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quarta-feira, setembro 24, 2008
COMO CHOVE!
Quando escrevo, sou como a chuva que cai lá fora: molho tudo e todos indistintamente. Não tenho nem a preocupação nem a pretensão de atingir A, B ou C… Se o gorro cabe em alguma cabeça, desculpem, mas prefiro ignorar. É mero acaso. Mas tenho dúvidas que existam seres similares àqueles que a minha imaginação cria…
Quando pretendo mandar recadinhos, escrevo uma carta ou pego no telefone e despejo o saco, se o interlocutor estiver pelos ajustes de me ouvir… normalmente não está ou tem uma tão forte argumentação, que me deixa no silêncio… São tácticas peculiares do aconselhamento filosófico, a ética é posta em evidência com argumentações inefáveis…
A propósito de me deixar no silêncio, recordo-me o que aconteceu esta manhã… Preparava roupa para meter na máquina, e como sempre, viro a roupa das avessas e despejo os bolsos, para confirmar que não há nada que possa prejudicar a máquina e espanto! O meu N 78 estava no bolso das calças que despira no dia anterior… Incrível! Fartei-me de o procurar quando o outro foi a carregar e nada. Nada de contactos! Quase chorava com medo de o ter perdido… mas a surpresa foi excelente. Já está comigo! E veja-se que tinha várias chamadas não atendidas… como o havia de ouvir? Vá agora explicar a quem me ligou, o que aconteceu… Estou mesmo a ver que alguém, super, não vai acreditar. Inconveniências de quando se usa a mentira e não se acredita na verdade dos outros… Aposto que neste momento há birra, para dizer que birra com birra se paga… entretanto, e porque ainda estou a deglutir algumas “coisinhas”, prefiro deixar arrefecer as ideias e fingir que ignoro que a pessoa X e a pessoa X’ é que são as ideais e que estão na rota do encantamento…
Parou de chover! O hino ao Outono cantou os seus primeiros acordes e agora os pássaros cantam, como que a saudar a lavagem das suas plumagens…
Trovejou por breves instantes e à distância, ainda se ouve um sumido ribombar… são tardes como esta que me deixam marcada a ausência e fazem reavivar a saudade… mas tudo acaba e nisso tens razão. Parte para outra, porque mesmo dos que morrem, a saudade se esvai… é como a nuvem, desfaz-se com o vento.
22.09.08
segunda-feira, setembro 22, 2008
PALAVRAS ESFARRAPADAS
Esfreguei os olhos. Voltei a esfregar, como quem torce o pano de limpeza, para que não escorram mais gotas, neste caso, de lágrimas… mas não choram apenas os olhos, chora a alma, e essa, tão doloridamente, como que em despedida, e, plenamente consciente de que a vida acaba aqui… esta fase da vida.
Perdi! Não joguei, nada disso. Há coisas muito mais sérias do que jogar… muito embora a vida seja um conjunto de jogos, em que uns aplicam, outros gastam e outros divertem-se a ver os que aplicam e os que gastam…
Acordei cedíssimo. A dor de cabeça prolongou-se pelo dia todo. O pulso voltou a subir… a zona a chatear… e o cansaço habitual… e para cúmulo, ainda me põem nos confins do desprezo, em troca de umas modernices… é verdade, afinal o jogo dos interesses é muito forte! E ainda nos espantamos com o que figuras públicas fazem, nas trocazinhas de favores… quando toda a gente joga no favorecimento dos seus interesses e nos seus encantamentos, para usufruir do benefício de estar no bem bom. Daí, esquecer os que estiveram (mas a fazer de conta) no top mais… porque realmente ninguém está de certeza nessa posição. No dia em que já não interessa, passai bem e até depois…
Até parece que estou azeda… mas não. Estou desiludida e muito. Não me conformo de nunca passar de um mero objecto de utilidade para quem tem a habilidade de enganar com palavrinhas doces e às vezes bem amargas… bem me lembro ainda de uma palavra que me ofendeu bastante -“nojo”- porque o gosto do tabaco era infernal… mas haveria modos diferentes de o dizer… Consola-me saber que deixaram de haver fumadores e outros tipos de odores… Eu continuo a usar o Chanel 5…
22.09.08
Perdi! Não joguei, nada disso. Há coisas muito mais sérias do que jogar… muito embora a vida seja um conjunto de jogos, em que uns aplicam, outros gastam e outros divertem-se a ver os que aplicam e os que gastam…
Acordei cedíssimo. A dor de cabeça prolongou-se pelo dia todo. O pulso voltou a subir… a zona a chatear… e o cansaço habitual… e para cúmulo, ainda me põem nos confins do desprezo, em troca de umas modernices… é verdade, afinal o jogo dos interesses é muito forte! E ainda nos espantamos com o que figuras públicas fazem, nas trocazinhas de favores… quando toda a gente joga no favorecimento dos seus interesses e nos seus encantamentos, para usufruir do benefício de estar no bem bom. Daí, esquecer os que estiveram (mas a fazer de conta) no top mais… porque realmente ninguém está de certeza nessa posição. No dia em que já não interessa, passai bem e até depois…
Até parece que estou azeda… mas não. Estou desiludida e muito. Não me conformo de nunca passar de um mero objecto de utilidade para quem tem a habilidade de enganar com palavrinhas doces e às vezes bem amargas… bem me lembro ainda de uma palavra que me ofendeu bastante -“nojo”- porque o gosto do tabaco era infernal… mas haveria modos diferentes de o dizer… Consola-me saber que deixaram de haver fumadores e outros tipos de odores… Eu continuo a usar o Chanel 5…
22.09.08
sábado, junho 14, 2008
DA TRAPEIRA DAS ÁGUAS-FURTADAS
Fui visitar as águas-furtadas da minha imaginação e deixei que o tempo passasse sem que olhasse o marcador do tempo, para que à vontade pudesse desfrutar de todo o tempo que me restava…
Da trapeira, com teias de aranha, olhei a distância que o horizonte me proporcionava e deixei que a greta de luz do sol entrasse e me deixasse ver as muitas palavras que havia deixado, muito alinhadas, naquele tempo, antes de ter partido… e regressado…
Como separador das minhas palavras, sempre o teu nome. O único nome que queria esquecer.
Passei os olhos por tantas palavras e reconheci algumas… foram as que me devolveste em tempo, por achares fora do tempo essas palavras que te dera… mas eram tão sinceras…
Sacudi o pó do banco ao canto, perto da trapeira, e sentei-me com a cabeça encostada na minha imaginação. Com os olhos fechados e numa posição relaxante, fui revivendo todas as etapas que havia guardado em tempos… mas sempre tu presente, mesmo que o não queira…
Aquele poço escuro, de um escuro acinzentado, como se fora o túnel de um vulcão. Muito comprido. Parecia que deslizava no ar, sempre a descer e sem vontade de parar… um sono inexplicável, uma perda de força progressiva… uma vontade a desvanecer como a chama de uma lamparina onde o azeite já se esgotara… era eu!
Longe, muito longe aquele portão enorme. Metálico? Possivelmente. Mas de um verde muito escuro, mesmo muito escuro, como se tivesse sido misturada tinta preta para escurecer o verde…
As mãos abertas encostaram-se ao portão. Será que o queria abrir? Jamais o saberei. De repente, senti-me impelida para o túnel e subi-o, não sei explicar como…
Todas aquelas vozes nada significavam… dormia… estava tudo tão longe… como tu estás agora, que nem pensas como estás em meu pensamento, mesmo contrariando a minha vontade…
Abri os olhos. Os raios de sol que atravessavam a trapeira brincavam na minha cara e voltei a olhar para as filas de palavras alinhadas no outro lado das águas-furtadas… e também recordei algumas palavras que ouvi naquela madrugada “está viva!”. “Sabe? Entrou em coma, mas agora está tudo bem.”
Não quero recordar mais nada. Levanto-me e deixo a minha imaginação só, nas águas-furtadas da minha imaginação, a receber os raios de sol que passam pela trapeira com teias de aranha… vou esperar que me recordes…
14.06.08
quarta-feira, junho 11, 2008
OASIS II
Verdejantes as terras circundantes dos poços, ruínas de construções antigas, labirínticas, que mais parecem locais de brincadeira de crianças, em vez do tão almejado oásis a que cheguei.As palmeiras e as outras plantas exóticas, muito viçosas, convidaram-me a um descanso… um descanso no meio do deserto, num oásis perdido…
Dormitei e quanto sonhei!... ouvia-te ao longe num sussurro terno, dizeres quanto me adoravas… e eu perdida neste deserto… para que serviam todas essas palavras?!...
Retemperadas que estavam as forças, das poucas que me restavam, e tão desejosa estava de te rever, que partir.
Voltei a enterrar os pés na areia poeirenta e voltei a ver imagens fantasmagóricas desenhadas em sombras nas dunas, que pareciam estar sempre em movimento.
Andei tanto! Não! Revivi. Numa cama de um hospital, numa sala de cuidados intensivos, tentavam dizer-me que sobrevivia…
Passadas horas, sim, percebi finalmente que parara naquele limite que separa a vida da morte… e voltei.
Voltei sim, voltei a viver e foi tão bom voltar a ouvir-te, a escutar todas as frases com que me deleito e me dão animo para continuar a viver.
Não sei se conseguirei repetir a travessia do deserto…
19.05.08
terça-feira, junho 10, 2008
OASIS I
Nas primeiras passadas senti os pés mergulhando numa areia finíssima e poeirenta. Iniciava a minha caminhada por um deserto a perder de vista…De um amarelo especial e resplandecente ao iniciar o dia, ia mudando as suas tonalidades conforme a posição do sol, para, ao crepúsculo, parecer um mar de pó de ouro velho.
As sombras das dunas agigantaram-se à minha frente e o cansaço ia dominando todo o meu ser… como pesavam as passadas na areia, que parecia criar crateras a cada avanço…
Tinha de caminhar e sem parar. O destino era um oásis. O oásis onde poderia tentar recuperar as forças e onde finalmente poderia respirar, sem ser aquela poeira amarelada…
A intensidade da dor dentro de mim, mal deixava coordenar os pensamentos e apenas me obcecava a ideia de chegar ao oásis…
Depois de dias sem fim, caminhando, por vezes em profundo sofrimento, pareceu-me ver, muito ao longe, o oásis, objecto da minha procura… Tive alento e voltei a imprimir uma certa energia ao meu caminhar, para me certificar que não era apenas miragem… e mais uns passos, e outros, e finalmente podia distinguir as palmeiras no recorte do horizonte…
A primeira fase da minha viagem estava quase realizada… como poderá ser no oásis?...
28.03.08
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
QUE SITUAÇÕES!
Entre o Sol que nasce e o Sol que se põe, mil histórias escoam da boca de uns para o ouvido de outros… Umas vezes a transmissão é directa… outras usa-se o aparelho auxiliar chamado telemóvel…
Quando a cusquice é directa e vai da boca ao ouvido do interlocutor, pode sempre dar-se o benefício de duvida e ou dar um desconto a quem conta… já que quem ouve, só ouve se quiser mesmo ouvir…
Sábado!
Um dia quase normal, se há realmente algo a que se possa chamar normal…
Mas foi sábado e o facto de ser sábado já deixava muito boa gente a gozar o ócio do fim-de-semana… é que nem todos são “professores” com tarefas para fim-de-semana e ou melhoria de conhecimentos…. Há sempre os que têm tempo para melhorar um pouco do apimentado “surucucu” do cantinho da sala de professores…. Porque essa de “cuscar” as mensagens de amigos, de outros amigos, para outros amigos e fazer juízos de valores… muito típico! Deveria ficar por aí!!! O pior é que há espíritos rebeldes e “se der um pontapé no cu” daquela gaja? Assim não chateia tão cedo esta miga… e fica só pra mim…
Pois só que o bombo da festa fui eu!
Sabem o que é que a rameira me chamou? JURO! Não conheço! Nem o palavrão nem a pessoa (se é digna de ser chamada pessoa) “frissureira” nem sei se é isto que se escreve e muito menos o que quer dizer… Pois! E para isto se anda cá sobre estes montes de esterco!!!
Se quem conhece a “dama” e tiver coragem suficiente para a denunciar, será mesmo pessoa digna. SÓ QUERO QUE PEÇA DESCULPA! Depois de explicar o que todos aqueles desaforos quiseram significar… que se enforque e me deixe em paz…
E porque foi sábado, cheia de dores físicas, com um mau estar de quase moribunda, chorando diluvianamente, ainda ouvir isto tudo… só ficará, por ser mais uma folha do meu diário…
24.02.08
Quando a cusquice é directa e vai da boca ao ouvido do interlocutor, pode sempre dar-se o benefício de duvida e ou dar um desconto a quem conta… já que quem ouve, só ouve se quiser mesmo ouvir…
Sábado!
Um dia quase normal, se há realmente algo a que se possa chamar normal…
Mas foi sábado e o facto de ser sábado já deixava muito boa gente a gozar o ócio do fim-de-semana… é que nem todos são “professores” com tarefas para fim-de-semana e ou melhoria de conhecimentos…. Há sempre os que têm tempo para melhorar um pouco do apimentado “surucucu” do cantinho da sala de professores…. Porque essa de “cuscar” as mensagens de amigos, de outros amigos, para outros amigos e fazer juízos de valores… muito típico! Deveria ficar por aí!!! O pior é que há espíritos rebeldes e “se der um pontapé no cu” daquela gaja? Assim não chateia tão cedo esta miga… e fica só pra mim…
Pois só que o bombo da festa fui eu!
Sabem o que é que a rameira me chamou? JURO! Não conheço! Nem o palavrão nem a pessoa (se é digna de ser chamada pessoa) “frissureira” nem sei se é isto que se escreve e muito menos o que quer dizer… Pois! E para isto se anda cá sobre estes montes de esterco!!!
Se quem conhece a “dama” e tiver coragem suficiente para a denunciar, será mesmo pessoa digna. SÓ QUERO QUE PEÇA DESCULPA! Depois de explicar o que todos aqueles desaforos quiseram significar… que se enforque e me deixe em paz…
E porque foi sábado, cheia de dores físicas, com um mau estar de quase moribunda, chorando diluvianamente, ainda ouvir isto tudo… só ficará, por ser mais uma folha do meu diário…
24.02.08
domingo, fevereiro 17, 2008
COMPORTAMENTO…
Tive medo. É verdade. Tive medo. Senti um medo terrível por saber que podia ser dominada pelo carcinoma que me bateu à porta.
Tive medo porque de um momento para o outro, rugiu a fúria do vento devastador, um vento repetitivo, de ecos sucessivos, com as palavras “nojo”, “velha”, “doente”… ponha-se no seu lugar!
Claro que conheço bem esta verborreia agressiva, aplicada sempre que surge uma pétala flutuante no seio do jardim das perdas…
Tive medo sim, porque as palavras que verbalizaste foram mais dolorosas do que os traumatizantes tratamentos a que me sujeito…
Tive medo porque de repente senti que deveria odiar-te, que serias tu a meter-me repulsa… que deveria interiorizar como verdades, todas as palavras que me dirigiram, todas as mensagens que me enviaram, para denegrir a tua pessoa… e que jamais quis acreditá-las… possivelmente sempre não passei de objecto de animação e de “cavalo de cortesia”, para passares pelo que não eras… Mas sempre encontrei uma justificação para todas as etapas e sempre me preocupei em respeitar e aceitar como cada um é.
Tive medo e de novo o medo dos medos sobreveio a todas as realidades, porque a realidade de todas as realidades é a morte, e essa, acompanha-me como a sombra longa, ao pôr-do-sol…
Tive medo e passei a silenciar mais o que pensava e o que sinto. Não é justo se ser injustiçado por julgamentos obtusos, próprios de quem pretende dominar, porque tem medo de ser dominado… e sobretudo por quem opina, para daí obter vantagens… que irão por terra um dia… as pessoas são falsas para angariar posições que por vezes nem sabem se as merecem… ouvem, opinam, “compreendem” para tirar partido… e denegrecer os que de alma pura tentaram ser bons… Entendam como quiserem, mas estou saturada de toda esta teatral vivência com que se mascara o dia a dia… avaliar não é fácil, mas avaliar desonestamente, é facílimo…
15.02.08
sábado, fevereiro 16, 2008
O QUE PASSOU A SER ROTINA…
Dispa-se da cintura para cima e vista a batinha azul com a abertura para trás. Deite-se como de costume; mais um pouco para baixo… respire lentamente… está iniciada mais uma sessão de radioterapia…
A marquesa é de metal; os acessórios em plástico e paira um frio que gela a alma…
As técnicas são simpáticas e até brincamos por terem as mãos tão frias e pareça que estamos numa câmara ardente. Elas são o elo de ligação entre as máquinas, eu e os feixes de luz vermelha que furam a pele com o intuito de liquidar definitivamente as células, que jamais deveriam ter vindo importunar-me.
Quando o amigo X me disse que eu tinha a mais bela cabeleira grisalha, quase tive vontade de chorar. Deixei de usar a espuma branca e agora tenho um corte de cabelo à escova… espetado e amarelo, mais espesso e até pareço um garoto de bairro de periferia…. Só falta o ranho a escorregar do nariz para o lábio superior… condiz com a minha índole rebelde!
Ontem foi um dia deprimente. Foi um dia para recordar emoções de adolescente, em que nada havia sobre o tal “São Valentim”, mas que a minha avó me enviava montes de postais e outras cenas, para que o meu “querido” da época fosse presenteado como devia… mas como já está no além, já não podemos recordar… e os do actualmente, não prestam, nem merecem que perca tempo com esses devaneios…
Foi um dia 14 de Fevereiro muito insípido e vestida de batinha azul escura, lá cumpri a minha sessão de radioterapia…
15.02.08
Dispa-se da cintura para cima e vista a batinha azul com a abertura para trás. Deite-se como de costume; mais um pouco para baixo… respire lentamente… está iniciada mais uma sessão de radioterapia…
A marquesa é de metal; os acessórios em plástico e paira um frio que gela a alma…
As técnicas são simpáticas e até brincamos por terem as mãos tão frias e pareça que estamos numa câmara ardente. Elas são o elo de ligação entre as máquinas, eu e os feixes de luz vermelha que furam a pele com o intuito de liquidar definitivamente as células, que jamais deveriam ter vindo importunar-me.
Quando o amigo X me disse que eu tinha a mais bela cabeleira grisalha, quase tive vontade de chorar. Deixei de usar a espuma branca e agora tenho um corte de cabelo à escova… espetado e amarelo, mais espesso e até pareço um garoto de bairro de periferia…. Só falta o ranho a escorregar do nariz para o lábio superior… condiz com a minha índole rebelde!
Ontem foi um dia deprimente. Foi um dia para recordar emoções de adolescente, em que nada havia sobre o tal “São Valentim”, mas que a minha avó me enviava montes de postais e outras cenas, para que o meu “querido” da época fosse presenteado como devia… mas como já está no além, já não podemos recordar… e os do actualmente, não prestam, nem merecem que perca tempo com esses devaneios…
Foi um dia 14 de Fevereiro muito insípido e vestida de batinha azul escura, lá cumpri a minha sessão de radioterapia…
15.02.08
domingo, fevereiro 10, 2008
TALIS VITA, FINIS ITA
Há frases que nos fazem pensar e esta é uma delas… e faz-me pensar em ti.
Tal a vida… tal a morte… só que fazes da tua vida a morte dos que pretendes eliminar… sem apelo nem agravo vais abatendo, tordo a tordo, se não cantam à tua maneira.
Deleitei os ouvidos a escutar o trompete daquela alma eloquente… superei, temporariamente, as desditas da minha alma em despedida… recordas-te? Pois! Está mesmo decidido. Não deixo data porque a surpresa é a melhor prenda que se pode deixar aos “amigos”…
E os prazos de avaliação aos professores foram ao “ar”… temporariamente? Vão as escolas estabelecer os seus prazos… e sem que se entenda, para os contratados o prazo vai até ao fim do ano lectivo… mesmo que estivesse no activo, “bem feito!”, já não me avaliariam… fico pesarosa por não poder avaliar alguns pretensos professores…
E agora que cortei o cabelo com dois dedos de altura, estou apta para encarar a realidade que se avizinha. Feliz? Obrigada pela bela colaboração que me tens dado, desprezando os meus apelos para que o tempo que é pouco, seja menos difícil de ir passando…
Ainda não é a despedida… apenas um até daqui a um tempo sem hora marcada… a interiorização de qualquer pensamento carece da devida calma e ponderação…
10.02.08
domingo, fevereiro 03, 2008
DUALIDADES: – VIDA E MORTE
Invade-me uma letargia letal. A sequência de todos os últimos acontecimentos é similar a uma queda de água, de uma montanha assaz alcantilada…
Não te escondi nem uma vírgula. Pensei que deveria ser clara, para que te preparasses… mesmo sendo como és: frio, indiferente, calculista e sempre pronto a tirar partido das minhas fraquezas… mas desta vez não vais ter mais, desculpa. É o fim!
Tudo não passou de malabarismos, de palavreado manuseado, de um ror de jogos e em que neste não ganhaste. Mais uma vez ganha a alma a quem deste o corpo…
Valeu de muito? Nada!!!
Ficas feliz? Duvido! Tudo será mais uma recordação entre as muitas que tens para contar… os mortos são como velhos livros que, depois de lidos, ficam a acumular poeira numa estante… e tens uma estante com muitos livros.
Não entendo que tipo de perturbação é essa que te leva a homenagear os que já não têm hipótese de te agradecer… até que em vida, sempre houve o espectro de quem não pretende que te amem…
O tempo deixou de ser importante. O neste momento não mais se repetirá e muito certamente não mesmo, nunca!
Infinitamente, indefinidamente vão surgindo palavras e mais palavras, com as quais vais exaltar os estádios de alma que vais criando, numa constante tentativa de colmatar o que nunca vais deixar de querer que sintam por ti… e uma vez mais ganhou a carne à alma desprevenida…
Para muitos, toda a escrita é a labiríntica estrada pela qual foges, numa busca inconsequente… porque não há nada ao fundo dessa estrada… morte, é o fim do destino. Já não me apanhas! Corri com mais velocidade e nem me cansei… apenas fiquei muito triste porque perdeste o fôlego e desististe… a favor daquele nada… o nada que te irá fazer dar voltas e voltas como um carrocel descomandado… só pelo prazer do fervilhar, sem mais nada depois… mas tens o meu aplauso! O prazer da carne é o que promove a elevação da alma… e a tua tem de estar sempre elevada… porque esse corpo não existe mais…
Chove! As nuvens choram pelo triste abandono que lhe proporcionaste… nem elas aceitam que as esqueças…
03.02.08
sexta-feira, janeiro 04, 2008
VERDADE II
Novo Ano!
Não é novidade para ninguém, mas para não fugir à tradição, aqui deixo também os meus votos de que tudo, sem excepção, seja maravilhoso para todos vós, neste “novinho em folha”, 2008.
Que tenham saúde. Com saúde somos felizes.
Verdade Dois, porque, por ser verdade, não deixei de a deixar escrita no meu Diário… e aqui, para que sintam quão ridícula é a verdade, sobretudo, se se trata de saúde…
Em fins de Novembro do ano passado, sentia-me muito cansada.
Sentia-me como que flutuando, ou melhor, disse-o aos meus alunos sénior, que me parecia estar caminhando sobre um colchão de água (nada de ser mal intencionado…)
Estava cansada. Estava desiludida e triste ou só cansada. Estava saturada de alguns desaforos… e por vezes, por chorar sem limites pelo que me magoas, quando perdes o norte ao que dizes… e ou não … com o intuito pré-programado de me arranhar… mas estava cansada e nem mesmo de tudo isto me lembrava, nem atribuía a esses factores tamanho cansaço… Apenas me sentia a desfalecer ao fim de cada dia… e passou uma semana… e mais uns dias de outra… Quase férias de Natal, devia ser cansaço de muita azáfama…
Comia bem, andava, como sempre em stress, com a adrenalina nos píncaros… enfim, parecia vender saúde… mas não. O cansaço era proveniente de alta temperatura… e ao cabo de semana e meia, lembraram-me de medir a temperatura… 39º,97… Loucura!
Uma corrida para a médica de família e desta, para as urgências do Hospital, com uma carta na mão… devia dizer “URGENTE”, … diria? Não sei!
Na urgência do Hospital foi entregue a carta; colhidos os dados todos que solicitaram e por fim, lá entrei na triagem… Um “aparelhómetro” encostado ao ouvido direito acusou os tais 39,97 de temperatura…
“Agora vá para aquela sala e espere um pouco. Tire esses casacos”
Claro! Eu estava cheia de frio, mas tirei os casacos e dobrei-os no colo… Duas horas! Duas horas depois, como nem sequer me haviam olhado, levantei-me, tonta, pela febre e pelo que observava (pessoas com soro, pessoas em macas… enfim, e, pessoal que se preocupava se a colega ia comer sopa, se não se esquecia da prenda do jantar de Natal… se eram as tais botas que ia usar…) pois levantei-me da minha cadeira, lá escondidinha entre dois pacientes a soro e fui corredor fora… e interpolaram-me para saber onde pensava que ia… Viram-me! Mas não ligaram ao meu estado, apenas, nem podia deixar os casacos ao acompanhante e devia esperar mais… com quase quarenta graus de temperatura…
Pois tinha de ir à casa de banho com dois casacos no braço… e tinha de continuar a esperar. Que fúria me deu! Senti-me tratada abaixo de cachorro… e berrei “Vocês não prestam! Não têm consideração nem respeito por quem não se sente bem.” E sem que me deixasse agarrar, fugi…
Mas como estava mesmo mal, recorri a outros meios (porque posso) e acabaram por diagnosticar - Pneumonia! Só que a proveniência da cuja… ainda anda a ser estudada, mas não no Hospital da área onde resido… aí, possivelmente, será só para passar a certidão de óbito…
04.01.08
Não é novidade para ninguém, mas para não fugir à tradição, aqui deixo também os meus votos de que tudo, sem excepção, seja maravilhoso para todos vós, neste “novinho em folha”, 2008.
Que tenham saúde. Com saúde somos felizes.
Verdade Dois, porque, por ser verdade, não deixei de a deixar escrita no meu Diário… e aqui, para que sintam quão ridícula é a verdade, sobretudo, se se trata de saúde…
Em fins de Novembro do ano passado, sentia-me muito cansada.
Sentia-me como que flutuando, ou melhor, disse-o aos meus alunos sénior, que me parecia estar caminhando sobre um colchão de água (nada de ser mal intencionado…)
Estava cansada. Estava desiludida e triste ou só cansada. Estava saturada de alguns desaforos… e por vezes, por chorar sem limites pelo que me magoas, quando perdes o norte ao que dizes… e ou não … com o intuito pré-programado de me arranhar… mas estava cansada e nem mesmo de tudo isto me lembrava, nem atribuía a esses factores tamanho cansaço… Apenas me sentia a desfalecer ao fim de cada dia… e passou uma semana… e mais uns dias de outra… Quase férias de Natal, devia ser cansaço de muita azáfama…
Comia bem, andava, como sempre em stress, com a adrenalina nos píncaros… enfim, parecia vender saúde… mas não. O cansaço era proveniente de alta temperatura… e ao cabo de semana e meia, lembraram-me de medir a temperatura… 39º,97… Loucura!
Uma corrida para a médica de família e desta, para as urgências do Hospital, com uma carta na mão… devia dizer “URGENTE”, … diria? Não sei!
Na urgência do Hospital foi entregue a carta; colhidos os dados todos que solicitaram e por fim, lá entrei na triagem… Um “aparelhómetro” encostado ao ouvido direito acusou os tais 39,97 de temperatura…
“Agora vá para aquela sala e espere um pouco. Tire esses casacos”
Claro! Eu estava cheia de frio, mas tirei os casacos e dobrei-os no colo… Duas horas! Duas horas depois, como nem sequer me haviam olhado, levantei-me, tonta, pela febre e pelo que observava (pessoas com soro, pessoas em macas… enfim, e, pessoal que se preocupava se a colega ia comer sopa, se não se esquecia da prenda do jantar de Natal… se eram as tais botas que ia usar…) pois levantei-me da minha cadeira, lá escondidinha entre dois pacientes a soro e fui corredor fora… e interpolaram-me para saber onde pensava que ia… Viram-me! Mas não ligaram ao meu estado, apenas, nem podia deixar os casacos ao acompanhante e devia esperar mais… com quase quarenta graus de temperatura…
Pois tinha de ir à casa de banho com dois casacos no braço… e tinha de continuar a esperar. Que fúria me deu! Senti-me tratada abaixo de cachorro… e berrei “Vocês não prestam! Não têm consideração nem respeito por quem não se sente bem.” E sem que me deixasse agarrar, fugi…
Mas como estava mesmo mal, recorri a outros meios (porque posso) e acabaram por diagnosticar - Pneumonia! Só que a proveniência da cuja… ainda anda a ser estudada, mas não no Hospital da área onde resido… aí, possivelmente, será só para passar a certidão de óbito…
04.01.08
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