ser.
Os nossos pensamentos brincam juntos. Os nossos pensamentos divergem e voltam a unir-se numa constante fuga e aproximação, dormindo no chão, no tapete do corredor, na cadeira grande da sala… São pensamentos. Nada mais que pensamentos, cheios das ternuras que só em pensamento se sentem…
19.08.06
Os pensamentos correm a uma velocidade incomensurável.
Cruzam-se os pensamentos e escorrem como uma cascata do alto de um penhasco. Tombam uns nos outros e misturam-se numa amálgama contorcida, deixando a mente como a terra queimada, depois de uma erupção ter varrido a encosta do cone do vulcão, deixando-a coberta de lava semi incandescente…
Abraçam-se os pensamentos e à distância fundem-se. Dois pensamentos num. Pensamentos de dois, num só … pensamentos que são o eco silencioso da voz do pensamento.
Pensamentos cheios de positividade. Pensamentos tristes – ausência e saudade!
Outros pensamentos devastadores – a guerra; gentes que morrem inocentemente; gentes que por não serem tão inocentes provocam a morte a outros… e outros que morrem inocentemente por causa de quem os não ama…
Pensamentos que traduzem incerteza; pensamentos de promovem a insegurança, pensamentos que abalam, que revoltam, que promovem o ódio: falta de Amor de uns para com os outros.
Pensamentos que agitam todo o ser e lhes deixam o amargor do abandono… pensamentos de destruição, a deixarem o travo de traição na pele de quem se sente preterido… trair não é trocar, é preterir, que é muito mais destruidor…
Quer queiras, quer não, todos os meus pensamentos estão dirigidos para os teus, num esforço titânico para que possa seguir a tua corrente de pensamentos e não ser nunca uma barreira à forma como pensas, ou como ages. Muito ao contrário, ser uma força invisível para que nada te destrua ou te faça oscilar no como és, uma vez que toda a beleza que te envolve está no ser como realmente és, mesmo que não proporcione felicidade a quem quer que aspire a partilhar contigo a cumplicidade que a liberdade dá à imaterialidade do nosso ser.
Os nossos pensamentos brincam juntos. Os nossos pensamentos divergem e voltam a unir-se numa constante fuga e aproximação, dormindo no chão, no tapete do corredor, na cadeira grande da sala… São pensamentos. Nada mais que pensamentos, cheios das ternuras que só em pensamento se sentem…
19.08.06
sexta-feira, agosto 11, 2006
ROSAS DO ADEUS

Tudo o que resta de tanto amor,
São estas rosas de saudade…
São minhas lágrimas de dor,
São lágrimas da minha verdade…
São estas, as rosas do adeus
Rosas da cor do amor…
Que gravadas nos olhos meus,
Apenas são saudade e dor…
Rosas, apenas rosas para me iludir.
Qual perfume doce e estonteante
Sempre pronto para me ferir,
Pela manhã, aquando a brisa de levante…
Adeus rosas do meu sonhar.
Ide em busca de outro jardim,
Procurem quem vos possa amar,
Mas longe, muito longe de mim…
Minhas rosas do adeus,
Rosas a quem quis tanto…
Foram minha fé num deus
Que só me deixou dor e pranto…
11.08.06
terça-feira, agosto 08, 2006
INCERTEZA
A incerteza é como um barulho ensurdecedor… é o ribombar de trovões… ou de canhões numa guerra multidimensional…
A incerteza reduz a capacidade de interagir, de raciocinar, do feed back essencial para manter acesa a chama do amor de amigo, do amor dos amantes, do amor fraternal, do amor de ser humano para ser humano…
A incerteza tira o apetite, aniquila a imaginação e extingue a compreensão.
A incerteza está dentro de mim como um vírus devastador.
A incerteza reduz a auto-estima e sem auto-estima apetece morrer…
08.08.06
segunda-feira, julho 31, 2006
FUI CONVERSAR

Gosto de ir ao campo. A paisagem verde deixa-me calma, sobretudo quando vou à procura de qualquer coisa que os aglomerados de cimento não me deixam ver. Também gosto do mar, ou não fora eu de um signo de água…
Mas a minha ida à Lezíria tinha como finalidade dar dois dedos de conversa. E encontrei mesmo quem precisava: uma Vaca.
A manada não era muito grande, mas uma salientou-se do grupo, quer fosse por curiosidade, quer fosse mesmo, para correr com a intrusa, que era eu….
Mal a cumprimentei, pareceu-me responder-me com um mummmm muito prolongado, mas que me deu azo a encetar a conversa a que me propusera, quando estacionei o carro à beira do imenso campo de pasto.
Amistosamente deixei que matasse a seu interesse e expliquei-lhe que não lhe iria fazer mal, mas queria perguntar-lhe o que pensava dos seus predadores homens. Já alguma vez lhe ocorrera que não passava de um mero objecto de valor económico e nutritivo do Homem?
Perguntei-lhe se sabia que a sua pele peluda servia para muitas coisas, sobretudo, para calçado…. E os cornos? Aí, fez um movimento de cabeça, como se se tivesse apercebido que pesavam mesmo… e expliquei-lhe que há cabos de facas, que são dessa sua parte nobre…
Perante alguns dos meus comentários a amiga Vaca pareceu indiferente, e petiscando a ervinha a seus pés, quase parecia me mandar passear…
A conversa estava a deixar-me cada vez mais empolgada, pois que para além das mordiscadelas na erva, ela apenas ia fazendo os seus mummmmmssssss, como se apenas dissesse “sim!”
Decidi ir mais fundo na conversa e perguntei-lhe se já havia comentado com as colegas, que os homens, para além de se alimentarem com a sua carne, o seu leite e usarem a sua pele e cornos, se entretinham pelos cafés, muitas vezes sem quaisquer outras finalidades que não a de comentar outros que aí entram, na política, a verem onde têm mais protagonismo, na banca, onde procuram usufruir de maiores lucros, na Internet, pescando aqui e além textos de outros e copiando, mostrando que são muito bons a mostrar o trabalho dos outros… e depois, sem muitas vezes saberem a fundo de determinados temas e atrevendo-se a falar de mentes poluídas, de poetas, de compositores… de coisas que infelizmente, apenas uma faixa muito estreita dos homens sabe, eventualmente, o que possa ser…
A minha interlocutora, parecia atónita. Deixou-me falar, atendeu a todas as minhas solicitações de atenção e daí a algum tempo, como que cansada de me escutar, deu meia volta, deixando no ar o seu característico mummmm, à laia de boa tarde e passe muito bem…
Não obtive muitas conclusões da minha conversa com aquela Vaca, mas pelo menos senti-me bem comigo, porque lhe deixei uns quantos alertas no que refere ao seu principal predador…
31.07.06
quarta-feira, julho 12, 2006
EXÉQUIAS!
Magda telefonou-me muito excitada, porque finalmente havia ultrapassado todas as barreiras que a impediam de realizar o que mais havia almejado desde 1978.
Pediu-me que a acompanhasse no dia onze, pois o funeral realizar-se-ia a meio da tarde.
Disse-lhe que era impossível, pois tinha agenda cheia e transferir sessões assim com tão pouco tempo, poderia retumbar numa confusão imensa.
Acabei por ceder. Afinal fazia o seu acompanhamento há mais de dez anos. Durante esse acompanhamento, houve mais do que três deslocações a Azóia. Era tempo de pormos as coisas nos seus devidos lugares e era sobretudo tempo para que Magda encetasse a nova vida com que tanto havia sonhado.
Magda esperou-me no parque de estacionamento. Deu-me o braço e caminhou a meu lado, muito séria e compenetrada.
Quando chegámos à porta do Cemitério, estavam em fila três carros funerários, tão carregados de rosas vermelhas, que me deixaram estupefacta.
“Todas, são os minutos em que nunca esqueci quem mais amei a vida toda…” disse baixinho ao meu ouvido.
Entretanto explicou-me que lá na Azóia o espaço havia sido solicitado e por esse motivo, quem reclamasse a ossada, poderia transladá-la para o lugar de preferência. Procedeu aos requisitos necessários e aqui estavam os restos do seu amado, para serem cremados, junto das rosas.
Eram mais de quatro mil rosas… e a fumaça branca que subiu em espiral para o céu, deixou um perfume a “Sky” a pairar no ar, que me fez chorar pela saudade que também tinha dentro de mim…
Creio que deixei ir a minha rosa junto com aquelas… Paz ao que não mais terá retorno!
Quando saímos, e por imposição do pessoal, porque iam fechar, fomos para casa de Magda, onde uma vez mais folheamos o álbum das fotos, que religiosamente continuava sobre a camilha da sala…
Espero que, finalmente, Magda seja feliz!
12.07.06
Magda telefonou-me muito excitada, porque finalmente havia ultrapassado todas as barreiras que a impediam de realizar o que mais havia almejado desde 1978.
Pediu-me que a acompanhasse no dia onze, pois o funeral realizar-se-ia a meio da tarde.
Disse-lhe que era impossível, pois tinha agenda cheia e transferir sessões assim com tão pouco tempo, poderia retumbar numa confusão imensa.
Acabei por ceder. Afinal fazia o seu acompanhamento há mais de dez anos. Durante esse acompanhamento, houve mais do que três deslocações a Azóia. Era tempo de pormos as coisas nos seus devidos lugares e era sobretudo tempo para que Magda encetasse a nova vida com que tanto havia sonhado.
Magda esperou-me no parque de estacionamento. Deu-me o braço e caminhou a meu lado, muito séria e compenetrada.
Quando chegámos à porta do Cemitério, estavam em fila três carros funerários, tão carregados de rosas vermelhas, que me deixaram estupefacta.
“Todas, são os minutos em que nunca esqueci quem mais amei a vida toda…” disse baixinho ao meu ouvido.
Entretanto explicou-me que lá na Azóia o espaço havia sido solicitado e por esse motivo, quem reclamasse a ossada, poderia transladá-la para o lugar de preferência. Procedeu aos requisitos necessários e aqui estavam os restos do seu amado, para serem cremados, junto das rosas.
Eram mais de quatro mil rosas… e a fumaça branca que subiu em espiral para o céu, deixou um perfume a “Sky” a pairar no ar, que me fez chorar pela saudade que também tinha dentro de mim…
Creio que deixei ir a minha rosa junto com aquelas… Paz ao que não mais terá retorno!
Quando saímos, e por imposição do pessoal, porque iam fechar, fomos para casa de Magda, onde uma vez mais folheamos o álbum das fotos, que religiosamente continuava sobre a camilha da sala…
Espero que, finalmente, Magda seja feliz!
12.07.06
ESTA TARDE!
Lúcia (nome fictício) tinha a sessão marcada para as dezasseis horas, mas veio meia hora mais tarde.
Como sempre, muito bem cuidada. Como se diz actualmente, muito produzida. Ares de grande dama, num perfeito faz de conta, porque esta pessoa está a passar um momento de grande perturbação.
Com um casamento com mais de vinte anos e com um filho, que foi viver com os avós para a Suiça, por não querer estudar mais, vê-se diariamente confrontada com o seu papel de mulher fêmea, que a deixa insegura e com uma auto-estima muito baixa.
Lúcia veio para conversar, para ver se encontrava o fio da meada que estava emaranhada há tempo demais.
Apoiar uma pessoa que se refugia em químicos, para não se aperceber que para além de cozinhar as suas pizas, as saladas e limpar o pó, só serve para o marido se satisfazer fisicamente, pois que o senhor em questão, mais culto, vive para a sua profissão e para os seus negócios, que diz serem para manter os luxos da esposa, é extremamente difícil. Mas finalmente, Lúcia entende que toda a sua problemática vida, está contextualizada na sua vida em geral e a sua sensação de não servir para nada que a preencha, tem de ter um fim, pois começou a não aceitar a idade que tem, sentindo-se inútil e admitindo que o marido a vai pôr de parte, encontrando alguém mais jovem e com outros atributos.
Depois de ouvir Lúcia por meia hora, sem a interromper, sugeri que podia ocupar o seu tempo dedicando-se a aprender qualquer coisa que a satisfizesse, para aplicar esse conhecimento em um qualquer hobby, que a fizesse ultrapassar a sensação de vazio.
Sugeri que fizesse voluntariado com crianças ou com pessoas que necessitam de companhia, mesmo sem estarem doentes. Enfim, fui dando pistas, para que daí lhe surgissem ideias, mas sempre aquele olhar distante, como se procurasse algo num ponto indefinido de um espaço que não estava a ver.
Lúcia acabou por se despedir até à próxima semana, dizendo que tinha uma coisa para me contar, mas que para isso tinha de estruturar os mecanismos que a deixassem desinibida e a levassem a ser clara para não entrar em conflito com ela própria, como acontecia muitas vezes…
E…. foi o caso mais marcante desta tarde: há aqui uma velada violência conjugal!
11.07.06
terça-feira, julho 11, 2006
E foi assim que passei a saber o que atormentava a minha curiosidade…
Entrou pela porta de rompante. Puxou a cadeira e tossicou e abriu a boca desmedidamente, num bocejo deselegante, deixando ver uma dentadura descuidada, diria mesmo que tive nojo…
Decididamente, uma vez que veio até aqui, em que posso ajudar, foi tudo o que me ocorreu dizer…
Nada de especial, respondeu prontamente, acrescentando que já tomava mais de uma dúzia de comprimidos por dia, mas agora era demais, não estavam a fazer mais efeito…
Mas, tive de informar que não passo receitas e muito menos sou de opinião, que as pessoas se refugiem em drogas, para ultrapassarem as suas dificuldade psicológicas (as suas frustrações e todo um manancial de situações que só com inteligência podem ser ultrapassadas), não disse, pensei…
No meio desta catadupa de frases, perguntou-me pela pessoa X. Respondi-lhe que não sabia, pois não posso saber de todas as pessoas que são do relacionamento de tal personagem.
Depois de outras banalidades, à laia de confissão, volta a perguntar pela tal pessoa conhecida e se eu houvera lido os seus últimos escritos… no mínimo estranhos…. Mas como poderia eu saber? Nem conheço a pessoa em questão (?)…
Depois revelou que fora convidada para o enlace matrimonial do ex. Havia um bom relacionamento posterior à separação… que estranhas formas de vida… há um ex. um presente e desejos de um futuro… que revelações! Estou mesmo a atravessar a maior paixão da minha vida, dizia com olhos saindo das órbitas, como um bêbado que quer passar por meio de um candeeiro…
Mas não ficou por aqui a consulta. Porque vieram outras e outras frases que me deixaram atónita… e sempre a pergunta disparatada se eu tinha falado com a pessoa X, que não me explicou bem se era quem era, ou se não era mais do que o quem eu estava a supor…Mesmo já tendo ouvido dezenas e dezenas de pessoas, esta estava mesmo obcecada… Como é estranho tudo isto!
Enfim, depois de acalmar uma “paciente” tão complicada, tive de mentir, dizendo que tudo se ia recompor… nem ela sabe onde se meteu…. Mas enfim, enfim…enfim…
Era tarde e fechei a baiuca. Nada mais para mais ninguém… nem chamadas telefónicas.
Precisava de pôr a cabeça em lugar seguro, porque sempre há quem a tenha pior do que a minha….
Tive ganas de telefonar ao querido e desabafar. Há certas pessoas que nos procuram e nos deixam mais “doentes” do que elas estão na realidade… Mas não. Fiquei tão abalada com o que ouvi e observei que o mais que posso fazer, é não pensar mais no assunto.
Nem sempre as histórias têm um final feliz…..
11.07.06 – 02H30
Decididamente, uma vez que veio até aqui, em que posso ajudar, foi tudo o que me ocorreu dizer…
Nada de especial, respondeu prontamente, acrescentando que já tomava mais de uma dúzia de comprimidos por dia, mas agora era demais, não estavam a fazer mais efeito…
Mas, tive de informar que não passo receitas e muito menos sou de opinião, que as pessoas se refugiem em drogas, para ultrapassarem as suas dificuldade psicológicas (as suas frustrações e todo um manancial de situações que só com inteligência podem ser ultrapassadas), não disse, pensei…
No meio desta catadupa de frases, perguntou-me pela pessoa X. Respondi-lhe que não sabia, pois não posso saber de todas as pessoas que são do relacionamento de tal personagem.
Depois de outras banalidades, à laia de confissão, volta a perguntar pela tal pessoa conhecida e se eu houvera lido os seus últimos escritos… no mínimo estranhos…. Mas como poderia eu saber? Nem conheço a pessoa em questão (?)…
Depois revelou que fora convidada para o enlace matrimonial do ex. Havia um bom relacionamento posterior à separação… que estranhas formas de vida… há um ex. um presente e desejos de um futuro… que revelações! Estou mesmo a atravessar a maior paixão da minha vida, dizia com olhos saindo das órbitas, como um bêbado que quer passar por meio de um candeeiro…
Mas não ficou por aqui a consulta. Porque vieram outras e outras frases que me deixaram atónita… e sempre a pergunta disparatada se eu tinha falado com a pessoa X, que não me explicou bem se era quem era, ou se não era mais do que o quem eu estava a supor…Mesmo já tendo ouvido dezenas e dezenas de pessoas, esta estava mesmo obcecada… Como é estranho tudo isto!
Enfim, depois de acalmar uma “paciente” tão complicada, tive de mentir, dizendo que tudo se ia recompor… nem ela sabe onde se meteu…. Mas enfim, enfim…enfim…
Era tarde e fechei a baiuca. Nada mais para mais ninguém… nem chamadas telefónicas.
Precisava de pôr a cabeça em lugar seguro, porque sempre há quem a tenha pior do que a minha….
Tive ganas de telefonar ao querido e desabafar. Há certas pessoas que nos procuram e nos deixam mais “doentes” do que elas estão na realidade… Mas não. Fiquei tão abalada com o que ouvi e observei que o mais que posso fazer, é não pensar mais no assunto.
Nem sempre as histórias têm um final feliz…..
11.07.06 – 02H30
sábado, julho 08, 2006
LIVRO EM BRANCO
Comprei um livro em branco,
Para escrever frases de amor,
Mas deixei-o sobre a mesa,
Esperando encontrar um rosto franco,
Com um sorriso e falador,
Para apagar a minha tristeza…
Folheei as folhas tão alvas
Onde decidi nada escrever.
A capa dizia Livro em branco
E as letras dum verde de malvas…
E tinha o livro e nada para dizer…
Porque não encontrei um rosto franco…
Guardei o meu livro e esperei
Numa espera de ansiedade
Deixando o meu livro inútil
E não escrevi, nem escreverei…
Porque só lá deixaria saudade,
Poesia; … tudo o que é fútil…
Podia escrever sobre a maldade,
Ou deixar a minha poesia
De escárnio e maldizer,
Mas isso seria perversidade,
Que mais ninguém entendia
E iam chamar de crueldade…
Porque poeta, é aquele que é cruel,
É o que diz sempre sem dizer
E dizendo, diz o que não sente…
Por isso lhes chamam amargos de fel,
Por isso lhes querem fazer crer
Que só vivem inutilmente…
No meu livro em branco só vou escrever,
Que detesto os ociosos,
Os presunçosos, os sem imaginação,
Porque criticam o meu escrever
E não passam de seres maliciosos,
Incoerentes, indecisos e sem coração…
E para me libertar da saudade,
Vou contigo ler o que não escrevi,
Vou deixar que me abraces forte.
Quero-te no meu livro como verdade,
Como toda a que senti,
Com toda a veracidade,
Antes da minha morte…
08.07.06
11H50
“In Hairdresser”
sexta-feira, julho 07, 2006
ERA PARA TI!
Este arquivo de poesia, que corresponde aos primeiros seis meses de 2006.
Dedico-o com todo o carinho a quem tem convivido mais comigo, nestes últimos tempos. Alguém que me conhecendo bem, teima em escarificar a ferida não cicatrizada da saudade…
Dedico-lhe também estas breves palavras, que não são senão um choro silencioso, por nem sempre ter compreendido que há muita perversidade em muitas das pessoas a quem pretendemos brindar com o nosso relacionamento e nos vão usando como meio de desfeitearem quem não gostam.
O Homem vive de recordações. Faz elos de ligação entre si e outros Homens. Aproxima uns, repudia outros; faz mal a muitos, mesmo que por vezes não tenha a percepção disso. Há os que vivem premeditando a maldade e por gestos, por diversas manifestações de agressividade, vivem tentando machucar o seu semelhante, para progredir e vencer, apenas para lhes ganhar a posição. Como que cada um não fosse um ser individual, no seu espaço, sem qualquer possibilidade de substituir ou ser substituído. Dividem os que os rodeiam com habilidade e impostura. Dividem para reinar.
Há quem procure em excertos de textos de verdadeiros autores, a forma de indirectamente agredir, mostrando o que pretende, ou está pretendendo fazer, apenas com o intuito de martirizar quem os possa ler.
Durante as últimas semanas de Junho, fui agredida verbalmente por diversas vezes, por quem não passa de ninguém, pela simples razão de querer tomar uma posição, que não tenho e que dificilmente terei, mas pelo contrário já a tem e há muito. Lamento! Esse tipo de pessoas, não merece ter essa designação, nem tão pouco de animal, porque afinal, os animais conseguem ser mais gregários que os Homens!
Quando era adolescente, li um livro muito interessante que se chamava “A Importância de se Chamar Ernesto”. Cabe muito bem a certas pessoas essa vestimenta…
Mas chega de batalhar sobre quem não merece sequer uma linha, porque até parece que estou a dar importância a um assunto que, só por si, não merece uma única palavra.
O que escrevi ao longo destes dois anos, quer prosa, quer poesia, foi-te dedicado, como disse, com todo o carinho que achei que merecias… até ao dia em que passaste a ter um “tu” de afinidades, apenas sociais, ou não, com quem me tem vindo a molestar das formas que são públicas – sabe-las bem, mas gostas dessa partilha, só porque reges o teu espaço narcisicamente, sem pensares nos que te rodeiam e que te têm sido dedicados!
Estou de acordo! Só não pactuo com banalidades.
Dedico-o com todo o carinho a quem tem convivido mais comigo, nestes últimos tempos. Alguém que me conhecendo bem, teima em escarificar a ferida não cicatrizada da saudade…
Dedico-lhe também estas breves palavras, que não são senão um choro silencioso, por nem sempre ter compreendido que há muita perversidade em muitas das pessoas a quem pretendemos brindar com o nosso relacionamento e nos vão usando como meio de desfeitearem quem não gostam.
O Homem vive de recordações. Faz elos de ligação entre si e outros Homens. Aproxima uns, repudia outros; faz mal a muitos, mesmo que por vezes não tenha a percepção disso. Há os que vivem premeditando a maldade e por gestos, por diversas manifestações de agressividade, vivem tentando machucar o seu semelhante, para progredir e vencer, apenas para lhes ganhar a posição. Como que cada um não fosse um ser individual, no seu espaço, sem qualquer possibilidade de substituir ou ser substituído. Dividem os que os rodeiam com habilidade e impostura. Dividem para reinar.
Há quem procure em excertos de textos de verdadeiros autores, a forma de indirectamente agredir, mostrando o que pretende, ou está pretendendo fazer, apenas com o intuito de martirizar quem os possa ler.
Durante as últimas semanas de Junho, fui agredida verbalmente por diversas vezes, por quem não passa de ninguém, pela simples razão de querer tomar uma posição, que não tenho e que dificilmente terei, mas pelo contrário já a tem e há muito. Lamento! Esse tipo de pessoas, não merece ter essa designação, nem tão pouco de animal, porque afinal, os animais conseguem ser mais gregários que os Homens!
Quando era adolescente, li um livro muito interessante que se chamava “A Importância de se Chamar Ernesto”. Cabe muito bem a certas pessoas essa vestimenta…
Mas chega de batalhar sobre quem não merece sequer uma linha, porque até parece que estou a dar importância a um assunto que, só por si, não merece uma única palavra.
O que escrevi ao longo destes dois anos, quer prosa, quer poesia, foi-te dedicado, como disse, com todo o carinho que achei que merecias… até ao dia em que passaste a ter um “tu” de afinidades, apenas sociais, ou não, com quem me tem vindo a molestar das formas que são públicas – sabe-las bem, mas gostas dessa partilha, só porque reges o teu espaço narcisicamente, sem pensares nos que te rodeiam e que te têm sido dedicados!
Estou de acordo! Só não pactuo com banalidades.
sábado, julho 01, 2006
E VAI DAÍ
Quando me “licenciei”
E para isso estudei… estudei…
Fiquei cheia de vaidade.
Porque doutora, é verdade,
Tem saída em qualquer lado,
Até para arranjar um namorado…
Mas com tanta euforia,
Nunca passei da agonia,
Do simples faz de conta…
Embora seja uma afronta….
Umas farras, uns bailaricos,
Uns cigarros e uns copitos,
Então não é bem melhor?…
E doutora, “licenciada”,
Cresci sem fazer nada,
Porque era importante casar…
Fingir e poder armar
Em dama conhecedora,
Muito chique, muito doutora…
Dizendo sempre saber
Disto e daquilo, sem ser,
Realmente conhecedora,
Mas sempre com ares de doutora…
Umas frases empolgadas,
Umas vestes engomadas…
Mas com copitos, é melhor…
E de anos em anos a passar
Como doutora, sempre a reinar,
Sempre julgando ser a melhor,
Acabando no pior…
De manhã à noite enfrascada…
Dizendo que só bebia limonada…
Ficou-se pela bebedeira,
Rezando à padroeira,
Para mostrar e omitir,
O que já não podia fingir…
Sempre com falinha mansa
Com uns copitos na pança,
Hei-de levar a melhor…
Em constante insinuação,
Acho-me com frustração
E comecei a tratar-me…
E a tentar libertar-me
Duma grande enfermidade:
Stress e ansiedade…
E quando o sono não vinha,
Lá ia mais uma bebidazinha…
Até começar sério tratamento,
Com muita dor e sofrimento…
Cheia de medicamentos,
Ensonada em todos os momentos,
Tinha de ir em frente…
Passei então a navegar.
Cibernauta veio a calhar
E arranjei forma segura
De olvidar a secura
E saudade de beber
Que fazia, para esquecer…
Mas, há sempre um mas afinal…
Encontrei alguém igual
E comecei a conversar
Que só para mim eu quis guardar…
Sabia de informática,
Calculo e matemática.
Era a pessoa ideal!
E lancei a confusão
Por estar presa a uma paixão
Que já não era a bebida
Mas que vai deixar ferida
Uma idiota qualquer,
Que pensa que por ser mulher
Vai levar a melhor, ganhando,
A quem estou amando,
E vou arruinar-lhe a paciência
De mansinho, sem violência…
Desta maneira, dividir para reinar,
Aqui estou por lhe ganhar
Porque é burra, loira e sentimental…
histórias de entre nós
01.07.06
isabel
sexta-feira, junho 16, 2006
REFLEXÃO SOBRE O REBATER DE QUESTÕES
Cheguei ao varandim e vi uma multidão aglomerada lá em baixo. Detive o olhar e vi um milhão com a mesma expressão. Um olhar vago e perdido. Outro milhão deixava transparecer uma tristeza sem limites e ainda outro mostrava uma expressão de expectativa… afinal eu não estava só entre aquela multidão…
Saí da varanda e sentei-me em frente ao espelho e tentei falar com aquele ser que se sentava à minha frente e perguntei-lhe porquê tudo isto? Porquê temos de procurar sem ver e ver sem observar. Porquê não aparece frente a frente de cada um de nós o outro ser certo, correspondente à outra metade. Porquê vagueiam os nossos olhos entre multidões e não conseguimos nada mais do que ver quem não nos vê?
O tempo que passamos a olhar é uma medida incomensurável. É uma eternidade… e nada vemos… apenas olhamos e nada se detém na nossa visão…apenas na nossa recordação… e longínqua como a eternidade que nos separa da realidade.
Todos já passámos por o alguém que nos poderia deter, mas não reparámos e esse alguém passou, quase despercebidamente…para depois ficar apenas na lembrança… nada de nós deixou uma marca que fizesse deter esse alguém, que o fizesse estremecer, que o fizesse sentir o eco do nosso pensamento… mas é assim… há que não parar e por isso me levantei, arrumei a cadeira e voltei ao varandim… mas não havia mais ninguém na praça. Dispersaram-se, perderam-se nas ruas e vielas e eu vou continuar a ouvir a passarada que numa algazarra infernal disputando os seus ninhos, no arvoredo do parque…
A tarde vai descaindo, cinzenta e chuvosa e para que não morra de tédio, vou escrever umas linhas ao som da chuva que resvala pelo mármore da varanda. Vou recordar, como todos os que estiveram na praça, aquele amor que por mim passou e eu não vi, por ter os olhos na direcção errada…
16.06.06
Saí da varanda e sentei-me em frente ao espelho e tentei falar com aquele ser que se sentava à minha frente e perguntei-lhe porquê tudo isto? Porquê temos de procurar sem ver e ver sem observar. Porquê não aparece frente a frente de cada um de nós o outro ser certo, correspondente à outra metade. Porquê vagueiam os nossos olhos entre multidões e não conseguimos nada mais do que ver quem não nos vê?
O tempo que passamos a olhar é uma medida incomensurável. É uma eternidade… e nada vemos… apenas olhamos e nada se detém na nossa visão…apenas na nossa recordação… e longínqua como a eternidade que nos separa da realidade.
Todos já passámos por o alguém que nos poderia deter, mas não reparámos e esse alguém passou, quase despercebidamente…para depois ficar apenas na lembrança… nada de nós deixou uma marca que fizesse deter esse alguém, que o fizesse estremecer, que o fizesse sentir o eco do nosso pensamento… mas é assim… há que não parar e por isso me levantei, arrumei a cadeira e voltei ao varandim… mas não havia mais ninguém na praça. Dispersaram-se, perderam-se nas ruas e vielas e eu vou continuar a ouvir a passarada que numa algazarra infernal disputando os seus ninhos, no arvoredo do parque…
A tarde vai descaindo, cinzenta e chuvosa e para que não morra de tédio, vou escrever umas linhas ao som da chuva que resvala pelo mármore da varanda. Vou recordar, como todos os que estiveram na praça, aquele amor que por mim passou e eu não vi, por ter os olhos na direcção errada…
16.06.06
HISTORIAS QUE A VIDA NOS ENSINA
Uma simples pergunta que deu origem a um elo nas relações entre seres humanos. É verdade!
Agora sei que ela se chama Quelinha e ele, apenas Amor…
Os horários dos comboios sofreram alterações em consequência de ser feriado. Quelinha pediu-me para lhe explicar porquê não havia o comboio do costume. Acrescentou que estava ainda em convalescença de uma grave depressão e por essa razão se confundia e entrava em stress tão facilmente.
Percebi desde logo que tinha uma sede imensa de se abrir e falar. Precisava de alguém que aceitasse o que fazia e de como o fazia e o que a levava a fazê-lo.
Choramingou. Não deixei. Dei-lhe toda a força. Toda a que não sinto em mim, mas que de não sei bem donde, consegui fazê-la sorrir, quando a minha alma chora torrentes de lágrimas, que apenas se perdem no meu peito, porque não existem ombros solidários.
Tentei dar segurança e criar autoconfiança em Quelinha, que receava não ser capaz de acertar na estação onde haveria de sair.
Tocou o telefone dentro da mala dela e respondeu com um “Amor”, que estava acompanhada e apoiada. E assim foi, até a ter entregue nos braços do seu “Amor”.
Quelinha contou-me ser casada, mas que desde os trinta e dois anos, o marido, que sofrera um acidente vascular grave, derivado a um tumor cerebral e desde essa altura, apenas era um bebé. Passam entretanto trinta e três anos…
Depois contou que tipo de medicamentos toma diariamente, quem são os seus médicos e como conheceu a pessoa com quem se ia encontrar.
E o comboio chegou à estação para onde íamos. Descemos e de novo o telefone tocou. Disse-lhe onde estava e que eu a acompanhava. Ele chegou. Um homem já meio idoso, aliás, como Quelinha e muito bem parecido e tão gentil…
Formavam um par perfeito e lá seguiram, enquanto eu me afastava para seguir para onde ia.
O resto do dia decorreu sem incidentes e nunca deixei de pensar naquela mulher e naquele homem, que sem deixarem de respeitar os seus compromissos, partilhavam um carinho belo e ternurento, que lhes vai dando força para continuarem vivos e com coragem para enfrentarem os revezes das suas vidas.
Esta lição de vida permitiu-me ver com certa lucidez o que me preocupa muitas vezes, porque o preconceito de certas teorias acaba por atrofiar o que mais belo temos dentro de nós – o Amor!...
13.06.06
sábado, maio 27, 2006
(RE)LEITURAS
Leio e releio tudo o vou escrevendo, num constante recordar das etapas que vou tentando ultrapassar, no dia a dia que atravessa a minha existência…
Louvo os que pela lei da morte se vão libertando das agruras que a vida deixa, em sulcos profundos de dor, na imaterialidade de cada um de nós…
Louvo os que nem por um momento, deixaram tempo para um adeus! Corajosos!
Um desapossamento de sentires e vontades, deixa em quem parte, um vento de liberdade, uma partida sem rumo, como o pólen que esvoaça pelos campos e caminhos, no fim da tarde brumosa….
E para além dos escritos que repovoam as minhas mesas e os arquivos que guardo no computador, nada, mas mesmo nada existe… apenas vai restando uma vontade de não voltar a escrever, não voltar a pensar, não voltar a sonhar… Ninguém existe! Ninguém é nada! Então, que fazemos neste deserto, onde nem os lacraus resistem…
27.05.06
Louvo os que pela lei da morte se vão libertando das agruras que a vida deixa, em sulcos profundos de dor, na imaterialidade de cada um de nós…
Louvo os que nem por um momento, deixaram tempo para um adeus! Corajosos!
Um desapossamento de sentires e vontades, deixa em quem parte, um vento de liberdade, uma partida sem rumo, como o pólen que esvoaça pelos campos e caminhos, no fim da tarde brumosa….
E para além dos escritos que repovoam as minhas mesas e os arquivos que guardo no computador, nada, mas mesmo nada existe… apenas vai restando uma vontade de não voltar a escrever, não voltar a pensar, não voltar a sonhar… Ninguém existe! Ninguém é nada! Então, que fazemos neste deserto, onde nem os lacraus resistem…
27.05.06
terça-feira, maio 16, 2006
RODOPIO DE PENSAMENTOS
A água corre com um jacto forte e intermitente, não muito quente e acaricia-me o corpo numa massagem revitalizadora e reconfortante, enquanto o pensamento vai deixando desenrolar uma corrente imensa de factos e imagens que me entorpeçam as vontades e exaltam o desejo do que jamais aceitaria.
Passo em filme continuado todas as imagens que guardo religiosamente na memória, bem como todas as páginas que me foste passando, com tudo o que foste escrevendo e que querias que eu lesse. Tudo, sem omitir uma única virgula vai escorrendo, tal como escorre a água pelo meu corpo, neste duche matinal…
Nomes! Nomes e mais nomes de muitos e muitas (aventuras fáceis), de gestos aparentemente ingénuos e desprovidos do que quer que fosse, que me fariam pressupor que a simpatia e afabilidade eram o único e real sentido de tudo isso… mas eu não era mais do que o veículo para anestesiar as mentes de todos os incautos, que te fossem lendo, por mera curiosidade…
A paixão por este ou aquele nome (porque foram nomes e não gentes), que te acariciaram, que te beijaram, que compraram o teu sentir e depois se diluíram num mar de recordações amargas que vais esgravatando nos escombros de uma imaginação doentia, repleta de figuras fantasmagóricas, a quem disseste amar e a quem teceste os mais enaltecedores elogios … tempos… e vingativamente, eis que surjo de um beco sombrio (triste e desiludida do mundo onde me movimentava), e pões-me aos pés uma montanha de sonhos… só sonhos!
A amálgama de quereres e não quereres, repovoam o teu sentir deambulante, aparentemente inseguro, para te permitir granjear atenções e paixões que depois aniquilas, como se fossem apenas bocejos depois de um desses fortuitos encontros de devaneio…
Rodei a torneira. Parou o jacto de água. Encerrei o pensamento e um toque de campainha fez-me acordar do que poderia ter sido um sono fora de horas… Um silêncio sepulcral seguiu-se. Enrolei-me no toalhão e fui ver quem batia a uma hora tão pouco convidativa de receber fosse quem fosse… Apenas publicidade! Ainda bem!!!
16.05.06
Passo em filme continuado todas as imagens que guardo religiosamente na memória, bem como todas as páginas que me foste passando, com tudo o que foste escrevendo e que querias que eu lesse. Tudo, sem omitir uma única virgula vai escorrendo, tal como escorre a água pelo meu corpo, neste duche matinal…
Nomes! Nomes e mais nomes de muitos e muitas (aventuras fáceis), de gestos aparentemente ingénuos e desprovidos do que quer que fosse, que me fariam pressupor que a simpatia e afabilidade eram o único e real sentido de tudo isso… mas eu não era mais do que o veículo para anestesiar as mentes de todos os incautos, que te fossem lendo, por mera curiosidade…
A paixão por este ou aquele nome (porque foram nomes e não gentes), que te acariciaram, que te beijaram, que compraram o teu sentir e depois se diluíram num mar de recordações amargas que vais esgravatando nos escombros de uma imaginação doentia, repleta de figuras fantasmagóricas, a quem disseste amar e a quem teceste os mais enaltecedores elogios … tempos… e vingativamente, eis que surjo de um beco sombrio (triste e desiludida do mundo onde me movimentava), e pões-me aos pés uma montanha de sonhos… só sonhos!
A amálgama de quereres e não quereres, repovoam o teu sentir deambulante, aparentemente inseguro, para te permitir granjear atenções e paixões que depois aniquilas, como se fossem apenas bocejos depois de um desses fortuitos encontros de devaneio…
Rodei a torneira. Parou o jacto de água. Encerrei o pensamento e um toque de campainha fez-me acordar do que poderia ter sido um sono fora de horas… Um silêncio sepulcral seguiu-se. Enrolei-me no toalhão e fui ver quem batia a uma hora tão pouco convidativa de receber fosse quem fosse… Apenas publicidade! Ainda bem!!!
16.05.06
sexta-feira, abril 28, 2006
FOLHA SOLTA…
Não vou procurar mais palavras para ser agradável. Não vou, gentilmente, voltar a dizer que sim a tudo. Não, não e não, vai ser a expressão usada com mais frequência. Não gosto. Não me apetece. Não quero! Não. Vai ser tudo o que direi sempre que sempre… (Sabem lá as forças ocultas o que isso irá custar…)
Não será perdido mais tempo a saber do que gosto ou do que me fere ou magoa. Perda de tempo! (Há coisas que só a sensibilidade pode deixar que se sinta). Não haverá necessidade de procurar agradar, para ser agradável (ao fim ao cabo, o que é ser agradável, quando nada se significa para quem desejamos ser tão gentis?!). Não será necessário fingir, porque vai deixar de haver necessidade de o fazer. Não haverá necessidade de omitir, (sim, porque quer queiramos, quer não, a omissão é uma mentira mascarada…). Será escusado. Conscientemente, admita-se que não me interessa (não será bem assim, mas sofrerei só para mim) … que não haverá comprometimento com nada… mas a verdade (que quero impor) é só esta, não quero saber de mais nada!
Não tenho disposição. Não estou bem de saúde, não tenho tempo… vai finalmente saber-se o que é ser-se posto no lugar de onde nunca se deveria ter saído: a penumbra…
Não haverá segunda oportunidade. Cada um perde a sua. O mundo é assim! Não posso aceitar, nunca mais, ser a última oportunidade. Não quero nem imaginar, ouvir de novo, que a culpa é minha, se não se verifica a realidade do sentir (quando se sabe muito bem quais são as razões camufladas a agitar a causa próxima).
A falha não é minha! Quem não sabe conquistar, não pode levar o troféu da batalha…
Eu estou cansada de ser o espólio de todas as batalhas…
Não chorarei mais, contorcida, entre os lençóis, por voltar a ser o boneco de palha, que mesmo ateado o fogo não arde… não! Não aceito ser preterida a belo prazer. Não concebo a ideia de ter de pôr em tudo a compreensão, que só a educação pode trazer. A cobrança, a troca, a vingança, a injuria, são inadaptadas às minhas características. Dócil, amorosa, compreensiva, dedicada, mas nunca a coisa que se tira e põe conforme apetece ou não, conforme é ou não útil… se, se joga assim, eu fartei-me de ser o dado que jogado no pano verde, só pode mostrar a face mais valiosa.
Não às leituras transversais. Não ao imaginar que letras e letras, palavras e palavras são para mim, quando eu nem entro em nenhuma delas… Nada de comentar as políticas como politicamente correcto, porque à partida, tudo está errado… isto de ser o pires que apenas tem utilidade para não sujar a toalha… acabou!
Acabou muita coisa! Acabou o permitir usar e esquecer logo de seguida. Acabou o momento seguinte cheio de lágrimas e frustrações. Acabou o dizer que está tudo bem, quando tudo está mal! Acabou tudo! Tudo! Eu acabei neste momento!
23.04.06
sexta-feira, abril 21, 2006
quarta-feira, abril 05, 2006
MINHA GATA!

Com esse olhar dedicado
cauda erguida e ondulada
e de miar muito mimado,
está a gata apaixonada....
À voz da dona dá um gemido
E pede colo com doçura
Num lamuriar tremido
Mas tão cheio de ternura.......
Dissimulada e às vezes falsa,
Felina independente, é certo
mas terna quando estou perto.
airosa, parece dançar uma valsa
sempre a ronronar tão docemente,
numa fidelidade que não mente....
10.02.005
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