domingo, setembro 09, 2007

CONDIÇÕES VERSUS IMPOSTOS



Sem querer abusar do optimismo dos leitores deste Blog, venho abordar uma vez mais o tema que o patrono do nosso Clube dos Pensadores expôs tão bem, num artigo anteriormente apresentado.

Não me vou repetir, mas não deixa de ser relevante abordar os assuntos nas múltiplas vertentes em que podem ser analisados.

Pois bem, a saúde é deveras importante para que nos demos ao luxo de a tratar, conforme a vamos tratando actualmente…

Não sou entendida na matéria, mas recordo que, aquando estive ligada à WHO, soube que se realizara em 1978, uma reunião em Alma-Ata cuja directiva foi “Saúde para todos até ao ano 2000”, referindo sobretudo o quadro de cuidados de saúde primários, pondo em evidencia o papel a desempenhar pelos médicos, junto das populações. A prevenção foi a grande aposta, contudo, estamos no segundo semestre de 2007 e por cá, os tais cuidados ainda são muito escassos e os melhores são só para alguns. Prevenção por onde andas? Não nos esqueçamos que para prevenir, é necessário diagnosticar e para isso, é necessário fazer-se, ciclicamente, exames diversos e análises clínicas. São os meios de diagnóstico, mas estes têm número e os médicos de família serão chamados à atenção se “exagerarem” nos pedidos, pelos senhores administradores, que por sua vez também têm de responder por números… penso que se poderia poupar muitos Euros, se se pensasse um pouco na directiva que referi, se fossem feitos muitos exames preventivos e se fossem eliminados muitos medicamentos que só servem para atravancar o desenvolvimento de maleitas, que diagnosticadas precocemente, poder-se-iam reduzir… Sempre é a saúde dos nossos semelhantes…

E agora esta! Professores no desemprego!!! Então é assim que se promove o desenvolvimento sócio-cultural dos nossos patrícios?

Já que somos números apenas, vamos considerar que os números Euros, pagos em subsídios de desemprego, são uma pouca-vergonha. Paga-se para não fazer nada!!! … ou talvez para convidar à fraude: pois é, se por um lado recebem subsídio, por outro têm de trabalhar (à socapa) para poder fazer face às condições consideradas dignas… ora aqui já vão duas desonestidades… uma o subsídio (imposto) e outra os (não aos impostos)!!! …

Sem querer ver os quadros pintados a negro, gostaria que as almas pensantes se debruçassem sobre estes itens e encontrassem soluções, pois só a eles cabe levá-las a cabo. O nosso (os números), papel é o de alertar, quando as coisas não estão a ir muito bem…

Com tudo isto, pretendi dizer que, se não trabalharmos e não recebermos o justo valor pelo nosso trabalho, também não poderemos contribuir correctamente com os nossos contributos e, se não “berrarmos” que há remunerações que são um insulto, ninguém nos ouve.

08.09.07

terça-feira, setembro 04, 2007

CRISE – MOMENTO DE MOMENTOS


Os amigos de longa data são os nossos melhores amigos. São os amigos que estão sempre disponíveis, que nos dão o ombro para que choremos os nossos pesares, que nos dedicam toda a atenção e não trocam a nossa companhia por nada deste mundo. São os amigos especiais que escutam os nossos pesadelos e abdicam de tudo o que lhes dá prazer para satisfazer a nossa insatisfação…

Os amigos de longa data, os nossos melhores amigos, não têm ciúmes de outros nossos amigos mais recentes ou que estiveram ausentes muito tempo, nem deitam em cara constantemente a outros amigos, que os que são de longa data é que são a maravilha.

Os amigos de longa data jamais metem conversa com conhecimentos ou outros amigos nossos, nem tão-pouco tecem monumentais elogios a terceiros e ou a outros seus amigos, com o intuito de gerar confusão e mostrar rejeição a estes, pois a ultima coisa que os bons amigos fazem, é nunca magoar nem preterir os seus amigos, nem mesmo mostrar quanto são insignificantes e ignorantes…

Os nossos amigos de longa data jamais fazem reparo de estarmos dividindo atenção com outros… não nos fazem sentir infelizes e compreendem as nossas desditas… são mesmo bons amigos!!!

Mas será que estive a delirar? Claro! Só podia… Não existe ninguém nestas condições. Amizade com letras gordas, só na nossa imaginação. Os amigos que me mostraram muita amizade já morreram… os outros têm sempre amigos mais amigos do que eu…


03.09-07

terça-feira, agosto 28, 2007

“FUMOS”


Deixei de fumar! Mentira! Verdade?!

Sim! A verdade é que ao parar de fumar, fi-lo com o propósito de não incomodar. O pensamento direccionado ao bem-estar dos que tinham significado na minha vida e faziam desejar que se sentissem bem perto de mim e também o constante recordar do momento belo que vivi e não seria justo não o repetir. Mas aquando a desilusão se apossa, um cigarro é como que uma dupla vingança. O sabor amargo depois de um cigarro, é o castigo por não merecer o beijo idealizado… eis que funciona como uma verdade/mentira.

Quantas lágrimas retidas atrás do fumo de um cigarro… quantos desesperos afundados na cinza de um cigarro ardido… quantas frases não ditas e dissimuladas numa beata amachucada com fúria… tanta angústia dançando entre a espiral de fumo de um cigarro ardendo e perdendo-se no todo…

Quanta escrita inspirada na chama oscilante que acende um cigarro… Quanto ódio! Tanta raiva e desespero… por nada! Por ninguém… apenas por um silêncio tumular, por uma indiferença… por nada!

Não podendo ser razão, é muitas vezes uma razão forte, para quem tendo deixado de fumar, volte a pegar num cigarro, como forma de por cada um, pisar obstinadamente o que sobra, como que se desfazendo todo o seu sofrer…


27.08.07

sexta-feira, agosto 24, 2007

Muros!


Há dois dias, no jornal Público, li um artigo de Joaquim Jorge, o nosso Biólogo do Clube dos Pensadores, que faz o favor de ser meu amigo e que me “assanhou” a vontade de escrever também, dentro do mesmo tema - Os muros deviam ter acabado com a guerra fria.

Assim dissertarei desta forma:
Antes, muito antes do muro de Berlim, outros, tantos outros existiram, mesmo que para isso não se tivesse usado cimento, pedras ou simples paliçadas… e muitos outros irão aparecendo, se muito de dentro de cada um de nós, não se for modificando…

A finalidade com que se criam muros, tem sempre a ver com separações, com o impedimento de misturas, de defesa, ou apenas por se considerar que um muro salvaguarda qualquer tipo de intrusão. Quando se erigem muros, esquece-se que o pensamento é o único espaço que não permite muros físicos e que o que se pretende preservar, é tão frágil com muros como sem eles. Até mesmo os muros ideológicos têm a sua fragilidade.

Os tais muros invisíveis, esses que em cada um de nós, edificamos para manter a nossa teimosia, para criarem uma sombra tão distendida, quanto a nossa obstinada forma de analisar certas situações o pretenda, são a remota origem de por aí se criarem utopias e porque se vive muito no “faz de conta” e se mostra o que se não é… e até nos permitimos “inventar” desculpas para a nossa postura, e posturas para justificar as nossas acções.

Os tais muros (físicos) de pedra, cimento e ferro, têm como objectivo um tempo indeterminado, mas a sua temporalidade está na razão directa com a mutação que os visados vão sofrendo, permitindo-lhes “saltar” o muro. Tudo é efémero!

Terá de haver um destruir de muros, devendo começar por cada um de nós. Afinal, qual de nós é que não tem o seu muro? Quando o muro é de fraca resistência, chamamos-lhe barreira e essa é a forma muito ligeira de justificarmos que A ou B são isto ou aquilo, que este ou aquele procede de forma que não nos convém… estigmatizamos políticos, financeiros, prostitutas ou prostitutos, homossexuais ou lésbicas… somos segregacionistas dentro da nossa categoria de “animal gregário”…

Mais ou menos directa ou indirectamente damos o nosso aval às faltas de planeamento, ao não querer ver a longo prazo e incendiamos com dúvidas o nosso horizonte e temos medo de crescer, de sermos grandes e de mostrarmos que somos válidos e responsáveis, para não se ferirem susceptibilidades… apenas da palavra se faz estandarte e este ondeia ao vento… mas, muitas vezes é mesmo de nós que temos medo. Temos medo de encetar uma nova vida, temos medo de dizer que amamos, temos medo de morrer… edificamos os nossos muros culturais entre tabus e muitas vezes em obscurantismos.

Um dia destes o nosso muro vai ser tão alto quanto longa é a muralha da China… é verdade! Quantas mais dificuldades se criarem para que cresçamos, para que viajemos, para que satisfaçamos as nossas necessidades biológicas, emocionais, económicas e culturais, maior será a nossa ignorância e essa é a maior muralha que nos cerca…

Se a contenção que os muros criam é temporal e não definitiva e se são vulneráveis, porque se vão construindo outros e outros? Assim, um dia nunca desaparecerão…


24.08.07

quinta-feira, agosto 23, 2007

“HOJE, SEMPRE…”



Hoje, assim como ontem, continuo a questionar-me porquê sinto tanta curiosidade em conhecer a comunidade humana onde estou inserida. Questiono sobretudo os valores que movem cada pessoa a estar ou a ser como é ou está.

Obviamente, a minha curiosidade não infere na forma como agem e reagem, mas sim, aguça a minha procura no desvendar das causas que as leva a proceder desta ou daquela maneira.

Podes achar ridícula esta minha pretensão, mas, apenas me martela o pensamento e isto desde que me lembro de mim… há tanto tempo…

Por tudo o que tenho estudado e pelo que leio, vou extraindo conclusões, mas, são minhas e nada me certifica serem verdadeiras.

Contemplo a verdade, como se esta fosse a mais esguia e incomensurável torre, de uma qualquer Catedral, em um qualquer canto do mundo. Mas a verdade nem sequer é verdade, conforme a aprendemos aquando crianças, para nos obrigarem a relatar, sem omissões, o que ia pelas nossas almas… até havia que confessar confidencialidades do nosso pensamento, sob pena de não vivermos em pecado…

Mas voltando à minha contemplação – verdade – não posso deixar de sorrir, porque, por mais bela que pareça a palavra, nada significa, a não ser o que nós queiramos. A minha verdade não é a tua, nem a tua é a minha ou de qualquer outro ser, mesmo daqueles com quem convivemos mais assiduamente. Eventualmente, pode existir mais um, dois ou mil, em que a mesma verdade os bafeje, mas nem por acaso se cruzarão uns com os outros.

A verdade é a utopia com que nos embriagamos, para que a nossa imaginação crie imagens de felicidade, que não é senão outra utopia.
Verdade e felicidade, imaginamos nós, são ingredientes (utópicos) para que vivamos bem (felizes) …

Ainda outra palavra que angustia a nossa existência, é a palavra omissão. Não passa de uma forma falsa de faltar à verdade…

Não queria, propriamente chamar-te, descaradamente, omisso, mas não encontro nada que possa substituir… e essa forma de estar, que ultrapassa a minha capacidade de entender-te, faz-me amar cada vez mais e com mais dedicação, a pesquisa da formula (secreta) para te esquecer…

Quantas vezes, a nossa verdade é uma afronta para quem se vê dentro de outros parâmetros…

Talvez a minha verdade seja tão despropositada que nem mereça ser observada e dado isso, a tal pesquisa da formula secreta, seja desnecessária, pois o que não tem razão de existir, inexistente é…

Tão importante quanto a palavra, é o gesto. Mas este também pode ser traduzível, conforme o interlocutor… o mais afável gesto, pode estar a omitir o seu verdadeiro significado tal como um gesto amoroso pode esconder mil e uma formas enganadoras… muito embora o Homem seja um animal gregário, inventa sempre uma maneira ardilosa de ser pouco ortodoxo no seu relacionamento com o seu semelhante…


28.07.07

sábado, agosto 04, 2007

“DESABAFO DE RAQUEL”


Briga! Foi o que pretendeste. Tens plena consciência de que me magoaste propositadamente, para existir um pretexto palpável para fugir. Fugiste porque o medo te assaltou e não queres encarar a realidade dos factos e preferes, orgulhosamente, vitimar-te com o que não existe. Sabes que sei quanto baste para perceber isso mesmo, mas que nunca pretendeu ser obstáculo ao que sinto. Usas-me como se fosse um toalhete, que se joga fora, depois de utilizado.

É a perfeita forma de agir de um psicopata! (pensei de mim para mim).

Raquel, contou tudo isto e mais, intercalado de soluços e lágrimas e confessou que o amava demais, para aceitar pô-lo fora da sua vida.

Era uma mulher destruída, de baixa auto-estima e com um olhar triste, quase ausente, como o de um moribundo.

Ouvi. Ouvi atentamente, com carinho e respeito por uma pessoa que me pareceu necessitar mais do que ouvi-la, precisava de força e paz, para decidir sobre o futuro incerto que se lhe apresentava…

Não aconselhei. Aliás não seria o meu papel. Ouvi e tentei transmitir a coragem que lhe faltava, para que decidisse de acordo com o que seu eu lhe pedia… mas muito dentro de mim, apeteceu-me dizer-lhe que mandasse para os confins do esgoto, aquele traste…



04.08.07

terça-feira, julho 31, 2007

SEGREDOS


Naquele ninho, mesmo no meio do eucalipto em frente à minha janela, há um segredo. Um segredo de amor.

São tão belos os segredos de amor! São secretos e deixam no ar poesia. Como canta aquele par de passaritos! Chego a pensar como aprenderam eles a ser assim tão amorosos… Coisas da Natureza!

Mas há seres que também têm segredos. E segredos de amor. Como farão? Deve ser maravilhoso ter um segredo assim…

Mas no nosso quotidiano, nem sempre os segredos de amor dão uma felicidade plena…

Ontem voltei a estar com o Carlos e a Maria. Como pode a doença abalar a felicidade destes seres, que tanto idealizaram nada os perturbar…

Pois é, o Carlos é um homem de cinquenta anos, franzino, moreno e com um bigode farfalhudo e uma voz um tanto enrouquecida, como a de um fadista, fumador e com alguns copitos… mas é um homem com encantos e sofrimentos também… Sofrimentos, porque vive a ansiedade própria de quem receia perder o seu amor.

A Maria, de estatura abaixo do comum, deverá ter de altura um metro e meio, mas com um ar delicado e, sobretudo, sem aparentar os seus setenta e sete anos…

O Carlos esperou vários anos pela Maria. Quando ela ficou viúva, pode por às claras o seu amor, conforme me contou… “nem queira saber quanto sofria de medo… se descobrissem… era o nosso fim”. Mas há doze anos casaram. Não havia mais necessidade de se esconderem, nem de fugas cheias de segredo…

Mas mais valia que assim tivesse continuado, dizia o Carlos com os olhos marejados de lágrimas… é que apenas estivemos dois anos sem este fantasma da doença… Há dez anos , depois de uma intervenção cirúrgica, que parecia ser de pouca importância, a Maria teve de começar a fazer quimioterapia… depois já fez mais duas operações… e agora os tratamentos não conseguem ser de seguida, por causa das plaquetas…

“A senhora sabe o que é estar sempre a sofrer pela pessoa que tanto amamos? Eu era menino quando conheci a Maria… foi uma loucura!”

Há momentos na vida que as palavras não saem e ontem estive nessa situação. Quando há uma semana o Carlos me fez as primeiras revelações, fiquei com uma ansiedade imensa. Chorei. Chorei só porque não tive com quem desabafar sobre o assunto… depois, há a ética profissional. Não faria conversa deste assunto a qualquer pessoa… nem tão pouco iria revelar as reais identidades dos intérpretes desta tão triste história…

Ontem o Carlos pediu-me para falar com ele, enquanto esperava que a Maria fosse consultada… eu estava com o Paulo Alexandre, mas ele entendeu. Já passou pelo mesmo…. E só tem quarenta e três anos…

Enquanto estes pensamentos vão escorrendo, o par de passaritos continua no seu melhor diálogo cantante… até eu sinto o amor no ar… por mim própria (não há ninguém que seja merecedor da beleza de um amor que jamais dei fosse a quem fosse – sou mesmo narcísica!!! – este é o meu segredo!)

31.07.07

domingo, julho 29, 2007

ANDANÇAS DA VIDA


Nesta vida que dança,
Vêm alguns com ingenuidade
Falar de tudo, como se soubessem,
Muito monocórdicos…
Parecendo conhecedores,
Mas apenas estão para encher a pança
Porque o que querem é superioridade
Cadeira como se a merecessem…
Fazem-se de metódicos,
De merecedores,,,
No tacho põe-se a salsa…
Outros temperos à maneira:
Vêm lá os comedores…
E nos salões dança-se a valsa…
Cá fora, ficam os outros, no vazio,
Não entram na contradança
Com as mãos nos bolsos da calça,
Nem podem dizer um pio,
Para não magoar os da cheia pança…


29.07.07

quarta-feira, julho 25, 2007

"SOZINHA EM CASA"



Foi mesmo como podeis imaginar. Passeei as mãos com carinho por todo ele. Massajei aqui e ali, apertei mais além e não resisti a dar-lhe um valente murro mais abaixo… tinha de “as pagar” todas! Então tem-me feito desesperar todos estes dias e hoje, só para experimentar, cedeu?!!!

Primeiro estava receosa, mas conforme ia subindo o meu entusiasmo, ia aumentando o ímpeto das carícias… e resultou! (só gostava de saber se foi o que também fizeste…)

Pois é! Onde já vão esses pensamentos maliciosos… não era Ele! Não!!! Pena minha!
Tudo isto foi com o meu computador…


25.07.07 (17H51)

domingo, julho 15, 2007

“COMO OS ANOS NOS FAZEM PENSAR”


Não te envaideças pelo facto de seres a razão de todos os meus pensares. Não interiorizes que isso continua a dar-te o direito de me fazeres acreditar em tudo o que desejas que eu acredite. Nem tão pouco em continuar a aceitar que me consideres a “coisa velha” a quem se pode desfeitear, porque algo mais novo e viçoso te preenche em todas as tuas vertentes e te faz activar todas as tuas pulsões.

Nunca queiras chegar a velho, porque os mais novos, hão-de fazer chalaça de ti, vão dizer que estás fora de prazo, vão espoliar-te tudo o que de bom lhes sirva e depois riem e vão-se… os mais velhos que tu, esses, eternos insatisfeitos, vão achar que toda a atenção que lhes deres é insuficiente e vão fazer-te sentir sempre em dívida para com eles… de geração em geração tem sido sempre assim…

Mas não é tudo. Com a idade, vão chegando novas formas de se apreciar o mundo que nos rodeia. Vamos amando de uma forma intensa e acalorada, em que nem sempre o físico está presente… e quando está, um toque, uma festa, um beijo, são impulsionadores de fortes orgasmos, como os de enérgicos momentos de sexo… É mais belo. Uns anos mais tarde, recordá-lo-ás e, até possivelmente, me darás razão… por isso deixei de pensar que há um “timing” próprio…

Há contudo factores que podem ser inibidores. As tais éticas que se constroem para se controlarem uns aos outros… e para se chegar a um grande amor, é preciso haver partilha e cumplicidade, sem compromissos… Muitas vezes, são os compromissos (da mais diversa índole), os agentes castradores da evolução de um grande amor…

Estou a ser desgastante, não é verdade? Estás a pensar que todas estas reflexões apenas são justificação para “isto” ou “aquilo”, mas não. Com estes fragmentos de pensares, apenas quero alertar que a forma mesquinha com que se analisa este ou aquele acontecimento, mesmo os de vida amorosa, são manipulados pelas opiniões das várias correntes da filosofia bem como das várias correntes religiosas. Não estou a dizer que as condeno. Não as absorvo na totalidade. Aceito-as porque foram formas encontradas para refrear os impulsos menos comedidos, ao longo da longa história da humanidade…


15.07.07

sábado, julho 14, 2007

“PERDIDA NA PAISAGEM”


Quando leio o que escreves, entro naquele quadro que pintei e deixo-me ficar sentada, pegada àquela árvore já morta, na serra outrora verdejante e cheia de frutos silvestres…

Antes dos fogos, (que transformaram aqueles montes em espaços vazios, despidos…) e naquele dia, o monte estava pleno de erva rastejante e apenas a árvore seca, pelos anos e pelo calor das labaredas que a lamberam no incêndio ao qual não assisti, esperei em vão pela tua silhueta, caminhando monte acima, como sempre fazias, para nas silvas colhermos amoras… recorda como eram belos os tempos em que as borboletas esvoaçavam entre as plantas que vaidosamente faziam erguer as suas florzinhas roxas e amarelas…

Fiquei como fungo, colada à árvore, morta pelo desespero da inútil espera… embora a árvore seja o símbolo da vida, eu nela e ela morta, éramos mais um símbolo de morte do que de vida… e não apareceste, nem nunca apareceste… porque a serra para onde ias, era distante da minha. A tua serra tinha flores viçosas e árvores novas, carregadas de frutos. Frutos silvestres…desfrutavas do seu sabor e e partilhavas o teu amor… vivias ao som do hino da natureza… como poderias voltar ao monte de terra ardida?...


13.07.07

terça-feira, julho 03, 2007

PORMENORES DE REFLEXÃO

As tuas ideias cheiram a mofo. Quer queiras, quer não, tens um cheiro pestilento a bafio, a antigo, a desactualizado. É tempo de te enfiares numa banheira, bem cheia de água quentinha e num valente banho de imersão, limpares esses bolores, entranhados em todas as ranhuras e interstícios… é tempo de não voltares para o pé de mim, com esse cheiro exterior de algo antigo e o hálito a exalar um tépido odor a esperma… Vem com o teu todo, com cheiro a jasmim, cheiro a alfazema ou rosas, cheiros de jardim! Traz o corpo e as ideias lavadas; já percebeste que não me incluo no grupo dos alcoólatras plagiários, nem tão pouco dos inúteis que só têm como matéria de interesse a “filosofia da má língua”… tão fácil dizer mal, tão fácil fazer de sonsinho… tão fácil dividir para reinar…

Sim! É tempo de me olhares e constatares que na realidade há uma diferença abissal entre nós.

E nós?! Sim, tu tens força; eu tenho Amor… Todas as outras diferenças inventa-las tu e todos os teus ancestrais do sexo masculino… Fixa. Fixa de uma vez por todas que, uma das diferenças que faz da mulher um ser diferente, é que ela é capaz de amar (mesmo as que estão a tentar insinuar-se ante outros). Só ela é capaz de amar sem que isso seja uma necessidade física. O Amor da mulher é algo mais profundo, é algo espiritual. É algo que a parte física vem por consequência e não por imposição primeira… A tua vulnerabilidade está na tua volubilidade e daí o infinito descontentamento que te caracteriza… e a mais “n” milhões de “tus”…

Nós mulheres, quando olhamos um corpo de homem, olhamos a beleza da forma, mas apenas vemos as suas qualidades interiores. Quantas delicadezas, às vezes, sem destino, vão em sentido contrário…

Falo contigo! Achas que me apaixonaria por um corpo esbelto, por umas sobrancelhas bem desenhadas? Não! A harmonia das formas do corpo, apenas me mostra o que não encerra no seu interior: carisma – algo indecifrável, indefinível, mas atraente…um infinito onde o carinho está inexplorado… Jamais me apaixonaria por um homem, apenas por ser homem. Procuro mais, muito mais… um olhar profundo que enterneça todo o interior e o não palpável…

Jamais aceitaria ter como homem, um fraco, um escravo dos seus orgasmos, sem pensar em quem emparelhava com ele… não te esqueças que o orgasmo no feminino, não está confinado aos órgãos genitais. Na mulher, o orgasmo é total e daí haver tantas mulheres insatisfeitas…

Sabes, um dia, há muito tempo, referiste que, ser uma coisa, é o mais horrível na forma de se mostrar que se gosta de alguém… “ser alguém de alguém”. Concordo, mas não apenas por palavras. Há que o mostrar em actos. Nunca esquecerei que paguei caro por ter um dia amado alguém que comercializava o amor… um beijo custava tanto… um carinho, tanto… não fui mais longe… pura e simplesmente morreu em meu peito… o amor que tenho para dar não se avalia em moedas, ou outros itens…

O Homem tem medo! O Homem é egoísta! O Homem não acredita em si próprio, é inseguro e a mulher que o acompanha tem-no sempre como mais um dos seus filhos… dá-lhe o ombro, a força, a coragem e o carinho de um ninho… mas isto não são condições para haver antagonismos, mas complementaridade… Jamais as diferenças são contradições…. O que é importante é que se engrandeçam mutuamente.

Sabes, ainda? Não queria falar-te de dor. Mas é verdade que tudo o que sinto é uma dor sem dimensão… A incerteza é uma dor tão nefasta como o mais mortífero dos cancros. O ser-se preterido é o mais doloroso dos reumáticos… mata lentamente… O ser-se injustiçado, é como o veneno da mamba verde… o ser-se insultado, para que fujamos e deixemos a vereda limpa, é como o fogo, que sem direcção, vai lambendo tudo o que encontra… há pessoas assim….

Mas a Mulher está sempre pronta para suportar mais dores, mais sofrimentos, mais abandonos… a Mulher é sempre compreensiva… mas por vezes fica cansada… e deixa que o seu amor baixe à terra, e, sem uma prece de despedida…


02.07.07

terça-feira, junho 19, 2007

ÀS VEZES…


Pois! Assim é. Quando se pretende afastar alguém que nos perturba, começamos por criar obstáculos que mostrem que a outra parte está errada, que tem defeitos que justifiquem que nos afastemos. Que são uma barreira à nossa calma, que são uma fonte de stress da qual nos devemos manter afastados. Contudo, o afastarmo-nos desse ou desses elementos, que tanta perturbação pode causar, outro tipo de problema pode advir, o da nossa consciência que nos pode segredar, que estamos a ser injustos. Será que vamos a tempo de perder uma amizade, por não a sabermos compreender e respeitar, nas suas características próprias? Deveremos despersonalizar quem consideramos de amigo? Será que nos devemos afastar de quem nos quer bem, só pelo facto de recearmos não poder ser o que já havíamos sido ou poderíamos ter sido? Ou que a outra parte julga que possamos ser? Será que apenas usamos os outros, enquanto não houver um outro alguém que consideremos melhor? Talvez até procuremos outros que, em consciência, sabemos que não nos querem bem, mas para nos libertarmos, tomamos a atitude de fuga…

Difícil interpretar quem joga nas múltiplas formas de subverter a amizade em benefício do lascivo, do incoerente, do flutuante. Daquele que passa “amor”, conforme as conveniências…

12.04.07

domingo, junho 17, 2007

BRAÇOS ERGUIDOS


Dei uma volta pelo monte, antes que esse também fique descarnado, para que lhe metam alicerces, para mais umas quantas construções. Malefícios da evolução. Cortam-se árvores para plantarem casas e mais casas… os espaços verdes vão ficando perdidos, como oásis no deserto…

Mas como dizia, dei uma volta pelo monte. Estacionei o carro no fim do asfalto e caminhei a pé. Não tirei fotos, até que só, nem me apeteceu pegar no N 73 e carregá-lo de imagens. Olhei para as árvores e até me apeteceu trocar umas palavras com elas…

Entre o arvoredo, senti-me quase que liberta do burburinho da cidade. Aquela então, sem quaisquer folhagens, atraiu-me. Parecia alguém de braços erguidos, sem cabeça… Pareceu-me alguém. É verdade. Muitos dos seres que por aí vagueiam parecem-se com aquela árvore. A cabeça, o instrumento pensante do corpo, é anulado, para que não pense e siga, cegamente, o que querem que se siga… ou por comodidade, anula-se porque pensar é um acto demasiado esforçado e repugnante…

Que horror! Então pensar é assim uma coisa tão desastrosa?!!! Mas é verdade! Às vezes encontram-se por aí certos humanos que, por força de não evoluírem, continuam a viver numa ancestralidade tão longínqua, que até parece quase impossível… mas primam por coscuvilhar… primam por reprovar os que evoluem e de mexerico em mexerico, conseguem deturpar as mais reais criações da Natureza…

Quando deparei com aquela árvore, pensei em algumas pessoas. Lembrei-me inclusivamente de uma pessoa minha amiga, que por ser genial na escrita e com uma imaginação fertilíssima, passou a ser olhada “por debaixo da burra”, porque pensar e compreender essa tal pessoa dava muito trabalho, para além de que se desenquadrava do que é o vulgar de Lineu…

Pois é árvore amiga, estende os ramos, bem erguidos e clama para os humanos sejam mais coerentes e comecem a pensar…


15.06.07

sábado, junho 16, 2007

PALAVRAS PARA A ETERNIDADE


Com palavras e muitas palavras, fiz mais.
Com todas elas construí um castelo. Entraste!
Passaste a viver nesse castelo, construindo ideais
Das ameias vês-me, sempre, desde que chegaste…

Com palavras construí o amor que te dei
Ouviste os meus suspiros e as palavras faladas
Mas não só, escrevi muito sobre o quanto te amei….
Minhas palavras escritas, jamais serão abandonadas…

E esperei até um dia ouvir-te, para acreditar,
Mais, esperei que escrevesses que era o teu amor
Porque pela escrita jamais se pode olvidar
Que o amor é verdadeiro, cheio de esplendor…

Nas minhas palavras falei-te de saudade
Falaste-me da tua saudade e eu acreditei…
A nossa saudade é uma parcela da nossa verdade.
Foi com essas palavras juntas, que sempre te amei…

14.06.07

quarta-feira, junho 13, 2007

COMEMORAÇÃO
















(fig.1 Fonte em frente à Igreja de Valverde - Evora)
(Fig.2 - Três dos primeiros Regentes Agrícola a chegar ao encontro)
Sábado. Dia 09 de Junho de 2007

Tudo combinado. Telefonemas daqui, confirmações de acolá, para que corresse sem quaisquer anomalias a comemoração do 50º aniversário do fim de curso dos Regentes Agrícola de Évora, da Herdade da Mitra, Valverde.

Às dez e trinta da manhã começaram a juntar-se no pátio da Igreja de Valverde, para que, com uma Missa, se recordasse os que do grupo já haviam partido.

Onze da manhã. Mais uns que chegam, mais abraços e euforicamente, entre risos e abraços, os “nick names” (diminutivos), que mesmo ao fim de cinquenta anos, não estavam esquecidos.

Meio-dia menos um quarto. Várias tentativas para se saber se o padre demorava, mas em vão… O padre nem respondia, nem aparecia…








(fig.3- Mais elementos do grupo)
















Pediu-se à senhora que guarda a Igreja para a visitarmos. E mesmo sendo muito moderna, é bonita e simples.





















E fomos para o almoço, mas demos uma volta antes, pela Universidade de Évora…





















Finalmente reunidos à mesa, e antes de ser servido o repasto, fez-se um minuto de silêncio, homenageando quem já não estava entre nós e recordando os que não puderam estar presentes.
















E seguiram os discursos…

Alguns fizeram-se acompanhar pelas respectivas esposas. Também deixaram a palavra de agradecimento e felicitação pela data, formulando votos de que para futuro se encontrem mais amiúde.
Pelas quatro e tal da tarde vieram as despedidas e muitas promessas de reencontro, e a partida, porque todos vinham de longe…
09.06.07
ÉVORA

domingo, junho 10, 2007

DEBATE!



Uma experiência única. Como primeira vez para mim (muito embora pelas muitas descrições e leituras sobre debates anteriores, imaginasse como se desenrolava todo o processo), fiquei encantada.

Sem dúvida que se abordam os temas com uma seriedade indiscutível. Não vou referenciar todo o conteúdo, pois seria inoportuno, visto terem passado quatro dias após o debate, mas não posso deixar de erguer as mãos e dar um aplauso, em primeiro lugar, a Joaquim Jorge, como fundador deste Clube dos Pensadores, realmente inédito e que moderou com sabedoria o debate, cujo tema, de interesse para todos, se focalizou em Gestão Autárquica. Depois e porque considero uma pessoa de características muito especiais, o Presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, Luís Filipe Menezes, que explanou muito habilmente através de uma apresentação em “power point”, três importantes e fundamentais itens para uma boa gestão autárquica; um diagnóstico muito profundo. Gostei!

Não deixarei de dar também o meu aplauso a Rui Gomes da Silva (deputado e ex-ministro), a Paulo Magalhães (jornalista parlamentar) e a Luís Silva que representou a plateia e muito bem.

Mas não seria justa se esquecesse todo o público presente e todos os intervenientes, com suas perguntas. Foi na realidade uma experiência magnífica.

09.07.06

VILA NOVA DE GAIA

quarta-feira, maio 30, 2007

FOI HOJE!


Deu-me um ataque de nostalgia. Peguei no carro e em marcha moderada fui. Passei na florista e comprei três rosas, vermelho escuro, chamadas de “príncipe negro”, como sempre disseste ser do teu gosto e escrevi uma vez mais “amo-te” no cartão que puseram junto do laço. Deixei no banco traseiro, para não se molestarem com a viagem. Segui. Um dia acinzentado, nem quente nem frio, com quem me sinto parecida… nostalgia, uma mistura de saudade com tristeza, imparáveis no meu pensamento…

Passei o portão de ferro forjado em arabescos e caminhei por entre verdadeiros canteiros floridos… muitos cheios de flores de plástico… os nossos dias!

Estranho. Três rosas brancas estavam sobre a lápide escorregadia pelo desgaste do tempo. Quem? Estranho é terem uma dedicatória protestando pelo teu silêncio…

Todas as missivas têm resposta… e aí não faltava a explicação também. Não passavas do anonimato, por algo que transcendia as tuas capacidades… Estranho!!! Então sempre dizias algo a quem querias… a quem te dizia mais do que eu sempre disse. Ingratidão! Foi a única palavra que me aflorou aos lábios… e se vinha triste e saudosa, fiquei morta de tédio e desilusão…

Estive vai-não-vai para não deixar as minhas rosas, mas como as tinha adquirido com essa finalidade, resolvi que ficariam… mas acrescentei no tal cartãozito, que fora lapso o que escrevera, entre parêntesis, escrevi “amei-te”…

Voltei. Voltei a uma velocidade não moderada. Apetecia-me carregar no acelerador e tentar a velocidade máxima, mas porque sou cobarde, tive medo de me cruzar com a polícia e era muito “chato”.

Também mal via a estrada. As lágrimas pareciam torrentes de água de uma fonte virgem e a atmosfera escurecera tanto, que parecia hora de anoitecer… e finalmente cheguei e finalmente corri para a minha almofada, para desabar num pranto incontido que durou horas e que deixou os olhos com estão agora.

Fui só. Só regressei. Mais triste e desiludida. Mais desistente…


30.05.07

sexta-feira, maio 25, 2007

ARTIGO DE OPINIÃO

No Clube dos Pensadores, foi postado o texto que publico aqui, com a devida vénia, por considerar que é digno de ser lido, para que se possam tirar as conclusões que melhor se adequarem. Eu tentei cruzar ideias e fiquei com a minha própria conclusão, que por razões óbvias, não vou deixar aqui. Comentei, como todos devem calcular.

“JOAQUIM JORGE

A ideia com que fico é que, parece uma corrida em que ninguém quer perder e todos querem participar (aparecer). Para se tornar mediático não há nada ,como concorrer a umas eleições intercalares , em que não há mais nenhumas, isto é, os holofotes estão todos virados para os alfacinhas. Tendo em conta a forma paupérrima, em que vivem a maioria dos portugueses, não deveria ser permitido gastos supérfluos e os impostos dos contribuintes não deveriam ser utilizados para umas eleições provocadas a destempo. Quem deveria pagar esses gastos, seria quem provocou esta bagunça. Esta eleição está viciada, o PSD antes do jogo, já está a ganhar 1-o, pois tem a maioria na Assembleia Municipal e assim vai continuar. Faz-me lembrar passe a analogia, recuperar e remodelar uma casa por dentro e por fora, sendo obrigado a ficar com a mobília.
Carmona Rodrigues, António Costa, Sá Fernandes, Helena Roseta, Fernando Negrão, Manuel Monteiro, Garcia Pereira, Ruben de Carvalho, Sá Fernandes e Telmo Correia. Não há mais ninguém? Uma coisa é certa esta eleição vai ser fulinizada e não partidarizada. Existem duas candidaturas independentes de movimentos de cidadãos. Gostava de ver uma candidatura de movimentos de cidadãos contra o funcionamento dos partidos e o seu esclerosamento. As coisas estão a mudar e estão a fazer-se de outra maneira. Manuel Alegre não ganhou a eleição em que participou, mas teve o condão de fazer ver que é possível e lançou as sementes para muitas independências.”.

quarta-feira, maio 23, 2007

CRÓNICAS DE MALDIZER



Eu sou honesto!
Omito, minto,
Não presto…
Invento cores,
Com que tudo pinto
E gozo dos amores
De quem me rodeia;
Só lhes dou dores
Ao usar a minha verborreia….

Eu “uso” quem quer que seja,
Fazendo-me de santinho
E quanto mais alguém me deseja
Finjo e dou-lhe um “beijinho”…

Não quero qualquer prisão
Não quero que sintam ciúmes
Quero livre meu coração
Para explorar os teus queixumes…
Quero toda a liberdade,
Viver do que me rodeia.
Ser belo e ter vaidade
E fazer tudo o que te “chateia”,
Para medir tua bondade…

Estudo e nisso sou “bom”
E se falas e falas, não ligo,
Porque a discursar tenho o dom
De te pôr a bem comigo…

Vai que não vai, um lamento
E cais que nem um patinho
São coisas de um momento
E volto a ser teu queridinho…
Teu “doutor”. Teu apaixonado!
Mas vou fazendo das minhas,
Porque nem sou teu namorado.
Vou-te dando o que não tinhas…
E mantenho o meu lugar reservado…

Não quero nada de ti, não,
Que nada tenho para te dar
Nem mesmo o meu coração,
Porque esse é só para “navegar”…

Gosto do teu sorriso aberto
E abomino o teu “chorar”;
Armo-me às vezes em esperto
Só para te ouvir falar…
Mas se avanças demais
Logo arranjo um “barrete”
E estrebuchas porque cais
Como o mais simples joguete,
Para depois te “perdoar”…

Não acredito. Não posso mais!
Dizem para aí à boca cheia,
Em coro, como os jograis,
Que eu não sirvo, nem para candeia…

Não quero a tua razão,
Mesmo sabendo que a tenhas.
Isso já é perseguição
Às minhas “mocas” e manhas…
Deixa-me no meu pedestal!
Discurso só quando há conveniência,
Porque falar demais é fatal,
Estraga-se a boa convivência
E ateia-se um ódio letal…

Desligo! Não desligues…
Estás mesmo a despachar.
Sim, antes que mais me “piques”
E não te volte a falar… … …


20.05.07

segunda-feira, maio 21, 2007

AZUL, AZUL!

O azul venceu!
O Futebol Clube do Porto ganhou.
Ganhou porque mereceu,
Depois do que tanto trabalhou…

A alegria que a equipa deu,
Em quem em si apostou
Mostrou o quanto valeu
O esforço e animo com que jogou…

Bandeiras brancas e azul a voar
Muita gente, feliz a festejar,
Porque o seu clube é o maior…

Veio a taça, que honraria…
Todos gritam com alegria
Porque o Porto foi o melhor.


20.05.07

quinta-feira, maio 17, 2007

NÃO HÁ REMÉDIO!


Crueldade! Usa-la muitas vezes, não é verdade?
Para uns a desgraça, a constante manifestação de desagrado, a repetitiva forma de apontar erros, enquanto para outros, a doçura e a amabilidade, a disponibilidade, a eterna lisonja… Como se pode ser tão cruel!

O filme acabou. A música de fundo encheu a sala e o público foi-se levantando, lentamente, de olhos lacrimosos, como se estivessem a acompanhar um defunto à sua última morada…

Tirei um lenço da algibeira e também limpei as lágrimas que, mesmo sem querer, continuavam a rolar… pareceu-me conhecer o filme de cor.

O actor principal eras tu. Eu, a figurante, que de imagem apagada e desgastada, apenas servia de anjo da guarda, de apaziguadora, de suporte. A casa assombrada, as almas em corrupio, os vasos caídos, as flores mortas e secas, espalhadas pelas veredas…

Choro ainda. Vou sem ir, porque os passos atropelam-se entre os pés trôpegos, como que embriagados… e baila em minha imaginação todas aquelas imagens fantasmagóricas, querendo deturpar a minha caminhada.

O crepúsculo deixou que a silhueta das estrelas se fosse tornando mais evidente. Só o meu pensamento continuou difuso entre o som do vento e o meu choro baixinho… outra vez! Mas agora sei que me tens omitido que o que pensei ter sido passado e esquecido, continua bem vivo… demolidor, destruidor, arrasador. Finalidade última: conseguida!

E assim mesmo, entre o desespero e o momento do fim, fico com aquela música de fundo…


17.05.07

sexta-feira, maio 11, 2007

ESCRITOS NA NOITE


Passam uns minutos da meia-noite. Está uma noite fresca e muito húmida. Aqui na varanda, frente à mesa, sob a luz baça do aplique, venho deitando ao papel o que vai sobrando dos pensamentos que se atropelam entre a revolta e a solidão.

Não tenho lugar lá dentro. Aqui fora, como se cumprisse um castigo, arrefeço por fora e por dentro. Tenho os ombros molhados porque a humidade vai repousando nas minhas costas. O cabelo está húmido e os pés estão frios. Pela cara correm, não gotas de suor, mas lágrimas tépidas, como forma de exteriorizar a minha mágoa.

Vagueio sem tempo, pelo meu jardim imaginário, porque no tempo em que estou não vejo a cor das flores. Vejo as que a minha imaginação criou… Flores azuis em todos os canteiros.

Folheio todos os papéis que vou guardando, onde escrevo e reescrevo e onde sempre encontro, mesmo não querendo, o teu nome, Flor Azul!

Papéis que talvez nunca leias, porque jamais estiveste interessado em ler o que vou escrevendo, porque sabes que é para ti que escrevo e porque não queres ler… Jamais quiseste que te escrevesse…

Também hoje não tos vou dar a ler. Hoje estou apressada. Mesmo que os leias, quando a madrugada te trouxer até aqui, já não me encontrarás. Não tenho espaço lá dentro. O meu jardim está coberto por uma noite escura, sem luar; é melhor sair. Vou sem destino. Melhor, vou com o único destino que me resta…

Um dia, um certo dia, quando perceberes que não voltei, possivelmente vais caminhar sem direcção, vais visitar todos os jardins, para tentar encontrar a flor azul me guardou no seu seio para a eternidade… e nunca saberás que a flor tão procurada, estava na tua mão, no primeiro dia que te vi…

18.09.06

VAZIOS


Flutuam as palavras que não desejava ler. Penetram em todo o meu ser essas palavras que escreveste e que sei que são dedicadas a quem preenche teus momentos… momentos que vais chamando de vazios, espaços sem luz… onde me fui perdendo, por ter querido acreditar que seria luz; que seria a luz que precisavas para te deixar ver nas trevas em que te envolves…

Palavras que fui interpretando como poemas de amor e nunca foram mais do que palavras que ridicularizam o meu sentimento, que agora é ressentimento…

Os meus vazios são todos os teus momentos, que traduzes por palavras, que me deixam magoada, que me deixam num abismo, no vazio…

Mas vazios são também os meus momentos, que consumo, como os cigarros que fumo, para ver as espirais de um fumo esbranquiçado, num constante bailado, iguais ao meu pensamento que perdido, em espirais de ilusão se esfuma no meu deserto, vazio…

Vazios são todos os espaços que preencho com letras, muitas letras juntas, que traduzem o vazio das palavras que formo, sem que as leias, fazendo delas o vazio da desilusão…

E no jardim por onde vagueio, vazio de vida, vagueia o vazio que deixaste, quando passaste e nem me olhaste… sou o vazio dos vazios…


10.05.07

sábado, maio 05, 2007

QUINTAIS DE BELEZA



Gosto de passear pelos Blogues cujos nomes me convidam a dar uma voltinha, como quem dá um passeio no quintal da vizinha

Um dia passei no
Amante Profissional e li. Li páginas e páginas que me espantaram, quer pelo encanto na sequência das palavras, vindas do mais profundo do imaterial do ser humano, quer pelo tema que tratava, despido da mais íntima peça de tabu, quer ainda no ponto de vista estético; escrita realista, sem preconceito, digna de ser considerada uma aula enriquecedora no campo da sexologia.

Passei a frequentar este quintal e a ser leitora assídua porque é muito bom e um destes dias, dei com um desabafo da autora do referido Blog, após ter sofrido um assalto com agressão. Não resisti e enviei uma mensagem de solidariedade, porque não posso admitir que se trate, seja quem for, desta maneira, sobretudo se for considerado o aspecto de descriminação, que não concebo, em nenhuma vertente.

Deixei a tal mensagem e pensei que seria apenas mais uma, mas não, a referida senhora, no seu Blog, refere-se ao meu contacto, com palavras de agradecimento, que me enterneceram. Envaideceu-me ter merecido a sua atenção, quando não o fiz para tal. Bem-haja!

Voltei a falar-lhe. Desta vez a viva voz. Pessoa encantadora. Voltei a elogiar o seu trabalho e congratulei-me pelo livro que em breve publicará (lá para o fim do mês).

Contudo, não cansarei de deixar a esta senhora o meu voto de felicidades e que serei sem dúvida uma das primeiras pessoas a adquirir o seu livro e possivelmente a estar presente no lançamento.

(Paula, não resisto em copiar o post em que refere o meu contacto)

05.05.07

sexta-feira, maio 04, 2007

OLHA! FINGE QUE NÃO VÊS…


Subi o Chiado. Passadas lentas e cadenciadas, deixando o olhar percorrer todos os momentos do meu trajecto…

Hora de almoço. Muitas pessoas apressadas para granjear o seu espaço numa mesa de um qualquer restaurante das redondezas.

Gente a pedir uma moedinha, tocando flauta ou acordeão, fazendo malabarismos para atrair a atenção de quem passa e sobretudo, a dos turistas, que eram imensos, esta tarde…

Continuei a caminhada. Observei que muitas das pessoas com quem me ia cruzando tinham uma expressão triste, acabrunhada, preocupada… enquanto que muitos dos jovens que passavam em bandos, riam desordenadamente e espalhafatosamente, como que querendo, à sua maneira, chamar a atenção…

Quando passaste no outro passeio, muito atento a quem te acompanhava, nem te apercebeste que atrasei o passo para melhor ter a percepção de como ias tão atento… a conversa devia ser a mesma… sempre a mesma!

Deu para perceber que, o olhar lânguido, era mais uma das encenações que habitualmente usas para captar a atenção da companhia… Muito teatral! Exageradamente teatral!!!

Passei pela esplanada da Benard e sentei-me porque ainda era cedo para a aula que ia dar… tinha de escrever. Tinha de expulsar a raiva que atravessava todo o meu ser. “Um café curto”. Pedi ao empregado que se abeirou da minha mesa. Peguei no caderno de capa preta, sim, aquele mesmo. (Pareceu-me pegar em “veneno”). Abri-o e comecei a escrever, de uma forma desenfreada, até me sentir exausta e reparar que a minha bica estava fria… De um trago bebi-a e pedi outra…

Paguei os cafés e atravessei o Largo do Camões. Lentamente, com passadas mesmo muito lentas, aproximei-me da escola. Estava quase na hora, mas não resisti e telefonei… “ainda estou a descansar… “ Mentira! São só ciúmes…! Mentira! Cruzaste-te comigo há menos de uma hora… passa bem, mais quem te acompanhava…! Desliguei e fui cumprir a minha tarefa…

Que prazer mórbido tens em “arranhar-me” quando já estou destroçada…

Quando saí, depois de dar as minhas aulas e depois de cumprir as usuais tarefas pós aulas, voltei a descer a rua do Carmo. Entrei numa loja de roupa elegante e depois de procurar uma túnica a meu gosto (preta como usualmente), experimente-a. Olhei-me ao espelho. É isso! Não pude deixar de exclamar. A razão é exactamente esta: ultrapassada!
Ainda caminhei por mais umas horas para clarificar as ideias e decidi: Olha! Mas finge que não vês…

03.05.07

sexta-feira, abril 27, 2007

IDEIAS, IDEAIS E CONTROVÉRSIA


Ideias é tudo o que tenho com fartura. Nem sempre são muito boas, pelo menos para quem toma conhecimento, mas nem por isso deixo de desistir das minhas ideias…

Hoje, caminhei perto de cinco quilómetros, porque precisava de andar, e só… e assim o fiz.

Tinha uma consulta perto das onze da manhã e decidi refazer os pensamentos antes de me abrir com a minha médica de família. Estou cansada!

Ouvi para caramba! Tensão alta, à beira de um esgotamento… enfim… mandou-me distrair e passear… além de recomendar que não posso parar de tomar o medicamento para o colesterol…

Claro está, que não devia ter aberto a boca!

Regressei pelo caminho que fazíamos às vezes, quando caminhávamos e tirávamos várias fotos com os nossos telemóveis topo de gama… e vim pensando nos meus ideais, sonhos que se parecem com as nuvem, numa correria, encontrando-se e desencontrando-se… Porque será que um ideal é algo tão inacessível?

Claro que tanto as minhas ideias de fim e os meus ideais inatingíveis, são uma real controvérsia, eis que concluo que jamais os posso expor, porque são uma polémica pegada…

Mas muito embora deixasse de pensar nestas ideias quase que fixas não as ponho totalmente de parte.

Gostei de ler uns certos comentários feitos a uns escritos meus. Sempre há alguém que lê o que escrevo e se atreve a dizer qualquer coisa… pelo menos mostra que leu… e segundo o que entendi, até perceberam. Contudo, e isso adoro, há quem me leia por aqui e por além e nem uma palavra… entretanto, ficam a conjecturar sobre o que escrevi…

27.04.07

segunda-feira, abril 23, 2007

COM OU SEM TEMPO


Pois é, com tanto tempo livre, podemos escrever textos que, para além de juntar muitas letras e formar muitas palavras, podemos usar vocábulos para agredir, para ofender e para esconder a nossa incapacidade.

Os blogues permitem, realmente, que nos expressemos com uma certa liberdade, mas utilizemos a tal ética que é tão apregoada, e sejamos democráticos, para que ao sermos atacados, nos possamos defender.

Ora bem, dou o meu pobre contributo num blog, que por acaso encontrei, e que se chama Clube dos Pensadores, e por assim se chamar, me chamou a atenção, pois que via tantos blogues e tão pouco originais, que me atrevi a opinar, a comentar e a escrever alguns textos, pois que acima de tudo, gosto de ser polémica, não propriamente por ser polémica, mas para abanar o “pensamento” de quem lê, para que se preste mais atenção a alguns assuntos que deveriam merecer mais meditação… sobretudo, no âmbito social.

As portas abriram-se e os textos que escrevi saíram e foram comentados, depreendo assim que foram lidos… mas não é este o caso. O cerne da questão é o ser posto em causa, não só o que se escreve, mas as pessoas que lá deixam os seus trabalhos, muitos que são críticas construtivas, mas até há quem tenha tempo para ser ofensivo…

Mentecapto é o autor do texto em que utiliza uma palavra que está quase que abolida e se o desconhece, devo elucidar que actualmente é empregue a palavra demente, e referente a quem sofra de demência… esclarecido (caso saiba o que significa)? Quem o não é certamente, é o contribuidor número um do Clube dos Pensadores, por quem nutro muita consideração e respeito.

O texto que li num blog (sem comentários) – A Causa foi Modificada – seria muito interessante, se apenas fosse irónico e não demonstrativo de falta de educação e ofensivo.

Como realmente não tenho muito tempo livre e o que tenho dedico-o a causas nobres, como é por exemplo o voluntariado, não vou “perder” mais tempo com o que não merece tempo nenhum.

22.04.07

sexta-feira, abril 20, 2007

FOI ASSIM…


A alvorada despontou como o brilho de um diamante ao sol. Abri os olhos e desejei que o teu dia fosse venturoso e te deixasse feliz. Esperei que abrisses os teus olhos e me desses um sorriso com os bons dias…

Nada! Absorvido que estiveste ao acordar, organizando mentalmente o teu dia, nem te veio à ideia que te estava a presentear com um sol radioso e com o meu mais terno sorriso, cheio de doçura…

Estás desculpado! Apenas a tua noção de responsabilidade te absorve e te leva a que esqueças os gestos mais simples.

Vou velando, com toda a força que dentro de mim guardo, para que o teu dia seja um sucesso e ao final te sintas realizado.

Brilhante, quente, acolhedor, o sol foi deixando o seu contributo, para que te sentisses confortável durante o dia… e vou esperando que no canto de alguma sombra te lembres de mim…

Com o declinar do sol, a tarde foi esmorecendo e o crepúsculo, airoso período do entardecer, enalteceu a beleza da Natureza… e a tua, minha estrela da tarde…

Desviei o luar para te dar luz no regresso, após um trabalhoso dia, numa luta constante, para que o teu sucesso não passe despercebido pelos que te rodeiam…

E esperei! Esperei em vão, porque quando me apercebi, já dormias na volúpia dos teus sonhos, entre os garridos ideais que abraças…

Não disseste nada! Nada! Nem Bom Dia, nem Boa Tarde… nem Boa Noite… nem te apercebeste como acompanhei o teu dia… nem te apercebeste que foi espalhado Amor durante todo o dia, para que te sentisses bem…


19.04.07

terça-feira, abril 17, 2007

PENSAMENTOS QUE DESABROCHAM


Nascemos. O primeiro berço onde nos deitam, um ninho de ternuras com cobertas de valores. Crescemos. Passamos a ter cama e esta com cobertores de valores. Mas nem os berços nem as camas são iguais, muito embora, como seres humanos, sejamos semelhantes – não iguais!

Eis que eu vivo com os meus valores e tu com os teus. Com os meus valores cultivo os meus preconceitos. Tu os teus!

Aceito-me. Sou como sou: assim mesmo. Gostaria de ser diferente, mas não sou. Não me podes confundir, sobretudo, com quem não sou.

Aceito-te. És como és. Não te confundo com outrem, porque és único.

Nascemos. Os valores que nos deram os primeiros aconchegos, jamais se perdem, muito embora, nem todos nos sirvam de alento para a nossa sobrevivência.

Virtuosidade! A palavra existe. O conceito que ela engloba, não. Possivelmente, será esta minha forma de ver o que enfrento, que me leva a ironizar e enfatizar a sátira em que se vive, num eleito faz de conta.

O mundo real; o mundo aparente. São duas facetas que temos como consequência dos ditos valores onde dormimos o primeiro sono pós nascimento. Ambos pertencem a um único mundo, o do “faz de conta” e ambos não são mais do que duas formas de nos movermos por onde andamos.

Crê que ao expor o meu pensamento, não tenho qualquer intenção, a não ser a de expressar o que me vai na parte imaterial do meu ser. Jamais pretenderia ser veículo para “melhorar” o mundo e muito menos o “teu”.

O teu mundo é tão mentira quanto o meu. Mentir é a verdade que nos deixa interagir no mundo do “faz de conta”, onde nos inserimos.

Amai-vos! Mentira! Quem ama quem? Quem ama o quê? Faz de conta! Porque ao primeiro revés és banido desse amor, és excomungado, ridicularizado, preterido! Usam-se as mais sofisticadas cosméticas para justificar o desamor, a intriga, a dúvida, a inveja; o ódio! Isto é moralidade! – um dos valores com que nos cobriram à nascença.
Não devias ser assim. não devias isto, não devias aquilo… formas de se comunicar com outrem (o que lhe impomos) – Moralização e Idealização do que nem muitos enxergam, no papel de aconselhar (de delimitar)…

E será suportável aceitar e compreender a verdade? (mas qual verdade? – a tua ou a minha?) Ou será que uma cegueira imposta, só nos força a ver o que primeiro nos mostram?

A que ponto nos preparámos para aceitar uma verdade? … e se essa verdade não está inserida no grupo das verdades que recebemos, como a tomaremos? Entendes-me?! Por estes pontos de interrogação atrevo-me a aceitar que se aceitam, muitas vezes, mentiras, mitos, crenças, que se tomam como verdade, para se viver sem questionar…
Viver sem questionar é fazer de conta que tudo está bem e em conformidade com os valores com que nos cumularam…


16.04.07
isabel

sexta-feira, abril 13, 2007

MOMENTOS - SEXTA-FEIRA 13!!!


Cada fragmento da nossa vida é composto de momentos. Uns são inesquecíveis, outros nem tanto e outros há, que seria preferível que nunca tivessem existido… e neste momento sabes a que me refiro.

Num momento, todos os pequenos momentos que o compõem, são uma sinfonia de esperança, em outros, o ritmo muda e mais parece ouvirmos um surdo “deixa-me em paz”… o rufar de tambores à frente de um cortejo fúnebre; mais parecem querer dizer que somos indesejáveis… sorte dos sonsos! … Esses, são sempre apoteoticamente aplaudidos, considerados, numa perfeita cultura do faz de conta, até que nem sentem que poderão estar a ser rejeitados com um feedback de “faz de conta”…

Momentos de palavras para quê? Momentos que o tempo absorve e desvanece, como o nevoeiro a dissipar-se, quando o sol começa a surgir no horizonte. Momentos! É verdade! Há momentos irrepetíveis porque não os sabemos repetir, porque não os respeitámos suficientemente no momento exacto… como poderíamos considerar a sua repetição?

Houve muitos momentos. Houve muitos que serão inesquecíveis (para mim), porque foram únicos, inigualáveis e dignos de todo o respeito, por terem sido únicos e inigualáveis. Ficaram como uma recordação, como quem viaja a um Santuário e traz um santinho… é uma bênção que nos acompanhará até ao dia último…

Num destes momentos de reflexão, em que preenches a maior tranche do meu pensamento e fazendo uma retrospectiva de ontem, deixo que a minha atenção se concentre momentaneamente nas palavras insultuosas que me eram oferecidas. Como é tão fácil rejeitar e não admitir que se é rejeitado… Porventura pensaste que é um exagero fazer crer que o que pensas é que está certo? Pelo menos o benefício da dúvida! Quando digo que não pensei ou não disse com intenção, é mesmo verdade. Não omito, não minto e não ouso usar de estratagemas para rejeitar seja quem for. Ou aceito ou não aceito. Jamais desfiz num amigo, para pôr em relevo quem passou a estar mais ao meu agrado… Cada pessoa tem o seu lugar e há algumas que ocupam muito da minha estima. A Amizade não se compra, não se vende nem se troca. O Amor é a terna doçura com que olhamos o nosso próximo, tentando dar-lhe toda a felicidade que porventura ainda não tenha alcançado.
Momentos também são os que a ironia que nos caracteriza, ou que fomos obrigados a criar, nos faz dizer o que os outros não entendem… e feridos que já andam por outros factores determinantes das suas vidas, os leva a que rejeitam as nossas características… mas aceite-se que ser irónico não é magoar e muito menos preterir ou rejeitar… quanto amor há, por vezes em certos ditos cheios de ironia…

13.04.07

segunda-feira, abril 09, 2007

PELA RUA


Vamos lentamente, a passo curto, de olhos nos olhos de quando em vez, numa completa cumplicidade. Não te toco. Não me tocas. Apenas caminhamos pela rua fora, em passadas curtas e ritmadas. Sabes o que penso, sei o que pensas. Partilhamos ideias, sorrisos, sem tabus, sem dogmas, sem o que quer que seja, que prejudique o relacionamento com bom entendimento, que me parece estar existindo, entre nós.

O que não dizes parece-me ouvir à distância e o que segredas, faz eco no coração. Comungamos de uma amizade, que poderíamos dizer, quase perfeita.

Quase perfeita? Nada é perfeito! Quando admitimos que estamos a chegar a um ponto que consideramos o ideal, viram-se os ventos, trocas tudo e volta-se à estaca zero…

Acertamos a passada pela vereda acima. Sorrimos e brincamos. Colhem-se flores silvestres e fotografam-se pedras, carreiros de formigas e uma ou outra borboleta que esteja distraída, de asas em repouso, poisada num tronco seco de algum cacto… assim, são momentos de felicidade!

No outro lado do monte espreitam rolos de nuvens; segredam-nos que ainda vai chover… e sopra um ventinho fraco, que iniciara brisa,,, os olhos riem, os lábios riem as faces irradiam alegria: fazemos parte integrante da paisagem…somos a conjugação de um verbo em diferentes tempos…

Uma pedra enorme. Tufos de “azedas” (florzinhas amarelas), a gritar que estamos na Primavera. Algumas abelhas numa dança frenética de flor em flor.

Interessante sentir estes momentos de liberdade, numa perfeita partilha de sentimentos e emoções, que são uma verdadeira novidade… Como é belo nos misturarmos na Natureza e sentirmos que somos parte integrante dela…

09.04.07

sábado, abril 07, 2007

MULHERES DA TERRA AMADA



Uma data. Um dia especial
Em que a saudade é uma marca,
Deixada pela verdade,
Nunca antes experimentada:
O dia da Mulher Moçambicana!

Sete de Abril!
Mulher! Ser ideal,
Que mesmo com saúde parca,
Sofredora, heroína, mesmo na crueldade,
Será sempre recordada:
É a Mulher Moçambicana!
Dentro de si tem encantos mil
E de lábios sorridentes,
Seios pendentes com filhos às costas,
É a respeitável mamana,
Doce e encaminhadora dos descendentes…

Sem jamais esquecer,
Apenas quero dizer,
Que sinto o que tu sentes,
E longe, estais sempre presentes,
Como uma sábia lição
Que enterneceu meu coração,
Maravilhosa Mulher Moçambicana.

07.04.07

terça-feira, abril 03, 2007

EMBORA SENDO, NUNCA É… …


Nada é o que nos parece ser. Tudo não passa do que desejamos que seja, por isso tudo é uma completa desilusão. A ilusão que fazemos crescer dentro de nós, com corpo e alma; mas nada passa de imagens a quem damos vida, que é a nossa vida, a que queremos que seja, mas não é nada.

A tudo o que nos rodeia damos um rosto, damos um pensamento e até embelezamos com sentimentos… que nada são, senão o que imaginamos ser… nada é como o que idealizamos que fosse. Rodeamo-nos de marionetas que fazemos girar e se deixarmos a guita laça, ficam desconjuntadas e a realidade afigura-se-nos como fantasmas…

Nada nem ninguém é uma pura realidade. Nada nem ninguém age sem que tenha atrás de si interesses, formas agressivas de se expressar, maquinismos para magoar, para ferir e usurpar o que até tinha significado para nós. É-nos constantemente extorquido algo que nos dava prazer e por vezes, razão para viver…

Há tantos anos, que já perdi a conta, tive um sonho. Como é belo uma adolescente sonhar! Como é belo haver pelo ar sons melodiosos de pássaros, flores coloridas pelos campos e sonhos cor-de-rosa no coração… mas como é triste não nos deixarem desfrutar das maravilhas desses momentos… por isso há tantos anos que me assola a nostalgia do que perdi, ou melhor, do que não me deixaram ter…

Ironia do destino, como diz o povo, o que não tem de ser nosso, jamais o será… e foi assim que um perene luto cobriu todo o meu ser e ao contrario do que aconteceu na história da Bela Adormecida, jamais apareceu pelo bosque da minha existência o príncipe, que me desse novo alento e me restituísse do sono em que fiquei…

Não creio em mais nada. Nada tem qualquer tipo de significado… nem houve baile, nem a fada boa alguma vez apareceu para que deixasse de ser a eterna Gata Borralheira… “fica-te bem descascar batatas, cheira tão bem esse cozinhado… tão bonito esse quadro, foste tu que o fizeste? Que paciência é necessária para fazer esses trabalhos…” Pois é! (Mas não passes daí, porque assim arrumadinha é que ficas bem…) foi sempre o que senti, e assim arrumadinha, com elogios inconsequentes, não se vai a parte nenhuma…

E depois de todos aqueles anos, e quando nos imaginamos a verter romantismo por todos os poros, enganamo-nos de novo…

03.04.07

segunda-feira, abril 02, 2007

FRAGMENTAÇÃO DO PENSAMENTO




A tarde vai alta e a sombra longa, enquanto o sol espreita no intervalo das espessas nuvens que vão deslizando.

Descobri que não sei o que é ter fé e desiludi-me ao verificar que nem sou quem julgava ser: Não sou nada! Sou um pedaço de qualquer coisa a que a Natureza fez o favor de deixar por aí, depois de reunir uma mão cheia de quarks up e down e fazê-los movimentar. Intemporal a vontade que me implantou, fez de mim quem sou e não sou e acrescentou uma partícula de ousadia, para que reclamasse, para que sofresse e admitir que um dia, em tempo indeterminado, fosse jogada fora…

Vivendo neste corpo, como convencionalmente foi determinado, terei vida enquanto o próximo estádio não for estabelecido.

Na tarde cinzenta, entre o manto de grossas nuvens e o asfalto molhado pelo último aguaceiro, gasto os passos com destino desconhecido…


02.04.07

sábado, março 31, 2007

ESTÁTUA DO POETA DA LUA


Minha estátua promoveu encantamento
bela e fria, numa noite de luar
e elevou teu poético pensamento
até à mais bela forma de amar...

Uma poesia de amor é um juramento;
é a mais sentida forma de jurar
que o amor é o mais belo sentimento
acariciado por uma noite de luar…

e ante uma esplendorosa e brilhante lua
tu és o meu admirador e eu a estátua
que te fez passear no jardim da fantasia…

tu és o único motivo vivo nesta paisagem
e eu o enfeite em pedra, uma imagem
sendo o que não sou e tanto queria…


31.03.07

quarta-feira, março 21, 2007

CANTAROLAR A PRIMAVERA




Primavera! Primavera!
Estação de pássaros e flores
Ai sonhar, … quem me dera
Com todos os meus amores…

Ai Primavera tão florida,
Que saudades eu já tinha
De tanta cor tão garrida
E de ver uma andorinha….

Gosto muito de flores
Violetas, jacintos e rosas
Todas com tão lindas cores,
E algumas tão cheirosas…

Vim a Primavera cantar
E também toda a Poesia,
E a ti, em especial, vim dar
Meu beijo de fantasia…

Poesia és tu, afinal,
Primavera da minha vida,
Já com este ar outonal,
És minha flor preferida…


21.03.07

segunda-feira, março 19, 2007

AINDA UMA FOLHA DO DIÁRIO





A noite decorre dentro do que é habitual. Passei os olhos por Blogues de conhecidos e amigos, fiz um breve comentário no Clube de Pensadores e prestei atenção especial ao teu último escrito, enquanto escutava uma música de fundo, muito calma.

Não me surpreende que escrevesses tudo aquilo. Quando queres atingir o âmago de uma questão, escreves o que te vai na alma ou se pretendes atingir quem te lê, e a quem ainda não tiveste coragem de dizer para não te dirigir mais a palavra...

Muito interessante como despiste aquele modelo… mas não me fez sentir qualquer reacção… Talvez não acredites, mas de tanto amar alguém, sem que isso seja ao menos motivo de reconhecimento, tornei-me irónica e por vezes sádica no refere ao amor. Para quê amar se de ninguém vem feedback? Estamos rodeados de egoístas que apenas olham para a sua aureola, considerando-se o que há de melhor? E um dia destes partem sem sequer terem tido tempo de observar que eram humanos…

Mas não passei a noite amargurada pela indiferença e pelo desgaste psicológico de estar frente a frente a um silencioso monitor, que vai aceitando os meus queixumes… exactamente o mesmo procedimento da minha adorada figura, que nunca responde ao terno chamamento… Não, estive a traduzir mais umas linhas de um trabalho muito interessante que investigo, sobre sexualidade sénior.

A propósito de sexualidades e de sexo, comecei a ler um livro interessante, escrito por uma garota de programa brasileira (O Doce Veneno do Escorpião), em que descreve situações e factos com um detalhe extraordinário e muito para além de explorar o que o sexo significa para esta autora, interessa-me analisar as reacções que os clientes têm, para perceber algo que não entendi até hoje.

Não fiquei por aqui. Antes de iniciar mais esta folha solta do diário que vou escrevendo, passei em revista as duas mil e tal fotos que tenho de uma pessoa amiga, que tal como eu, tem a paixão pela fotografia e fiquei a pensar…

E com o pensamento concentrado no meu doce sonho, venho escrever mais estas linhas… É bom amar, mesmo que não tenhamos senão aquele além que nos deixa uma saudade sem limites.


19.03.07

sábado, março 03, 2007

À MINHA ESTÁTUA


É desolador, não ser reconhecido a estima que se tem por estátuas, em quem se investem “fundos” de carinho, amizade e até amor.

A revolta faz com que a alma se desfaça em cascata de dor e se criem ondas incomensuráveis de ódio, que se vão distribuindo por outros seres, que não tendo nada a ver com a situação causada, vão bebendo as palavras agrestes que deixamos vaguear entre os prantos que nos assolam.

Não atendo mais o telefone! Ou o que quer que seja… Disse-o, mas não o fiz, porque sempre senti que faltava coragem suficiente para o fazer.

A estátua de mármore frio, jamais iria ter sensibilidade para perceber o que dizia o meu sentir. Dando encanto e recebendo admiração daqui e dali, apenas fazendo o papel de estátua… uma estátua não tem sentimentos. Uma estátua apenas e vaidosamente recebe, mas não dá nada a não ser a sua imagem: lamentavelmente, personificamos estátuas. Damos-lhes nomes e até nos apaixonamos… e o mármore não ganha cor; não adquire o movimento da mão estendida a acarinhar a solidão…

Sentei-me aqui. Tenho a minha adorada estátua, impávida e fria, na minha frente. Traz um vaso florido, mas não é para mim… será para um novo frequentador deste jardim… a minha estátua vai encantando quem aqui chega de novo, além dos pombos que vão esvoaçando ao seu redor… a minha estátua! A minha estátua nem repara nos velhos admiradores…

Claro que a estátua não é minha. A estátua é deste jardim e de todos os que por aqui passam, deitando-lhe olhadelas de admiração. Admiração passageira. Quem sabe, se depois de virarem o canteiro seguinte, a voltam a recordar?...

Ontem pareceu-me receber o favor de um olhar da minha estátua. Pareceu-me que aquele olhar desdenhoso me era dirigido. Gritou-me como que o eco numa gruta, aquele olhar de soslaio. E ouvi. Ouvi a minha estátua balbuciar uma frase. Uma frase que interiorizei. Até que nem disse mentira (penso eu), ou talvez fosse para me iludir… Por isso hoje voltei a sentar-me no mesmo banco, mesmo à sua frente, para tentar ouvir de novo chamar-me decrépita, dona de uma saudade morta. Mas hoje apenas me votou ao ostracismo… e isso desolou-me. Como pode a minha estátua ignorar que mesmo os velhos têm sentimentos?...


26.02.07

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

PARADOXOS A AZUL

Uma densa poeira parda espalhou-se em meu redor, quando todo o meu ser implodiu, depois da leitura das muitas palavras que deixaste escoar, em um dos teus escritos. Poeira fina que mais parecia um banco de nevoeiro deslizando pelos vales, deixando tudo opaco, como que sem vida.

Mentalmente passo em revista todos os comportamentos que tive e todos os que poderia ter tido; não foram mais do que consequência de outros por ti encenados, para justificar o que não tem justificação… justificações éticas, como se os sentimentos fossem regidos por qualquer ética…

É sempre precário o equilíbrio entre o que está certo ou errado à luz da visão do que queres, ou não queres ter, em todos os momentos. Momento que apenas são os que queres que sejam, ou não, manobrando a vontade, como se estivesses a manobrar o leme de uma embarcação, para se livrar de um obstáculo à deriva, em pleno mar alto…

A sequência das palavras que dispões a belo prazer, têm como único propósito magoar; ferir até que jorre sangue vivo, que bebes em taça, a brindar ao desgaste que causaste e dando a beber o veneno escorpiónico, escorrido de beijos suculentos, que enganadoramente servem de manjar a sonhos rebeldes, de seres deambulantes entre a solidão e o desgosto da perda, de amar e ser desamado…

A insatisfação brilha em ti e o eloquente silêncio com que dizes o que não queres dizer, aniquila qualquer paciente humano, que nada mais procura do que aliviar a sua solidão, dando os restos de um amor moribundo, fechado numa decrépita estrutura, que agora, acabada de destruir, pairará no ar feita poluição, sem nunca ter podido dar prova do que poderia ter sido ou do que jamais poderá ser…

Deixaste em meus ouvidos o som melodioso das ondas pequeninas que beijam o Tejo, numa fantasia de vai e vem, como que massajando um rosto gasto por prantos incessantes de tanto tempo, sem que o que tanto desejava ouvir, fosse dito…

Deixaste em meus olhos o brilho das cores do arco-íris, que se esfumou entre duas chuvadas, onde os sonhos se afundaram também e agora apenas a poeira em que me vou transformando…

Deixaste enfim, que desfilassem pela minha memória, todos os momentos que vão desaparecendo comigo… momentos que nunca tive e que sem passarem de sonho, no sonho os vou perdendo…


14.02.07