Mostrar mensagens com a etiqueta foto e texto de Meinemliebe. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta foto e texto de Meinemliebe. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, agosto 19, 2008

O MEU CANAVIAL


Amigos! Nem vos peço para acreditar. Levantou-se uma ventania, que sopra num ulular enfurecido, que mais parece uma tempestade invernosa do que uma tarde solarenga de Agosto…
Não tenho por hábito confessar nada do que faço ou vou fazer, porque ainda há por aí muitos preconceituosos que me iriam julgar… e juízo de valores não os admito para mim, porque não os faço a outros.
E vai daí, um dia destes passei por um canavial aqui perto e como tinha imensa necessidade de falar, abeirei-me e disse o que me ia na alma… receio bem que o que lá deixei foi mesmo a alma…
As canas hoje dançam num rodopio indescritível… e cantam num assobio de enlouquecer… e cantam os meus segredos… Nem nas canas posso confiar…
Ora veja-se que as canas, indiscretas, assobiaram tudo o que lhes disse e ao sabor do som do vento que lhes vai varrendo as folhas, vão revelando, passo a passo, os meus dizeres… Parece incrível!
Não deixei nomes no canavial… deixei sonhos e projectos e o que não queria que se descobrisse… era só meu e do canavial… agora é do sopro de vento que ruge como que querendo divulgar o que eu tanto escondia…

19.08.08

segunda-feira, agosto 04, 2008

A MINHA VARANDA

Passei anos a abrir a janela da varanda para admirar o Monte Gordo, logo pela manhã cedinho, sentindo ora a brisa suave da Primavera, ora o agreste vento do Inverno ou o atrevido e insinuante vento do Outono, cheio de nevoeiros, deixando mistérios para além da cortina meio opaca, a esconder o Tejo…
Passei anos a olhar a metamorfose dos verdes, entre os verões quentes e os Invernos frios e húmidos. Observei as aves, umas canoras, outras de grunhido agudo, ao anoitecer… e desde a minha janela da varanda fui sempre esperando, para além do mais, o ver-te…
Via os carros da primeira curva, os que desciam mais afoitos, os destravados e em perícia guinchando na ultima curva da estrada… quando se aproximava o teu, ficava esperando do outro lado, até ouvir o puxar do travão de mão… passei anos a acompanhar todos estes pequenos sentires. Agora! Para agora, ficar perdida, por trás dos vidros, sem abrir a minha janela da varanda, para não me constipar e poder agravar o estado daquela saúde que julgava ter, mas que não terei mais…
Passei anos a respirar o ar que entrava sem pedir licença e muito informal, me lambia o corpo, me enchia a cara de um torpor, como quando se ouve uma bela melodia ou se imagina a língua a roçar a pele das costas… passei anos a esperar…
Durante estes anos em que num ritual quase que sagrado abria a janela da minha varanda e esperava que seguisses estrada acima e que pelo fim do dia esperava que regressasses… esqueci que os anos passaram… passaram mesmo!
Hoje a janela não se abriu uma vez mais. Esteve de chuva e um tempo carrancudo deixou-me mais amedrontada… apenas falámos.
A noite desce e os silêncios intercalados com os barulhos característicos vão embalar mais um dos meus pensamentos, carregados de revoltar e fúrias, por guardar para cá da janela, que mantenho fechada, os desagrados em que vamos vivendo, com contrariedade.
E não respeitando absolutamente nada nem ninguém, o tempo entreolha o tempo e deixa-me aqui, um ror de meses passados, continuando à espera, agora não de vida, mas de uma morte assegurada que um dia destes virá, como visita de cerimónia, mas que ao sair me levará, com todas as promessas que nunca soubeste fazer-me… e eu carente de todas as belezas que deixei de ver pela minha varanda, vou acreditar e deixar-me levar, como que me certificando que finalmente estou certa…
Nem olharei para trás para me despedir. Não terei tempo ou talvez, se o tiver não o farei… poderei estar a recordar as vezes que saíste e nem te lembraste que poderia estar na varanda para te dizer adeus…
E agora tudo está diferente. O Monte Gordo ficou com muitas construções, novos bairros, onde irão viver outras gentes, onde outros costumes se instalarão e se ainda por cá estiver, apreciarei todas essas mutações…

04.08.08

sexta-feira, maio 11, 2007

VAZIOS


Flutuam as palavras que não desejava ler. Penetram em todo o meu ser essas palavras que escreveste e que sei que são dedicadas a quem preenche teus momentos… momentos que vais chamando de vazios, espaços sem luz… onde me fui perdendo, por ter querido acreditar que seria luz; que seria a luz que precisavas para te deixar ver nas trevas em que te envolves…

Palavras que fui interpretando como poemas de amor e nunca foram mais do que palavras que ridicularizam o meu sentimento, que agora é ressentimento…

Os meus vazios são todos os teus momentos, que traduzes por palavras, que me deixam magoada, que me deixam num abismo, no vazio…

Mas vazios são também os meus momentos, que consumo, como os cigarros que fumo, para ver as espirais de um fumo esbranquiçado, num constante bailado, iguais ao meu pensamento que perdido, em espirais de ilusão se esfuma no meu deserto, vazio…

Vazios são todos os espaços que preencho com letras, muitas letras juntas, que traduzem o vazio das palavras que formo, sem que as leias, fazendo delas o vazio da desilusão…

E no jardim por onde vagueio, vazio de vida, vagueia o vazio que deixaste, quando passaste e nem me olhaste… sou o vazio dos vazios…


10.05.07