A morte é um dos temas que também faz as pessoas omiti-lo. O temer a morte e tudo o que lhe está associado é tabu para muitos e assunto indiscutível. Na realidade, o excesso de ideias ultra conservadoras, baseadas em legados histórico-religiosos que nunca evoluíram, vai deixando medo e insegurança nos povos.
Conjugando ideias, poderia abordar a eutanásia como tema discutível, que aliás, sendo um assunto de muita importância, ainda há-de fazer correr muita tinta, mas não. Vou abordar um outro assunto, não menos importante, que está em fase de debate e é designado como “testamento de vida” e não menos tema de discussão.
Ora se bem entendi, o “testamento de vida” é um documento que se assemelha ao comum testamento, em que alguém, ainda dentro de um estado de saúde considerado de bom, declara que em caso de doença grave, ou que se venha a transformar em grave, não pretende ser submetido a tratamentos, tais como certas técnicas de reanimação, de ligação a máquinas de ventilação, transfusões de sangue ou os tratamentos de quimioterapia e radioterapia.
Aparentemente o documento em questão é viável, contudo não passa de uma proposta da Associação Portuguesa de Bioética e necessitará do aval do Ministério da Saúde, nomeadamente da Comissão Parlamentar de Saúde, que espero não deixe o assunto morrer.
Segundo percebi, a validade do documento em questão é de três anos, findo este prazo, deverá ser feito um novo testamento. Este é o meu ponto de discórdia. Penso que deverá apenas ter uma cláusula que permita a sua revogação, caso o indivíduo mude de ideias.
Moralmente sinto-me a vontade para apoiar este documento. Tenho experiência do que é fazer radioterapia em simultâneo com quimioterapia e de todas as consequências e ainda de toda a incógnita que passa a gerir a nossa vida. Caso se ventile a hipótese de necessidade de repetir, não pretendo renovar tais passos. É angustiante que passemos a ser dominados por qualquer ponto de dúvida, que tais tratamentos surtam no efeito que se pretenda. Tenho o direito que não me seja exigido tal esforço e que aqueles que amo sofram com a falta de qualidade de vida que tais tratamentos me vão impor e impor aos que me rodeiam.
Espero que este assunto e outros considerados polémicos, mereçam o respeito que lhes é devido.
05.02.09
temas polémicos: http://jorgeferrorosa.blogspot.com
Mostrar mensagens com a etiqueta sociedade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sociedade. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
domingo, setembro 09, 2007
CONDIÇÕES VERSUS IMPOSTOS
Sem querer abusar do optimismo dos leitores deste Blog, venho abordar uma vez mais o tema que o patrono do nosso Clube dos Pensadores expôs tão bem, num artigo anteriormente apresentado.
Não me vou repetir, mas não deixa de ser relevante abordar os assuntos nas múltiplas vertentes em que podem ser analisados.
Pois bem, a saúde é deveras importante para que nos demos ao luxo de a tratar, conforme a vamos tratando actualmente…
Não sou entendida na matéria, mas recordo que, aquando estive ligada à WHO, soube que se realizara em 1978, uma reunião em Alma-Ata cuja directiva foi “Saúde para todos até ao ano 2000”, referindo sobretudo o quadro de cuidados de saúde primários, pondo em evidencia o papel a desempenhar pelos médicos, junto das populações. A prevenção foi a grande aposta, contudo, estamos no segundo semestre de 2007 e por cá, os tais cuidados ainda são muito escassos e os melhores são só para alguns. Prevenção por onde andas? Não nos esqueçamos que para prevenir, é necessário diagnosticar e para isso, é necessário fazer-se, ciclicamente, exames diversos e análises clínicas. São os meios de diagnóstico, mas estes têm número e os médicos de família serão chamados à atenção se “exagerarem” nos pedidos, pelos senhores administradores, que por sua vez também têm de responder por números… penso que se poderia poupar muitos Euros, se se pensasse um pouco na directiva que referi, se fossem feitos muitos exames preventivos e se fossem eliminados muitos medicamentos que só servem para atravancar o desenvolvimento de maleitas, que diagnosticadas precocemente, poder-se-iam reduzir… Sempre é a saúde dos nossos semelhantes…
E agora esta! Professores no desemprego!!! Então é assim que se promove o desenvolvimento sócio-cultural dos nossos patrícios?
Já que somos números apenas, vamos considerar que os números Euros, pagos em subsídios de desemprego, são uma pouca-vergonha. Paga-se para não fazer nada!!! … ou talvez para convidar à fraude: pois é, se por um lado recebem subsídio, por outro têm de trabalhar (à socapa) para poder fazer face às condições consideradas dignas… ora aqui já vão duas desonestidades… uma o subsídio (imposto) e outra os (não aos impostos)!!! …
Sem querer ver os quadros pintados a negro, gostaria que as almas pensantes se debruçassem sobre estes itens e encontrassem soluções, pois só a eles cabe levá-las a cabo. O nosso (os números), papel é o de alertar, quando as coisas não estão a ir muito bem…
Com tudo isto, pretendi dizer que, se não trabalharmos e não recebermos o justo valor pelo nosso trabalho, também não poderemos contribuir correctamente com os nossos contributos e, se não “berrarmos” que há remunerações que são um insulto, ninguém nos ouve.
08.09.07
sexta-feira, agosto 24, 2007
Muros!
Há dois dias, no jornal Público, li um artigo de Joaquim Jorge, o nosso Biólogo do Clube dos Pensadores, que faz o favor de ser meu amigo e que me “assanhou” a vontade de escrever também, dentro do mesmo tema - Os muros deviam ter acabado com a guerra fria.
Assim dissertarei desta forma:
Antes, muito antes do muro de Berlim, outros, tantos outros existiram, mesmo que para isso não se tivesse usado cimento, pedras ou simples paliçadas… e muitos outros irão aparecendo, se muito de dentro de cada um de nós, não se for modificando…
A finalidade com que se criam muros, tem sempre a ver com separações, com o impedimento de misturas, de defesa, ou apenas por se considerar que um muro salvaguarda qualquer tipo de intrusão. Quando se erigem muros, esquece-se que o pensamento é o único espaço que não permite muros físicos e que o que se pretende preservar, é tão frágil com muros como sem eles. Até mesmo os muros ideológicos têm a sua fragilidade.
Os tais muros invisíveis, esses que em cada um de nós, edificamos para manter a nossa teimosia, para criarem uma sombra tão distendida, quanto a nossa obstinada forma de analisar certas situações o pretenda, são a remota origem de por aí se criarem utopias e porque se vive muito no “faz de conta” e se mostra o que se não é… e até nos permitimos “inventar” desculpas para a nossa postura, e posturas para justificar as nossas acções.
Os tais muros (físicos) de pedra, cimento e ferro, têm como objectivo um tempo indeterminado, mas a sua temporalidade está na razão directa com a mutação que os visados vão sofrendo, permitindo-lhes “saltar” o muro. Tudo é efémero!
Terá de haver um destruir de muros, devendo começar por cada um de nós. Afinal, qual de nós é que não tem o seu muro? Quando o muro é de fraca resistência, chamamos-lhe barreira e essa é a forma muito ligeira de justificarmos que A ou B são isto ou aquilo, que este ou aquele procede de forma que não nos convém… estigmatizamos políticos, financeiros, prostitutas ou prostitutos, homossexuais ou lésbicas… somos segregacionistas dentro da nossa categoria de “animal gregário”…
Mais ou menos directa ou indirectamente damos o nosso aval às faltas de planeamento, ao não querer ver a longo prazo e incendiamos com dúvidas o nosso horizonte e temos medo de crescer, de sermos grandes e de mostrarmos que somos válidos e responsáveis, para não se ferirem susceptibilidades… apenas da palavra se faz estandarte e este ondeia ao vento… mas, muitas vezes é mesmo de nós que temos medo. Temos medo de encetar uma nova vida, temos medo de dizer que amamos, temos medo de morrer… edificamos os nossos muros culturais entre tabus e muitas vezes em obscurantismos.
Um dia destes o nosso muro vai ser tão alto quanto longa é a muralha da China… é verdade! Quantas mais dificuldades se criarem para que cresçamos, para que viajemos, para que satisfaçamos as nossas necessidades biológicas, emocionais, económicas e culturais, maior será a nossa ignorância e essa é a maior muralha que nos cerca…
Se a contenção que os muros criam é temporal e não definitiva e se são vulneráveis, porque se vão construindo outros e outros? Assim, um dia nunca desaparecerão…
24.08.07
Subscrever:
Mensagens (Atom)

