Por um instante acinzentou-se o que via. Não vi nada. Melhor dizendo, lembrei teu nome e balbuciei-o, mas caí no escuro por longos segundos.
Quando se fez claridade na minha mente e visão, lá estava a enfermeira a distribuir, pelos tubos de ensaio, o sangue vermelho escuro que havia acabado de me sugar…
Sem qualquer alimento, apenas me comecei a lembrar de uma fofa torrada amanteigada… mas cheia de náusea, tinha de continuar em jejum, pois a TAC estava marcada para daí a duas horas…
Saí do laboratório e durante uma hora caminhei. S.O.S.! Estou mal! Rodopiavam os carros avenida acima, avenida abaixo. Os vermelhos dos semáforos pareciam pequenos diabinhos a fazerem fosquinhas. As sirenes das ambulâncias soavam-me a gritos esganiçados, numa acusação persistente, de uma culpa que não tenho: ser eu!
Apressei o passo quando passei por uma avenida onde está instalado um qualquer ministério e um dos dois policias à esquina, estava armado com qualquer coisa parecida a uma arma de guerra… e lembrei-me do sibilar das balas e o baque de um estalido estranho… lembrei-me de tanta coisa! Mulher coragem, hoje feita idiota, colhendo os frutos da árvore que nunca plantou… chorando uma saudade do que nunca aconteceu…
Já na sala de espera do centro de diagnósticos onde faria a TAC, veio o auxilio e logo de seguida ouvi chamarem pelo meu nome e lá fui, depois de assinar uma folha de papel onde não autorizava que me ministrassem um determinado medicamento injectável por causa das minhas alergias. Fizeram-me deitar numa maquineta para além de uma porta onde havia um aviso que dia “Radiações”. Estava feita…
Zum…zum… e depois já esta! Até me assustei (aliás como em mim é normal), quando me soltaram a cabeça, que havia sido amarrada, para não deslizar (ou para eu não fugir…).
Finalmente a tão apetecida torrada! Soube bem, embora comesse para satisfazer o estado de enfraquecimento e não por prazer. Aliás, como por necessidade.
Mais uma bica e aí irei de novo, caminhando até à hora do cumprimento da minha tarefa.
Não me apetece ir dar aulas, mas os meus seniores precisam de mim, forte e sorridente e a fornecer-lhes uma dose de auto-estima, que não tenho para mim…
Espero pelo final da tarde para carregar baterias, para os dias seguintes…
Às vezes nem se consegue ter a percepção de quanto é importante uma palavra terna, para nos ajudar a carregar os fardos que diariamente transportamos de um lado para outro… e há tanta gente com uma importância desmedida em relação a outros, sem que tenha sensibilidade para se aperceber disso…
22.03.06
sexta-feira, março 31, 2006
sábado, março 04, 2006
MEDO
Perante uma situação de ameaça, quer seja real ou não, reage-se assim:
· Cérebro: as estruturas responsáveis por iniciar a reacção a estímulos amedrontadores são as amígdalas cerebrais, localizadas na região das têmporas. Estas enviam um sinal ao hipotálamo, região de controlo do metabolismo, para que seja intensificada a produção de adrenalina, noradrenalina e acetilcolina. Numa fracção de segundo, a descarga dessas substâncias causa alterações no funcionamento de diversas partes do corpo.
· Olhos: a química do medo faz com que as pupilas se dilatem, diminuindo a capacidade da pessoa reparar nos detalhes que a cercam, mas aumentando o poder de visão geral. Em tempos ancestrais, esse recurso permitia que o homem identificasse no escuro das cavernas um predador e as possíveis rotas de fuga.
· Coração e pulmões: o aumento do nível de adrenalina faz elevar os batimentos cardíacos. Uma maior irrigação sanguínea faz com que cérebro e músculos trabalhem mais intensamente, deixando a pessoa alerta e ágil. O facto do coração bater mais aceleradamente, exige maior oxigenação e daí, que a respiração se torne mais curta e ofegante.
· Estômago: muitas pessoas, em situações de medo, sentem dor na região estomacal devido ao aumento na produção de acetilcolina. A liberação em maior quantidade de sucos gástricos, faz acelerar a digestão e a transformação dos alimentos em energia.
· Cérebro: as estruturas responsáveis por iniciar a reacção a estímulos amedrontadores são as amígdalas cerebrais, localizadas na região das têmporas. Estas enviam um sinal ao hipotálamo, região de controlo do metabolismo, para que seja intensificada a produção de adrenalina, noradrenalina e acetilcolina. Numa fracção de segundo, a descarga dessas substâncias causa alterações no funcionamento de diversas partes do corpo.
· Olhos: a química do medo faz com que as pupilas se dilatem, diminuindo a capacidade da pessoa reparar nos detalhes que a cercam, mas aumentando o poder de visão geral. Em tempos ancestrais, esse recurso permitia que o homem identificasse no escuro das cavernas um predador e as possíveis rotas de fuga.
· Coração e pulmões: o aumento do nível de adrenalina faz elevar os batimentos cardíacos. Uma maior irrigação sanguínea faz com que cérebro e músculos trabalhem mais intensamente, deixando a pessoa alerta e ágil. O facto do coração bater mais aceleradamente, exige maior oxigenação e daí, que a respiração se torne mais curta e ofegante.
· Estômago: muitas pessoas, em situações de medo, sentem dor na região estomacal devido ao aumento na produção de acetilcolina. A liberação em maior quantidade de sucos gástricos, faz acelerar a digestão e a transformação dos alimentos em energia.
quinta-feira, março 02, 2006
Nenhum Homem,
Nenhum Homem,
O nosso ele
O nosso ele
(inspirado em “Love Poems” de Danielle Steel)Ele era um homem
O homem
Que era (?)
O meu homem?
Todos sabiam
Que aquele homem…
O homem era meu (?)
Era o dele…
O homem
Que era
O seu homem
Que era meu (?)
E soube
Que ele pensou
o mesmo também…
Loucura
pensar que o homem
era nosso.
Nenhum homem
O nosso homem
O nosso homem
O seu homem
O meu homem…
E eu apenas desejo
Agora e depois
Saber quem é
a mulher (?) dele …
27.08.05
sábado, fevereiro 25, 2006
Repercussões Psíquicas Possíveis

“………
Todas as crianças que andam na Escola têm direito a serem alegres, terem amigos e a brincarem com os outros. Têm o direito a ter uma Professora que não grite com elas.
Todas as crianças têm direito a, pelo menos uma vez na vida, escolher um chocolate que lhes apeteça.
Todas as crianças têm direito a terem orgulho na sua existência.Todas as têm direito a pensar e a sentir como lhes manda o coração, até serem velhas, aí com uns 20 anos.
Pedro Strecht - CRESCER VAZIO - Repercussões Psíquicas do Abandono, Negligência e Maus Tratos em Crianças e Adolescentes “
… … … … … … … … … … … … … …
Passa que não passa os olhos por aqui e por ali e eis que dou com um excerto de um dos livros de Pedro Strecht - CRESCER VAZIO - Repercussões Psíquicas do Abandono, Negligência e Maus Tratos em Crianças e Adolescentes - e vai daí, veio-me à memória uma cena a que assisti há uns tempinhos e que me deixou abaixo de esterco….
Uma mamã muito “tia”, exercia uma agressividade, sobretudo no olhar e no tom com que pronunciava as palavras que proferia, que cortavam o coração a qualquer pedra, se as pedras tivessem coração…
Todo o aparato daquela violência era derivado à criança não ter tido uma nota mais elevada (embora com positiva), numa disciplina qualquer e para a qual, ela mamã, havia perdido um tempo infindo a tentar explicar…e vai daí, só referia o que dava à menina, que qual flor açoitada por forte ventania, se vergava ao peso das lágrimas vindas de uns olhitos já massacrados de tantas anteriores lágrimas…
Falei com a menina. Acalmei-a. Prometeu-me estar atenta a próximas sessões de estudo mas doeu-me quando me beijou, segredar que a mãe não gostava dela. Ainda tenho a dor, uma dor profunda, porque é injusto que se seja assim para uma criança… quando se tem tantas prosápias e se mostra “gente grande”…
24.02.06
domingo, fevereiro 19, 2006
RENDAS
A moda redescobre no século XIX o encanto da renda que passa a ser, mais do que nunca, um símbolo de uma elevada classe social, depois do declínio ligado a transtornos políticos e sociais dos finais do século XVIII.(detalhe do retrato de Giuseppina Negori Pratti Morosini, realizado por Francesco Hayez em 1853)
RECORDANDO-O

Chamei impaciente a madrugada
e só o silêncio me respondeu.
Gritei mais alto, desesperada,
mas o meu grito se perdeu.
Perdida, chorei angustiada,
mas nem o choro me valeu.
Depois, já não havia nada:
Só a cinza do que ardeu...
Foi-se o sonho, minha ilusão,
Suspiros de ternura e emoção.
E aqueles encontros de fugida.
O frio da cinza é frustrante.
E saudosa é a época distante
Que fica na memória perdida,
19.02.06
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
SO SAD!
Comoveu-me, entristeceu-me e revoltou-me… senti tudo isto num simples pestanejar.Comoveu-me, porque a existência de um amor tão belo toca em quem quer que esteja apaixonado;
Entristeceu-me, porque não ter um amor assim, é triste. Ser amado assim perdidamente… é sempre para os outros.
Revoltou-me, pois que amando alguém que estivesse em circunstâncias iguais, creio que deveria ser respeitado esse amor, muito embora morresse de desgosto de não poder ter pelo menos uma parcela de tão belo sentimento…
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
CANÇÃO TRISTE
Entre as ruas, caminho, ando, vou:Passos incertos, pesados, lentos…
Pela minha sombra não sei quem sou,
Apenas sou a senhora dos desalentos…
Cruzo-me com gente, que nem me olhou
Enquanto que perdida em pensamentos,
Choro a saudade de quem não me chorou…
E sinto seus beijos levados pelos ventos…
Entre esta multidão sem nome, pela rua
Continuo a caminhar, procurando a Lua…
Sinto-me nas veredas de um cemitério…
E com um luar pálido que me acaricia,
Na rua, entre gentes, vivo a fantasia
Que comigo, vais partilhando o mistério…
09.02.06
domingo, fevereiro 05, 2006
DESABAFO!

Deixai que abram as portas
para a Morte passar.
Deixai-a entrar!
Que entre,
que me tome em seus braços,
me abrace e me leve...
Deixem abertas as portas
para eu com a Morte partir.
Saiamos!
Prefiro ir a ficar.
Troco o Mundo pelo nada:
A Morte!
Mas prefiro ir a ficar.
Deixai por aí a monte
esse “mundo” infame
de rebeldes, de capitalistas, infelizes...
e vou com a Morte...
À saída, uma chuva de
mimosas rosas brancas cairá,
E eu, de tules,
nos braços da Morte,
irei para não voltar...
segunda-feira, janeiro 30, 2006
AI MEU NETO!
...Resposta ao desafio proposto...
(Foto do TOZE)
Olho para este catraio e penso como fui um garoto como ele e como me transformei no que estou agora… velho, viúvo, cheio de rugas, sem ilusões e a tomar conta do meu neto…
Recordo-me da Rosa! Ai se a Margarida tivesse sabido… nunca me teria perdoado…
- Pois é Pedrinho! Ainda não entendes nada da vida. Para ti essa areia com que brincas é um mundo. É um ror de pensamentos, tantos como os grãos que te enchem as mãos… mas o avô… ai o avô foi um louco…
Estou para aqui a fazer rabiscos na areia enquanto entretenho o Pedrinho e à memória só me vêm pensamentos de outros tempos… dos meus quarenta e tais… e aquela Rosa… como era bom rolarmos na areia até nos enrolarmos um no outro, numa fúria desenfreada de sexo, na praia e ao luar…
- Isto, tu não ouviste, Pedrinho… o avô conta a história da conchinha dourada… Vamos procurar uma conchinha e o avô depois conta…
Como poderia contar a uma criancinha tão pequena e inocente os desvarios de um avô cheio de galanteria para as jovens que conhecia, nos seus anos quarenta e tais… e avó Margarida, poderias perguntar… e eu teria de dizer que nunca desconfiou de nada, porque era fria e não me acarinhava como tanto necessitava, depois de horas a fio naquele escritório, cheio de maquetas e projectos… e meu netinho, sempre a tratei como devia um verdadeiro cavalheiro tratar uma senhora… porque a tua avó Margarida, era a senhora que eu mais considerava, mas não como a esposa que eu gostaria de ter tido… e não voltei a casar, porque mais ninguém poderia substituir o seu lugar, até porque a Rosa dos meus amores, também partiu cedo demais…
- Vá Pedrinho! Não ponhas as mãos na cara. A areia pode ir para os teus olhinhos e faz dói-dói. Já encontras-te a conchinha?...
(Foto do TOZE)Olho para este catraio e penso como fui um garoto como ele e como me transformei no que estou agora… velho, viúvo, cheio de rugas, sem ilusões e a tomar conta do meu neto…
Recordo-me da Rosa! Ai se a Margarida tivesse sabido… nunca me teria perdoado…
- Pois é Pedrinho! Ainda não entendes nada da vida. Para ti essa areia com que brincas é um mundo. É um ror de pensamentos, tantos como os grãos que te enchem as mãos… mas o avô… ai o avô foi um louco…
Estou para aqui a fazer rabiscos na areia enquanto entretenho o Pedrinho e à memória só me vêm pensamentos de outros tempos… dos meus quarenta e tais… e aquela Rosa… como era bom rolarmos na areia até nos enrolarmos um no outro, numa fúria desenfreada de sexo, na praia e ao luar…
- Isto, tu não ouviste, Pedrinho… o avô conta a história da conchinha dourada… Vamos procurar uma conchinha e o avô depois conta…
Como poderia contar a uma criancinha tão pequena e inocente os desvarios de um avô cheio de galanteria para as jovens que conhecia, nos seus anos quarenta e tais… e avó Margarida, poderias perguntar… e eu teria de dizer que nunca desconfiou de nada, porque era fria e não me acarinhava como tanto necessitava, depois de horas a fio naquele escritório, cheio de maquetas e projectos… e meu netinho, sempre a tratei como devia um verdadeiro cavalheiro tratar uma senhora… porque a tua avó Margarida, era a senhora que eu mais considerava, mas não como a esposa que eu gostaria de ter tido… e não voltei a casar, porque mais ninguém poderia substituir o seu lugar, até porque a Rosa dos meus amores, também partiu cedo demais…
- Vá Pedrinho! Não ponhas as mãos na cara. A areia pode ir para os teus olhinhos e faz dói-dói. Já encontras-te a conchinha?...
sábado, janeiro 28, 2006
DESPEDIDA

Dois passos em frente: Vou dizer que sim!
Ela chegou imponente, firme e decidida,
Como uma sentença implacável
Apenas vou dizer que sim
Porque é a sentença merecida
E o momento é inadiável…
“Sabes por acaso ao que vim?”
Respondi saber, em voz indefinida…
Sabia que era improrrogável…
Estava a chegar o meu fim…
A hora por mim decidida
A hora inabalável…
É já! Nada custa dizer sim…
Foi a forma preferida.
Esquecer o momento inigualável
Para partir de mim…
Sarando assim esta ferida,
Que se tornou irremediável…
28.01.06
sexta-feira, janeiro 27, 2006
PENSAMENTO !

Sou aquela que entre os poetas,
Vive mais só e mais triste.
Sou como todos os profetas,
que embora sendo, não existe...
Sou corpo, sem pernas, de muletas,
com os punhos fechados em riste,
cheia de pensamentos patetas,
e a quem amor nem pediste...
Serei ou não serei este ser
sempre longínqua e fria,
que vive sem viver para a poesia.
Poderei, ou talvez não ter
um desejo diferente desta sorte,
que não seja só o da Morte...
1993
sexta-feira, janeiro 20, 2006
CHÃO DE ROSAS

Num manto de rosas deitada,
Toda tristeza, só, sofrendo,
Passa o tempo sem mais nada,
Apenas só, a sonhar vai morrendo…
Pelas doces rosas apaixonada,
O seu perfume vai bebendo…
Porque com rosas, o tudo é nada,
E tão só, a sonhar vai morrendo…
Neste roseiral da imensa solidão,
Vai vagueando a triste ilusão,
Pensando que vais trazer alegria…
A espera vai sendo longa e triste,
Mesmo querendo, não sabe se resiste
A iludir-se com mais uma fantasia…
20.01.06
domingo, janeiro 08, 2006
PENSO EM TI
terça-feira, janeiro 03, 2006
sexta-feira, dezembro 30, 2005
A AMANTE

Precisamente às três e trinta da tarde aquela mulher atravessou o átrio imponente do Hotel Meridian e dirigiu-se ao balcão de reservas e perguntou se podia subir ao quatrocentos e cinco.
Depois de aguardar uns breves segundos, o “groom” veio com um ramo de três belas orquídeas brancas, importadas da Holanda e com um sorriso (pago), estendeu-as dizendo que eram para a senhora e que a acompanhava.
Abriu-se a porta, depois de um delicado toque com os nós dos dedos da mão enluvada do empregado do hotel e a dama entrou, com um sorriso de muito obrigada.
O quarto estava ornamentado com dezenas de rosas cor de mel, cujo odor se espalhava como se fosse uma perfumaria… parecia um sonho de fadas (se elas existissem…) e lentamente aquela mulher atravessou o quarto, pôs as orquídeas sobre uma “chaise longue” e tirou o casaco e pôs a mala sobre a cadeira de talha dourada ao canto, perto da janela. Passeou sobre uma alcatifa macia e admirou todos os ornamentos daquele quarto onde iria passar as horas seguintes.
Não se despiu. Não se sentou. Não disse uma palavra. Caminhou de um lado ao outro do quarto e olhou o relógio…e estava só!
Voltou a vestir o casaco. Pegou na mala. As orquídeas, deixou-as no meio da cama. Sorriu e partiu…
Pela terceira vez ele dissera que chegava de Estocolmo e que a queria ver…e não aparecia...
30.12.05
sábado, dezembro 24, 2005
INSÓLITOS DO QUOTIDIANO
Como a época exige, contactam-se amigos e parentes, num vai e vem de bons votos e mais umas quantas frases feitas, por vezes, sem que as sintamos muito bem.Ora neste vai que não vai de chamadas, acabei de falar com uma amiga que por ter sido transferida para longe, não falávamos há mais de um ano… e vai daí, teve de pôr a escrita em dia: Contou-me da festa de beneficência onde esteve há umas semanas, para angariar fundos para uma qualquer instituição, da qual nem nunca ouvira falar…
Mas o insólito é o que lá aconteceu…
Já tarde na madrugada, subiu ao palco improvisado, um “belezas” “peludinho” e musculado, que leiloava um beijo a favor da tal instituição.
A minha amiga, benemérita, mas aqui para nós, muito carenciada, foi entrando no jogo, até que lhe calhou o que ela começou por chamar…a sorte grande…
Subiu ao palco e beijou arrebatadamente o “Zeus” em calções… (segundo ela, nunca havia sido assim beijada…)…
Terminada a “farsa”, salta de lá um “rechonchudo paquiderme” e vai de dizer umas “bocas” à minha amiga… (bem, era o namorado do “Zeus”)…
Ora dizia-me ela, quase chorosa, que depois de ter tentado ter coragem para beijar um homem…saiu-lhe na rifa aquilo… e pior, nem sabe como justificar no IRS, dois mil e quinhentos euros…sem recibo!
E assim vão os nossos dias… neste quotidiano mais ou menos monótono…
quinta-feira, dezembro 22, 2005
DESALENTADA
sexta-feira, dezembro 16, 2005
Árvore de Natal

Como todos sabemos, o uso da árvore de Natal tem origem pagã, este costume predomina nos países nórdicos e no mundo anglo-saxónico e a sua tradição tem raízes muito mais longínquas do que o próprio Natal.
Os romanos enfeitavam árvores em honra de Saturno, deus da agricultura, mais ou menos na mesma época em que hoje preparamos a Árvore de Natal. Os egípcios traziam galhos verdes de palmeiras para dentro de suas casa no dia mais curto do ano (que é em Dezembro), como símbolo de triunfo da vida sobre a morte. Nas culturas célticas, os druidas tinham o costume de decorar velhos carvalhos com maças douradas para festividades também celebradas na mesma época do ano.
Segundo a tradição, S. Bonifácio, no século VII, pregava na Turíngia (uma região da Alemanha) e usava o perfil triangular dos abetos com símbolo da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo). Assim, o carvalho, até então considerado como símbolo divino, foi substituído pelo triangular abeto.
Na Europa Central, no século XII, penduravam-se árvores com o ápice para baixo em resultado da mesma simbologia triangular da Santíssima Trindade.
Nos países católicos, como Portugal, a tradição da árvore de Natal foi surgindo pouco a pouco ao lado dos já tradicionais presépios.
quinta-feira, dezembro 01, 2005
“is”
Infinitamente só, a solidão vagueia.
Indiferente aos sons fortes e dominadores,
Impacienta-se pelo tempo onde se passeia,
Incapaz de reagir às correntes dos amores.
Iludindo-se, a solidão tece a sua teia,
Imaginando quem cairá nas suas dores,
Inconscientemente, sem querer, planeia,
Irracionalmente, prender os seus amores…
E vivendo por aqui e por além, a solidão
Sempre a esperar por uma nova ilusão,
Deixa que os tempos passem, desregrados…
E muito só, a solidão, em dias sem dias,
Deixa-se esvair entre as suas fantasias,
Chorando estar só, recordando seus amados…
16.11.06
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