sexta-feira, abril 27, 2007

IDEIAS, IDEAIS E CONTROVÉRSIA


Ideias é tudo o que tenho com fartura. Nem sempre são muito boas, pelo menos para quem toma conhecimento, mas nem por isso deixo de desistir das minhas ideias…

Hoje, caminhei perto de cinco quilómetros, porque precisava de andar, e só… e assim o fiz.

Tinha uma consulta perto das onze da manhã e decidi refazer os pensamentos antes de me abrir com a minha médica de família. Estou cansada!

Ouvi para caramba! Tensão alta, à beira de um esgotamento… enfim… mandou-me distrair e passear… além de recomendar que não posso parar de tomar o medicamento para o colesterol…

Claro está, que não devia ter aberto a boca!

Regressei pelo caminho que fazíamos às vezes, quando caminhávamos e tirávamos várias fotos com os nossos telemóveis topo de gama… e vim pensando nos meus ideais, sonhos que se parecem com as nuvem, numa correria, encontrando-se e desencontrando-se… Porque será que um ideal é algo tão inacessível?

Claro que tanto as minhas ideias de fim e os meus ideais inatingíveis, são uma real controvérsia, eis que concluo que jamais os posso expor, porque são uma polémica pegada…

Mas muito embora deixasse de pensar nestas ideias quase que fixas não as ponho totalmente de parte.

Gostei de ler uns certos comentários feitos a uns escritos meus. Sempre há alguém que lê o que escrevo e se atreve a dizer qualquer coisa… pelo menos mostra que leu… e segundo o que entendi, até perceberam. Contudo, e isso adoro, há quem me leia por aqui e por além e nem uma palavra… entretanto, ficam a conjecturar sobre o que escrevi…

27.04.07

segunda-feira, abril 23, 2007

COM OU SEM TEMPO


Pois é, com tanto tempo livre, podemos escrever textos que, para além de juntar muitas letras e formar muitas palavras, podemos usar vocábulos para agredir, para ofender e para esconder a nossa incapacidade.

Os blogues permitem, realmente, que nos expressemos com uma certa liberdade, mas utilizemos a tal ética que é tão apregoada, e sejamos democráticos, para que ao sermos atacados, nos possamos defender.

Ora bem, dou o meu pobre contributo num blog, que por acaso encontrei, e que se chama Clube dos Pensadores, e por assim se chamar, me chamou a atenção, pois que via tantos blogues e tão pouco originais, que me atrevi a opinar, a comentar e a escrever alguns textos, pois que acima de tudo, gosto de ser polémica, não propriamente por ser polémica, mas para abanar o “pensamento” de quem lê, para que se preste mais atenção a alguns assuntos que deveriam merecer mais meditação… sobretudo, no âmbito social.

As portas abriram-se e os textos que escrevi saíram e foram comentados, depreendo assim que foram lidos… mas não é este o caso. O cerne da questão é o ser posto em causa, não só o que se escreve, mas as pessoas que lá deixam os seus trabalhos, muitos que são críticas construtivas, mas até há quem tenha tempo para ser ofensivo…

Mentecapto é o autor do texto em que utiliza uma palavra que está quase que abolida e se o desconhece, devo elucidar que actualmente é empregue a palavra demente, e referente a quem sofra de demência… esclarecido (caso saiba o que significa)? Quem o não é certamente, é o contribuidor número um do Clube dos Pensadores, por quem nutro muita consideração e respeito.

O texto que li num blog (sem comentários) – A Causa foi Modificada – seria muito interessante, se apenas fosse irónico e não demonstrativo de falta de educação e ofensivo.

Como realmente não tenho muito tempo livre e o que tenho dedico-o a causas nobres, como é por exemplo o voluntariado, não vou “perder” mais tempo com o que não merece tempo nenhum.

22.04.07

sexta-feira, abril 20, 2007

FOI ASSIM…


A alvorada despontou como o brilho de um diamante ao sol. Abri os olhos e desejei que o teu dia fosse venturoso e te deixasse feliz. Esperei que abrisses os teus olhos e me desses um sorriso com os bons dias…

Nada! Absorvido que estiveste ao acordar, organizando mentalmente o teu dia, nem te veio à ideia que te estava a presentear com um sol radioso e com o meu mais terno sorriso, cheio de doçura…

Estás desculpado! Apenas a tua noção de responsabilidade te absorve e te leva a que esqueças os gestos mais simples.

Vou velando, com toda a força que dentro de mim guardo, para que o teu dia seja um sucesso e ao final te sintas realizado.

Brilhante, quente, acolhedor, o sol foi deixando o seu contributo, para que te sentisses confortável durante o dia… e vou esperando que no canto de alguma sombra te lembres de mim…

Com o declinar do sol, a tarde foi esmorecendo e o crepúsculo, airoso período do entardecer, enalteceu a beleza da Natureza… e a tua, minha estrela da tarde…

Desviei o luar para te dar luz no regresso, após um trabalhoso dia, numa luta constante, para que o teu sucesso não passe despercebido pelos que te rodeiam…

E esperei! Esperei em vão, porque quando me apercebi, já dormias na volúpia dos teus sonhos, entre os garridos ideais que abraças…

Não disseste nada! Nada! Nem Bom Dia, nem Boa Tarde… nem Boa Noite… nem te apercebeste como acompanhei o teu dia… nem te apercebeste que foi espalhado Amor durante todo o dia, para que te sentisses bem…


19.04.07

terça-feira, abril 17, 2007

PENSAMENTOS QUE DESABROCHAM


Nascemos. O primeiro berço onde nos deitam, um ninho de ternuras com cobertas de valores. Crescemos. Passamos a ter cama e esta com cobertores de valores. Mas nem os berços nem as camas são iguais, muito embora, como seres humanos, sejamos semelhantes – não iguais!

Eis que eu vivo com os meus valores e tu com os teus. Com os meus valores cultivo os meus preconceitos. Tu os teus!

Aceito-me. Sou como sou: assim mesmo. Gostaria de ser diferente, mas não sou. Não me podes confundir, sobretudo, com quem não sou.

Aceito-te. És como és. Não te confundo com outrem, porque és único.

Nascemos. Os valores que nos deram os primeiros aconchegos, jamais se perdem, muito embora, nem todos nos sirvam de alento para a nossa sobrevivência.

Virtuosidade! A palavra existe. O conceito que ela engloba, não. Possivelmente, será esta minha forma de ver o que enfrento, que me leva a ironizar e enfatizar a sátira em que se vive, num eleito faz de conta.

O mundo real; o mundo aparente. São duas facetas que temos como consequência dos ditos valores onde dormimos o primeiro sono pós nascimento. Ambos pertencem a um único mundo, o do “faz de conta” e ambos não são mais do que duas formas de nos movermos por onde andamos.

Crê que ao expor o meu pensamento, não tenho qualquer intenção, a não ser a de expressar o que me vai na parte imaterial do meu ser. Jamais pretenderia ser veículo para “melhorar” o mundo e muito menos o “teu”.

O teu mundo é tão mentira quanto o meu. Mentir é a verdade que nos deixa interagir no mundo do “faz de conta”, onde nos inserimos.

Amai-vos! Mentira! Quem ama quem? Quem ama o quê? Faz de conta! Porque ao primeiro revés és banido desse amor, és excomungado, ridicularizado, preterido! Usam-se as mais sofisticadas cosméticas para justificar o desamor, a intriga, a dúvida, a inveja; o ódio! Isto é moralidade! – um dos valores com que nos cobriram à nascença.
Não devias ser assim. não devias isto, não devias aquilo… formas de se comunicar com outrem (o que lhe impomos) – Moralização e Idealização do que nem muitos enxergam, no papel de aconselhar (de delimitar)…

E será suportável aceitar e compreender a verdade? (mas qual verdade? – a tua ou a minha?) Ou será que uma cegueira imposta, só nos força a ver o que primeiro nos mostram?

A que ponto nos preparámos para aceitar uma verdade? … e se essa verdade não está inserida no grupo das verdades que recebemos, como a tomaremos? Entendes-me?! Por estes pontos de interrogação atrevo-me a aceitar que se aceitam, muitas vezes, mentiras, mitos, crenças, que se tomam como verdade, para se viver sem questionar…
Viver sem questionar é fazer de conta que tudo está bem e em conformidade com os valores com que nos cumularam…


16.04.07
isabel

sexta-feira, abril 13, 2007

MOMENTOS - SEXTA-FEIRA 13!!!


Cada fragmento da nossa vida é composto de momentos. Uns são inesquecíveis, outros nem tanto e outros há, que seria preferível que nunca tivessem existido… e neste momento sabes a que me refiro.

Num momento, todos os pequenos momentos que o compõem, são uma sinfonia de esperança, em outros, o ritmo muda e mais parece ouvirmos um surdo “deixa-me em paz”… o rufar de tambores à frente de um cortejo fúnebre; mais parecem querer dizer que somos indesejáveis… sorte dos sonsos! … Esses, são sempre apoteoticamente aplaudidos, considerados, numa perfeita cultura do faz de conta, até que nem sentem que poderão estar a ser rejeitados com um feedback de “faz de conta”…

Momentos de palavras para quê? Momentos que o tempo absorve e desvanece, como o nevoeiro a dissipar-se, quando o sol começa a surgir no horizonte. Momentos! É verdade! Há momentos irrepetíveis porque não os sabemos repetir, porque não os respeitámos suficientemente no momento exacto… como poderíamos considerar a sua repetição?

Houve muitos momentos. Houve muitos que serão inesquecíveis (para mim), porque foram únicos, inigualáveis e dignos de todo o respeito, por terem sido únicos e inigualáveis. Ficaram como uma recordação, como quem viaja a um Santuário e traz um santinho… é uma bênção que nos acompanhará até ao dia último…

Num destes momentos de reflexão, em que preenches a maior tranche do meu pensamento e fazendo uma retrospectiva de ontem, deixo que a minha atenção se concentre momentaneamente nas palavras insultuosas que me eram oferecidas. Como é tão fácil rejeitar e não admitir que se é rejeitado… Porventura pensaste que é um exagero fazer crer que o que pensas é que está certo? Pelo menos o benefício da dúvida! Quando digo que não pensei ou não disse com intenção, é mesmo verdade. Não omito, não minto e não ouso usar de estratagemas para rejeitar seja quem for. Ou aceito ou não aceito. Jamais desfiz num amigo, para pôr em relevo quem passou a estar mais ao meu agrado… Cada pessoa tem o seu lugar e há algumas que ocupam muito da minha estima. A Amizade não se compra, não se vende nem se troca. O Amor é a terna doçura com que olhamos o nosso próximo, tentando dar-lhe toda a felicidade que porventura ainda não tenha alcançado.
Momentos também são os que a ironia que nos caracteriza, ou que fomos obrigados a criar, nos faz dizer o que os outros não entendem… e feridos que já andam por outros factores determinantes das suas vidas, os leva a que rejeitam as nossas características… mas aceite-se que ser irónico não é magoar e muito menos preterir ou rejeitar… quanto amor há, por vezes em certos ditos cheios de ironia…

13.04.07

segunda-feira, abril 09, 2007

PELA RUA


Vamos lentamente, a passo curto, de olhos nos olhos de quando em vez, numa completa cumplicidade. Não te toco. Não me tocas. Apenas caminhamos pela rua fora, em passadas curtas e ritmadas. Sabes o que penso, sei o que pensas. Partilhamos ideias, sorrisos, sem tabus, sem dogmas, sem o que quer que seja, que prejudique o relacionamento com bom entendimento, que me parece estar existindo, entre nós.

O que não dizes parece-me ouvir à distância e o que segredas, faz eco no coração. Comungamos de uma amizade, que poderíamos dizer, quase perfeita.

Quase perfeita? Nada é perfeito! Quando admitimos que estamos a chegar a um ponto que consideramos o ideal, viram-se os ventos, trocas tudo e volta-se à estaca zero…

Acertamos a passada pela vereda acima. Sorrimos e brincamos. Colhem-se flores silvestres e fotografam-se pedras, carreiros de formigas e uma ou outra borboleta que esteja distraída, de asas em repouso, poisada num tronco seco de algum cacto… assim, são momentos de felicidade!

No outro lado do monte espreitam rolos de nuvens; segredam-nos que ainda vai chover… e sopra um ventinho fraco, que iniciara brisa,,, os olhos riem, os lábios riem as faces irradiam alegria: fazemos parte integrante da paisagem…somos a conjugação de um verbo em diferentes tempos…

Uma pedra enorme. Tufos de “azedas” (florzinhas amarelas), a gritar que estamos na Primavera. Algumas abelhas numa dança frenética de flor em flor.

Interessante sentir estes momentos de liberdade, numa perfeita partilha de sentimentos e emoções, que são uma verdadeira novidade… Como é belo nos misturarmos na Natureza e sentirmos que somos parte integrante dela…

09.04.07

sábado, abril 07, 2007

MULHERES DA TERRA AMADA



Uma data. Um dia especial
Em que a saudade é uma marca,
Deixada pela verdade,
Nunca antes experimentada:
O dia da Mulher Moçambicana!

Sete de Abril!
Mulher! Ser ideal,
Que mesmo com saúde parca,
Sofredora, heroína, mesmo na crueldade,
Será sempre recordada:
É a Mulher Moçambicana!
Dentro de si tem encantos mil
E de lábios sorridentes,
Seios pendentes com filhos às costas,
É a respeitável mamana,
Doce e encaminhadora dos descendentes…

Sem jamais esquecer,
Apenas quero dizer,
Que sinto o que tu sentes,
E longe, estais sempre presentes,
Como uma sábia lição
Que enterneceu meu coração,
Maravilhosa Mulher Moçambicana.

07.04.07

terça-feira, abril 03, 2007

EMBORA SENDO, NUNCA É… …


Nada é o que nos parece ser. Tudo não passa do que desejamos que seja, por isso tudo é uma completa desilusão. A ilusão que fazemos crescer dentro de nós, com corpo e alma; mas nada passa de imagens a quem damos vida, que é a nossa vida, a que queremos que seja, mas não é nada.

A tudo o que nos rodeia damos um rosto, damos um pensamento e até embelezamos com sentimentos… que nada são, senão o que imaginamos ser… nada é como o que idealizamos que fosse. Rodeamo-nos de marionetas que fazemos girar e se deixarmos a guita laça, ficam desconjuntadas e a realidade afigura-se-nos como fantasmas…

Nada nem ninguém é uma pura realidade. Nada nem ninguém age sem que tenha atrás de si interesses, formas agressivas de se expressar, maquinismos para magoar, para ferir e usurpar o que até tinha significado para nós. É-nos constantemente extorquido algo que nos dava prazer e por vezes, razão para viver…

Há tantos anos, que já perdi a conta, tive um sonho. Como é belo uma adolescente sonhar! Como é belo haver pelo ar sons melodiosos de pássaros, flores coloridas pelos campos e sonhos cor-de-rosa no coração… mas como é triste não nos deixarem desfrutar das maravilhas desses momentos… por isso há tantos anos que me assola a nostalgia do que perdi, ou melhor, do que não me deixaram ter…

Ironia do destino, como diz o povo, o que não tem de ser nosso, jamais o será… e foi assim que um perene luto cobriu todo o meu ser e ao contrario do que aconteceu na história da Bela Adormecida, jamais apareceu pelo bosque da minha existência o príncipe, que me desse novo alento e me restituísse do sono em que fiquei…

Não creio em mais nada. Nada tem qualquer tipo de significado… nem houve baile, nem a fada boa alguma vez apareceu para que deixasse de ser a eterna Gata Borralheira… “fica-te bem descascar batatas, cheira tão bem esse cozinhado… tão bonito esse quadro, foste tu que o fizeste? Que paciência é necessária para fazer esses trabalhos…” Pois é! (Mas não passes daí, porque assim arrumadinha é que ficas bem…) foi sempre o que senti, e assim arrumadinha, com elogios inconsequentes, não se vai a parte nenhuma…

E depois de todos aqueles anos, e quando nos imaginamos a verter romantismo por todos os poros, enganamo-nos de novo…

03.04.07

segunda-feira, abril 02, 2007

FRAGMENTAÇÃO DO PENSAMENTO




A tarde vai alta e a sombra longa, enquanto o sol espreita no intervalo das espessas nuvens que vão deslizando.

Descobri que não sei o que é ter fé e desiludi-me ao verificar que nem sou quem julgava ser: Não sou nada! Sou um pedaço de qualquer coisa a que a Natureza fez o favor de deixar por aí, depois de reunir uma mão cheia de quarks up e down e fazê-los movimentar. Intemporal a vontade que me implantou, fez de mim quem sou e não sou e acrescentou uma partícula de ousadia, para que reclamasse, para que sofresse e admitir que um dia, em tempo indeterminado, fosse jogada fora…

Vivendo neste corpo, como convencionalmente foi determinado, terei vida enquanto o próximo estádio não for estabelecido.

Na tarde cinzenta, entre o manto de grossas nuvens e o asfalto molhado pelo último aguaceiro, gasto os passos com destino desconhecido…


02.04.07

sábado, março 31, 2007

ESTÁTUA DO POETA DA LUA


Minha estátua promoveu encantamento
bela e fria, numa noite de luar
e elevou teu poético pensamento
até à mais bela forma de amar...

Uma poesia de amor é um juramento;
é a mais sentida forma de jurar
que o amor é o mais belo sentimento
acariciado por uma noite de luar…

e ante uma esplendorosa e brilhante lua
tu és o meu admirador e eu a estátua
que te fez passear no jardim da fantasia…

tu és o único motivo vivo nesta paisagem
e eu o enfeite em pedra, uma imagem
sendo o que não sou e tanto queria…


31.03.07

quarta-feira, março 21, 2007

CANTAROLAR A PRIMAVERA




Primavera! Primavera!
Estação de pássaros e flores
Ai sonhar, … quem me dera
Com todos os meus amores…

Ai Primavera tão florida,
Que saudades eu já tinha
De tanta cor tão garrida
E de ver uma andorinha….

Gosto muito de flores
Violetas, jacintos e rosas
Todas com tão lindas cores,
E algumas tão cheirosas…

Vim a Primavera cantar
E também toda a Poesia,
E a ti, em especial, vim dar
Meu beijo de fantasia…

Poesia és tu, afinal,
Primavera da minha vida,
Já com este ar outonal,
És minha flor preferida…


21.03.07

segunda-feira, março 19, 2007

AINDA UMA FOLHA DO DIÁRIO





A noite decorre dentro do que é habitual. Passei os olhos por Blogues de conhecidos e amigos, fiz um breve comentário no Clube de Pensadores e prestei atenção especial ao teu último escrito, enquanto escutava uma música de fundo, muito calma.

Não me surpreende que escrevesses tudo aquilo. Quando queres atingir o âmago de uma questão, escreves o que te vai na alma ou se pretendes atingir quem te lê, e a quem ainda não tiveste coragem de dizer para não te dirigir mais a palavra...

Muito interessante como despiste aquele modelo… mas não me fez sentir qualquer reacção… Talvez não acredites, mas de tanto amar alguém, sem que isso seja ao menos motivo de reconhecimento, tornei-me irónica e por vezes sádica no refere ao amor. Para quê amar se de ninguém vem feedback? Estamos rodeados de egoístas que apenas olham para a sua aureola, considerando-se o que há de melhor? E um dia destes partem sem sequer terem tido tempo de observar que eram humanos…

Mas não passei a noite amargurada pela indiferença e pelo desgaste psicológico de estar frente a frente a um silencioso monitor, que vai aceitando os meus queixumes… exactamente o mesmo procedimento da minha adorada figura, que nunca responde ao terno chamamento… Não, estive a traduzir mais umas linhas de um trabalho muito interessante que investigo, sobre sexualidade sénior.

A propósito de sexualidades e de sexo, comecei a ler um livro interessante, escrito por uma garota de programa brasileira (O Doce Veneno do Escorpião), em que descreve situações e factos com um detalhe extraordinário e muito para além de explorar o que o sexo significa para esta autora, interessa-me analisar as reacções que os clientes têm, para perceber algo que não entendi até hoje.

Não fiquei por aqui. Antes de iniciar mais esta folha solta do diário que vou escrevendo, passei em revista as duas mil e tal fotos que tenho de uma pessoa amiga, que tal como eu, tem a paixão pela fotografia e fiquei a pensar…

E com o pensamento concentrado no meu doce sonho, venho escrever mais estas linhas… É bom amar, mesmo que não tenhamos senão aquele além que nos deixa uma saudade sem limites.


19.03.07

sábado, março 03, 2007

À MINHA ESTÁTUA


É desolador, não ser reconhecido a estima que se tem por estátuas, em quem se investem “fundos” de carinho, amizade e até amor.

A revolta faz com que a alma se desfaça em cascata de dor e se criem ondas incomensuráveis de ódio, que se vão distribuindo por outros seres, que não tendo nada a ver com a situação causada, vão bebendo as palavras agrestes que deixamos vaguear entre os prantos que nos assolam.

Não atendo mais o telefone! Ou o que quer que seja… Disse-o, mas não o fiz, porque sempre senti que faltava coragem suficiente para o fazer.

A estátua de mármore frio, jamais iria ter sensibilidade para perceber o que dizia o meu sentir. Dando encanto e recebendo admiração daqui e dali, apenas fazendo o papel de estátua… uma estátua não tem sentimentos. Uma estátua apenas e vaidosamente recebe, mas não dá nada a não ser a sua imagem: lamentavelmente, personificamos estátuas. Damos-lhes nomes e até nos apaixonamos… e o mármore não ganha cor; não adquire o movimento da mão estendida a acarinhar a solidão…

Sentei-me aqui. Tenho a minha adorada estátua, impávida e fria, na minha frente. Traz um vaso florido, mas não é para mim… será para um novo frequentador deste jardim… a minha estátua vai encantando quem aqui chega de novo, além dos pombos que vão esvoaçando ao seu redor… a minha estátua! A minha estátua nem repara nos velhos admiradores…

Claro que a estátua não é minha. A estátua é deste jardim e de todos os que por aqui passam, deitando-lhe olhadelas de admiração. Admiração passageira. Quem sabe, se depois de virarem o canteiro seguinte, a voltam a recordar?...

Ontem pareceu-me receber o favor de um olhar da minha estátua. Pareceu-me que aquele olhar desdenhoso me era dirigido. Gritou-me como que o eco numa gruta, aquele olhar de soslaio. E ouvi. Ouvi a minha estátua balbuciar uma frase. Uma frase que interiorizei. Até que nem disse mentira (penso eu), ou talvez fosse para me iludir… Por isso hoje voltei a sentar-me no mesmo banco, mesmo à sua frente, para tentar ouvir de novo chamar-me decrépita, dona de uma saudade morta. Mas hoje apenas me votou ao ostracismo… e isso desolou-me. Como pode a minha estátua ignorar que mesmo os velhos têm sentimentos?...


26.02.07

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

PARADOXOS A AZUL

Uma densa poeira parda espalhou-se em meu redor, quando todo o meu ser implodiu, depois da leitura das muitas palavras que deixaste escoar, em um dos teus escritos. Poeira fina que mais parecia um banco de nevoeiro deslizando pelos vales, deixando tudo opaco, como que sem vida.

Mentalmente passo em revista todos os comportamentos que tive e todos os que poderia ter tido; não foram mais do que consequência de outros por ti encenados, para justificar o que não tem justificação… justificações éticas, como se os sentimentos fossem regidos por qualquer ética…

É sempre precário o equilíbrio entre o que está certo ou errado à luz da visão do que queres, ou não queres ter, em todos os momentos. Momento que apenas são os que queres que sejam, ou não, manobrando a vontade, como se estivesses a manobrar o leme de uma embarcação, para se livrar de um obstáculo à deriva, em pleno mar alto…

A sequência das palavras que dispões a belo prazer, têm como único propósito magoar; ferir até que jorre sangue vivo, que bebes em taça, a brindar ao desgaste que causaste e dando a beber o veneno escorpiónico, escorrido de beijos suculentos, que enganadoramente servem de manjar a sonhos rebeldes, de seres deambulantes entre a solidão e o desgosto da perda, de amar e ser desamado…

A insatisfação brilha em ti e o eloquente silêncio com que dizes o que não queres dizer, aniquila qualquer paciente humano, que nada mais procura do que aliviar a sua solidão, dando os restos de um amor moribundo, fechado numa decrépita estrutura, que agora, acabada de destruir, pairará no ar feita poluição, sem nunca ter podido dar prova do que poderia ter sido ou do que jamais poderá ser…

Deixaste em meus ouvidos o som melodioso das ondas pequeninas que beijam o Tejo, numa fantasia de vai e vem, como que massajando um rosto gasto por prantos incessantes de tanto tempo, sem que o que tanto desejava ouvir, fosse dito…

Deixaste em meus olhos o brilho das cores do arco-íris, que se esfumou entre duas chuvadas, onde os sonhos se afundaram também e agora apenas a poeira em que me vou transformando…

Deixaste enfim, que desfilassem pela minha memória, todos os momentos que vão desaparecendo comigo… momentos que nunca tive e que sem passarem de sonho, no sonho os vou perdendo…


14.02.07

terça-feira, janeiro 30, 2007

EIS NOS MULHERES


Eis aqui as escravas do senhor!
Faça-se a sua vontade!
Que tudo seja por seu amor…
Crescei e multiplicai-vos na dor…
É esta a nossa realidade.


Eis nos senhor! A vossa escrava,
Objecto para procriar.
Eis nos como o silencio que cala,
A verdade mortífera como bala,
Que nos mutila o amor e faz odiar…


Eis aqui mulher sem pensamento,
Lábios, seios, sexo e obediência…
Eis nos aqui e além em movimento,
Dóceis-rebeldes a cada momento,
Porque nos cortaram o sentimento!

28.01.07
10H40

sábado, janeiro 20, 2007

MENSAGEM DE PAZ

(também no Clube de Pensadores)

Às vezes queremos escrever e parece que as mãos recusam acompanhar o pensamento e quase que paralisadas, não deixam que as letras corram à velocidade com que corre o que nos escoa do nosso interior.

No emaranhado dos meus sentires, estou triste. Tão triste que me revolta a própria tristeza que me vai na alma.

Sinto que se vai perdendo o sentido da vida. Pensava que as pessoas ainda pensavam um pouco, antes de falarem… se pensam apenas é para se magoarem entre si.

Ouvi umas afirmações, esta manhã na rádio, de alguém por quem até nutria uma certa consideração e que me deixaram siderada. Dizia a personalidade em questão, que o “sim”, referindo-se à despenalização do aborto, seria para além de outras considerações, uma forma de impelir a mulher a abortar, para não perder o emprego.

Francamente! Então isso só vem mostrar que há entidades empregadoras a impedir que a mulher viva a beleza da maternidade. Razões de estética? De falta de humanidade? De egoísmo? E com que “lata”, depois, se vem dizer que há uma baixa taxa de natalidade… Como tudo isto é incoerente…

Mas afinal que “bicho” somos nós mulheres, para que, como joguetes, engravidemos ou não, conforme a vontade de quem nos acompanha? Porquê se vai considerar crime, quando apenas se quer reparar um erro, que mais tarde pode ser irreparável? Não será muito mais criminoso permitir o avanço de uma gravidez indesejável? Não será muito mais criminoso recorrer-se a mãos oportunistas e daí advir a impossibilidade de uma futura gravidez desejável? Não será muito mais criminoso morrer-se, por não ter havido respeito por uma situação, que teria sido aceitável se tivesse sido compreendida? Que e quem, poderá levar alguém a julgar outro, se desconhece a razão que levou a outras razões?

Pensem! Por favor pensem! Aqui não se trata de matar ninguém. Trata-se de dar dignidade a quem por razões, que só o próprio conhece, de manter uma qualidade de vida, sendo assistido condignamente, por quem de direito, perante uma situação, por vezes bem difícil.

Pensem por favor, que devemos viver com Amor, para que possamos dar e receber felicidade. Amar é compreender e dar força a quem possa estar a passar um transe difícil na sua vida.

Estas palavras, que acabei por conseguir passar, são também para ti, a quem amo desesperadamente: Vida!

20.01.07
isabel

sexta-feira, janeiro 19, 2007

SEPULCRO DE PALAVRAS


Hoje pensei em ti!
Pensei muito e de diversas formas.
Pensei como as pessoas surgem nas nossas vidas, como se tornam donas de todos os nossos pensamentos e em todos os mecanismos que usam, para nos enredar, de uma forma subtil.
Pensei em tempos passados e reflecti sobre muitos dos diálogos que foram mantidos, durante muitos dos momentos que passámos juntos e que juntos vagueávamos por aqui e por ali, numa alegria desmedida, por vezes descontrolada.

Poder-te-ia ter dito frontalmente, quando te vi naquela tarde, mas prefiro manter silêncio, como que forçado. Prefiro guardar as minhas palavras, que se vão atropelando entre desconexos turbilhões de pensamentos, de revolta, de ira, de ódio, de desprezo.

Prefiro silenciar o som dos sucessivos gritos que interiormente vou soltando, como urros de animal ferido. Prefiro que me julgues depositada no além da existência e assim possas, de corpo e alma, dedicar-te às delícias que preenchem o teu mundo. É pena não perceber que apenas és o que és e não o que queria que fosses para mim.

O meu silêncio não vai permitir que oiças como ecoa, dentro de mim, toda a raiva que em mim fervilha, quando balbucio que não vais fazer de mim palhaça o tempo inteiro. O meu silêncio é e será a potente arma de autodefesa. Não cedo!

Quando nada se tem, é maravilhoso encontrarmos quem nos entenda, quem nos apoie, quem aprecie as nossas pequenas virtudes… (mas com verdade). Vamos juntando pequenos pedaços de felicidade e torna-se fácil viver, mesmo quando, antes, já tivéssemos preparado a nossa fuga para um destino desconhecido. Projectam-se sonhos, vivem-se ilusões e cometem-se todas as loucuras que a imaginação permite, porque sonhar e pensar, ainda nos é permitido.

Porém, um dia chegamos à conclusão que nos estávamos a iludir gratuitamente e acordamos, não de um sonho, mas de um pesadelo…
Concluímos que o amor que andávamos a construir apenas era nosso e que nos era cobrado o facto de o sentirmos.

Amor é uma amizade muito forte, que se vai construindo, dando força, apoiando e mimando a quem dedicamos o nosso todo. Mas quem merece que se lhe dê o que de melhor temos, se não nos entende?

Há anos de luz a separar-nos… É certo que a luz chega rápido ao seu destino… mas eu distanciei-me e perdida no deserto do meu viver, encontrei-te, como a mais preciosa miragem… mas apenas foi miragem…


19.01.07

segunda-feira, janeiro 15, 2007

QUADRAS A UM AMOR REVOLTADO


Fechem-se as escolas,
Mutile-se o conhecimento
Passe-se a viver de esmolas;
Aniquile-se o pensamento

Aumente-se a burocracia
Dificulte-se o esclarecimento;
Viva-se em total fantasia:
O “faz de conta” do contentamento…

Fechem-se maternidades e hospitais
Deixe-se crescer a criminalidade,
Afinal só somos simples mortais,
Dignos de toda a crueldade…

Atrofie-se a criatividade,
Valorize-se o douto copiador,
Que pelos cafés, cheio de vaidade,
Põe o chapéu, dando ares de orador…

Elimine-se o amor!
Explore-se quem ainda o sente;
Encham-lhe a alma de dor,
Porque a dor é um bem premente…

Deixai todas as criancinhas viver!
Deixai que vagueiem no desconhecido;
Vieram ao mundo para sofrer,
Porque é tudo o que lhes é devido…

Pague-se bem para ter saúde,
Pague-se toda a medicação.
Aplauda-se a fraude
E vá-se vivendo em ilusão…

Não leiam! Não evoluam!
Vejam na TV as novelas;
Descansem e destruam,
Porque o resto, são balelas…

15.01.07

sábado, janeiro 13, 2007

DESAPONTAMENTO


Caos! O caos sou eu. Eu! Na tumultuosa corrente de gentes que deslizam a passo rápido pela rua fora, vou e misturo-me. Ando e perco-me. Perco-me nos pensamentos que não se traduzem por palavras. Os sentimentos não têm tradução…

As janelas da alma, protegidas pelas vidraças que lhes permite ver melhor, estão baças pelas lágrimas que dançam, antes de tropeçarem nas pestanas e rolarem de mansinho, pela face, que fria pelo vento do fim da tarde, parece mumificada sobre um corpo automatizado e desajeitado pala força do soluçar interior…

Vagueei sem destino. Sou um caos! Horas e horas, por ruas e ruas mas sempre a sua voz confidenciando adorar alguém. Mas, esse alguém, não fui eu, não sou, nem serei…

Dei força. Sofri. Foi lenta a morte do sonho e moribunda, qual ave ferida, vagueio sem destino… vou vaguear em desespero, até que o último dia acabe…

Entre o céu azul acinzentado do fim da tarde de Inverno e a calçada gaste de tantos transeuntes, caminho eu, só, destruída, um verdadeiro caos.

Amar é o caos!


12.01.07

segunda-feira, janeiro 08, 2007

2007 E OS PRIMEIROS PENSAMENTOS

(e aqui se constrói o pensamento...)

(inspiração no Clube dos Pensadores)

Quando fechámos a porta ao ano velho, decidimos que muitos dos assuntos que acaloraram as nossas conversas, ficariam pela parte de fora e que tudo o que entrava junto ao novo ano, seria também novo. Mas não é bem assim. Há muitos temas que terão de continuar a fazer parte do nosso quotidiano.

A falta de rigor e controlo das contas públicas que parece ter existido no orçamento de 2005, vai repercutir-se no futuro e pôr-nos a pensar se não haverá novas faltas de rigor (neste e em outros assuntos). A saúde continua a andar muito badalada, mas com poucas soluções. O aborto continua a dividir opiniões e a serem equacionados pontos de vista que não solucionam a questão. O ensino/aprendizagem continua a ser tema em aberto; e por aí fora, tantos outros temas entraram com o novo ano: transitaram…

Gostaria que este 2007 fosse, para cada um de nós, um ano em que se fizesse uso do pensamento, por forma a que se eliminassem as arestas da ignorância, as reentrâncias do “faz de conta” e que com plena consciência, se contribuísse para uma considerável melhoria no conceito de cidadania. Gostaria que se pusesse mais amor em cada causa que se defende, para que melhor se lutasse por ela. Gostaria que cada um de nós fosse melhor na execução das suas tarefas, que não cruzasse os braços ante dificuldades, mas que colaborasse na sua eliminação. Gostaria que ao bater da meia-noite de trinta e um de Dezembro deste novo anos, nos sentíssemos mais felizes por termos conseguido eliminar, ou ajudado a eliminar aspectos errados, que antes apenas havíamos sabido criticar.

Gostaria de não voltar a ouvir um ministro dizer que falhas administrativas, levaram a que centenas de médicos não fossem colocadas. Que muitos professores, andassem de mala às costas, porque as tais falhas os leva a serem colocados fora do seu meio, que muitas fábricas fecham por não cumprimento de anteriores acordos; gostaria que se eliminassem, de uma vez por todas, os “apitos dourados”, “apitos prateados” e outros de outros metais, para não continuar a corrupção, que desde os bancos da escola se faz presente, com a constante cabulice e o truque da nota alta e os conhecimentos em “baixa”. Gostaria que as pessoas gostassem umas das outras, sem pensarem nos que têm posses e que as podem explorar; gostaria que não se finja que se sabe, usando o saber de quem realmente sabe… gostaria que não se usassem as influências para se conseguir alguma coisa… enfim, que o nosso mundo fosse muito melhor…

Gostaria que houvesse trabalho para toda a gente que vive da troca dos seus serviços, por uma remuneração justa e que permita viver com dignidade.

Gostaria enfim, que cada um fosse realmente suficientemente importante, sem vaidade, sendo apenas o que é.

08.01.07