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sexta-feira, outubro 03, 2008

DIÁRIO DE UMA NOITE FRIA


Quando escrevo, é porque escrevo. Escrevo, porque gosto muito de escrever e porque é uma terapia. Escrevo atabalhoadamente, porque apenas deito para fora o pensamento do que fervilha na minha alma. É uma forma de falar comigo pela escrita. Um monólogo feito diálogo para expandir minhas revoltas, meus sentires e lamentos… Para afagar meus afectos ou para abafar minhas angustias…
Quando leio notícias nos jornais, ou vejo certas reportagens nas televisões, fico transtornada. É isto o século XXI! Intolerância, desrespeito, repressão… será que estamos mesmo no século XXI? Afinal continuam os suseranos e os servos da gleba…
Adoras imaginar que o que escrevo é para ti e pões-te a imaginar cenas, como se fosses o centro de todas as atenções… não és diferente das outras pessoas… gostas de fazer de conta que és o supersumo das deferências. Mas tens de entender que apenas mereces o que tens…
Um dia acordas e vais estar só. Pensas que todos vão gostar de ti ao ponto de aceitar a forma irreverente como tratas os amigos?...
Vens espreitar, pela calada da noite, o que deixo escrito, para depois criticares e chegas e ter o atrevimento de me aconselhar uma consulta de psiquiatria… (penso que quem está mesmo a precisar és tu) … Já se viu o atrevimento de rires descaradamente, quando falo? Será que não é digno de meditação, no mínimo, as observações que faço quanto a pobreza, lacunas no ensino… oportunistas que têm vários “tachos”, prejudicando outros que também precisam de trabalhar… Pois creio que uma consulta de “aconselhamento” filosófico ficava-te mesmo bem… não percebi ainda é se nessas consultas se tratam de segredos de alcova… Por essa ordem de ideias, em vez dos simples copos de água, nas bancadas da Assembleia da Republica havia sempre umas caixinhas com calmantes… Obrigada pelo alvitre… e já agora, o tal “ti” ou “tu”, que não és tu seguramente, podes chamar-lhe “Zé Povinho”…

04.10.08

sábado, março 01, 2008

SABADO À TARDE


Sábado à tarde!
Parece mesmo um dia próprio para velório. Foi bem aproveitado, pois que é mesmo hoje o velório dos restos da minha cabeleira, cheia de histórias…
Morreram os meus cabelos, fortes e loiro, fonte de muitas dúvidas do pinta que não pinta…
Foi crime! Diria eu!
Foi uma semana de “rebaldaria”, de choro, de revolta, de ódio… sobretudo de tristeza, porque num momento deixei ir por terra o que havia tentado manter firme… vencer a doença…
Desisto!
Há precisamente uma semana que uma intriga nefasta me assassinou os sonhos. Me mostrou que a amizade é uma treta e que um qualquer mal intencionado pode destruir tudo! Tudo, mesmo a vida de quem lhe aprouver…
Por isso desisto!
Não restam forças para suportar o cansaço que o cansaço da doença faz aumentar dia a dia… e aqui no velório dos restos dos meus cabelos, mais destruída que uma catástrofe, nem uma palavra para dizer o cínico “lamento muito”…
O moreno da tez estiolou, o sorriso morreu na última curva do lábio inferior e o olhar perdeu-se entre as madeixas loiras e grisalhas, muito naturalmente polémicas…e o além onde muito possivelmente haverá uma alma que, poderá ao menos uma vez, usar sinceridade…
Consultas, exames, questionários… fantasias! Para depois ser dito que um transtorno nervoso alterou o ritmo da queda do cabelo…
Há sempre causas para as consequências. Fui vítima de agressão verbal, com o firme propósito de me extorquirem a bela cabeleira que emoldurava o tal sorriso a que chamavas do mais doce que conhecias… Tudo acabou!... graças a uns idiotas desabafos a quem não perdoou existir cabelo, assim natural, e sorrisos de pureza…
Dou uma volta pela pá do lixo. Ultima morada das melenas que entonteciam os olhares maliciosos dos tempos m que me chamavam a mais sensual prof. de Inglês do Josina Machel…

01.03.08

sábado, dezembro 22, 2007

A VOZ INTERIOR


Pouco tenho escrito de raiz. Concluo alguns textos que, como sempre, por múltiplas tarefas, vou deixando a meio. Mas agora é no todo dos todos que vão saindo todas estas palavras. Desabafo? Lamento? Não sei, apenas sei que se não escrever fico entupida e quase rebento entre os soluços e as lágrimas e os gritos que morrem na garganta e não saem senão nestes suspiros intercalados com o soluçar…
Amiga, consegui desejar-te boa sorte para o dia importante que é hoje. Não me contive e chorei. Perdoa-me. Sê feliz por favor!
Depois falei com outros amigos. A época é propícia a que se seja gentil e nem em estádios de instabilidade se consegue deixar de cumprir formalidades tão arreigadas nas gentes.
Um dos amigos esteve mesmo comigo, de corpo presente, com um abraço de infinita bondade, dando-me a força que precisava, toda cristal delicado e antigo, que a uma corrente de ar se estava estilhaçando…
E todo o meu interior se estilhaçou. Mil fragmentos de desespero foram uma mão cheia de cacos do que resta das esperanças e dos desesperos que rodopiam por mim toda… e se ainda viver depois de amanhã, talvez possa segredar-te que foste o amor da minha vida…
Injustiça! Logo agora que vivia bastante ocupada, a doença veio dominar como qualquer déspota prepotente, destruindo a coroa de sonhos que deixara na minha jarra eleita…
Quero aquela rosa carmim presa nos lábios, quando selares a minha boca no beijo último, da última despedida…
Ingratidão! Como todo o tempo foi ingrato para mim, não permitindo até que o diagnóstico fosse conclusivo, para que não continuasse neste impasse de vida e o que mais?
Desolação! Sim! No mínimo desolador não ter tempo para te dizer que te amo. Que tudo é teu e o mais insignificante sonho foi contigo…não olhes! Desencorajas-me, muito embora saibas da decisão… ficam todos os silêncios e todas as turbulências consequentes de quem não te sentia, como sempre te senti.
Desalento! Já alguma vez sentiste desalento? É estranho. É algo grande dentro de nós que nos faz sentir infinitamente pequenos e as palavras deixam de ter significado e os significados deixam de ter razão de existir… por isso dizer que te amo é uma anormalidade, uma descomunal anormalidade… a um moribundo, deixa de ter sentido certos dizeres…
Natal!

2007.12.22

sábado, dezembro 15, 2007

SÁBADO À TARDE


Não sei bem se me apetece escrever, se gritar ou apenas chorar… mas já tenho os olhos inchados e vermelhos de apenas chorar… Aumentou o número de vítimas. E com o arrefecimento previsto, vai aumentar, seguramente, o número de mortos…

São sempre em vão os muitos avisos que se difundem por todos os meios. Uma grande parte das pessoas não liga ao que ouve, ao que lê, nem mesmo quando lhes é segredado que estejam atentos, ligam importância… É mesmo característica do ser humano… depois a catástrofe assola à porta e já pouco resta para ser feito…

Quando nevou, e o frio era intenso, assolou uma tempestade que destruiu todas as belas ramagens da árvore que plantara em meu peito… A Árvore é o símbolo da vida! Foi o princípio do fim…

Despida de folhagens, ramos novos cortados cerce, abria-se assim o vasto horizonte. A perder de vista…

Depois foram reaparecendo os sinais de primavera… mas veio outro Inverno frio e desastroso… e quando uma nova primavera deslumbrava os horizontes da natureza… um vento soprou, nórdico e devastador e as novas ramagens, simbolizando vida, perderam-se… perderam-se uma vez mais…

Está imenso frio. Penso em todos esses seres que vivem à deriva, sem abrigo, sem vontade de lutar por melhores dias ou apenas por um outro dia… perderam tudo, nada têm e por nada lutam… Quantos não são consequência de ser mal amados!... Quantos não são o resultado de uma entrega, de um desvelo por quem nem se apercebeu ou se deu ao trabalho de aperceber que estava a ser amado… Como é difícil fazer o mundo entender que só com amor se consegue ultrapassar as grandes dificuldades. Como se confunde Amor, no dia a dia, com tanta outra coisa que nada tem a ver com Amor…

Mas de mármore cinzento e frio será o tálamo onde vou deixar as poucas gramas de cinza que restarão deste corpo gasto e sem alma, que divagou sem destino, que amou sem amado e das suas rosas foi fazendo um pouco de pão…


15.12.07

sábado, dezembro 08, 2007

Sábado, 08 de Dezembro de 2007

Já lá vai muito tempo que os dias oito de Dezembro eram passados com muita festa. Por esse tempo, era o dia da mãe e nas aulas de lavoures do colégio fazíamos enxovais para os recém nascidos das famílias mais desprotegidas. Também nas aulas de desenho fazíamos quadros para a mãe, invariavelmente Nossa Senhora, com a imaginação que dispúnhamos naquela época. Aliás, o Ramalhão era um colégio de religiosas e isso levava que não se fugisse do tema.

Juntavam-se as mães dos pais, as nossas e nós e havia uma ceia muito animada, com um quadrinho pintado a lápis de cor, quase igual para todas…

Tudo se esfumou no passar dos anos. Hoje nem se fala disso por aí, como se fosse uma passagem tão antiga, como outras, na história da humanidade…

Como estou doente, deu-me para passar em revista partes de um passado, que muito embora não seja assim tão passado, levou-me a outras fases que fui vivendo. Algumas para esquecer. (Esquecer! Isso é que provaria que a minha inteligência estava aferida… )

Depois li uns Bloques. Já não os lia há muito tempo, porque o tempo é sempre limitado, quando se arranjam mil tarefas…
Num dos blogues li um fragmento de texto muito interessante. Até fiquei com a tal ideia de que a “carapuça” poderia servir à medida, a uma das pessoas minhas amigas. Há sempre quem é mais esperto e “nas costas de uns lêem as suas…”

Nada seria devastador se não se usassem terceiros para arranhar e magoar…a tal violência psicológica que tão bem é aplicada, para que o ego seja elevado… A melhor pessoa do mundo! Quem sabe mais! A pessoa mais perfeita! Tudo o resto é por acaso…

Mas eu continuo a insistir que não é justo criar um clima amoroso à volta das pessoas e depois pô-las na lama ou simplesmente ignorá-las. Rejeitar, agredir, magoar, são formas de agir que não aprendi e por isso, não sei defender-me. Sabe-lo bem, assim como o sabia a minha amiga Manela, que tantas vezes me disse que o perigo estava mesmo ali ao lado… Agora que não estou bem, percebo perfeitamente o que ela queria dizer.

Passei pelo arquivo fotográfico e depois ouvi algumas gravações. Engraçado! Como foi possível uma transformação tão radical. Apaguei-as. Para quê continuar a ouvir o que nem sequer foi dito com sentimento… Assim como alguns escritos que havia guardado religiosamente… e neste momento estão no saco para o papelão… Tanta farsa!

Às vezes sinto-me uma perfeita idiota. Outras, sinto uma revolta imensa, outras ainda, tenho uma incomensurável saudade daquele tempo, que no cimo das ameixieiras, fazia competição com os melros lá da quinta…

Já li o livro! Afinal o vilão lá conseguiu embarretar mais uma vítima… Serial Killer! Mas era esperto! Mas não tanto, que se esqueceu que não há crimes perfeitos… a não ser que tivesse tomado o resto do veneno… mesmo assim gostei.

Uma vez mais o pulso subiu aos cento e tal, depois baixou, e voltou a subir aos noventa e cinco… Estranho. Não tenho nada que esteja pendente nem fiz mal a ninguém, nem pus ninguém de parte… muito pelo contrário… até a minha saudade esteve muito no meu pensamento. Sempre devemos respeitar a memória dos que só nos fizeram bem e nunca ousaram fazer-nos sentir uns zeros.




08.12.07

sábado, dezembro 01, 2007

ONTEM!


Falámos pouco. O suficiente. Mas falámos. Tão longe mas falámos. Ainda bem que falámos e ainda bem que estávamos longe. Falar foi como uma dádiva que a Natureza nos pôs, para expandirmos o que sentimos.

Falámos muito pouco e embora fosse vago, foi significativo o que dissemos. A nossa distância é incomensurável, mas estás sempre perto. Vives dentro dos meus pensamentos, mas não vês como os meus olhos choram.

Rios de lágrimas que ensopam a almofada ou obrigam a um gasto exagerado de lenços. Como choro!

Agora o que chora é a alma. Está só e só vai ficar por tempos incontáveis, contudo o meu amor não tem tempo, nem densidade nem é apenas feito das palavras que deslizam por esta folha impaciente por recebê-las. Assim escrevo. Assim escreverei até ao fim, dilacerada por uma ausência sem tamanho.

A tristeza não se pesa, não se mede, não se avalia. A tristeza é o elixir da morte extemporânea; a tristeza é o condimento de um amor feito de incertezas, saudades e desilusão…

Mas falámos. Não disse nada do que queria. Não deixei deslizar os lábios meio frios pelo teu corpo porque está ausente. Não deixei as tuas mãos encerrar as minhas, porque apenas falámos e tão longe… tão longe, que pouco dissemos…



29.11.07

sexta-feira, novembro 30, 2007

E OUTRA PÁGINA


Primeiro acreditei. Sempre aceitei o que me dizem como sendo a pura verdade. A palavra dos outros, sempre a respeitei, mas como me enganei!

A farsa, a patranha, a peta, o abuso da credulidade, a agressão psicológica, foram metodologias aplicadas com toda a perícia, com o firme propósito de enganar, iludir, manobrar, magoas, enfim, espoliar o mais que fosse possível… e, eu acreditei…

Talvez não tenha acreditado sempre, até pode ter acontecido só ter acreditado um pouco, mas no que acreditei, provoca-me ainda um mau estar sem limites. Como pode a inteligência humana ser iludida por enganadoras e malévolas mentiras?

Acreditei que tudo ia mudar. Acreditei que a responsabilidade social era muito importante. Acreditei que educar e transmitir conhecimento era como que uma devoção. Acreditei que se tempera com amor tudo, nas nossas vidas. Mas não! Amor, esse sentimento que até tem fama de ser belo, é um engano. Até aí me enganei…

Enganei-me em que a idade seja um estatuto de responsabilidade. Nada disso! Há uma falta de respeito entre os adultos que são o exemplo dos nossos continuadores.

Enganei-me quando idealizei saber mais e mais. Apenas não passei o tempo sem ocupação… mas não serve de nada!

Gritei pelo monte, pelas areias da praia, aos rochedos da beira-mar, para que um eco uníssono repetisse vezes sem fim que amava. Amava, mas não era amante de ninguém no sentido mais lato ou mesmo pejorativo… amante é todo aquele que é amado e amada nunca fui… mas acreditei.

Choveu. Agora faz sol. Nisto posso acreditar.


22.11.07

sexta-feira, outubro 05, 2007

“PAGINA Z DO DIARIO”



Escoam-se as nuvens do encantamento. Surgiu o sol, quente mas outonal. Teus olhos viraram na direcção da luz e esqueceste na sombra das palavras gentis e deliciosas, outrora dedicadas a tantos outros por quem te encantaste e dedicaste esse teu eterno fulgor.

À noite as estrelas parecem bijutarias imitando pedras preciosas sobre o manto de veludo azul-escuro, que é o Universo que nos cobre…

Escondes todas as frustrantes obsessões em filosóficas fraseologias para mostrares o que queres que apenas não admitam, e, em malabarismos linguísticos, vais deixando uma mística angústia nos todos aqueles outros…

Enamorei-me de uma realidade numa época em que achas obsoleta tal vertente em alguém… Já não há quaisquer sentidos… Impossível!... mas quem está errado és tu!!!


02.10.07

segunda-feira, outubro 01, 2007

“FOLHA X DO DIÁRIO”



As informações são vagas. Vão surgindo intercaladas com surpreendentes exclamações. Fazes parte do nada feito entre o que nada é e quando o é, é-o incomensuravelmente abominável…

Do humor fizeste a caótica existência que não tens e o miserabilismo em que te envolves, finalidade única para chamares a atenção de incautos indefesos que vão sucessivamente chegando e partindo, como aves migratórias, quando chega a mudança de estação… mudam a pena e voam de novo em busca de outros ninhos ou do que deixaram à espera, do outro lado…

Quando dizes o que premeditadamente preparaste para magoar, não tens pejo de o fazer, doendo a quem doa, fazendo-te cobrar caro pelo que te estimam… e de galho em galho, saltitas como o pintarroxo no jardim do Éden, que criaste para atrair as aves canoras que vão cantarolando seus amores, para gozares suas desgraças…

No vai e vem do Inverno, vens e vais, és e não és; do que nada tens, dás enganadoramente, pondo em evidência o que frustrantemente incendeia e que selectivamente vais impingindo, como um adocicar de lábios, depois de se saborear uma cereja doce…


01.10.07

terça-feira, setembro 25, 2007

“UM FIM DE TARDE”


Quando se está deprimido, parece que as coisas que deprimem mais se aproximam. É bem certo que na realidade, nós é que parecemos imã, a atrair o que ainda mais nos vai deprimir.

Depois de um dia atarefado, com uma mistura de francês e inglês, a tirar dúvidas à R., fiquei sem tinta na impressora e por isso o trabalho de pesquisa que a garota queria, ficou em lista de espera… eu também promovo listas de espera…

Depois, e, com umas sobras de tempo, decidi distrair-me e dar uma volta pelos Bolgues, conhecidos e outros não. Mas mais valia ter ficado quieta, porque escusava ter lido o que li e ter observado que essa paixoneta é mesmo forte… e agora é de ambas as partes…. E vai daí, já não contam os compromissos assumidos nem a racionalidade, porque correm na mesma vertente e são da mesma faixa etária. Pois bem! Resta-me a consolação que já ouvi o mesmo e se o trouxa não acordar a tempo, vai cair na esparrela que eu caí… “com papas e bolos se enganam os tolos…”. A conversa é sempre a mesma.

Mas tem mais. Lendo com atenção um Blog de alguém que se diz muito letrado, deitei as mãos à cabeça, porque afinal, aqueles que zurram são mais humanos e mais inteligentes… então não querem lá ver que as pessoas, agora nem sabem interpretar o que lêem? Isto é demais… e querem que se evolua, quando cada vez se diz “mais” mal, se critica mais e não se ajuda em nada a melhorar o que se reprova…

Conheço alguém que volta não volta me diz –“sou um camelo” – e conheci em tempos alguém, que costumava dizer-me – “Sou um “camurso” isto é, camelo e urso ao mesmo tempo… Bem! Que duas pessoas tão diferentes e na realidade tão “parecidas” na selva… só espero que a razão que as leva a dizerem-se isso, não seja a mesma… embora pense que, se uma acordou tarde, a outra ainda nem acordou…

O estado depressivo cresceu e eu fui comprar cigarros. A lua elevou-se no horizonte e eu pensei: “ não é tarde nem é cedo, estes são os meus “doces” amigos, que aperto entre os lábios e me entendem, me escutam e me aparam as lágrimas…” afinal sempre vou tendo razão, fico sempre para o fim da fila… muitos anos, tristeza quanto baste, má experiência de cama, inconformada e com filosofias de “cordel” como a de entender sempre os que estão na pior… uns porque têm sempre compromissos inadiáveis, outros porque estão em fase de encantamento e outros porque têm sempre alguém como mais importante… e assim vai um ser vivendo, a aparar os jogos que todos pretendem jogar… isto sem perceber “népia” de futebol…

Escureceu. A lua elevou-se mais no horizonte e eu vim escrever, ou melhor, vim desentupir as ideias, despejando toda a revolta que sinto, porque devia odiar, detestar, banir do pensamento todos os que me provocam tristeza e mau estar… e nem sabem ao menos disfarçar, embora sabendo mentir…

Mas, como já disse em tempos, a mentira pode ser verdade, quer por não ser a minha verdade, quer por quem a diz, se auto convencer que essa é a sua verdade e como tal tem de ser a verdade para os demais… é doentio e até há quem já me tenha dito que é preciso mentir para não criar problemas… engraçado… sempre aprendi que a mentira era bem devastadora na relação entre as pessoas… O tal faz de conta, afinal, é mais importante do que eu houVera pensado….

Como amanhã será mais um dia de infortúnio, com o ventinho a soprar e a temperatura a descer, vou tentar criar condições para o aceitar… como tenho aceite todos os outros… como a lava incandescente a inundar e a queimar a flor do monte tão cândida…



25.09.07

segunda-feira, março 19, 2007

AINDA UMA FOLHA DO DIÁRIO





A noite decorre dentro do que é habitual. Passei os olhos por Blogues de conhecidos e amigos, fiz um breve comentário no Clube de Pensadores e prestei atenção especial ao teu último escrito, enquanto escutava uma música de fundo, muito calma.

Não me surpreende que escrevesses tudo aquilo. Quando queres atingir o âmago de uma questão, escreves o que te vai na alma ou se pretendes atingir quem te lê, e a quem ainda não tiveste coragem de dizer para não te dirigir mais a palavra...

Muito interessante como despiste aquele modelo… mas não me fez sentir qualquer reacção… Talvez não acredites, mas de tanto amar alguém, sem que isso seja ao menos motivo de reconhecimento, tornei-me irónica e por vezes sádica no refere ao amor. Para quê amar se de ninguém vem feedback? Estamos rodeados de egoístas que apenas olham para a sua aureola, considerando-se o que há de melhor? E um dia destes partem sem sequer terem tido tempo de observar que eram humanos…

Mas não passei a noite amargurada pela indiferença e pelo desgaste psicológico de estar frente a frente a um silencioso monitor, que vai aceitando os meus queixumes… exactamente o mesmo procedimento da minha adorada figura, que nunca responde ao terno chamamento… Não, estive a traduzir mais umas linhas de um trabalho muito interessante que investigo, sobre sexualidade sénior.

A propósito de sexualidades e de sexo, comecei a ler um livro interessante, escrito por uma garota de programa brasileira (O Doce Veneno do Escorpião), em que descreve situações e factos com um detalhe extraordinário e muito para além de explorar o que o sexo significa para esta autora, interessa-me analisar as reacções que os clientes têm, para perceber algo que não entendi até hoje.

Não fiquei por aqui. Antes de iniciar mais esta folha solta do diário que vou escrevendo, passei em revista as duas mil e tal fotos que tenho de uma pessoa amiga, que tal como eu, tem a paixão pela fotografia e fiquei a pensar…

E com o pensamento concentrado no meu doce sonho, venho escrever mais estas linhas… É bom amar, mesmo que não tenhamos senão aquele além que nos deixa uma saudade sem limites.


19.03.07

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

PARADOXOS A AZUL

Uma densa poeira parda espalhou-se em meu redor, quando todo o meu ser implodiu, depois da leitura das muitas palavras que deixaste escoar, em um dos teus escritos. Poeira fina que mais parecia um banco de nevoeiro deslizando pelos vales, deixando tudo opaco, como que sem vida.

Mentalmente passo em revista todos os comportamentos que tive e todos os que poderia ter tido; não foram mais do que consequência de outros por ti encenados, para justificar o que não tem justificação… justificações éticas, como se os sentimentos fossem regidos por qualquer ética…

É sempre precário o equilíbrio entre o que está certo ou errado à luz da visão do que queres, ou não queres ter, em todos os momentos. Momento que apenas são os que queres que sejam, ou não, manobrando a vontade, como se estivesses a manobrar o leme de uma embarcação, para se livrar de um obstáculo à deriva, em pleno mar alto…

A sequência das palavras que dispões a belo prazer, têm como único propósito magoar; ferir até que jorre sangue vivo, que bebes em taça, a brindar ao desgaste que causaste e dando a beber o veneno escorpiónico, escorrido de beijos suculentos, que enganadoramente servem de manjar a sonhos rebeldes, de seres deambulantes entre a solidão e o desgosto da perda, de amar e ser desamado…

A insatisfação brilha em ti e o eloquente silêncio com que dizes o que não queres dizer, aniquila qualquer paciente humano, que nada mais procura do que aliviar a sua solidão, dando os restos de um amor moribundo, fechado numa decrépita estrutura, que agora, acabada de destruir, pairará no ar feita poluição, sem nunca ter podido dar prova do que poderia ter sido ou do que jamais poderá ser…

Deixaste em meus ouvidos o som melodioso das ondas pequeninas que beijam o Tejo, numa fantasia de vai e vem, como que massajando um rosto gasto por prantos incessantes de tanto tempo, sem que o que tanto desejava ouvir, fosse dito…

Deixaste em meus olhos o brilho das cores do arco-íris, que se esfumou entre duas chuvadas, onde os sonhos se afundaram também e agora apenas a poeira em que me vou transformando…

Deixaste enfim, que desfilassem pela minha memória, todos os momentos que vão desaparecendo comigo… momentos que nunca tive e que sem passarem de sonho, no sonho os vou perdendo…


14.02.07