terça-feira, junho 19, 2007

ÀS VEZES…


Pois! Assim é. Quando se pretende afastar alguém que nos perturba, começamos por criar obstáculos que mostrem que a outra parte está errada, que tem defeitos que justifiquem que nos afastemos. Que são uma barreira à nossa calma, que são uma fonte de stress da qual nos devemos manter afastados. Contudo, o afastarmo-nos desse ou desses elementos, que tanta perturbação pode causar, outro tipo de problema pode advir, o da nossa consciência que nos pode segredar, que estamos a ser injustos. Será que vamos a tempo de perder uma amizade, por não a sabermos compreender e respeitar, nas suas características próprias? Deveremos despersonalizar quem consideramos de amigo? Será que nos devemos afastar de quem nos quer bem, só pelo facto de recearmos não poder ser o que já havíamos sido ou poderíamos ter sido? Ou que a outra parte julga que possamos ser? Será que apenas usamos os outros, enquanto não houver um outro alguém que consideremos melhor? Talvez até procuremos outros que, em consciência, sabemos que não nos querem bem, mas para nos libertarmos, tomamos a atitude de fuga…

Difícil interpretar quem joga nas múltiplas formas de subverter a amizade em benefício do lascivo, do incoerente, do flutuante. Daquele que passa “amor”, conforme as conveniências…

12.04.07

domingo, junho 17, 2007

BRAÇOS ERGUIDOS


Dei uma volta pelo monte, antes que esse também fique descarnado, para que lhe metam alicerces, para mais umas quantas construções. Malefícios da evolução. Cortam-se árvores para plantarem casas e mais casas… os espaços verdes vão ficando perdidos, como oásis no deserto…

Mas como dizia, dei uma volta pelo monte. Estacionei o carro no fim do asfalto e caminhei a pé. Não tirei fotos, até que só, nem me apeteceu pegar no N 73 e carregá-lo de imagens. Olhei para as árvores e até me apeteceu trocar umas palavras com elas…

Entre o arvoredo, senti-me quase que liberta do burburinho da cidade. Aquela então, sem quaisquer folhagens, atraiu-me. Parecia alguém de braços erguidos, sem cabeça… Pareceu-me alguém. É verdade. Muitos dos seres que por aí vagueiam parecem-se com aquela árvore. A cabeça, o instrumento pensante do corpo, é anulado, para que não pense e siga, cegamente, o que querem que se siga… ou por comodidade, anula-se porque pensar é um acto demasiado esforçado e repugnante…

Que horror! Então pensar é assim uma coisa tão desastrosa?!!! Mas é verdade! Às vezes encontram-se por aí certos humanos que, por força de não evoluírem, continuam a viver numa ancestralidade tão longínqua, que até parece quase impossível… mas primam por coscuvilhar… primam por reprovar os que evoluem e de mexerico em mexerico, conseguem deturpar as mais reais criações da Natureza…

Quando deparei com aquela árvore, pensei em algumas pessoas. Lembrei-me inclusivamente de uma pessoa minha amiga, que por ser genial na escrita e com uma imaginação fertilíssima, passou a ser olhada “por debaixo da burra”, porque pensar e compreender essa tal pessoa dava muito trabalho, para além de que se desenquadrava do que é o vulgar de Lineu…

Pois é árvore amiga, estende os ramos, bem erguidos e clama para os humanos sejam mais coerentes e comecem a pensar…


15.06.07

sábado, junho 16, 2007

PALAVRAS PARA A ETERNIDADE


Com palavras e muitas palavras, fiz mais.
Com todas elas construí um castelo. Entraste!
Passaste a viver nesse castelo, construindo ideais
Das ameias vês-me, sempre, desde que chegaste…

Com palavras construí o amor que te dei
Ouviste os meus suspiros e as palavras faladas
Mas não só, escrevi muito sobre o quanto te amei….
Minhas palavras escritas, jamais serão abandonadas…

E esperei até um dia ouvir-te, para acreditar,
Mais, esperei que escrevesses que era o teu amor
Porque pela escrita jamais se pode olvidar
Que o amor é verdadeiro, cheio de esplendor…

Nas minhas palavras falei-te de saudade
Falaste-me da tua saudade e eu acreditei…
A nossa saudade é uma parcela da nossa verdade.
Foi com essas palavras juntas, que sempre te amei…

14.06.07

quarta-feira, junho 13, 2007

COMEMORAÇÃO
















(fig.1 Fonte em frente à Igreja de Valverde - Evora)
(Fig.2 - Três dos primeiros Regentes Agrícola a chegar ao encontro)
Sábado. Dia 09 de Junho de 2007

Tudo combinado. Telefonemas daqui, confirmações de acolá, para que corresse sem quaisquer anomalias a comemoração do 50º aniversário do fim de curso dos Regentes Agrícola de Évora, da Herdade da Mitra, Valverde.

Às dez e trinta da manhã começaram a juntar-se no pátio da Igreja de Valverde, para que, com uma Missa, se recordasse os que do grupo já haviam partido.

Onze da manhã. Mais uns que chegam, mais abraços e euforicamente, entre risos e abraços, os “nick names” (diminutivos), que mesmo ao fim de cinquenta anos, não estavam esquecidos.

Meio-dia menos um quarto. Várias tentativas para se saber se o padre demorava, mas em vão… O padre nem respondia, nem aparecia…








(fig.3- Mais elementos do grupo)
















Pediu-se à senhora que guarda a Igreja para a visitarmos. E mesmo sendo muito moderna, é bonita e simples.





















E fomos para o almoço, mas demos uma volta antes, pela Universidade de Évora…





















Finalmente reunidos à mesa, e antes de ser servido o repasto, fez-se um minuto de silêncio, homenageando quem já não estava entre nós e recordando os que não puderam estar presentes.
















E seguiram os discursos…

Alguns fizeram-se acompanhar pelas respectivas esposas. Também deixaram a palavra de agradecimento e felicitação pela data, formulando votos de que para futuro se encontrem mais amiúde.
Pelas quatro e tal da tarde vieram as despedidas e muitas promessas de reencontro, e a partida, porque todos vinham de longe…
09.06.07
ÉVORA

domingo, junho 10, 2007

DEBATE!



Uma experiência única. Como primeira vez para mim (muito embora pelas muitas descrições e leituras sobre debates anteriores, imaginasse como se desenrolava todo o processo), fiquei encantada.

Sem dúvida que se abordam os temas com uma seriedade indiscutível. Não vou referenciar todo o conteúdo, pois seria inoportuno, visto terem passado quatro dias após o debate, mas não posso deixar de erguer as mãos e dar um aplauso, em primeiro lugar, a Joaquim Jorge, como fundador deste Clube dos Pensadores, realmente inédito e que moderou com sabedoria o debate, cujo tema, de interesse para todos, se focalizou em Gestão Autárquica. Depois e porque considero uma pessoa de características muito especiais, o Presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, Luís Filipe Menezes, que explanou muito habilmente através de uma apresentação em “power point”, três importantes e fundamentais itens para uma boa gestão autárquica; um diagnóstico muito profundo. Gostei!

Não deixarei de dar também o meu aplauso a Rui Gomes da Silva (deputado e ex-ministro), a Paulo Magalhães (jornalista parlamentar) e a Luís Silva que representou a plateia e muito bem.

Mas não seria justa se esquecesse todo o público presente e todos os intervenientes, com suas perguntas. Foi na realidade uma experiência magnífica.

09.07.06

VILA NOVA DE GAIA

quarta-feira, maio 30, 2007

FOI HOJE!


Deu-me um ataque de nostalgia. Peguei no carro e em marcha moderada fui. Passei na florista e comprei três rosas, vermelho escuro, chamadas de “príncipe negro”, como sempre disseste ser do teu gosto e escrevi uma vez mais “amo-te” no cartão que puseram junto do laço. Deixei no banco traseiro, para não se molestarem com a viagem. Segui. Um dia acinzentado, nem quente nem frio, com quem me sinto parecida… nostalgia, uma mistura de saudade com tristeza, imparáveis no meu pensamento…

Passei o portão de ferro forjado em arabescos e caminhei por entre verdadeiros canteiros floridos… muitos cheios de flores de plástico… os nossos dias!

Estranho. Três rosas brancas estavam sobre a lápide escorregadia pelo desgaste do tempo. Quem? Estranho é terem uma dedicatória protestando pelo teu silêncio…

Todas as missivas têm resposta… e aí não faltava a explicação também. Não passavas do anonimato, por algo que transcendia as tuas capacidades… Estranho!!! Então sempre dizias algo a quem querias… a quem te dizia mais do que eu sempre disse. Ingratidão! Foi a única palavra que me aflorou aos lábios… e se vinha triste e saudosa, fiquei morta de tédio e desilusão…

Estive vai-não-vai para não deixar as minhas rosas, mas como as tinha adquirido com essa finalidade, resolvi que ficariam… mas acrescentei no tal cartãozito, que fora lapso o que escrevera, entre parêntesis, escrevi “amei-te”…

Voltei. Voltei a uma velocidade não moderada. Apetecia-me carregar no acelerador e tentar a velocidade máxima, mas porque sou cobarde, tive medo de me cruzar com a polícia e era muito “chato”.

Também mal via a estrada. As lágrimas pareciam torrentes de água de uma fonte virgem e a atmosfera escurecera tanto, que parecia hora de anoitecer… e finalmente cheguei e finalmente corri para a minha almofada, para desabar num pranto incontido que durou horas e que deixou os olhos com estão agora.

Fui só. Só regressei. Mais triste e desiludida. Mais desistente…


30.05.07

sexta-feira, maio 25, 2007

ARTIGO DE OPINIÃO

No Clube dos Pensadores, foi postado o texto que publico aqui, com a devida vénia, por considerar que é digno de ser lido, para que se possam tirar as conclusões que melhor se adequarem. Eu tentei cruzar ideias e fiquei com a minha própria conclusão, que por razões óbvias, não vou deixar aqui. Comentei, como todos devem calcular.

“JOAQUIM JORGE

A ideia com que fico é que, parece uma corrida em que ninguém quer perder e todos querem participar (aparecer). Para se tornar mediático não há nada ,como concorrer a umas eleições intercalares , em que não há mais nenhumas, isto é, os holofotes estão todos virados para os alfacinhas. Tendo em conta a forma paupérrima, em que vivem a maioria dos portugueses, não deveria ser permitido gastos supérfluos e os impostos dos contribuintes não deveriam ser utilizados para umas eleições provocadas a destempo. Quem deveria pagar esses gastos, seria quem provocou esta bagunça. Esta eleição está viciada, o PSD antes do jogo, já está a ganhar 1-o, pois tem a maioria na Assembleia Municipal e assim vai continuar. Faz-me lembrar passe a analogia, recuperar e remodelar uma casa por dentro e por fora, sendo obrigado a ficar com a mobília.
Carmona Rodrigues, António Costa, Sá Fernandes, Helena Roseta, Fernando Negrão, Manuel Monteiro, Garcia Pereira, Ruben de Carvalho, Sá Fernandes e Telmo Correia. Não há mais ninguém? Uma coisa é certa esta eleição vai ser fulinizada e não partidarizada. Existem duas candidaturas independentes de movimentos de cidadãos. Gostava de ver uma candidatura de movimentos de cidadãos contra o funcionamento dos partidos e o seu esclerosamento. As coisas estão a mudar e estão a fazer-se de outra maneira. Manuel Alegre não ganhou a eleição em que participou, mas teve o condão de fazer ver que é possível e lançou as sementes para muitas independências.”.

quarta-feira, maio 23, 2007

CRÓNICAS DE MALDIZER



Eu sou honesto!
Omito, minto,
Não presto…
Invento cores,
Com que tudo pinto
E gozo dos amores
De quem me rodeia;
Só lhes dou dores
Ao usar a minha verborreia….

Eu “uso” quem quer que seja,
Fazendo-me de santinho
E quanto mais alguém me deseja
Finjo e dou-lhe um “beijinho”…

Não quero qualquer prisão
Não quero que sintam ciúmes
Quero livre meu coração
Para explorar os teus queixumes…
Quero toda a liberdade,
Viver do que me rodeia.
Ser belo e ter vaidade
E fazer tudo o que te “chateia”,
Para medir tua bondade…

Estudo e nisso sou “bom”
E se falas e falas, não ligo,
Porque a discursar tenho o dom
De te pôr a bem comigo…

Vai que não vai, um lamento
E cais que nem um patinho
São coisas de um momento
E volto a ser teu queridinho…
Teu “doutor”. Teu apaixonado!
Mas vou fazendo das minhas,
Porque nem sou teu namorado.
Vou-te dando o que não tinhas…
E mantenho o meu lugar reservado…

Não quero nada de ti, não,
Que nada tenho para te dar
Nem mesmo o meu coração,
Porque esse é só para “navegar”…

Gosto do teu sorriso aberto
E abomino o teu “chorar”;
Armo-me às vezes em esperto
Só para te ouvir falar…
Mas se avanças demais
Logo arranjo um “barrete”
E estrebuchas porque cais
Como o mais simples joguete,
Para depois te “perdoar”…

Não acredito. Não posso mais!
Dizem para aí à boca cheia,
Em coro, como os jograis,
Que eu não sirvo, nem para candeia…

Não quero a tua razão,
Mesmo sabendo que a tenhas.
Isso já é perseguição
Às minhas “mocas” e manhas…
Deixa-me no meu pedestal!
Discurso só quando há conveniência,
Porque falar demais é fatal,
Estraga-se a boa convivência
E ateia-se um ódio letal…

Desligo! Não desligues…
Estás mesmo a despachar.
Sim, antes que mais me “piques”
E não te volte a falar… … …


20.05.07

segunda-feira, maio 21, 2007

AZUL, AZUL!

O azul venceu!
O Futebol Clube do Porto ganhou.
Ganhou porque mereceu,
Depois do que tanto trabalhou…

A alegria que a equipa deu,
Em quem em si apostou
Mostrou o quanto valeu
O esforço e animo com que jogou…

Bandeiras brancas e azul a voar
Muita gente, feliz a festejar,
Porque o seu clube é o maior…

Veio a taça, que honraria…
Todos gritam com alegria
Porque o Porto foi o melhor.


20.05.07

quinta-feira, maio 17, 2007

NÃO HÁ REMÉDIO!


Crueldade! Usa-la muitas vezes, não é verdade?
Para uns a desgraça, a constante manifestação de desagrado, a repetitiva forma de apontar erros, enquanto para outros, a doçura e a amabilidade, a disponibilidade, a eterna lisonja… Como se pode ser tão cruel!

O filme acabou. A música de fundo encheu a sala e o público foi-se levantando, lentamente, de olhos lacrimosos, como se estivessem a acompanhar um defunto à sua última morada…

Tirei um lenço da algibeira e também limpei as lágrimas que, mesmo sem querer, continuavam a rolar… pareceu-me conhecer o filme de cor.

O actor principal eras tu. Eu, a figurante, que de imagem apagada e desgastada, apenas servia de anjo da guarda, de apaziguadora, de suporte. A casa assombrada, as almas em corrupio, os vasos caídos, as flores mortas e secas, espalhadas pelas veredas…

Choro ainda. Vou sem ir, porque os passos atropelam-se entre os pés trôpegos, como que embriagados… e baila em minha imaginação todas aquelas imagens fantasmagóricas, querendo deturpar a minha caminhada.

O crepúsculo deixou que a silhueta das estrelas se fosse tornando mais evidente. Só o meu pensamento continuou difuso entre o som do vento e o meu choro baixinho… outra vez! Mas agora sei que me tens omitido que o que pensei ter sido passado e esquecido, continua bem vivo… demolidor, destruidor, arrasador. Finalidade última: conseguida!

E assim mesmo, entre o desespero e o momento do fim, fico com aquela música de fundo…


17.05.07

sexta-feira, maio 11, 2007

ESCRITOS NA NOITE


Passam uns minutos da meia-noite. Está uma noite fresca e muito húmida. Aqui na varanda, frente à mesa, sob a luz baça do aplique, venho deitando ao papel o que vai sobrando dos pensamentos que se atropelam entre a revolta e a solidão.

Não tenho lugar lá dentro. Aqui fora, como se cumprisse um castigo, arrefeço por fora e por dentro. Tenho os ombros molhados porque a humidade vai repousando nas minhas costas. O cabelo está húmido e os pés estão frios. Pela cara correm, não gotas de suor, mas lágrimas tépidas, como forma de exteriorizar a minha mágoa.

Vagueio sem tempo, pelo meu jardim imaginário, porque no tempo em que estou não vejo a cor das flores. Vejo as que a minha imaginação criou… Flores azuis em todos os canteiros.

Folheio todos os papéis que vou guardando, onde escrevo e reescrevo e onde sempre encontro, mesmo não querendo, o teu nome, Flor Azul!

Papéis que talvez nunca leias, porque jamais estiveste interessado em ler o que vou escrevendo, porque sabes que é para ti que escrevo e porque não queres ler… Jamais quiseste que te escrevesse…

Também hoje não tos vou dar a ler. Hoje estou apressada. Mesmo que os leias, quando a madrugada te trouxer até aqui, já não me encontrarás. Não tenho espaço lá dentro. O meu jardim está coberto por uma noite escura, sem luar; é melhor sair. Vou sem destino. Melhor, vou com o único destino que me resta…

Um dia, um certo dia, quando perceberes que não voltei, possivelmente vais caminhar sem direcção, vais visitar todos os jardins, para tentar encontrar a flor azul me guardou no seu seio para a eternidade… e nunca saberás que a flor tão procurada, estava na tua mão, no primeiro dia que te vi…

18.09.06

VAZIOS


Flutuam as palavras que não desejava ler. Penetram em todo o meu ser essas palavras que escreveste e que sei que são dedicadas a quem preenche teus momentos… momentos que vais chamando de vazios, espaços sem luz… onde me fui perdendo, por ter querido acreditar que seria luz; que seria a luz que precisavas para te deixar ver nas trevas em que te envolves…

Palavras que fui interpretando como poemas de amor e nunca foram mais do que palavras que ridicularizam o meu sentimento, que agora é ressentimento…

Os meus vazios são todos os teus momentos, que traduzes por palavras, que me deixam magoada, que me deixam num abismo, no vazio…

Mas vazios são também os meus momentos, que consumo, como os cigarros que fumo, para ver as espirais de um fumo esbranquiçado, num constante bailado, iguais ao meu pensamento que perdido, em espirais de ilusão se esfuma no meu deserto, vazio…

Vazios são todos os espaços que preencho com letras, muitas letras juntas, que traduzem o vazio das palavras que formo, sem que as leias, fazendo delas o vazio da desilusão…

E no jardim por onde vagueio, vazio de vida, vagueia o vazio que deixaste, quando passaste e nem me olhaste… sou o vazio dos vazios…


10.05.07

sábado, maio 05, 2007

QUINTAIS DE BELEZA



Gosto de passear pelos Blogues cujos nomes me convidam a dar uma voltinha, como quem dá um passeio no quintal da vizinha

Um dia passei no
Amante Profissional e li. Li páginas e páginas que me espantaram, quer pelo encanto na sequência das palavras, vindas do mais profundo do imaterial do ser humano, quer pelo tema que tratava, despido da mais íntima peça de tabu, quer ainda no ponto de vista estético; escrita realista, sem preconceito, digna de ser considerada uma aula enriquecedora no campo da sexologia.

Passei a frequentar este quintal e a ser leitora assídua porque é muito bom e um destes dias, dei com um desabafo da autora do referido Blog, após ter sofrido um assalto com agressão. Não resisti e enviei uma mensagem de solidariedade, porque não posso admitir que se trate, seja quem for, desta maneira, sobretudo se for considerado o aspecto de descriminação, que não concebo, em nenhuma vertente.

Deixei a tal mensagem e pensei que seria apenas mais uma, mas não, a referida senhora, no seu Blog, refere-se ao meu contacto, com palavras de agradecimento, que me enterneceram. Envaideceu-me ter merecido a sua atenção, quando não o fiz para tal. Bem-haja!

Voltei a falar-lhe. Desta vez a viva voz. Pessoa encantadora. Voltei a elogiar o seu trabalho e congratulei-me pelo livro que em breve publicará (lá para o fim do mês).

Contudo, não cansarei de deixar a esta senhora o meu voto de felicidades e que serei sem dúvida uma das primeiras pessoas a adquirir o seu livro e possivelmente a estar presente no lançamento.

(Paula, não resisto em copiar o post em que refere o meu contacto)

05.05.07

sexta-feira, maio 04, 2007

OLHA! FINGE QUE NÃO VÊS…


Subi o Chiado. Passadas lentas e cadenciadas, deixando o olhar percorrer todos os momentos do meu trajecto…

Hora de almoço. Muitas pessoas apressadas para granjear o seu espaço numa mesa de um qualquer restaurante das redondezas.

Gente a pedir uma moedinha, tocando flauta ou acordeão, fazendo malabarismos para atrair a atenção de quem passa e sobretudo, a dos turistas, que eram imensos, esta tarde…

Continuei a caminhada. Observei que muitas das pessoas com quem me ia cruzando tinham uma expressão triste, acabrunhada, preocupada… enquanto que muitos dos jovens que passavam em bandos, riam desordenadamente e espalhafatosamente, como que querendo, à sua maneira, chamar a atenção…

Quando passaste no outro passeio, muito atento a quem te acompanhava, nem te apercebeste que atrasei o passo para melhor ter a percepção de como ias tão atento… a conversa devia ser a mesma… sempre a mesma!

Deu para perceber que, o olhar lânguido, era mais uma das encenações que habitualmente usas para captar a atenção da companhia… Muito teatral! Exageradamente teatral!!!

Passei pela esplanada da Benard e sentei-me porque ainda era cedo para a aula que ia dar… tinha de escrever. Tinha de expulsar a raiva que atravessava todo o meu ser. “Um café curto”. Pedi ao empregado que se abeirou da minha mesa. Peguei no caderno de capa preta, sim, aquele mesmo. (Pareceu-me pegar em “veneno”). Abri-o e comecei a escrever, de uma forma desenfreada, até me sentir exausta e reparar que a minha bica estava fria… De um trago bebi-a e pedi outra…

Paguei os cafés e atravessei o Largo do Camões. Lentamente, com passadas mesmo muito lentas, aproximei-me da escola. Estava quase na hora, mas não resisti e telefonei… “ainda estou a descansar… “ Mentira! São só ciúmes…! Mentira! Cruzaste-te comigo há menos de uma hora… passa bem, mais quem te acompanhava…! Desliguei e fui cumprir a minha tarefa…

Que prazer mórbido tens em “arranhar-me” quando já estou destroçada…

Quando saí, depois de dar as minhas aulas e depois de cumprir as usuais tarefas pós aulas, voltei a descer a rua do Carmo. Entrei numa loja de roupa elegante e depois de procurar uma túnica a meu gosto (preta como usualmente), experimente-a. Olhei-me ao espelho. É isso! Não pude deixar de exclamar. A razão é exactamente esta: ultrapassada!
Ainda caminhei por mais umas horas para clarificar as ideias e decidi: Olha! Mas finge que não vês…

03.05.07

sexta-feira, abril 27, 2007

IDEIAS, IDEAIS E CONTROVÉRSIA


Ideias é tudo o que tenho com fartura. Nem sempre são muito boas, pelo menos para quem toma conhecimento, mas nem por isso deixo de desistir das minhas ideias…

Hoje, caminhei perto de cinco quilómetros, porque precisava de andar, e só… e assim o fiz.

Tinha uma consulta perto das onze da manhã e decidi refazer os pensamentos antes de me abrir com a minha médica de família. Estou cansada!

Ouvi para caramba! Tensão alta, à beira de um esgotamento… enfim… mandou-me distrair e passear… além de recomendar que não posso parar de tomar o medicamento para o colesterol…

Claro está, que não devia ter aberto a boca!

Regressei pelo caminho que fazíamos às vezes, quando caminhávamos e tirávamos várias fotos com os nossos telemóveis topo de gama… e vim pensando nos meus ideais, sonhos que se parecem com as nuvem, numa correria, encontrando-se e desencontrando-se… Porque será que um ideal é algo tão inacessível?

Claro que tanto as minhas ideias de fim e os meus ideais inatingíveis, são uma real controvérsia, eis que concluo que jamais os posso expor, porque são uma polémica pegada…

Mas muito embora deixasse de pensar nestas ideias quase que fixas não as ponho totalmente de parte.

Gostei de ler uns certos comentários feitos a uns escritos meus. Sempre há alguém que lê o que escrevo e se atreve a dizer qualquer coisa… pelo menos mostra que leu… e segundo o que entendi, até perceberam. Contudo, e isso adoro, há quem me leia por aqui e por além e nem uma palavra… entretanto, ficam a conjecturar sobre o que escrevi…

27.04.07

segunda-feira, abril 23, 2007

COM OU SEM TEMPO


Pois é, com tanto tempo livre, podemos escrever textos que, para além de juntar muitas letras e formar muitas palavras, podemos usar vocábulos para agredir, para ofender e para esconder a nossa incapacidade.

Os blogues permitem, realmente, que nos expressemos com uma certa liberdade, mas utilizemos a tal ética que é tão apregoada, e sejamos democráticos, para que ao sermos atacados, nos possamos defender.

Ora bem, dou o meu pobre contributo num blog, que por acaso encontrei, e que se chama Clube dos Pensadores, e por assim se chamar, me chamou a atenção, pois que via tantos blogues e tão pouco originais, que me atrevi a opinar, a comentar e a escrever alguns textos, pois que acima de tudo, gosto de ser polémica, não propriamente por ser polémica, mas para abanar o “pensamento” de quem lê, para que se preste mais atenção a alguns assuntos que deveriam merecer mais meditação… sobretudo, no âmbito social.

As portas abriram-se e os textos que escrevi saíram e foram comentados, depreendo assim que foram lidos… mas não é este o caso. O cerne da questão é o ser posto em causa, não só o que se escreve, mas as pessoas que lá deixam os seus trabalhos, muitos que são críticas construtivas, mas até há quem tenha tempo para ser ofensivo…

Mentecapto é o autor do texto em que utiliza uma palavra que está quase que abolida e se o desconhece, devo elucidar que actualmente é empregue a palavra demente, e referente a quem sofra de demência… esclarecido (caso saiba o que significa)? Quem o não é certamente, é o contribuidor número um do Clube dos Pensadores, por quem nutro muita consideração e respeito.

O texto que li num blog (sem comentários) – A Causa foi Modificada – seria muito interessante, se apenas fosse irónico e não demonstrativo de falta de educação e ofensivo.

Como realmente não tenho muito tempo livre e o que tenho dedico-o a causas nobres, como é por exemplo o voluntariado, não vou “perder” mais tempo com o que não merece tempo nenhum.

22.04.07

sexta-feira, abril 20, 2007

FOI ASSIM…


A alvorada despontou como o brilho de um diamante ao sol. Abri os olhos e desejei que o teu dia fosse venturoso e te deixasse feliz. Esperei que abrisses os teus olhos e me desses um sorriso com os bons dias…

Nada! Absorvido que estiveste ao acordar, organizando mentalmente o teu dia, nem te veio à ideia que te estava a presentear com um sol radioso e com o meu mais terno sorriso, cheio de doçura…

Estás desculpado! Apenas a tua noção de responsabilidade te absorve e te leva a que esqueças os gestos mais simples.

Vou velando, com toda a força que dentro de mim guardo, para que o teu dia seja um sucesso e ao final te sintas realizado.

Brilhante, quente, acolhedor, o sol foi deixando o seu contributo, para que te sentisses confortável durante o dia… e vou esperando que no canto de alguma sombra te lembres de mim…

Com o declinar do sol, a tarde foi esmorecendo e o crepúsculo, airoso período do entardecer, enalteceu a beleza da Natureza… e a tua, minha estrela da tarde…

Desviei o luar para te dar luz no regresso, após um trabalhoso dia, numa luta constante, para que o teu sucesso não passe despercebido pelos que te rodeiam…

E esperei! Esperei em vão, porque quando me apercebi, já dormias na volúpia dos teus sonhos, entre os garridos ideais que abraças…

Não disseste nada! Nada! Nem Bom Dia, nem Boa Tarde… nem Boa Noite… nem te apercebeste como acompanhei o teu dia… nem te apercebeste que foi espalhado Amor durante todo o dia, para que te sentisses bem…


19.04.07

terça-feira, abril 17, 2007

PENSAMENTOS QUE DESABROCHAM


Nascemos. O primeiro berço onde nos deitam, um ninho de ternuras com cobertas de valores. Crescemos. Passamos a ter cama e esta com cobertores de valores. Mas nem os berços nem as camas são iguais, muito embora, como seres humanos, sejamos semelhantes – não iguais!

Eis que eu vivo com os meus valores e tu com os teus. Com os meus valores cultivo os meus preconceitos. Tu os teus!

Aceito-me. Sou como sou: assim mesmo. Gostaria de ser diferente, mas não sou. Não me podes confundir, sobretudo, com quem não sou.

Aceito-te. És como és. Não te confundo com outrem, porque és único.

Nascemos. Os valores que nos deram os primeiros aconchegos, jamais se perdem, muito embora, nem todos nos sirvam de alento para a nossa sobrevivência.

Virtuosidade! A palavra existe. O conceito que ela engloba, não. Possivelmente, será esta minha forma de ver o que enfrento, que me leva a ironizar e enfatizar a sátira em que se vive, num eleito faz de conta.

O mundo real; o mundo aparente. São duas facetas que temos como consequência dos ditos valores onde dormimos o primeiro sono pós nascimento. Ambos pertencem a um único mundo, o do “faz de conta” e ambos não são mais do que duas formas de nos movermos por onde andamos.

Crê que ao expor o meu pensamento, não tenho qualquer intenção, a não ser a de expressar o que me vai na parte imaterial do meu ser. Jamais pretenderia ser veículo para “melhorar” o mundo e muito menos o “teu”.

O teu mundo é tão mentira quanto o meu. Mentir é a verdade que nos deixa interagir no mundo do “faz de conta”, onde nos inserimos.

Amai-vos! Mentira! Quem ama quem? Quem ama o quê? Faz de conta! Porque ao primeiro revés és banido desse amor, és excomungado, ridicularizado, preterido! Usam-se as mais sofisticadas cosméticas para justificar o desamor, a intriga, a dúvida, a inveja; o ódio! Isto é moralidade! – um dos valores com que nos cobriram à nascença.
Não devias ser assim. não devias isto, não devias aquilo… formas de se comunicar com outrem (o que lhe impomos) – Moralização e Idealização do que nem muitos enxergam, no papel de aconselhar (de delimitar)…

E será suportável aceitar e compreender a verdade? (mas qual verdade? – a tua ou a minha?) Ou será que uma cegueira imposta, só nos força a ver o que primeiro nos mostram?

A que ponto nos preparámos para aceitar uma verdade? … e se essa verdade não está inserida no grupo das verdades que recebemos, como a tomaremos? Entendes-me?! Por estes pontos de interrogação atrevo-me a aceitar que se aceitam, muitas vezes, mentiras, mitos, crenças, que se tomam como verdade, para se viver sem questionar…
Viver sem questionar é fazer de conta que tudo está bem e em conformidade com os valores com que nos cumularam…


16.04.07
isabel

sexta-feira, abril 13, 2007

MOMENTOS - SEXTA-FEIRA 13!!!


Cada fragmento da nossa vida é composto de momentos. Uns são inesquecíveis, outros nem tanto e outros há, que seria preferível que nunca tivessem existido… e neste momento sabes a que me refiro.

Num momento, todos os pequenos momentos que o compõem, são uma sinfonia de esperança, em outros, o ritmo muda e mais parece ouvirmos um surdo “deixa-me em paz”… o rufar de tambores à frente de um cortejo fúnebre; mais parecem querer dizer que somos indesejáveis… sorte dos sonsos! … Esses, são sempre apoteoticamente aplaudidos, considerados, numa perfeita cultura do faz de conta, até que nem sentem que poderão estar a ser rejeitados com um feedback de “faz de conta”…

Momentos de palavras para quê? Momentos que o tempo absorve e desvanece, como o nevoeiro a dissipar-se, quando o sol começa a surgir no horizonte. Momentos! É verdade! Há momentos irrepetíveis porque não os sabemos repetir, porque não os respeitámos suficientemente no momento exacto… como poderíamos considerar a sua repetição?

Houve muitos momentos. Houve muitos que serão inesquecíveis (para mim), porque foram únicos, inigualáveis e dignos de todo o respeito, por terem sido únicos e inigualáveis. Ficaram como uma recordação, como quem viaja a um Santuário e traz um santinho… é uma bênção que nos acompanhará até ao dia último…

Num destes momentos de reflexão, em que preenches a maior tranche do meu pensamento e fazendo uma retrospectiva de ontem, deixo que a minha atenção se concentre momentaneamente nas palavras insultuosas que me eram oferecidas. Como é tão fácil rejeitar e não admitir que se é rejeitado… Porventura pensaste que é um exagero fazer crer que o que pensas é que está certo? Pelo menos o benefício da dúvida! Quando digo que não pensei ou não disse com intenção, é mesmo verdade. Não omito, não minto e não ouso usar de estratagemas para rejeitar seja quem for. Ou aceito ou não aceito. Jamais desfiz num amigo, para pôr em relevo quem passou a estar mais ao meu agrado… Cada pessoa tem o seu lugar e há algumas que ocupam muito da minha estima. A Amizade não se compra, não se vende nem se troca. O Amor é a terna doçura com que olhamos o nosso próximo, tentando dar-lhe toda a felicidade que porventura ainda não tenha alcançado.
Momentos também são os que a ironia que nos caracteriza, ou que fomos obrigados a criar, nos faz dizer o que os outros não entendem… e feridos que já andam por outros factores determinantes das suas vidas, os leva a que rejeitam as nossas características… mas aceite-se que ser irónico não é magoar e muito menos preterir ou rejeitar… quanto amor há, por vezes em certos ditos cheios de ironia…

13.04.07

segunda-feira, abril 09, 2007

PELA RUA


Vamos lentamente, a passo curto, de olhos nos olhos de quando em vez, numa completa cumplicidade. Não te toco. Não me tocas. Apenas caminhamos pela rua fora, em passadas curtas e ritmadas. Sabes o que penso, sei o que pensas. Partilhamos ideias, sorrisos, sem tabus, sem dogmas, sem o que quer que seja, que prejudique o relacionamento com bom entendimento, que me parece estar existindo, entre nós.

O que não dizes parece-me ouvir à distância e o que segredas, faz eco no coração. Comungamos de uma amizade, que poderíamos dizer, quase perfeita.

Quase perfeita? Nada é perfeito! Quando admitimos que estamos a chegar a um ponto que consideramos o ideal, viram-se os ventos, trocas tudo e volta-se à estaca zero…

Acertamos a passada pela vereda acima. Sorrimos e brincamos. Colhem-se flores silvestres e fotografam-se pedras, carreiros de formigas e uma ou outra borboleta que esteja distraída, de asas em repouso, poisada num tronco seco de algum cacto… assim, são momentos de felicidade!

No outro lado do monte espreitam rolos de nuvens; segredam-nos que ainda vai chover… e sopra um ventinho fraco, que iniciara brisa,,, os olhos riem, os lábios riem as faces irradiam alegria: fazemos parte integrante da paisagem…somos a conjugação de um verbo em diferentes tempos…

Uma pedra enorme. Tufos de “azedas” (florzinhas amarelas), a gritar que estamos na Primavera. Algumas abelhas numa dança frenética de flor em flor.

Interessante sentir estes momentos de liberdade, numa perfeita partilha de sentimentos e emoções, que são uma verdadeira novidade… Como é belo nos misturarmos na Natureza e sentirmos que somos parte integrante dela…

09.04.07