domingo, outubro 30, 2005

ESTÁTUA






A beleza de uma estátua age, quase sempre, como um mecanismo para nos transportar a um sem fim de pensamentos.

Contudo, nunca nos podemos esquecer que o pensamento é, invariavelmente e associado a muitos outros factores, um caminho certo para pormos a funcionar a imaginação… agora pensem…

terça-feira, outubro 25, 2005

SOFRER DESGASTANTE!


Sinto com que despudor sou usada.
Sinto que apenas sou capa de ilusão;
Que escreves e finges, mas não sou nada…
Em ti, contigo, vive aquela outra paixão…


Sinto que a tristeza me invade pela calada;
Sofro por uma dor profunda, sem perdão,
Porque mesmo não querendo, estou apaixonada
Por um mito; por quem não é rei nem vilão…


E como se descesse uma longa escadaria,
Lentamente vou mais fundo, sempre em agonia,
Por sempre querer acreditar no que não existe…


E fingindo que as tuas mentiras são verdade
E que me olhas sem olhar, cheio de saudade,
Vou iludindo o que me resta desta vida, tão triste…


24.10.05

terça-feira, outubro 18, 2005

MENSAGEM!


A vida é um jogo audacioso,
Em que a palavra usada e trocada
Diz e não diz, em tom malicioso
E pode dizer tudo; pode dizer nada…


Acusas, elogias, criticas vaidoso,
Que jogo com a palavra falada…
Mas esqueces sempre que és insidioso
Quando jogas ao que sinto - “não é nada!”


E num vai e vem de muito palavreado,
Muito mais por escrito, do que falado,
Agitas-te se não uso as palavras que queres…


Sem jogos, crê, apenas te quero dizer
Que uso todas as palavras, para te ver
Mesmo que partas ou se nunca mais vires…

17.10.05
in Cup&Cino
10H00

terça-feira, outubro 11, 2005

P. D. N. A.


Parti em busca de uma ilusão,
Andei só, por caminhos solitários.
Ri das tristezas que senti, em vão.
Tive sonhos banais e ordinários…


Dominei desejos, talvez sem perdão
Ou talvez não passassem de imaginários
Rasgos, de uma profunda reflexão;
Enterrei em cinzas, os meus fadários…


Naveguei por mares profundos, à vela,
Onde sempre resplandeceu a flor mais bela,
Vigiando sempre o meu profundo amor…


Almejei estar, querido, em teus braços,
Dominada pelos teus eternos abraços,
Onde, jamais sentisse tanta dor!...

quarta-feira, outubro 05, 2005

O QUE ME DESTRÓI



Sou uma carta do baralho da tua existência
Insignificante brisa que sopra sem sentires…
Excluis-me como lixo em cada ausência.
Tudo serve de pretexto para me preterires…

Não comentas o que lês, para não mentires…
Abominas sentimentos com muita pertinência,
Para me esconderes todos os teus sentires,
Que têm outros ritmos, outra cadência…

Deito meus olhos no leito do rio corrente
Para esquecer como minha alma é impotente
Para transformar, como Isabel, rosas em pão

Estendo meu olhar pelo monte ressequido,
Tentando esquecer quem me é tão querido…
Tentando até, esquecer esta doce paixão…


05.10.05

sábado, outubro 01, 2005

ESTOU RETRATADA

Estou retratada!
Foi demonstrado,
Com toda a clareza,
Que nos bastidores,
Sem estar mascarada
Também sou gente
E finjo não estar deprimida
E às vezes,
Com singeleza,
Abro de par em par o coração
E mostro que sou diferente:
Sou toda sonho,
Sem ambição;
Sou toda doçura,
Sem maldição…
Sou gente!

E porque sou gente
Choro com emoção,
Reclamo, grito, revolto-me
E vou em frente…

Estou retratada!
E como foi escrito
E demonstrado,
Estou sempre do lado oposto
E como veredicto,
Estou condenada
A não esconder nada…

Estou retratada!
Para dizer a verdade,
Não esconder mais a realidade
E reconhecer
Que estou só,
Caminho só,
Sonho só
E para vencer,
Sem lutar,
Só resta reconhecer
Que estou retratada!...
Devo submeter-me
E obedecer…
Tenho de cumprir
E sem reclamar,
A sorrir,
Que apenas me resta
Aceitar
Que estou retratada!... …

terça-feira, setembro 27, 2005

SOPRO DE VENTO


A aragem leva-me o pensamento
Para além do Sol-posto, tão só…
Até parece uma pena ao vento,
Ou apenas uma partícula de pó…


Penso sempre no mesmo momento:
As notas da tua música, em dó…
Com o que fazes, com sentimento
Aquele que me exclui e deixa só…


Deixo então o pensamento voar,
Silenciando o que me faz chorar
Por ter imaginado ser quem não sou…


Nem mostrando todo o meu amar,
Fui importante ou nem quis acreditar,
Que nos teus braços não fui nem vou…


06.09.05
Figueira da Foz

terça-feira, setembro 20, 2005

PRAZERES SIMPLES MAS DOLOROSOS


Adoro caminhar a teu lado
Adoro ouvir-te falar…
Adoro tudo o que escreves
Adoro que sejas meu amado
Adoro sentir-te pulsar
Adoro todos os momentos, mesmo breves…

Mas sofro por toda a ilusão
Mas resigno-me por não me quereres
Mas anseio por uma mudança…
Mas tento ser, sem ter teu coração…
Mas eu sou eu, quando vieres…
Mas, mesmo sem esperança…

Se algum dia me desejares,
Se algum dia não for mais do que um não
Se uma vez apenas disseres que me amas,
Se o que queres for um talvez não …
Se por me que reres, me chamas...
Se o teu querer não for só vingança…

Porque querer-te, para mim foi fatal
Porque desejar ter-te foi um sonho sofrido
Porque dizer adeus é muito penoso
Porque jamais vou ser igual…
Porque me foste muito querido…
Porque amar-te foi doloroso…

16.09.05 - Almograve

domingo, setembro 11, 2005

TU E EU!


Amanhã.
Amanhã vou ver-te.
Amanhã.
Amanhã, cuidar-me-ei
para resplandecer ao olhar-te.
Amanhã.
Amanhã vou pôr um sorriso nos lábios
para irradiar felicidade
e deixar-te cheio de saudade.
Amanhã,
Amanhã vou cantarolar
para não sentir a distância.
Amanhã,
Amanhã vou beijar-te
porque com um beijo quero apagar
toda a revolta, tristeza e ânsia:
Apenas quero amar!
Amanhã,
Amanhã vou escrever-te.
Quero-o fazer, para não esquecer.
Amanhã,
Amanhã, de olhos brilhantes
Vou declarar ao Mundo que sois cruéis,
num discurso de ódio e dor gritantes...
Amanhã,
Amanhã vou deixar-te.
Partir, para voltar.
Amanhã,
Amanhã, de corpo frio
com a solidão a reinar,
vou sentir um arrepio...
Amanhã,
Amanhã vou chorar
porque existe a distância
e não te posso amar...
Amanhã,
Amanhã será amanhã,
Mais uma aurora vã
Com a tua ausência...

quinta-feira, agosto 25, 2005

A ARTE DE SONHAR SER


Poucos sabem que o sonho
Está sempre presente na vida
Que é concreta e definida
Como uma árvore qualquer
Ou este vaso de barro
Por onde meus avós beberam,
Como o Mar onde eles navegaram
Entre serenos ou terríficos sobressaltos,
Como os choupos tão altos
Que com o vento se agitam
Como nossas mentes gritam
Em “pielas” de ciúme...


Poucos sabem que o sonho
É álcool, é espuma, é veneno
Por vezes agressivo e pequeno.
É bicho de focinho pontiagudo
Espicaçando todos e tudo
Num constante movimento.


Poucos sabem que o sonho
É um pincel, muitas cores e tela,
Um pedestal com uma mulher bela.
É um jardim florido
Pintado de verde garrido
E até melodiosa sinfonia
Enchendo todos de magia.
É vento que sopra do norte

gritando por aquela morte
que não se pára de recordar
mesmo sem nela se falar.


No mapa da imaginação
há rios de amor e paixão
há barcos e aviões,
destroços de corações.
Há esperanças sem fim
dos dias “sim”
em que o dinheiro combina
com poder, com ordem e menina
e os cones de vento
indicam a direcção do pensamento
e a esperança traz afazeres
e estes dão os prazeres
que num ai se vão
como uma noite de luar.


Poucos sabem e pensam
que a sonhar se vai vivendo
e sempre que sonham
o Mundo sofre mutações imensas
como um arco-íris colorido
entrelaçado nas nuvens cinzentas...

quinta-feira, agosto 18, 2005

SADNESS IS POISON!


The box was plenty of tablets. I looked at it and the only wish was to take all of them. Only one thought – to disappear for ever! (as too many had already done)…

Nevertheless, to take the poison would mean to cut the possibility to go on, I could not give up! I was not inside a deep hole.

What is friendship? Who knows its real meaning? How can people use the word to generate unhappiness? Or to suppose that is creating it? How can people use their good times to show the inferiority of the others?

And I looked at the box again, but I’m strong enough to think that should be a mistake. The best thing we have is to be alive ……

12.08.05

Post script – There are some moments during our lives that to die seems to be the solution for the whole sadness we are feeling, but to die is not really a solution and looking around we refill our loneliness reminding our friends, lovers, pets already died, and we decide that life is precious and the best way to celebrate them, it is to go on and never give up.

I suppose, I gave the explanation to my previous script and the picture was only operating as a “pay attention”, so, I decided to use another photo.

18.08.05

quarta-feira, agosto 10, 2005

O SONHO DO JARDIM



Juntou-se um dia a sardinheira à rosa
Para adornar meu jardim encantado
Ajeitámos canteiros de ternura, em prosa
Declamámos versos em tom apaixonado.

A sardinheira, beijou docemente a rosa
Com ares de gente muito enamorada
Entregou-se a rosa, sem espinhos, amorosa
Ao seu sonho querido e mais amado…

Rosa e sardinheira vão ficar eternamente,
Duas flores enlaçadas, apaixonadamente,
Num baile de perfumes e de muito amor

Açoitadas pelo frio vento de Inverno,
Esquecerão mágoas, com sorriso terno,
Porque só ama, quem do outro sente a dor…

1989,Jan.

quarta-feira, julho 20, 2005

VARIAÇÕES

Raiou pela manhã o Sol brilhante,
Os pássaros cantaram de alegria
Teu chamar foi seguro e vibrante:
Eu acordei de novo para a fantasia…


Deixei que o meu olhar cintilante
Voltasse de novo a ser poesia,
Mas aquela tristeza acutilante
Voltou, como nuvem de magia…


A incerteza toldou meu pensamento
A dúvida, de novo, foi meu tormento…
E insegura, procuro-te em vão…


Escondido do Sol, caminhando à toa,
Olhando a colorida borboleta que voa
Anda meu sonho em fascinação…



20.07.05

sexta-feira, julho 15, 2005

HORAS DE DESASSOSSEGO

Sei que nas horas de ansiedade,
Pela calada da noite escura,
Vais ler o que escrevo com ternura,
Para saberes a minha verdade…


Sei que nas horas de ansiedade,
Angustiado e cheio de secura,
Bebes ávido, as palavras de doçura
Que aprendi a escrever na saudade …


Saudades que tive e que vão voltar,
Porque nem tu me sabes amar,
Mesmo apenas com amor de amigo…


Sei que querendo, vou te esquecer,
Com esforço, mesmo antes de morrer,
Qualquer momento passado contigo.



15.07.05

domingo, julho 03, 2005

À MESA

Escrevendo palavras soltas, inspiradas,
Observando olhares e rostos sem cor,
Admirando silhuetas que só são fachadas,
Em tudo tentas esconder toda a tua dor…


Comendo, bebendo, entre duas olhadas,
Apenas para sobreviveres com sabor,
Vais modelando as palavras, encaminhadas,
Para esconderes de ti próprio o Amor…


Num jogo vago, contínuo e sem jeito
Vais escrevendo no teu próprio peito
Tudo o que à força queres esconder…


Jogas forte em muitas emoções inúteis,
Até finges, amedrontado, gestos fúteis,
E apenas queres confundir o teu ser…

03.07.05

sexta-feira, julho 01, 2005

NOITE!

Que a noite seja noite eternamente,
Que brilhe a lua vibrante de beleza
E que meu querer seja puro e veemente
Repleto de sonhos e sem tristeza…

Que cada estrela brilhe intensamente,
Trazendo alegrias, cheias de pureza.
Que cantem louvores incessantemente…
Para emudecer toda esta incerteza…

Que a noite seja a de todos amores
Libertos de velhos ódios e dores
Que seja enfim uma noite de glória…

Que seja a noite bela e promissora
Que seja delicada e encantadora
Para ser uma noite de vitória…
01.07.05

quinta-feira, junho 30, 2005

ÚLTIMO ADEUS

Velei-te toda a noite, desesperada.
Toda fui desgosto, cheia de dor
Foste nos braços dum vento acolhedor.
Nem houve coragem para dizer “nada”…

Apenas foste como uma rosa desfolhada,
Açoitada pelo vento, perdeste a cor
Desfolhada pelo tempo, só e sem amor…
Apenas foste tempo… mais nada…


Velei-te toda a noite só e angustiada
Deixei-me numa tormenta velada
Para sentir este meu luto inextinguível


Velei-te toda a noite com saudade
Perdoando, se fora essa a tua felicidade
E eu ficar para sempre neste luto perdurável…




30.06.05

segunda-feira, junho 20, 2005

DESABAFO

Deixei-me envolver pela madrugada
Numa feliz tristeza sem explicação…
Feita vagabunda, caminhei desamparada
Muito só, para não merecer compaixão…


Escondida no roseiral, chorei desesperada.
Tentei esquecer toda a minha ilusão,
Solucei desgostosa, alma só, desabrigada…
Procurei em vão dentro de mim a solução…


Quando vieste, foi tarde, já pouco havia.
Trazias alegria de um qualquer vencedor.
Contaste os sucessos, esqueceste o amor…


Deste um golpe fatal na dor que sentia,
Destruíste o que restava da minha ilusão,
Apenas ignoraste quem vivia com paixão……



19.06.05

quinta-feira, junho 16, 2005

UMA ROSA A FLORIR…

Casualmente, no interior de uma noite fria,
Aconchegada na ternura de um abraço,
Deixo tomar corpo a minha fantasia,
E no cosmos uma estrela deixa um traço…


E por breves momentos, um hino de alegria,
Com as tuas mãos macias em meu regaço
Suspirando e num misto de prazer e agonia
Sinto-te. Sou tua, dentro do meu espaço…


Deixa-me dormente este sentimento tão belo
E mesmo aquando do beijo mais singelo,
Eu deixo o meu corpo vibrar, entontecida…


E não querendo, quero sempre sentir,
Dentro de mim, uma doce rosa a florir,
Cada vez mais e só por ti, enternecida… …


15.06.05

quarta-feira, junho 15, 2005

YESTERDAY

Yesterday! Yesterday!
Oh, my love! Yesterday…
Yesterday, something wrong
In my life, I don’t say…
It was the beautiful song
Oh my love, yesterday…
Yesterday!
You were a sweet love
In my long day…
Yesterday, yesterday
The brightest night
Showed me the bright
Of the feelings
And the whole dreams were light…
Yesterday
Oh! Yesterday
Yesterday, yesterday
More than a show
More than everything
Yesterday! Yesterday
Yesterday…
It was only an only day…



14.06.05