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quinta-feira, abril 02, 2009

VERDADE OU FICÇÃO














óleos sobre telas de Sonny









Subi as escadas de mármore. Fora um palácio imponente. Agora é um Museu conceituado. Os salões foram transformados em amplas galerias, onde os focos de luz davam vida às pinturas. Que quadros célebres de pintores não menos célebres e quase todos fazendo parte de grupos de celebridades de outros séculos passados.
Frente a cada quadro parei. Admirei e fiz um curto apontamento na memória, para mais tarde recordar.
Duas horas mais tarde iniciei a minha visita às galerias dos contemporâneos. Alguns artistas menos conhecidos, não deixavam de ter belos trabalhos. Parei em frente dos nus. Observei um a um; cor, traço, enfim, gostei!
Lentamente caminhei pela galeria, ora observando à esquerda, ora à direita. Completamente absorta entre o que via e o fluxo do pensamento que se misturava entre o que via e o que pensava, que nem tinha a perfeita percepção de estar numa galeria.
De repente senti-me abraçada. Alguém em quem não reparei abraçava-me e beijava-me fugazmente no meu pescoço, na testa, as bochechas, os lábios…
Só podia! Surpresa! Quem andava por ali, como eu a beber cor e figuras para alimentar a escrita…
Lado a lado, depois de braço dado, fomos complementando a nossa observação com um abraço, um beijo, um sorriso… que bom ter vindo ao Museu esta tarde!

04.04.09

sexta-feira, março 27, 2009

AQUELA RUA!

Será que devemos esquecer que ao fundo daquela rua há uma esquina? Será que, se o recordarmos vamos sempre lembrar a escorregadela que lá sofremos? Incrível! Pois é! Por mais incrível que pareça é exactamente por essa rua que me apetecia ir passar… talvez até só para recordar a escorregadela que sofri, não reparando que, para acender um cigarro (e isto já lá vão uns largos tempos, pois há muito que já nem fumo…), desconcentrava-me da atenção essencial que aquela rua me merecia, por ser tão escorregadia… Somos realmente assim, em tudo! Quanto mais escorregamos, mais nos apetece escorregar…
Mas lembro-me daquela rua, porque aquela rua me transporta, não só à escorregadela, mas e também à minha actividade como voluntária, ensinando numa Universidade Sénior.
Que saudade! Por motivos, mesmo contra a minha vontade, estou sem exercer a minha actividade… a ver vamos se posso recomeçar em breve. Adoro ensinar!
Mas ainda volto àquela rua. Quando olho ao fundo, vejo o Tejo, brilhante como cetim de seda fazendo de cama a algum barco que desliza de mansinho… O sol reflecte-se nas águas e gosto de sentir os olhos a sofrer as consequências desse brilho. Gosto de ver os prédios encavalitados como que a não querer deixar espaço para a passarada que pela Primavera esvoaça por aí… e tantos automóveis! Pelos passeios e mostrando como civicamente somos tão pouco respeitadores…

26.03.09

sábado, janeiro 17, 2009

ÚLTIMA CARTA (talvez)


Para ti,

Aqui estou! Prometi que te escreveria uma última carta e aqui estou a cumprir. Hoje mesmo, porque quando a receberes já não vais ter necessidade de lhe responder… Não tem resposta!

Penso que não será muito longa esta minha carta, porque já resta muito pouco para dizer. Aliás, aprofundando o pensamento, até nem deveria escrever uma palavra mais. Todas as minhas palavras serão mal empregues em quem procedeu, como procedeste, por todo o tempo que sabes.

Uma vez mais voltei a ler o maço de cartas que me foste enviando. Vou arquivá-lo como se fora um arquivo qualquer. Um pacote com um laçarote vermelho! Ridículo! Isso acabou.

Se voltasse a descrever todas as amachucadelas que ainda cicatrizam na minha alma, estaria a ser tonta e a perder tempo. Estaria sobretudo a candidatar-me a uma série de insultos, para o que és muito pródigo… Não vale a pena. Afinal, o silêncio é de ouro… o segredo está em saber mantê-lo.

Por favor não repitas nenhuma das acções que sabes, com quem vier a seguir. Ninguém tem culpa dos desaforos que te fizeram há muito, muito tempo… mas também ninguém deverá ser a próxima vítima.

Devo confessar que houve momentos que imaginei teres passado a ser o que imaginava que eras… depois, arrependi-me sempre de pensar que estava a ser injusta. E sabem as nuvem do céu e as estrelas da noite como te amei…

Mas já lá vai. Tinha de dizer mais uma vez tudo isto, para aliviar a minha alma. Não é uma injustiça não querer voltar a ver-te. É uma alma amargurada a querer partir em paz com ela própria.

Tenta reflectir. Sê feliz e até à eternidade,

Eu, sempre eu…

16.01.09

sexta-feira, janeiro 02, 2009

MEMÓRIAS E VOLTAS


Acabei o ano de 2008 escrevendo pouco. Se isso significa que estou a cair no desgaste, não sei, mas sei que me abalaram vários acontecimentos e me deixaram mais céptica outros… fiquei em letargia…
Sabes que sentir tristeza é difícil de traduzir. Sabes o que é querer chorar e não vertermos lágrimas… só dentro, muito no íntimo, estarmos num pranto descontrolado… é isso mesmo! Eu sabia que me entendias.
Vasculhei as memórias e os papéis que por aí andam, há um bom par de anos, para lhes dar sequência. Para os pôr com ar de quem escreveu com cabeça, tronco e membros…
Engraçado! Encontrei muitos poemas. Descobri uns quantos que me foram dedicados e outros, que escrevera à saudade… Vai! Vai saudade. Estou cansada de sentir o peso da saudade.
Mas o arquivo que mais me fascinou foi o da História da Magda. Sim. Compilei muitos textos provenientes de “entrevistas” para exercícios de Estatística, para trabalhos de avaliação de auto-estima, para avaliação de distúrbios e perturbações de personalidade, enfim… são “n” dossiers com montes de trabalhos que vieram a dar inspiração e origem à tal História da Magda… Vieram a dar origem a que a imaginação criasse uma figura, onde fosse possível apreciar as características da sua memória, as suas frustrações e os seus medos… Vou contar a História da Magda no meu Blog Bis Morgen, que tem estado em “hibernação” desde Outubro de 2007…
Um dos objectivos que quero considerar como importante, tem a ver com algumas formações, de modo a estar actualizada… continuo a gostar de estudar…
Outro dos objectivos respeita à actividade como voluntária. Gostava de ter saúde para voltar a ter mais turmas… são uns queridos os meus alunos.
Também seria óptimo voltar a pintar sem sofrer as consequências do cheiro das tintas. Pintar a óleo fascina-me… mas provoca-me alergia… como somos tão frágeis!
E às voltas e voltas, centro o pensamento em ti. Gosto da nova faceta com que te apresentas – colorida, com uma fragrância marinha, com um ritmo extravagante - mas deixaste de ser …, como deixei de ser tua. Projectos divergentes apartam pessoas, criam distâncias e erigem muros intransponíveis. Restam as amizades, que essas, verdadeiras, são eternas.

02.01.09

quinta-feira, dezembro 04, 2008

VISITAS AO PASSADO

Desci a escada. Dei a volta à chave e entrei. Tudo estava desordenado como deixaras a ultima vez que lá estiveras… Não resisti. Sentei-me na berma da cama e chorei amargamente pela triste saudade que partiu e teima em nunca mais voltar…
Passaram minutos ou horas, não sei. Apenas senti ter esvaziado o meu pranto, ter esgotado as forças e pegando no que me levara a ir lá abaixo, voltei. Voltei mais triste, mais só, mais sem os nadas que ainda imaginava ter…
Os lençóis revoltos como as marés vivas de Setembro, fizeram-me reviver tão velhos momentos… subi a escada, bati e entrei. Uma visita! Cinco vinte e um! He! He, he, he… ainda te lembras? Página, linha… pois! Há coisas que nunca conseguimos esquecer…
Respirei fundo e tentei concentrar-me para ouvir aquela música que pensava ainda ter na memória… mas esvaiu-se e apenas consigo recordar um pouco do som do carro quando avariava…
Depois a tua voz suou como se estivesses ali dentro, na outra divisão onde não fui… nada havia a fazer lá.
Pareceu-me sentir ainda o teu calor quando peguei no edredão para o dobrar… foi há tanto tempo e pareceu que apenas uns minutos tinham passado… Tudo parece estranho ao mesmo tempo que tudo é tão natural. Serei eu a imaginar ou ter-se-á passado mesmo assim? Para imaginação esteve perfeita. Para ter sido realidade, pouco faltou para pensar que era mentira… ou não estaria agora aqui, a lamentar estar tão só e sem lágrimas mas com a alma num choro compulsivo…
Entretanto veio a noite. Escureceu o céu, muito encoberto e também chorando uma chuva miudinha, a fazer coro com a minha lamúria …

04.12.08

quinta-feira, novembro 13, 2008

DILEMAS DE QUEM TEM DE LIMPAR O PÓ


Há coisas que temos de fazer, mesmo a convalescer de um cancro. Limpar o pó é uma delas, mesmo não sendo das coisas mais agradáveis que se fazem. Eu associo o limpar o pó a varias actividades mentais, isto num programa de autoavaliação que criei para classificar as minhas faculdades cognitivas.
Tenho muitos pratos espalhados pelas estantes da sala. Há anos deu-me para ser coleccionadora de pratos. Depois vieram as chávenas de café e ainda depois as chávenas miniatura. Vejam só como é a minha limpeza de pó…e nem deixo a tarefa por mãos alheias porque adoro as minhas bugigangas…
Mas hoje, ao fim do dia a tarefa vai ser muito mais leve. Eu explico porquê… um dos meus alunos sénior, ofereceu-me um livro, que segundo ele, opera maravilhas… (não sei bem o que são maravilhas para ele…) O Segredo! São conceitos! Depois de ter sobrevivido à morte, não sei bem onde encontrar outras maravilhas…Mas dizia eu que a minha tarefa era facilitada pela leitura de alguns excertos do Segredo… Aladino! Ora não se está mesmo a ver que limpar o pó e limpar a lâmpada de Aladino estão em sintonia? Pois é! Vamos a ver se ao limpar a minha candeia o Génio aparece e repita a frase célebre – o teu pedido é uma ordem!...
Mas estou num dilema. Se limpo a lamparina e aparece o Génio, o que lhe vou pedir? Se pensar só em mim, peço-lhe o que sabes muito bem, mas o que eu quero pode não ser o que quer a quem associaria o meu pedido, e logo fico noutro dilema, pois há tanta gente neste momento que ficaria feliz com algo que não prejudicasse as suas vidas… e as deixasse funcionar racionalmente e sem atropelos….
Está decidido. Hoje não vou limpar o pó e talvez lendo mais um pouco do Segredo, encontre solução para o que pedir ao Génio, caso apareça, e lhe fale das minhas reticências e ele dirá, possivelmente: o teu pedido é uma ordem…


13.11.08
16H00 no comboio

sexta-feira, outubro 31, 2008

NÃO ESTROPIO O SENTIMENTO


Esfarelam-se as palavras como migalhas de pão duro. Deixam um ruído a pairar e na alma fica o arrepio do som metálico no vidro… enquanto todos os ruídos se cruzam, caminho pelo caminho que tracei. Um caminho tortuoso cheio de precipícios onde a cada passo sinto a tentação da sua atracção…
Todos os caminhos me levaram ao caminho que me fez abeirar de ti. Frondosa árvore onde me amparei quando o cansaço me fez oscilar e quase desistir de prosseguir o meu caminho… e caminho pelo caminho que tracei para não te perder nunca…
No meu caminho há muitas palavras, muitos dizeres, muitos livros e sempre a constante curiosidade de saber mais. Um caminho cheio de porquês, em que cada porque é uma flor a desabrochar, em que cada pétala é a página que irei ler a seguir. Cada página tem a tua imagem e tudo o que nela deixas escrito é para despertar ainda mais curiosidade.
Tem cada palavra o condão de desbravar horizontes ainda desconhecidos. Cada frase tem um destino, embora possas não o identificar… gosto de idealizar os teus protagonistas…
No meu caminho, muitas vezes senti que estes ou aqueles dizeres me perturbavam, mas como os que dizes, jamais havia sentido… Um afecto muito íntimo me faz abraçar cada palavra com devoção, sem que estropie este belo sentimento…

30.10.08

sexta-feira, outubro 24, 2008

NO PAPEL


A palidez do papel branco aceita a minha tinta preta e recebe todas as letras que lhe vou deixando como se fossem desenhos simétricos e repetidos…
Todas as letras fazem palavras que, muitas vezes traduzem beleza, outras apenas deixam ler a tristeza ou ainda pretendem esconder as cicatrizes que vão perdurando na alma…
Cicatrizes são muitas vezes amargores que se fixam e perturbam o dia a dia. A distância origina pesares que se vão acumulando e quando damos conta de nós, estamos num sofrimento incomensurável…
Parti várias vezes. Sempre a sonhar que tudo iria ser como sonhara… mas que engano! Apenas somei dores e sempre mais só.
Lembro-me do Cais de Alcântara e da largada do navio….Recordo sempre o olhar da mãe e do pai… e entre a multidão que apinhava o cais, em despedida dos que partiam, havia um par de olhos castanhos que ficaram gravados no meu peito…
Como me lembro de ter passado tantos dias a chorar… enquanto outros passavam-nos enjoados… mas a saudade dominou todos os meus pensamentos, apenas desejei virar a página o mais rapidamente possível… que saudade!
As cicatrizes também podem ser arrependimentos… alguns! Mas todos os passos apenas serviam para me justificar à solidão.
Depois, um dia, parti em sentido contrário. Foi o que decidi. Foi doloroso. Gostava do que fazia, gostava de toda a gente e das flores que cobriam as árvores da minha rua. Mais uma vez ficaram olhares perdidos entre o céu e a terra, de todos os que jamais voltarei a ver… saudade! Talvez mais umas cicatrizes…
Mas nem sempre fui eu que parti! Que lutos dolorosos tenho atravessado. Há sempre alguém que se vai… e não volta mesmo, ou deixa-me no esquecimento, porque viver é tudo isto. Ou se fica perto ou se fica longe, cada vez mais longe até que a distância passa a ser outra vida.
A palidez do papel aceitou minha escrita. Aceitou as lágrimas que foram escorregando pela face e deixou que a saudade que me aperta a alma fosse um longo suspiro moribundo…

24.10.08

terça-feira, setembro 30, 2008

NO TEMPO EM QUE O TEMPO FOI SONHO


Tempo. Tempo, mas o tempo tem muitos tempos. O tempo aparece em horas, aparece em dias e meses e muitos tempos fazem anos e eras. O nosso tempo ainda é o tempo activo e o tempo de descanso… No tempo vivemos e sonhamos e mesmo no tempo de vigília, sonhamos… dos nossos tempos e dos nossos sonhos se faz a nossa vida. Vida que tem passado, presente e futuro… sendo o tempo de futuro o mais incerto…
O estranho é não nos apercebermos que o tempo em que sonhamos, é um tempo gasto como em qualquer outra actividade, com a diferença de o sonho não ser produtivo… Talvez não seja bem assim. Por vezes, inconscientemente, estamos a sonhar e acto continuo pomos em acção o sonho que acabara de ser sonhado. Era viável o que se viveu no sonho e por isso sai escrita, musica, sai uma obra de arte ou até uma peça de marcenaria…
Todos sonhamos, independentemente do nosso tempo, porque o meu tempo não é o mesmo de qualquer outra pessoa. O tempo geral é o mesmo para todos, se considerarmos um mesmo local em latitude e longitude. A loja abre às nove horas (aqui e neste tempo) e todos os que lá trabalham têm o mesmo tempo de começo e depois de saída, mas quem vai fazer as suas compras, tem o seu próprio tempo e nesse tempo não estarão outros tempos introduzidos.
O sonho ou os sonhos que vão decorrendo nos nossos tempos, não são verdades. O sonho é um engano. É um faz de conta que apenas é realidade no sonho; (sonhos durante a vigília, são muitas vezes sonhos perniciosos…)
O tempo no sonho não é tempo contável. O sonho é intemporal no tempo em que o sonho se desenrola. Não é raro acontecer entrarmos no sono, no nosso tempo, quer fisiológico quer no fuso horário em que nos encontramos e neste tempo em que dormimos, numa viagem constante, estamos dois séculos atrás, entre intrigas palacianas, ou muitas décadas à frente, numa guerra entre seres de outros astros do sistema solar…
Sonha-se mesmo quando não nos apercebemos que o sonho está a acontecer…

25.09.08

sexta-feira, setembro 05, 2008

SEXTA-FEIRA!

Depois de um dia acinzentado e ventoso, começou a chover. Gosto da chuva, quando ao de leve cai nas folhas das árvores e plantas e deixa que o som nos embale e acarinhe a nostalgia que estes dias nos deixam…
Chove ainda, depois da noite nos ter abraçado. Chove e choram os meus olhos por uma saudade que teima em entranhar-se por todo o meu ser.
A saudade é uma forma de fazermos sentir dentro de nós quem não está perto. É doloroso apenas sentir distância, quando temos alguém tão dentro de nós, a preencher nossos momentos e todos os nossos pensamentos…
Saudade de alguém, saudade de um lugar, de um objecto que estimámos e que por motivos que desconhecemos nos apartamos dele… é o que sinto quando recordo a caixa de madeira, de dois andares, onde guardava os lápis de cor, quando ainda era muito pequena… Saudade da nogueira, no recanto da quinta que mais me atraia, e que pelos meses de Setembro, em cada ano, me deixava colher as nozes, que ainda meio verdes, me sabiam deliciosamente… saudade das aventuras e das corridas, dos amiguinhos com quem partilhava rebuçados e chocolates, dos cadernos que escondia, cheios de desenhos e muitos versos.
Mas hoje a saudade ainda é outra… é saudade de mim própria… Saudade de correr pela rua fora para apanhar um autocarro, saudade de carregar no acelerador para não deixar que me ultrapassassem na estrada… saudade do que não vou voltar a ter… tardes de lançamento de livros, idas ao café do bairro com o pretexto de escrever, saudade sobretudo da companhia de quem vai deixar de vez de estar perto…. Saudade que consome, que destrói, que causa stress, que gera depressão, que deixa a alma sangrando de dor… e ainda há quem consiga deixar que amizades se percam…

05.09.08

sexta-feira, agosto 08, 2008

JOGOS OLÍMPICOS

Zanguei-me com o tempo. Passou vertiginosamente esta tarde. Bem sei que desde a uma da tarde que não saí de frente do ecrã da televisão, para assistir à abertura dos Jogos Olímpicos. Por isso, o tempo em chamadas telefónicas, nem deu para absorver a delícia que é ouvir a tua voz. Paciência. Possivelmente, à hora que os mochos dão as suas consultas aos outros pássaros nocturnos, vou ouvir o meu Cuco cantar e lá estarás para dar as boas noites da praxe.

Mas zanguei-me com o tempo porque entre as treze horas e dez minutos e as dezassete e trinta, nada mais fiz que ver o maravilhoso espectáculo que foi a abertura dos Jogos Olímpicos na China. Mereceu a pena, muito embora esteja sempre habituada a fazer algo a seguir ao almoço, para não me deixar amolecer no cadeirão em frente do aparelho de televisão…

Magnifico espectáculo de cor, coreografias e de fogo de artifício. Creio que jamais vi espectáculo tão sumptuoso.

Milhares (dois mil e oito) de figurantes deixaram-me deliciada nas suas vestes magníficas. A maior parte das delegações de atletas de cada país, também trajando com cores vivas, desfilaram durante muito tempo. A delegação portuguesa, que passou na 178ª posição, também me agradou. Os nossos atletas caminhavam com ar convicto de que irão ser merecedores de um medalha.

Gostei de ver o Presidente do Brasil, Lula da Silva, o Presidente de Timor Leste Ramos-Horta, O Príncipe Alberto de Mónaco, os Príncipes das Astúrias Litizia e Felipe de Espanha, o Presidente de França Nicolas Sarkozy, e muitos outros presidentes e primeiros ministros de muitos outros países. Comovente o acenar das delegações para os seus dirigentes.

Não referi Portugal, porque nem Presidente nem Primeiro-ministro estiveram a assistir a esta cerimónia ímpar. Estranho, não é? Pois não é estranho não senhor. Em Agosto, pleno mês de verão, há férias e nem o Senhor Presidente nem o Senhor Primeiro ministro poderiam abdicar de uns dias, sacrificando as suas férias, para serem a força máxima a representar o nosso país… a não ser que tenham consultado o oráculo e tenham receado que algo de estranho os poderia “danificar”…

Achei interessante saber que os números são muito importantes para os chineses, daí o número de figurantes ser dois mil e oito, tal como o ano em que estamos… e logo hoje é dia oito!...

“Estou sim, docinho?” “Que bom ouvir-te de novo.” “Bla…Bla… Bla…”
A conversa durou pouco por causa da falta de carga. Amanhã haverá mais… e entretanto continuo a remoer por ter visto tantos representantes máximos de tantos países e do meu, apenas foi uma figura de representação…


08.08.08

terça-feira, julho 29, 2008

A CARTA PARA O CONCURSO


Olá!

Juro que não sei como começar esta carta. Se te chamar meu amor, minha vida ou apenas como a comecei, por um insignificante olá. Mas tenho mesmo de te escrever esta carta e enviá-la, mesmo que nem possa caminhar para a depositar no receptáculo do marco do correio. É premente que a venhas a ler, mesmo que chegue atrasada e já depois do depois… É justo que saibas porque deixaste de fazer parte da minha vida (vida? Será que ainda estou viva?)
Amei-te. Amei-te muito, quer queiras acreditar, quer não. E se algo matou esse meu amor, não foi de mim que partiu, mas apenas e somente de ti.
Aceitei todos os argumentos que expunhas para justificar todas as atitudes que tomavas. Aceitei mentiras, insultos, fingimentos, todos os contornos utilizados para me pôr à prova… Aceitei que te introduzisses nas minhas amizades e passasses a ser amizade de amigas minhas, mas quem te amava era só eu…
Chegou finalmente aquele dia que eu procurava no tempo, para ter coragem de enfrentar a realidade e deixar-te esta carta, não como uma despedida… não tenho palavra para significar isto que quero dizer… mas para marcar um fim neste tempo de amargura, que foi todo o tempo em que te amei… e será que deixei de te amar?
Mesmo nesta dúvida que me deprime, prefiro considerar que deixei de te amar e que o quanto me sinto magoada me faz esquecer que apenas existias como o meu amor… Um dia vais recordar-me… talvez até tenhas muitas mais para recordar…
A última vez que olhei o mármore esbatido e gasto pelos sóis e chuvas que lamberam a pedra, prometi a mim mesma que não mais voltaria e que teria de esquecer… e pelo muito que te amei, e que talvez não venha a esquecer-te, não voltarei, porque nunca me amaste e porque nunca me pedirás desculpa por me teres induzido no erro de te amar…
Queria não mais sentir o fulgor dos teus beijos. Queria que apenas tivesse sido um pesadelo. Queria não sentir a repulsa que sinto agora… sabe-lo porquê.
Jamais houve tempo para te dizer tudo isto, por isso te escrevo esta carta… e nunca esqueças que te amei muito… e perdeste o meu amor… perdeste-me.
Até sempre, porque na eternidade reencontrar-nos-emos.
Adeus!

28.07.08

(concurso “A Melhor Carta de Amor”. Não enviei por a achar ser triste demais)

quarta-feira, julho 23, 2008

UMA LENGALENGA DE ASSUNTOS…


Não vou resistir à tentação de fazer a experiência que o meu primo fez quando escreveu um livro com muitos textos e nos quais nunca usou os pontos finais nem os outros que temos de mudar de linha porque ele conseguiu despejar tudo o que queria dizer sem usar nada de artefactos como são as vírgulas ou pontos e outros mais sinais ortográficos que até por sinal vão cair em desuso caso nos embrenhemos neste acordo com o qual estou em pleno desacordo porque não tem cabimento dizer que um pacto é um pato ou um fato é um facto porque acabamos por não saber quem anda vestido ou quem vai nu e assim como outras coisas mais que entram em conflito com as minhas maneiras de concordar ou discordar e mesmo a propósito hoje fiquei em pleno desacordo com o prato que comi ao almoço ao qual chamaram pescada com todos e os tais todos eram cenouras e batatas e ainda brócolos e apenas um ovo por isso não eram todos porque o ovo era só um e enquanto almoçava também fiquei confusa porque acho muito mal explicada toda essa “triste novela Maddie” que me parece que tem um cortinado bem espesso a cobrir algo que parece que não se quer ver como muitas coisas que por esse mundo andam por trás dos bancos de nevoeiro e das ideias meio baralhadas dos habitantes deste planeta e em especial os cá deste “cantinho à beira mar plantado” e que se chama Portugal e que começou a existir graças a um senhor que se chamou Afonso Henriques e foi o primeiro rei deste reino que deixou de ser reino porque uns carolas acharam que uma republica era muito mais eficaz do que um reino e vai daí que andam há um ror de anos para mostrar isso e ainda não conseguiram porque não é nada fácil governar um reino ou uma republica onde todo o mundo reclama e nunca está satisfeito com nada e critica após critica sem darem nenhuma sugestão para melhorar toda esta confusão e isto só porque os homens são sempre homens quer sejam reis ou plebeus e nada os fará mudar a sua condição de Homens!


23.07.08

quarta-feira, julho 16, 2008

ALMA…


Procurei por aí e não encontrei em qualquer parte a alma. Todos falam dela. Todos enaltecem os seus valores, lamentam os seus estados, nem sempre de muita paz…
Há quem refira os poemas da alma… alma perdida… elevação da alma… os estados da alma… e até há quem escreva apontamentos da alma e cadernos da alma…
Mas onde está, que faz e porquê não encontro a minha, quando todos falam das suas?...
Pois! Possivelmente a minha não sabe exprimir o que por ela vai… e vai daí, é como se não existisse.
Claro que não teria a ousadia de usar a dita, caso a tivesse, para a fazer de mensageira, se, sobretudo quisesse dar “um pacote de chá” a alguém…
Alma minha! Vagabunda e solitária (por isso não a encontro), não escreve em cadernos nem sabe aceitar umas “patadazitas” que por distracção lhe dão. Reclama! Reclama, sobretudo, a falta de atenção, o espírito de solidariedade e o ser preterida em favor do que está “na berra” no momento. Reclama a falta de sinceridade numa amizade; o desrespeito por essa amizade.
Mas disseram-me que realmente tinha alma. Fiquei espantada. Se a tivesse, haveria outra alma que a entenderia e não a desconsideraria “por dá cá aquela palha”. Mas vou tentar descobrir se ela andará por aí ou não… talvez não a tenha procurado bem…


16.07.08

quarta-feira, julho 09, 2008

SEPULCRO DE PALAVRAS



Prefiro manter-me num silêncio forçado. Prefiro guardar as palavras, prefiro mesmo enterrá-las, elas que se vão atropelando entre desconexos turbilhões de pensamentos, de revolta, de ira, de ódio, de desprezo: sobretudo de incompreensão.

Prefiro silenciar o som dos sucessivos gritos que interiormente vou soltando. Prefiro que me julgues depositada no além da existência e assim possas, de corpo e alma, dedicar-te às delícias que preenchem o teu mundo. E quão distante está o teu mundo do meu!... É pena não perceberes que apenas és o que és: um capricho de apostador.

O meu silêncio não vai permitir que oiças como ecoa, dentro de mim, toda a raiva que em mim fervilha, quando balbucio que não vais fazer de mim palhaça o tempo inteiro. Alguém pode ter ganho mais esta batalha, mas a guerra ainda não acabou… se algum dia existir, talvez me recordes… tardiamente… o tal ar sonso e comovedor pode ter conquistado o incauto, mas não me assusta… aprendi a ver entre as sombras. O meu silêncio é e será a potente arma de defesa.

O silêncio, a indiferença, o desdém com que passarei a olhar-te, ferir-te-ão do mesmo modo que o abandono, a troca, a agressiva forma de te expressares nas constantes referências ao que te desagrada, me agride a mim e como enalteces todo o ser que te amachuca mas por quem estás em plena obsessão… no meu silêncio, as gargalhadas de dor serão forma de esquecer a minha mágoa…

Sabes o que é um embondeiro? É uma árvore muito frondosa, imponente que tem o seu habitat em África… os naturais comparam as grandes figuras a esta espécie, pela sua grandeza e pelo seu porte respeitável. Eu serei o embondeiro, alto, frondoso, distante, que darei a sombra e o apoio…

… e as minhas palavras ficarão em campa rasa na base do embondeiro, para que as oiças, nas noites em que o vento a ulular repita o que sempre desdenhaste…


09.07.08

REDIZER O QUE FOI DITO


Os motivos inventam-se e reinventam-se. A nossa imaginação é incomensuravelmente potente para deixar que temas e mais temas corram como caudais de grandes rios descendo planaltos… e a escrita flúi numa reinvenção constante de cada palavra, com a sua multiplicidade de significados, que vai traduzindo as suposições existenciais, vestindo e travestindo a corrente da nossa fantasia e dando vida ao que não sendo, passa a ser, pela força que o sentir exerce dentro de cada um de nós. E que salutar é esse sentir! Salutar, mas questionável… É vida que nos faz manter vivos e é por isso que adoro escrever e que em cada poema redigo o que já disse e que outros disseram também, porque o sentiram ou talvez não, ou porque o disseram ou o sentiram e de forma diferente da minha.
Poema após poema, com todas as palavras usadas e gastas que faço brotar do meu pensamento, vou permitindo que me acariciem a alma e ao balbucia-los, abandonam nos meus lábios uma doçura igual à dos teus e a que chamo vida.
Mesmo que vás repetindo que a escrita é um jogo de palavras, que me repito e de nada serve o que digo e redigo, não resisto e vou repetindo o que não ouviste, nem leste lá pela terra do nada, que te absorveu e absorve, num constante questionar de tudo e de todos… Tudo é questionável! Mesmo o que é evidente é questionável, por isso, as minhas palavras usadas, repetidas e gastas serão como o eterno tanger dos sinos, não para cantar que te amo, mas para tocar a finados acompanhando o que restou do que nunca consegui dizer, por ter só palavras gastas e questionáveis…

09.07.08

sábado, junho 28, 2008

EFERVESCÊNCIAS DA MEMÓRIA


Irrita-me profundamente que me tomem por idiota ou que me queiram deitar poeira nos olhos. Essa de tapar o sol com a peneira, pode aplicar-se às politiquices e aos politiqueiros da nossa praça, mas eu sou antiga como o escaravelho e deixei-me de andar em cantigas há muito tempo…
Pensavas então que não te entendia? Apenas fui fazendo de conta que ignorava… porque me convinha ignorar… mas por agora é tudo, nada mais a dizer…
Utilizei as cartas que tinha para jogar e fui jogando até ao momento que tenho força para te dizer que podes ir dar uma volta… e grande, para demorar muito… Sabes? Passaste as marcas e de prazo: fora de moda!
Fui ler o maço de cartas que me escreveste durante muitos anos. Que confusão de sentimentos! E achas que eu ia acreditar em tanta palavra com significado duvidoso? Usaste-me. Mas tudo é até um dia… e às vezes até ao dia que nos convém…
Quando mexemos no passado, mesmo que seja um passado recente, ficamos sempre com a disposição perturbada; se há coisa que me irrita, é recordar certas pessoas em quem confiei e que me usaram como quem põe um chapéu ou um par de luvas… Claro que és mesmo tu! Embora haja muita Maria na terra… a Maria a que me refiro és mesmo tu… ou haveria alguém com tanta “lata” como tu? … No entanto, acho muito divertido recordar-te. Tens sempre uma opinião sobre tudo, criticas todos e és sempre a pessoa mais rápida a lamentar a sua condição física, emocional e até económica… realmente se não existisses, terias de ser inventada… Comparo-te a certos dirigentes, que de nariz empinado, se fazem passar por excelentes pessoas… porque nunca ninguém lhes contou a história do “Rei que ia em ceroulas…”


28.06.08

domingo, janeiro 27, 2008

TRISTEZA


Não sei se é possível avaliar a tristeza. Não sei se há uma unidade de equiparação para que esse valor nos seja fornecido com precisão. Apenas sei e por instinto, que a tristeza que sinto é incomensurável. Jamais imaginei ser tão triste. Sentir a tristeza que sinto.
Como estou destruída!
Como uma ilusão pode ser tão devastadora…
Como é que uma quimera nos pode arrasar tão profundamente?... A quimera da vida!
Sim! Porquê teria imaginado que deixaria de ser tão só? …
Troquei… comercializei a palavra com a solidão para não estar só… É triste! Fiquei mais só. Usada. Banalizada. Preterida. Ignorada.
Os meus sentimentos ignorados, foram vandalizados, apedrejados, mal tratados…
O primeiro impacto foi o do maravilhoso. O do encantamento pela palavra… o do domínio da incerteza, com as suas fantasias… orquestras de sinos no paraíso… ninfas segredando poesia as som dos murmúrios do rio… e deixei-me embalar pela doçura do imprevisto e pela originalidade dos factos… pela beleza do imaginário e pela perspectiva das consequências… até as desejei rápidas. Morrer lentamente deve ser atroz…
Depois, no silêncio do estar mais só, aquando a respiração quase não se sente, odiei-me e também a todo o cenário que apadrinhou toda a ilusão… viver!
Quando a tristeza ultrapassa a nossa dimensão, o fim é a solução… as recordações dissipam-se como as peugadas no deserto…

27.01.08

sábado, janeiro 26, 2008

PASSEANDO PELA PALAVRA


Vou contar-te um segredo. Talvez não seja bem um segredo. Talvez seja mais um desabafo. Um daqueles desabafos que só alguém muito especial pode entender.
Pois! Talvez nem seja um segredo nem um desabafo, talvez seja apenas o deixar que os sons emitidos sejam o de palavras…
Mas encontrei a Palavra nas minhas deambulações pelo Monte… Sabes? A Palavra é a fonte inesgotável dos dizeres de cada um de nós… a Palavra é o som. A Palavra musicada é um hino de Amor, um lamento… uma lágrima.
A Palavra é a eterna viajante. De boca em boca, de papel em papel, a Palavras é o elo de ligação entre nós.
Uso a Palavra de noite e de dia. Umas vezes dizendo-a, outras escrevendo-a, outras ainda, deixando-a correr livremente pelo pensamento. A Palavra é a companheira que escolhi desde sempre e percorre-la é uma proeza, por vezes perversa, por vezes maravilhosa… mas a Palavra é o alimento da minha alma e a minha alma sem a Palavra não é nada…
Sabes? Perguntei à Palavra se sabia como dava prazer… a Palavra respondeu-me que se fora Saber, se transmitisse conhecimento… sim, era Prazer… um prazer breve como a brisa primaveril. … porque o saber é inesgotável e o conhecimento um Oceano sem fim… nunca se consegue atravessá-lo, quanto mais se avança, mais falta para se chegar à costa…
Interroguei a Palavra se também tinha necessidade de reflectir… e a Palavra retorquiu que sem reflexão não fazia sentido… então a palavra é o pensamento e o pensamento a reflexão… assim anseio pensar e encontrar uma explicação cabal para as questões que vão brotando do meu pensamento…
Continuei a passear pela Palavra e com a Palavra, esperando encontrar-te por aí, entre a minha e a tua palavra… pensando e continuando a estimular as perguntas, para continuarmos o nosso caminho na busca de respostas…
Na Palavra encontrei o poder do seu uso… o poder do uso da Palavra é incontornável! …


26.01.08


visitar - FRONTEIRAS

sexta-feira, janeiro 18, 2008

DISSEMELHANTES MOMENTOS


Vou dar uma festa!
Vou dar uma festa, finalmente liberta do teu fantasma.
Vou dançar e ouvir todas essa coisas alegres que tens para me contar… e para? És demais!!!
És mesmo demais! Há quanto tempo não me ria desta maneira, nem sentia o sangue a fervilhar nas veias? Senti-me! Fui eu, o que parecia ter desaparecido há algum tempo...
Ao mesmo tempo foi útil este breve interregno entre a doença e as férias, foi a única forma de saber que atrás dessa bata, branca e resplandecente, havia uma alma, bela e transparente, ingénua e cúmplice, dividida entre a ciência e a gentileza.
Há quanto tempo não me abriam a porta para eu passar?!…. Há quanto tempo não me sussurravam ao ouvido dessas palavras…
Entre o saber e o prazer, com esse programa informático, conseguem-se (medir/avaliar) as células nefastas. Que interessante! Quando tens os meus resultados?
Cada segundo é um bilião de horas de impaciência para ouvir essa doce e melodiosa voz, cantar baixinho, que sou a doente eleita…
Até que o tempo passe veloz, vou fazer umas leituras, para que se repita o programa, que se vai tornando hábito, caso não surjam casos graves.
Ontem!
Foi o melhor café que bebi!...


18.01.08