terça-feira, julho 31, 2007

SEGREDOS


Naquele ninho, mesmo no meio do eucalipto em frente à minha janela, há um segredo. Um segredo de amor.

São tão belos os segredos de amor! São secretos e deixam no ar poesia. Como canta aquele par de passaritos! Chego a pensar como aprenderam eles a ser assim tão amorosos… Coisas da Natureza!

Mas há seres que também têm segredos. E segredos de amor. Como farão? Deve ser maravilhoso ter um segredo assim…

Mas no nosso quotidiano, nem sempre os segredos de amor dão uma felicidade plena…

Ontem voltei a estar com o Carlos e a Maria. Como pode a doença abalar a felicidade destes seres, que tanto idealizaram nada os perturbar…

Pois é, o Carlos é um homem de cinquenta anos, franzino, moreno e com um bigode farfalhudo e uma voz um tanto enrouquecida, como a de um fadista, fumador e com alguns copitos… mas é um homem com encantos e sofrimentos também… Sofrimentos, porque vive a ansiedade própria de quem receia perder o seu amor.

A Maria, de estatura abaixo do comum, deverá ter de altura um metro e meio, mas com um ar delicado e, sobretudo, sem aparentar os seus setenta e sete anos…

O Carlos esperou vários anos pela Maria. Quando ela ficou viúva, pode por às claras o seu amor, conforme me contou… “nem queira saber quanto sofria de medo… se descobrissem… era o nosso fim”. Mas há doze anos casaram. Não havia mais necessidade de se esconderem, nem de fugas cheias de segredo…

Mas mais valia que assim tivesse continuado, dizia o Carlos com os olhos marejados de lágrimas… é que apenas estivemos dois anos sem este fantasma da doença… Há dez anos , depois de uma intervenção cirúrgica, que parecia ser de pouca importância, a Maria teve de começar a fazer quimioterapia… depois já fez mais duas operações… e agora os tratamentos não conseguem ser de seguida, por causa das plaquetas…

“A senhora sabe o que é estar sempre a sofrer pela pessoa que tanto amamos? Eu era menino quando conheci a Maria… foi uma loucura!”

Há momentos na vida que as palavras não saem e ontem estive nessa situação. Quando há uma semana o Carlos me fez as primeiras revelações, fiquei com uma ansiedade imensa. Chorei. Chorei só porque não tive com quem desabafar sobre o assunto… depois, há a ética profissional. Não faria conversa deste assunto a qualquer pessoa… nem tão pouco iria revelar as reais identidades dos intérpretes desta tão triste história…

Ontem o Carlos pediu-me para falar com ele, enquanto esperava que a Maria fosse consultada… eu estava com o Paulo Alexandre, mas ele entendeu. Já passou pelo mesmo…. E só tem quarenta e três anos…

Enquanto estes pensamentos vão escorrendo, o par de passaritos continua no seu melhor diálogo cantante… até eu sinto o amor no ar… por mim própria (não há ninguém que seja merecedor da beleza de um amor que jamais dei fosse a quem fosse – sou mesmo narcísica!!! – este é o meu segredo!)

31.07.07

domingo, julho 29, 2007

ANDANÇAS DA VIDA


Nesta vida que dança,
Vêm alguns com ingenuidade
Falar de tudo, como se soubessem,
Muito monocórdicos…
Parecendo conhecedores,
Mas apenas estão para encher a pança
Porque o que querem é superioridade
Cadeira como se a merecessem…
Fazem-se de metódicos,
De merecedores,,,
No tacho põe-se a salsa…
Outros temperos à maneira:
Vêm lá os comedores…
E nos salões dança-se a valsa…
Cá fora, ficam os outros, no vazio,
Não entram na contradança
Com as mãos nos bolsos da calça,
Nem podem dizer um pio,
Para não magoar os da cheia pança…


29.07.07

quarta-feira, julho 25, 2007

"SOZINHA EM CASA"



Foi mesmo como podeis imaginar. Passeei as mãos com carinho por todo ele. Massajei aqui e ali, apertei mais além e não resisti a dar-lhe um valente murro mais abaixo… tinha de “as pagar” todas! Então tem-me feito desesperar todos estes dias e hoje, só para experimentar, cedeu?!!!

Primeiro estava receosa, mas conforme ia subindo o meu entusiasmo, ia aumentando o ímpeto das carícias… e resultou! (só gostava de saber se foi o que também fizeste…)

Pois é! Onde já vão esses pensamentos maliciosos… não era Ele! Não!!! Pena minha!
Tudo isto foi com o meu computador…


25.07.07 (17H51)

domingo, julho 15, 2007

“COMO OS ANOS NOS FAZEM PENSAR”


Não te envaideças pelo facto de seres a razão de todos os meus pensares. Não interiorizes que isso continua a dar-te o direito de me fazeres acreditar em tudo o que desejas que eu acredite. Nem tão pouco em continuar a aceitar que me consideres a “coisa velha” a quem se pode desfeitear, porque algo mais novo e viçoso te preenche em todas as tuas vertentes e te faz activar todas as tuas pulsões.

Nunca queiras chegar a velho, porque os mais novos, hão-de fazer chalaça de ti, vão dizer que estás fora de prazo, vão espoliar-te tudo o que de bom lhes sirva e depois riem e vão-se… os mais velhos que tu, esses, eternos insatisfeitos, vão achar que toda a atenção que lhes deres é insuficiente e vão fazer-te sentir sempre em dívida para com eles… de geração em geração tem sido sempre assim…

Mas não é tudo. Com a idade, vão chegando novas formas de se apreciar o mundo que nos rodeia. Vamos amando de uma forma intensa e acalorada, em que nem sempre o físico está presente… e quando está, um toque, uma festa, um beijo, são impulsionadores de fortes orgasmos, como os de enérgicos momentos de sexo… É mais belo. Uns anos mais tarde, recordá-lo-ás e, até possivelmente, me darás razão… por isso deixei de pensar que há um “timing” próprio…

Há contudo factores que podem ser inibidores. As tais éticas que se constroem para se controlarem uns aos outros… e para se chegar a um grande amor, é preciso haver partilha e cumplicidade, sem compromissos… Muitas vezes, são os compromissos (da mais diversa índole), os agentes castradores da evolução de um grande amor…

Estou a ser desgastante, não é verdade? Estás a pensar que todas estas reflexões apenas são justificação para “isto” ou “aquilo”, mas não. Com estes fragmentos de pensares, apenas quero alertar que a forma mesquinha com que se analisa este ou aquele acontecimento, mesmo os de vida amorosa, são manipulados pelas opiniões das várias correntes da filosofia bem como das várias correntes religiosas. Não estou a dizer que as condeno. Não as absorvo na totalidade. Aceito-as porque foram formas encontradas para refrear os impulsos menos comedidos, ao longo da longa história da humanidade…


15.07.07

sábado, julho 14, 2007

“PERDIDA NA PAISAGEM”


Quando leio o que escreves, entro naquele quadro que pintei e deixo-me ficar sentada, pegada àquela árvore já morta, na serra outrora verdejante e cheia de frutos silvestres…

Antes dos fogos, (que transformaram aqueles montes em espaços vazios, despidos…) e naquele dia, o monte estava pleno de erva rastejante e apenas a árvore seca, pelos anos e pelo calor das labaredas que a lamberam no incêndio ao qual não assisti, esperei em vão pela tua silhueta, caminhando monte acima, como sempre fazias, para nas silvas colhermos amoras… recorda como eram belos os tempos em que as borboletas esvoaçavam entre as plantas que vaidosamente faziam erguer as suas florzinhas roxas e amarelas…

Fiquei como fungo, colada à árvore, morta pelo desespero da inútil espera… embora a árvore seja o símbolo da vida, eu nela e ela morta, éramos mais um símbolo de morte do que de vida… e não apareceste, nem nunca apareceste… porque a serra para onde ias, era distante da minha. A tua serra tinha flores viçosas e árvores novas, carregadas de frutos. Frutos silvestres…desfrutavas do seu sabor e e partilhavas o teu amor… vivias ao som do hino da natureza… como poderias voltar ao monte de terra ardida?...


13.07.07

terça-feira, julho 03, 2007

PORMENORES DE REFLEXÃO

As tuas ideias cheiram a mofo. Quer queiras, quer não, tens um cheiro pestilento a bafio, a antigo, a desactualizado. É tempo de te enfiares numa banheira, bem cheia de água quentinha e num valente banho de imersão, limpares esses bolores, entranhados em todas as ranhuras e interstícios… é tempo de não voltares para o pé de mim, com esse cheiro exterior de algo antigo e o hálito a exalar um tépido odor a esperma… Vem com o teu todo, com cheiro a jasmim, cheiro a alfazema ou rosas, cheiros de jardim! Traz o corpo e as ideias lavadas; já percebeste que não me incluo no grupo dos alcoólatras plagiários, nem tão pouco dos inúteis que só têm como matéria de interesse a “filosofia da má língua”… tão fácil dizer mal, tão fácil fazer de sonsinho… tão fácil dividir para reinar…

Sim! É tempo de me olhares e constatares que na realidade há uma diferença abissal entre nós.

E nós?! Sim, tu tens força; eu tenho Amor… Todas as outras diferenças inventa-las tu e todos os teus ancestrais do sexo masculino… Fixa. Fixa de uma vez por todas que, uma das diferenças que faz da mulher um ser diferente, é que ela é capaz de amar (mesmo as que estão a tentar insinuar-se ante outros). Só ela é capaz de amar sem que isso seja uma necessidade física. O Amor da mulher é algo mais profundo, é algo espiritual. É algo que a parte física vem por consequência e não por imposição primeira… A tua vulnerabilidade está na tua volubilidade e daí o infinito descontentamento que te caracteriza… e a mais “n” milhões de “tus”…

Nós mulheres, quando olhamos um corpo de homem, olhamos a beleza da forma, mas apenas vemos as suas qualidades interiores. Quantas delicadezas, às vezes, sem destino, vão em sentido contrário…

Falo contigo! Achas que me apaixonaria por um corpo esbelto, por umas sobrancelhas bem desenhadas? Não! A harmonia das formas do corpo, apenas me mostra o que não encerra no seu interior: carisma – algo indecifrável, indefinível, mas atraente…um infinito onde o carinho está inexplorado… Jamais me apaixonaria por um homem, apenas por ser homem. Procuro mais, muito mais… um olhar profundo que enterneça todo o interior e o não palpável…

Jamais aceitaria ter como homem, um fraco, um escravo dos seus orgasmos, sem pensar em quem emparelhava com ele… não te esqueças que o orgasmo no feminino, não está confinado aos órgãos genitais. Na mulher, o orgasmo é total e daí haver tantas mulheres insatisfeitas…

Sabes, um dia, há muito tempo, referiste que, ser uma coisa, é o mais horrível na forma de se mostrar que se gosta de alguém… “ser alguém de alguém”. Concordo, mas não apenas por palavras. Há que o mostrar em actos. Nunca esquecerei que paguei caro por ter um dia amado alguém que comercializava o amor… um beijo custava tanto… um carinho, tanto… não fui mais longe… pura e simplesmente morreu em meu peito… o amor que tenho para dar não se avalia em moedas, ou outros itens…

O Homem tem medo! O Homem é egoísta! O Homem não acredita em si próprio, é inseguro e a mulher que o acompanha tem-no sempre como mais um dos seus filhos… dá-lhe o ombro, a força, a coragem e o carinho de um ninho… mas isto não são condições para haver antagonismos, mas complementaridade… Jamais as diferenças são contradições…. O que é importante é que se engrandeçam mutuamente.

Sabes, ainda? Não queria falar-te de dor. Mas é verdade que tudo o que sinto é uma dor sem dimensão… A incerteza é uma dor tão nefasta como o mais mortífero dos cancros. O ser-se preterido é o mais doloroso dos reumáticos… mata lentamente… O ser-se injustiçado, é como o veneno da mamba verde… o ser-se insultado, para que fujamos e deixemos a vereda limpa, é como o fogo, que sem direcção, vai lambendo tudo o que encontra… há pessoas assim….

Mas a Mulher está sempre pronta para suportar mais dores, mais sofrimentos, mais abandonos… a Mulher é sempre compreensiva… mas por vezes fica cansada… e deixa que o seu amor baixe à terra, e, sem uma prece de despedida…


02.07.07

terça-feira, junho 19, 2007

ÀS VEZES…


Pois! Assim é. Quando se pretende afastar alguém que nos perturba, começamos por criar obstáculos que mostrem que a outra parte está errada, que tem defeitos que justifiquem que nos afastemos. Que são uma barreira à nossa calma, que são uma fonte de stress da qual nos devemos manter afastados. Contudo, o afastarmo-nos desse ou desses elementos, que tanta perturbação pode causar, outro tipo de problema pode advir, o da nossa consciência que nos pode segredar, que estamos a ser injustos. Será que vamos a tempo de perder uma amizade, por não a sabermos compreender e respeitar, nas suas características próprias? Deveremos despersonalizar quem consideramos de amigo? Será que nos devemos afastar de quem nos quer bem, só pelo facto de recearmos não poder ser o que já havíamos sido ou poderíamos ter sido? Ou que a outra parte julga que possamos ser? Será que apenas usamos os outros, enquanto não houver um outro alguém que consideremos melhor? Talvez até procuremos outros que, em consciência, sabemos que não nos querem bem, mas para nos libertarmos, tomamos a atitude de fuga…

Difícil interpretar quem joga nas múltiplas formas de subverter a amizade em benefício do lascivo, do incoerente, do flutuante. Daquele que passa “amor”, conforme as conveniências…

12.04.07

domingo, junho 17, 2007

BRAÇOS ERGUIDOS


Dei uma volta pelo monte, antes que esse também fique descarnado, para que lhe metam alicerces, para mais umas quantas construções. Malefícios da evolução. Cortam-se árvores para plantarem casas e mais casas… os espaços verdes vão ficando perdidos, como oásis no deserto…

Mas como dizia, dei uma volta pelo monte. Estacionei o carro no fim do asfalto e caminhei a pé. Não tirei fotos, até que só, nem me apeteceu pegar no N 73 e carregá-lo de imagens. Olhei para as árvores e até me apeteceu trocar umas palavras com elas…

Entre o arvoredo, senti-me quase que liberta do burburinho da cidade. Aquela então, sem quaisquer folhagens, atraiu-me. Parecia alguém de braços erguidos, sem cabeça… Pareceu-me alguém. É verdade. Muitos dos seres que por aí vagueiam parecem-se com aquela árvore. A cabeça, o instrumento pensante do corpo, é anulado, para que não pense e siga, cegamente, o que querem que se siga… ou por comodidade, anula-se porque pensar é um acto demasiado esforçado e repugnante…

Que horror! Então pensar é assim uma coisa tão desastrosa?!!! Mas é verdade! Às vezes encontram-se por aí certos humanos que, por força de não evoluírem, continuam a viver numa ancestralidade tão longínqua, que até parece quase impossível… mas primam por coscuvilhar… primam por reprovar os que evoluem e de mexerico em mexerico, conseguem deturpar as mais reais criações da Natureza…

Quando deparei com aquela árvore, pensei em algumas pessoas. Lembrei-me inclusivamente de uma pessoa minha amiga, que por ser genial na escrita e com uma imaginação fertilíssima, passou a ser olhada “por debaixo da burra”, porque pensar e compreender essa tal pessoa dava muito trabalho, para além de que se desenquadrava do que é o vulgar de Lineu…

Pois é árvore amiga, estende os ramos, bem erguidos e clama para os humanos sejam mais coerentes e comecem a pensar…


15.06.07

sábado, junho 16, 2007

PALAVRAS PARA A ETERNIDADE


Com palavras e muitas palavras, fiz mais.
Com todas elas construí um castelo. Entraste!
Passaste a viver nesse castelo, construindo ideais
Das ameias vês-me, sempre, desde que chegaste…

Com palavras construí o amor que te dei
Ouviste os meus suspiros e as palavras faladas
Mas não só, escrevi muito sobre o quanto te amei….
Minhas palavras escritas, jamais serão abandonadas…

E esperei até um dia ouvir-te, para acreditar,
Mais, esperei que escrevesses que era o teu amor
Porque pela escrita jamais se pode olvidar
Que o amor é verdadeiro, cheio de esplendor…

Nas minhas palavras falei-te de saudade
Falaste-me da tua saudade e eu acreditei…
A nossa saudade é uma parcela da nossa verdade.
Foi com essas palavras juntas, que sempre te amei…

14.06.07

quarta-feira, junho 13, 2007

COMEMORAÇÃO
















(fig.1 Fonte em frente à Igreja de Valverde - Evora)
(Fig.2 - Três dos primeiros Regentes Agrícola a chegar ao encontro)
Sábado. Dia 09 de Junho de 2007

Tudo combinado. Telefonemas daqui, confirmações de acolá, para que corresse sem quaisquer anomalias a comemoração do 50º aniversário do fim de curso dos Regentes Agrícola de Évora, da Herdade da Mitra, Valverde.

Às dez e trinta da manhã começaram a juntar-se no pátio da Igreja de Valverde, para que, com uma Missa, se recordasse os que do grupo já haviam partido.

Onze da manhã. Mais uns que chegam, mais abraços e euforicamente, entre risos e abraços, os “nick names” (diminutivos), que mesmo ao fim de cinquenta anos, não estavam esquecidos.

Meio-dia menos um quarto. Várias tentativas para se saber se o padre demorava, mas em vão… O padre nem respondia, nem aparecia…








(fig.3- Mais elementos do grupo)
















Pediu-se à senhora que guarda a Igreja para a visitarmos. E mesmo sendo muito moderna, é bonita e simples.





















E fomos para o almoço, mas demos uma volta antes, pela Universidade de Évora…





















Finalmente reunidos à mesa, e antes de ser servido o repasto, fez-se um minuto de silêncio, homenageando quem já não estava entre nós e recordando os que não puderam estar presentes.
















E seguiram os discursos…

Alguns fizeram-se acompanhar pelas respectivas esposas. Também deixaram a palavra de agradecimento e felicitação pela data, formulando votos de que para futuro se encontrem mais amiúde.
Pelas quatro e tal da tarde vieram as despedidas e muitas promessas de reencontro, e a partida, porque todos vinham de longe…
09.06.07
ÉVORA

domingo, junho 10, 2007

DEBATE!



Uma experiência única. Como primeira vez para mim (muito embora pelas muitas descrições e leituras sobre debates anteriores, imaginasse como se desenrolava todo o processo), fiquei encantada.

Sem dúvida que se abordam os temas com uma seriedade indiscutível. Não vou referenciar todo o conteúdo, pois seria inoportuno, visto terem passado quatro dias após o debate, mas não posso deixar de erguer as mãos e dar um aplauso, em primeiro lugar, a Joaquim Jorge, como fundador deste Clube dos Pensadores, realmente inédito e que moderou com sabedoria o debate, cujo tema, de interesse para todos, se focalizou em Gestão Autárquica. Depois e porque considero uma pessoa de características muito especiais, o Presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, Luís Filipe Menezes, que explanou muito habilmente através de uma apresentação em “power point”, três importantes e fundamentais itens para uma boa gestão autárquica; um diagnóstico muito profundo. Gostei!

Não deixarei de dar também o meu aplauso a Rui Gomes da Silva (deputado e ex-ministro), a Paulo Magalhães (jornalista parlamentar) e a Luís Silva que representou a plateia e muito bem.

Mas não seria justa se esquecesse todo o público presente e todos os intervenientes, com suas perguntas. Foi na realidade uma experiência magnífica.

09.07.06

VILA NOVA DE GAIA

quarta-feira, maio 30, 2007

FOI HOJE!


Deu-me um ataque de nostalgia. Peguei no carro e em marcha moderada fui. Passei na florista e comprei três rosas, vermelho escuro, chamadas de “príncipe negro”, como sempre disseste ser do teu gosto e escrevi uma vez mais “amo-te” no cartão que puseram junto do laço. Deixei no banco traseiro, para não se molestarem com a viagem. Segui. Um dia acinzentado, nem quente nem frio, com quem me sinto parecida… nostalgia, uma mistura de saudade com tristeza, imparáveis no meu pensamento…

Passei o portão de ferro forjado em arabescos e caminhei por entre verdadeiros canteiros floridos… muitos cheios de flores de plástico… os nossos dias!

Estranho. Três rosas brancas estavam sobre a lápide escorregadia pelo desgaste do tempo. Quem? Estranho é terem uma dedicatória protestando pelo teu silêncio…

Todas as missivas têm resposta… e aí não faltava a explicação também. Não passavas do anonimato, por algo que transcendia as tuas capacidades… Estranho!!! Então sempre dizias algo a quem querias… a quem te dizia mais do que eu sempre disse. Ingratidão! Foi a única palavra que me aflorou aos lábios… e se vinha triste e saudosa, fiquei morta de tédio e desilusão…

Estive vai-não-vai para não deixar as minhas rosas, mas como as tinha adquirido com essa finalidade, resolvi que ficariam… mas acrescentei no tal cartãozito, que fora lapso o que escrevera, entre parêntesis, escrevi “amei-te”…

Voltei. Voltei a uma velocidade não moderada. Apetecia-me carregar no acelerador e tentar a velocidade máxima, mas porque sou cobarde, tive medo de me cruzar com a polícia e era muito “chato”.

Também mal via a estrada. As lágrimas pareciam torrentes de água de uma fonte virgem e a atmosfera escurecera tanto, que parecia hora de anoitecer… e finalmente cheguei e finalmente corri para a minha almofada, para desabar num pranto incontido que durou horas e que deixou os olhos com estão agora.

Fui só. Só regressei. Mais triste e desiludida. Mais desistente…


30.05.07

sexta-feira, maio 25, 2007

ARTIGO DE OPINIÃO

No Clube dos Pensadores, foi postado o texto que publico aqui, com a devida vénia, por considerar que é digno de ser lido, para que se possam tirar as conclusões que melhor se adequarem. Eu tentei cruzar ideias e fiquei com a minha própria conclusão, que por razões óbvias, não vou deixar aqui. Comentei, como todos devem calcular.

“JOAQUIM JORGE

A ideia com que fico é que, parece uma corrida em que ninguém quer perder e todos querem participar (aparecer). Para se tornar mediático não há nada ,como concorrer a umas eleições intercalares , em que não há mais nenhumas, isto é, os holofotes estão todos virados para os alfacinhas. Tendo em conta a forma paupérrima, em que vivem a maioria dos portugueses, não deveria ser permitido gastos supérfluos e os impostos dos contribuintes não deveriam ser utilizados para umas eleições provocadas a destempo. Quem deveria pagar esses gastos, seria quem provocou esta bagunça. Esta eleição está viciada, o PSD antes do jogo, já está a ganhar 1-o, pois tem a maioria na Assembleia Municipal e assim vai continuar. Faz-me lembrar passe a analogia, recuperar e remodelar uma casa por dentro e por fora, sendo obrigado a ficar com a mobília.
Carmona Rodrigues, António Costa, Sá Fernandes, Helena Roseta, Fernando Negrão, Manuel Monteiro, Garcia Pereira, Ruben de Carvalho, Sá Fernandes e Telmo Correia. Não há mais ninguém? Uma coisa é certa esta eleição vai ser fulinizada e não partidarizada. Existem duas candidaturas independentes de movimentos de cidadãos. Gostava de ver uma candidatura de movimentos de cidadãos contra o funcionamento dos partidos e o seu esclerosamento. As coisas estão a mudar e estão a fazer-se de outra maneira. Manuel Alegre não ganhou a eleição em que participou, mas teve o condão de fazer ver que é possível e lançou as sementes para muitas independências.”.

quarta-feira, maio 23, 2007

CRÓNICAS DE MALDIZER



Eu sou honesto!
Omito, minto,
Não presto…
Invento cores,
Com que tudo pinto
E gozo dos amores
De quem me rodeia;
Só lhes dou dores
Ao usar a minha verborreia….

Eu “uso” quem quer que seja,
Fazendo-me de santinho
E quanto mais alguém me deseja
Finjo e dou-lhe um “beijinho”…

Não quero qualquer prisão
Não quero que sintam ciúmes
Quero livre meu coração
Para explorar os teus queixumes…
Quero toda a liberdade,
Viver do que me rodeia.
Ser belo e ter vaidade
E fazer tudo o que te “chateia”,
Para medir tua bondade…

Estudo e nisso sou “bom”
E se falas e falas, não ligo,
Porque a discursar tenho o dom
De te pôr a bem comigo…

Vai que não vai, um lamento
E cais que nem um patinho
São coisas de um momento
E volto a ser teu queridinho…
Teu “doutor”. Teu apaixonado!
Mas vou fazendo das minhas,
Porque nem sou teu namorado.
Vou-te dando o que não tinhas…
E mantenho o meu lugar reservado…

Não quero nada de ti, não,
Que nada tenho para te dar
Nem mesmo o meu coração,
Porque esse é só para “navegar”…

Gosto do teu sorriso aberto
E abomino o teu “chorar”;
Armo-me às vezes em esperto
Só para te ouvir falar…
Mas se avanças demais
Logo arranjo um “barrete”
E estrebuchas porque cais
Como o mais simples joguete,
Para depois te “perdoar”…

Não acredito. Não posso mais!
Dizem para aí à boca cheia,
Em coro, como os jograis,
Que eu não sirvo, nem para candeia…

Não quero a tua razão,
Mesmo sabendo que a tenhas.
Isso já é perseguição
Às minhas “mocas” e manhas…
Deixa-me no meu pedestal!
Discurso só quando há conveniência,
Porque falar demais é fatal,
Estraga-se a boa convivência
E ateia-se um ódio letal…

Desligo! Não desligues…
Estás mesmo a despachar.
Sim, antes que mais me “piques”
E não te volte a falar… … …


20.05.07

segunda-feira, maio 21, 2007

AZUL, AZUL!

O azul venceu!
O Futebol Clube do Porto ganhou.
Ganhou porque mereceu,
Depois do que tanto trabalhou…

A alegria que a equipa deu,
Em quem em si apostou
Mostrou o quanto valeu
O esforço e animo com que jogou…

Bandeiras brancas e azul a voar
Muita gente, feliz a festejar,
Porque o seu clube é o maior…

Veio a taça, que honraria…
Todos gritam com alegria
Porque o Porto foi o melhor.


20.05.07

quinta-feira, maio 17, 2007

NÃO HÁ REMÉDIO!


Crueldade! Usa-la muitas vezes, não é verdade?
Para uns a desgraça, a constante manifestação de desagrado, a repetitiva forma de apontar erros, enquanto para outros, a doçura e a amabilidade, a disponibilidade, a eterna lisonja… Como se pode ser tão cruel!

O filme acabou. A música de fundo encheu a sala e o público foi-se levantando, lentamente, de olhos lacrimosos, como se estivessem a acompanhar um defunto à sua última morada…

Tirei um lenço da algibeira e também limpei as lágrimas que, mesmo sem querer, continuavam a rolar… pareceu-me conhecer o filme de cor.

O actor principal eras tu. Eu, a figurante, que de imagem apagada e desgastada, apenas servia de anjo da guarda, de apaziguadora, de suporte. A casa assombrada, as almas em corrupio, os vasos caídos, as flores mortas e secas, espalhadas pelas veredas…

Choro ainda. Vou sem ir, porque os passos atropelam-se entre os pés trôpegos, como que embriagados… e baila em minha imaginação todas aquelas imagens fantasmagóricas, querendo deturpar a minha caminhada.

O crepúsculo deixou que a silhueta das estrelas se fosse tornando mais evidente. Só o meu pensamento continuou difuso entre o som do vento e o meu choro baixinho… outra vez! Mas agora sei que me tens omitido que o que pensei ter sido passado e esquecido, continua bem vivo… demolidor, destruidor, arrasador. Finalidade última: conseguida!

E assim mesmo, entre o desespero e o momento do fim, fico com aquela música de fundo…


17.05.07

sexta-feira, maio 11, 2007

ESCRITOS NA NOITE


Passam uns minutos da meia-noite. Está uma noite fresca e muito húmida. Aqui na varanda, frente à mesa, sob a luz baça do aplique, venho deitando ao papel o que vai sobrando dos pensamentos que se atropelam entre a revolta e a solidão.

Não tenho lugar lá dentro. Aqui fora, como se cumprisse um castigo, arrefeço por fora e por dentro. Tenho os ombros molhados porque a humidade vai repousando nas minhas costas. O cabelo está húmido e os pés estão frios. Pela cara correm, não gotas de suor, mas lágrimas tépidas, como forma de exteriorizar a minha mágoa.

Vagueio sem tempo, pelo meu jardim imaginário, porque no tempo em que estou não vejo a cor das flores. Vejo as que a minha imaginação criou… Flores azuis em todos os canteiros.

Folheio todos os papéis que vou guardando, onde escrevo e reescrevo e onde sempre encontro, mesmo não querendo, o teu nome, Flor Azul!

Papéis que talvez nunca leias, porque jamais estiveste interessado em ler o que vou escrevendo, porque sabes que é para ti que escrevo e porque não queres ler… Jamais quiseste que te escrevesse…

Também hoje não tos vou dar a ler. Hoje estou apressada. Mesmo que os leias, quando a madrugada te trouxer até aqui, já não me encontrarás. Não tenho espaço lá dentro. O meu jardim está coberto por uma noite escura, sem luar; é melhor sair. Vou sem destino. Melhor, vou com o único destino que me resta…

Um dia, um certo dia, quando perceberes que não voltei, possivelmente vais caminhar sem direcção, vais visitar todos os jardins, para tentar encontrar a flor azul me guardou no seu seio para a eternidade… e nunca saberás que a flor tão procurada, estava na tua mão, no primeiro dia que te vi…

18.09.06

VAZIOS


Flutuam as palavras que não desejava ler. Penetram em todo o meu ser essas palavras que escreveste e que sei que são dedicadas a quem preenche teus momentos… momentos que vais chamando de vazios, espaços sem luz… onde me fui perdendo, por ter querido acreditar que seria luz; que seria a luz que precisavas para te deixar ver nas trevas em que te envolves…

Palavras que fui interpretando como poemas de amor e nunca foram mais do que palavras que ridicularizam o meu sentimento, que agora é ressentimento…

Os meus vazios são todos os teus momentos, que traduzes por palavras, que me deixam magoada, que me deixam num abismo, no vazio…

Mas vazios são também os meus momentos, que consumo, como os cigarros que fumo, para ver as espirais de um fumo esbranquiçado, num constante bailado, iguais ao meu pensamento que perdido, em espirais de ilusão se esfuma no meu deserto, vazio…

Vazios são todos os espaços que preencho com letras, muitas letras juntas, que traduzem o vazio das palavras que formo, sem que as leias, fazendo delas o vazio da desilusão…

E no jardim por onde vagueio, vazio de vida, vagueia o vazio que deixaste, quando passaste e nem me olhaste… sou o vazio dos vazios…


10.05.07

sábado, maio 05, 2007

QUINTAIS DE BELEZA



Gosto de passear pelos Blogues cujos nomes me convidam a dar uma voltinha, como quem dá um passeio no quintal da vizinha

Um dia passei no
Amante Profissional e li. Li páginas e páginas que me espantaram, quer pelo encanto na sequência das palavras, vindas do mais profundo do imaterial do ser humano, quer pelo tema que tratava, despido da mais íntima peça de tabu, quer ainda no ponto de vista estético; escrita realista, sem preconceito, digna de ser considerada uma aula enriquecedora no campo da sexologia.

Passei a frequentar este quintal e a ser leitora assídua porque é muito bom e um destes dias, dei com um desabafo da autora do referido Blog, após ter sofrido um assalto com agressão. Não resisti e enviei uma mensagem de solidariedade, porque não posso admitir que se trate, seja quem for, desta maneira, sobretudo se for considerado o aspecto de descriminação, que não concebo, em nenhuma vertente.

Deixei a tal mensagem e pensei que seria apenas mais uma, mas não, a referida senhora, no seu Blog, refere-se ao meu contacto, com palavras de agradecimento, que me enterneceram. Envaideceu-me ter merecido a sua atenção, quando não o fiz para tal. Bem-haja!

Voltei a falar-lhe. Desta vez a viva voz. Pessoa encantadora. Voltei a elogiar o seu trabalho e congratulei-me pelo livro que em breve publicará (lá para o fim do mês).

Contudo, não cansarei de deixar a esta senhora o meu voto de felicidades e que serei sem dúvida uma das primeiras pessoas a adquirir o seu livro e possivelmente a estar presente no lançamento.

(Paula, não resisto em copiar o post em que refere o meu contacto)

05.05.07

sexta-feira, maio 04, 2007

OLHA! FINGE QUE NÃO VÊS…


Subi o Chiado. Passadas lentas e cadenciadas, deixando o olhar percorrer todos os momentos do meu trajecto…

Hora de almoço. Muitas pessoas apressadas para granjear o seu espaço numa mesa de um qualquer restaurante das redondezas.

Gente a pedir uma moedinha, tocando flauta ou acordeão, fazendo malabarismos para atrair a atenção de quem passa e sobretudo, a dos turistas, que eram imensos, esta tarde…

Continuei a caminhada. Observei que muitas das pessoas com quem me ia cruzando tinham uma expressão triste, acabrunhada, preocupada… enquanto que muitos dos jovens que passavam em bandos, riam desordenadamente e espalhafatosamente, como que querendo, à sua maneira, chamar a atenção…

Quando passaste no outro passeio, muito atento a quem te acompanhava, nem te apercebeste que atrasei o passo para melhor ter a percepção de como ias tão atento… a conversa devia ser a mesma… sempre a mesma!

Deu para perceber que, o olhar lânguido, era mais uma das encenações que habitualmente usas para captar a atenção da companhia… Muito teatral! Exageradamente teatral!!!

Passei pela esplanada da Benard e sentei-me porque ainda era cedo para a aula que ia dar… tinha de escrever. Tinha de expulsar a raiva que atravessava todo o meu ser. “Um café curto”. Pedi ao empregado que se abeirou da minha mesa. Peguei no caderno de capa preta, sim, aquele mesmo. (Pareceu-me pegar em “veneno”). Abri-o e comecei a escrever, de uma forma desenfreada, até me sentir exausta e reparar que a minha bica estava fria… De um trago bebi-a e pedi outra…

Paguei os cafés e atravessei o Largo do Camões. Lentamente, com passadas mesmo muito lentas, aproximei-me da escola. Estava quase na hora, mas não resisti e telefonei… “ainda estou a descansar… “ Mentira! São só ciúmes…! Mentira! Cruzaste-te comigo há menos de uma hora… passa bem, mais quem te acompanhava…! Desliguei e fui cumprir a minha tarefa…

Que prazer mórbido tens em “arranhar-me” quando já estou destroçada…

Quando saí, depois de dar as minhas aulas e depois de cumprir as usuais tarefas pós aulas, voltei a descer a rua do Carmo. Entrei numa loja de roupa elegante e depois de procurar uma túnica a meu gosto (preta como usualmente), experimente-a. Olhei-me ao espelho. É isso! Não pude deixar de exclamar. A razão é exactamente esta: ultrapassada!
Ainda caminhei por mais umas horas para clarificar as ideias e decidi: Olha! Mas finge que não vês…

03.05.07