É mesmo isso. Um dia, de repente, sentimos que estamos saturados e aquela pessoa que preenchia todos os nossos momentos pareceu-nos um monstro. Foi assim que hoje olhei para ti - um monstro!
Detestei-te. Odiei todos os passos que deste, Odiei todas as gargalhadas que fizeste soar entre o ar parado e a noite escura, de um céu encoberto, tal como deixaste a minha alma... o que te preenche destruiu o que tentava construir...
Cada palavra apenas teve o intuito de me amachucar, de denegrir o que fui sentindo por este tempo fora… mas agora, como se estivesse a acordar se um pesadelo, só penso que nem tenho mais desejo de me cruzar contigo… Vulgar! È o que te posso chamar.
Sempre soube que assim era. Nada foi novidade, apenas tentei enganar-me, para que o tempo fosse mais fácil de suportar, mas agora é tarde. Tal como todas as folhas de papel que vou arquivando, tu passarás ao arquivo. Não mereces nada mais do que isso.
Tal como a hora mudou, eu mudei também. És o ontem e nada mais do que isso… veremos se te agrada… ou talvez nem te apercebas… até que… é isso mesmo. Até que novos acontecimentos te levem a recordar que eu estava sempre ali… mas já não estarei. Tudo tem um começo, um meio e um fim…
29.10.07
segunda-feira, outubro 29, 2007
“ARRUMAÇÃO DE IDEIAS”
domingo, outubro 21, 2007
Hoje………20.10.07
Um dia acordamos e sentimos que estamos tão vazios como se fôramos um balão rebentado. Pois é mesmo assim que me sinto. Algo me está escapando e não consigo dar a volta…
Idiota é tudo o que te posso chamar. Não prestas nem serves para nada… mias, mas devias zurrar… com esses olhos “langanhosos” de cordeiro mal mamado, tentas enganar quem? Amor não é coisa que exista como os pacotinhos individuais de chá… é mais, mas cabe a cada um entendê-lo e respeitá-lo.
Mas adiante. Não posso mudar o mundo embora o mundo me vá mudando a mim. Devo aceitar, concordar, ser assertivo, ser condescendente, ser tudo o que se quer que seja e sorrir, sorrir para o vasto auditório. Um auditório agigantado, nacional e internacionalmente… e à noite aconchegar a cara na almofada, a minha querida almofada e chorar. Chorar pelo que já perdi e por tudo o que não consigo alcançar… e às vezes, uma curta frase seria o suficiente para que a auto-estima subisse e eu, qual balão vazio, voltasse a flutuar no universo da felicidade com o pouco de ar que lhe era soprado.
Eu sei que não serve de nada chorar sobre o leite derramado… mas a tristeza tem destas coisas. Faz-nos de parvos e depois ri-se na nossa cara…
O dia passou entre o agradável e o passa que passa e entre uns sorrisos e umas lágrimas meio escondidas; deixou que o anoitecer tomasse conta de todos os factos e os arquivasse como se de facturas e guias de remessa se tratasse… enfim! Este é o papel de cada um, neste amarrotado de horas em que o tempo domina, sem que possa ser contado em paralelo com as tais horas que escorrem pelo convencional relógio imposto, desde que me lembro de ser eu…
E o sábado morreu como qualquer flor que murcha numa jarra, antes viçosa e fazendo parte da planta mãe e depois de cortada… … …
20.10.07
domingo, outubro 14, 2007
DEBATE MATINAL
Às vezes, sem que queiramos, perdemos a oportunidade de cumprir o que havíamos combinado anteriormente. Foi mesmo o que aconteceu desta vez. Contra ventos e marés lutei, escrevi no caderno que sempre me acompanha o texto, mas depois, múltiplas contrariedades levaram-me a não publicar o texto em simultâneo com o teu. Peço desculpa. A ver vamos se hoje, passados uns quantos dias o consigo fazer.
Ora bem, no passado dia 11, escrevi:
Acordei impaciente. Dividida entre a incerteza e a angustia de um dia haver uma certeza. Uma única. Melhor, a única que iria apaziguar esta constante ansiedade, intercalada por uma eufórica alegria e risos dispersos e uma tristeza profunda, impossível de avaliar. E eu sou eu em ambas as situações e eu sou eu rindo e eu sou eu chorando que nem uma “madalena”… salto e solto todo o meu entusiasmo frente à repleta sala de aula – os meus queridos alunos seniores – que me dão força para ser cada vez mais uma real professora (porque poucos podem dizer o mesmo).
Sem dúvida, professor é mártir! Não há direito de se fazer o que se faz a este estrato social. Como vai ficando a vertente mais importante da nossa sociedade… Saiu a 4ª cíclica! Muitos dos meus amigos e muitos que não conheço, mantêm-se no desemprego. Que vergonha!
Mas não ficamos por aqui. Que ignorância é esta de não se entender o que é anti-pedagógico? Turmas tão grandes… e lá vêm dizer posteriormente, que os professores não prestam… será que há a noção da diferença de ensinar dezoito alunos e ter mais de vinte e tantos na sala de aula? Será que há noção de que psicologicamente não há condição de se ser profissional com tantas divergências e tanta arrogância? A arrogância e a prepotência são sinónimos de incompetência, não sabeis disso?
Bem, mas já percebi. O que contam são os números… mas economiza-se por um lado … e esbanja-se por outro… mas os professores são apenas marionetas de pau…
Ainda esta, que quem não sabe, procure saber. Apareceram horários no secundário, por aqui e por acolá, para duas, quatro ou seis horas… no norte… no centro ou no sul… Ora vejamos: um professor no sul, não colocado, deverá aceitar um horário de quatro horas no norte? Que desarrumação! Não vou chamar outra coisa, mas vamos pensar… o professor X, nessa situação de desempregado, mas com casa, família e N responsabilidades pode aceitar esse horário algures, onde terá de ir viver, terá de comer, terá de usar transportes, deverá adquirir material de apoio à sua função… enfim, será que pode viver com uma remuneração correspondente ao horário que lhe vai caber? Estamos a brincar ou quê? É não termos noção das realidades… (dentro de uma situação destas, o professor terá de viver com alguns “expedientes”, de esmolas ou se alugar) ou pretende-se proporcionar um “tacho” a alguém de outras linhas que não o ensino… ou proporcionar que um professor dê aulas em dois ou três estabelecimentos, numa área relativamente perto, para saltitar de escola em escola até perfazer o horário completo? (Isto é negativo em todos os aspectos, o desgaste irá seguramente reflectir-se na qualidade do exercício das suas funções…). Pensemos!
11.10.07
Às vezes, sem que queiramos, perdemos a oportunidade de cumprir o que havíamos combinado anteriormente. Foi mesmo o que aconteceu desta vez. Contra ventos e marés lutei, escrevi no caderno que sempre me acompanha o texto, mas depois, múltiplas contrariedades levaram-me a não publicar o texto em simultâneo com o teu. Peço desculpa. A ver vamos se hoje, passados uns quantos dias o consigo fazer.
Ora bem, no passado dia 11, escrevi:
Acordei impaciente. Dividida entre a incerteza e a angustia de um dia haver uma certeza. Uma única. Melhor, a única que iria apaziguar esta constante ansiedade, intercalada por uma eufórica alegria e risos dispersos e uma tristeza profunda, impossível de avaliar. E eu sou eu em ambas as situações e eu sou eu rindo e eu sou eu chorando que nem uma “madalena”… salto e solto todo o meu entusiasmo frente à repleta sala de aula – os meus queridos alunos seniores – que me dão força para ser cada vez mais uma real professora (porque poucos podem dizer o mesmo).
Sem dúvida, professor é mártir! Não há direito de se fazer o que se faz a este estrato social. Como vai ficando a vertente mais importante da nossa sociedade… Saiu a 4ª cíclica! Muitos dos meus amigos e muitos que não conheço, mantêm-se no desemprego. Que vergonha!
Mas não ficamos por aqui. Que ignorância é esta de não se entender o que é anti-pedagógico? Turmas tão grandes… e lá vêm dizer posteriormente, que os professores não prestam… será que há a noção da diferença de ensinar dezoito alunos e ter mais de vinte e tantos na sala de aula? Será que há noção de que psicologicamente não há condição de se ser profissional com tantas divergências e tanta arrogância? A arrogância e a prepotência são sinónimos de incompetência, não sabeis disso?
Bem, mas já percebi. O que contam são os números… mas economiza-se por um lado … e esbanja-se por outro… mas os professores são apenas marionetas de pau…
Ainda esta, que quem não sabe, procure saber. Apareceram horários no secundário, por aqui e por acolá, para duas, quatro ou seis horas… no norte… no centro ou no sul… Ora vejamos: um professor no sul, não colocado, deverá aceitar um horário de quatro horas no norte? Que desarrumação! Não vou chamar outra coisa, mas vamos pensar… o professor X, nessa situação de desempregado, mas com casa, família e N responsabilidades pode aceitar esse horário algures, onde terá de ir viver, terá de comer, terá de usar transportes, deverá adquirir material de apoio à sua função… enfim, será que pode viver com uma remuneração correspondente ao horário que lhe vai caber? Estamos a brincar ou quê? É não termos noção das realidades… (dentro de uma situação destas, o professor terá de viver com alguns “expedientes”, de esmolas ou se alugar) ou pretende-se proporcionar um “tacho” a alguém de outras linhas que não o ensino… ou proporcionar que um professor dê aulas em dois ou três estabelecimentos, numa área relativamente perto, para saltitar de escola em escola até perfazer o horário completo? (Isto é negativo em todos os aspectos, o desgaste irá seguramente reflectir-se na qualidade do exercício das suas funções…). Pensemos!
11.10.07
sábado, outubro 06, 2007
“AS PALAVRAS DE HOJE”
Posso ser tudo, mas parva, não sou. Apenas me posso engajar em sonhos, até que, de repente, interiorize que nada faz sentido. Que incongruência continuar a escrever. Escrever frases e mais frases, cujo significado só teria sentido com o teu gostar.
Morta que está a minha alma com a minha ilusão, já nada tem justificação. No mundo abstracto em que o amor tem a brevidade de um arco-íris, nada mais tem oportunidade.
Desfiz a embalagem do sonho e deitei fora as ilusões que houvera embrulhado tão carinhosamente… não têm qualquer utilidade…
O brilho do olhar deixou de se reflectir nos lábios e estes deixaram de ansiar por outros que os acariciassem… (seria horrível desejar uns lábios que almejam beijar outros…) assim, como num féretro fúnebre, tudo de mim saiu…
05.10.07
sexta-feira, outubro 05, 2007
“PAGINA Z DO DIARIO”
Escoam-se as nuvens do encantamento. Surgiu o sol, quente mas outonal. Teus olhos viraram na direcção da luz e esqueceste na sombra das palavras gentis e deliciosas, outrora dedicadas a tantos outros por quem te encantaste e dedicaste esse teu eterno fulgor.
À noite as estrelas parecem bijutarias imitando pedras preciosas sobre o manto de veludo azul-escuro, que é o Universo que nos cobre…
Escondes todas as frustrantes obsessões em filosóficas fraseologias para mostrares o que queres que apenas não admitam, e, em malabarismos linguísticos, vais deixando uma mística angústia nos todos aqueles outros…
Enamorei-me de uma realidade numa época em que achas obsoleta tal vertente em alguém… Já não há quaisquer sentidos… Impossível!... mas quem está errado és tu!!!
02.10.07
segunda-feira, outubro 01, 2007
“FOLHA X DO DIÁRIO”
As informações são vagas. Vão surgindo intercaladas com surpreendentes exclamações. Fazes parte do nada feito entre o que nada é e quando o é, é-o incomensuravelmente abominável…
Do humor fizeste a caótica existência que não tens e o miserabilismo em que te envolves, finalidade única para chamares a atenção de incautos indefesos que vão sucessivamente chegando e partindo, como aves migratórias, quando chega a mudança de estação… mudam a pena e voam de novo em busca de outros ninhos ou do que deixaram à espera, do outro lado…
Quando dizes o que premeditadamente preparaste para magoar, não tens pejo de o fazer, doendo a quem doa, fazendo-te cobrar caro pelo que te estimam… e de galho em galho, saltitas como o pintarroxo no jardim do Éden, que criaste para atrair as aves canoras que vão cantarolando seus amores, para gozares suas desgraças…
No vai e vem do Inverno, vens e vais, és e não és; do que nada tens, dás enganadoramente, pondo em evidência o que frustrantemente incendeia e que selectivamente vais impingindo, como um adocicar de lábios, depois de se saborear uma cereja doce…
01.10.07
quinta-feira, setembro 27, 2007
UM FILÓSOFO - André Gorz
A Filosofia empobreceu um pouco no passado dia 24 de Setembro. André Gorz nascido em Fevereiro de 1923 em Viena de Áustria e tendo chegado a Paris em 1949 (foi registado sob o nome de GERARD HORST e era filho de um comerciante judeu e de uma secretária católica, mas cresceu num ambiente anti-semita, que levara seu pai a converter-se ao catolicismo).
Suicidou-se conjuntamente com a mulher, cuja doença degenerativa se vinha a deteriorar nos últimos anos, tendo sido encontrado, deitado junto dela, numa demonstração ímpar de amor pela sua companheira.
Licenciou-se em Engenharia Química em 1945 pela Universidade de Lausanne e desde cedo sentiu maior proximidade com a filosofia, a fenomenologia e o existencialismo de Sartre.
Entrou no mundo do jornalismo na revista "Paris-Press", com o pseudónimo Michel Bosquet e mais tarde relacionou-se com Herbert Marcuse, pensador da Escola de Frankfurt.
André Gorz foi considerado o filósofo anti-capitalista e criticou ferozmente o estruturalismo, a diminuição do sujeito e da sociedade face à razão económica, tentando dar resposta ao problema com a ecologia.
A sua obra foi demarcada com os livros que publicou, como "Misérias do presente, riqueza do possível", "Crítica da divisão do trabalho", "Adeus ao proletariado" e "O imaterial: Conhecimento, Valor e Capital".
Que a sua obra nos seja útil e respeitemos a sua memória e o seu acto.
27.09.07
terça-feira, setembro 25, 2007
“UM FIM DE TARDE”

Quando se está deprimido, parece que as coisas que deprimem mais se aproximam. É bem certo que na realidade, nós é que parecemos imã, a atrair o que ainda mais nos vai deprimir.
Depois de um dia atarefado, com uma mistura de francês e inglês, a tirar dúvidas à R., fiquei sem tinta na impressora e por isso o trabalho de pesquisa que a garota queria, ficou em lista de espera… eu também promovo listas de espera…
Depois, e, com umas sobras de tempo, decidi distrair-me e dar uma volta pelos Bolgues, conhecidos e outros não. Mas mais valia ter ficado quieta, porque escusava ter lido o que li e ter observado que essa paixoneta é mesmo forte… e agora é de ambas as partes…. E vai daí, já não contam os compromissos assumidos nem a racionalidade, porque correm na mesma vertente e são da mesma faixa etária. Pois bem! Resta-me a consolação que já ouvi o mesmo e se o trouxa não acordar a tempo, vai cair na esparrela que eu caí… “com papas e bolos se enganam os tolos…”. A conversa é sempre a mesma.
Mas tem mais. Lendo com atenção um Blog de alguém que se diz muito letrado, deitei as mãos à cabeça, porque afinal, aqueles que zurram são mais humanos e mais inteligentes… então não querem lá ver que as pessoas, agora nem sabem interpretar o que lêem? Isto é demais… e querem que se evolua, quando cada vez se diz “mais” mal, se critica mais e não se ajuda em nada a melhorar o que se reprova…
Conheço alguém que volta não volta me diz –“sou um camelo” – e conheci em tempos alguém, que costumava dizer-me – “Sou um “camurso” isto é, camelo e urso ao mesmo tempo… Bem! Que duas pessoas tão diferentes e na realidade tão “parecidas” na selva… só espero que a razão que as leva a dizerem-se isso, não seja a mesma… embora pense que, se uma acordou tarde, a outra ainda nem acordou…
O estado depressivo cresceu e eu fui comprar cigarros. A lua elevou-se no horizonte e eu pensei: “ não é tarde nem é cedo, estes são os meus “doces” amigos, que aperto entre os lábios e me entendem, me escutam e me aparam as lágrimas…” afinal sempre vou tendo razão, fico sempre para o fim da fila… muitos anos, tristeza quanto baste, má experiência de cama, inconformada e com filosofias de “cordel” como a de entender sempre os que estão na pior… uns porque têm sempre compromissos inadiáveis, outros porque estão em fase de encantamento e outros porque têm sempre alguém como mais importante… e assim vai um ser vivendo, a aparar os jogos que todos pretendem jogar… isto sem perceber “népia” de futebol…
Escureceu. A lua elevou-se mais no horizonte e eu vim escrever, ou melhor, vim desentupir as ideias, despejando toda a revolta que sinto, porque devia odiar, detestar, banir do pensamento todos os que me provocam tristeza e mau estar… e nem sabem ao menos disfarçar, embora sabendo mentir…
Mas, como já disse em tempos, a mentira pode ser verdade, quer por não ser a minha verdade, quer por quem a diz, se auto convencer que essa é a sua verdade e como tal tem de ser a verdade para os demais… é doentio e até há quem já me tenha dito que é preciso mentir para não criar problemas… engraçado… sempre aprendi que a mentira era bem devastadora na relação entre as pessoas… O tal faz de conta, afinal, é mais importante do que eu houVera pensado….
Como amanhã será mais um dia de infortúnio, com o ventinho a soprar e a temperatura a descer, vou tentar criar condições para o aceitar… como tenho aceite todos os outros… como a lava incandescente a inundar e a queimar a flor do monte tão cândida…
25.09.07Depois de um dia atarefado, com uma mistura de francês e inglês, a tirar dúvidas à R., fiquei sem tinta na impressora e por isso o trabalho de pesquisa que a garota queria, ficou em lista de espera… eu também promovo listas de espera…
Depois, e, com umas sobras de tempo, decidi distrair-me e dar uma volta pelos Bolgues, conhecidos e outros não. Mas mais valia ter ficado quieta, porque escusava ter lido o que li e ter observado que essa paixoneta é mesmo forte… e agora é de ambas as partes…. E vai daí, já não contam os compromissos assumidos nem a racionalidade, porque correm na mesma vertente e são da mesma faixa etária. Pois bem! Resta-me a consolação que já ouvi o mesmo e se o trouxa não acordar a tempo, vai cair na esparrela que eu caí… “com papas e bolos se enganam os tolos…”. A conversa é sempre a mesma.
Mas tem mais. Lendo com atenção um Blog de alguém que se diz muito letrado, deitei as mãos à cabeça, porque afinal, aqueles que zurram são mais humanos e mais inteligentes… então não querem lá ver que as pessoas, agora nem sabem interpretar o que lêem? Isto é demais… e querem que se evolua, quando cada vez se diz “mais” mal, se critica mais e não se ajuda em nada a melhorar o que se reprova…
Conheço alguém que volta não volta me diz –“sou um camelo” – e conheci em tempos alguém, que costumava dizer-me – “Sou um “camurso” isto é, camelo e urso ao mesmo tempo… Bem! Que duas pessoas tão diferentes e na realidade tão “parecidas” na selva… só espero que a razão que as leva a dizerem-se isso, não seja a mesma… embora pense que, se uma acordou tarde, a outra ainda nem acordou…
O estado depressivo cresceu e eu fui comprar cigarros. A lua elevou-se no horizonte e eu pensei: “ não é tarde nem é cedo, estes são os meus “doces” amigos, que aperto entre os lábios e me entendem, me escutam e me aparam as lágrimas…” afinal sempre vou tendo razão, fico sempre para o fim da fila… muitos anos, tristeza quanto baste, má experiência de cama, inconformada e com filosofias de “cordel” como a de entender sempre os que estão na pior… uns porque têm sempre compromissos inadiáveis, outros porque estão em fase de encantamento e outros porque têm sempre alguém como mais importante… e assim vai um ser vivendo, a aparar os jogos que todos pretendem jogar… isto sem perceber “népia” de futebol…
Escureceu. A lua elevou-se mais no horizonte e eu vim escrever, ou melhor, vim desentupir as ideias, despejando toda a revolta que sinto, porque devia odiar, detestar, banir do pensamento todos os que me provocam tristeza e mau estar… e nem sabem ao menos disfarçar, embora sabendo mentir…
Mas, como já disse em tempos, a mentira pode ser verdade, quer por não ser a minha verdade, quer por quem a diz, se auto convencer que essa é a sua verdade e como tal tem de ser a verdade para os demais… é doentio e até há quem já me tenha dito que é preciso mentir para não criar problemas… engraçado… sempre aprendi que a mentira era bem devastadora na relação entre as pessoas… O tal faz de conta, afinal, é mais importante do que eu houVera pensado….
Como amanhã será mais um dia de infortúnio, com o ventinho a soprar e a temperatura a descer, vou tentar criar condições para o aceitar… como tenho aceite todos os outros… como a lava incandescente a inundar e a queimar a flor do monte tão cândida…
domingo, setembro 23, 2007
REFENS DO DESTINO
No mundo pouco conhecido dos ácaros, do pólen, das bactérias, há sempre uma preocupação: manter a espécie!
Que lugar tão apropriado!... uma cama de uma enfermaria de um qualquer hospital…
A conversa, se escutada, seria interessante, na melhor das hipóteses…
Dois ácaros congratulavam-se pelos recentes acontecimentos – não se podia mudar os lençóis e as fronhas… não tinham chegado da lavandaria as mudas, devidamente desinfectadas. Que festa!
Na cama X, da dita enfermaria do tal hospital, o lençol e a fronha também cochichavam e ao escutarem o diálogo dos ácaros… meteram a colherada… Pois! Pois!... se eles soubessem que foi a falta de pagamento que fez tudo isto… não há roupa para mudas!
- “O lençol azul é que ficou feliz…” dizia a fronha rosa ao seu parceiro… ficaram reféns do destino. Assim ficam juntos!...”
- “ Mas… não entendo… a fronha azul estava velha e já um pouco esfarrapada…. E o lençol azul veio na última remessa de novos…”
-“ Pois é!” – “Mas a fronha envelhecida, não será cobiçada facilmente, por isso não seguirá por engano na sacola de alguém com alta…”
Há coisas que os humanos nunca entenderiam… (ainda murmurou o lençol rosa) Os ácaros espantados, juntaram-se à festa e deram uns “hip-hip-hurra” àqueles reféns do destino…
15.09.07
quinta-feira, setembro 20, 2007
“ESMOLAS!”
Esmolas tanto podem ser donativos como auxílios, como favores. De uma ou de outra maneira, todos pedimos isto ou aquilo. Todos somos pedintes. Pedimos atenção, pedimos emprego, pedimos votos, pedimos favores, aumento, licença, esmolas… enfim, pedimos tudo, mesmo não sendo indigentes. Somos pedintes!
Orgulhosamente pedintes!... Ridiculamente pedintes! Pedir o que temos direito! Que estranho! Muitas vezes pedimos o que não merecemos. Outras, pedimos sem plena consciência do que estamos a pedir… outras ainda, pedimos aquilo a que naturalmente temos direito. A maior parte das vezes, ninguém ouve os nossos pedidos ou, simplesmente, finge que não os ouve…
Mas entenda-se que há mais de uma forma de pedir, mas a forma de dar é que poderá não ser…
Vamos olhar para cada um de nós como pedintes e desde que nascemos, não tendo contudo, pedido para nascer…
Eu, pedinte, reconheço-me insignificante, face a não ser ouvido o meu pedido… Nem santos, nem deuses do Olimpo, nem tão-pouco as ninfas que inspiraram Camões… Mas se tenho de continuar a pedir… Não! Não serei mais uma subserviente rastejante, para ser ouvida… Amor não é transacção, como se fosse acções… Se te habituaste a apostar no melhor cavalo… eu não passo de zebra… e mesmo pedinte, isso não peço!!!
19.09.07
terça-feira, setembro 18, 2007
“ANALOGIAS OU TALVEZ NÃO”
Um elefante incomoda muita gente. Dois elefantes incomodam muito mais… três… começava assim uma história que a minha avó contava, passada nos interiores de Africa, em que os autóctones viviam amedrontados, mas em simultâneo deixavam os enormes paquidermes a destruir as suas culturas, sem que nada lhes fizessem, por se considerarem castigados pelas forças divinas.
Recordei a história, porque afinal, em sentido figurado, também temos manadas de elefantes: cinzentos, cor-de-rosa e brancos… que incomodam muita gente… mas os pigmentados à camaleão, são os que mais nos assustam…
Há uns tempos para cá, vou admirando mais as histórias que a minha avó contava. Tinham sempre uma profundidade que só ao cabo de tantas décadas consigo interpretar com mais clareza. E que actualidade têm!
Mas não era de nada disto que queria falar. Que analogias vamos buscar… O assunto é bem diverso e se alguma réstia de equiparação se encontrar, é pura imaginação.
O meu tema de hoje reporta-se a colocação de professores. Refere o que de incoerente há na colocação dos ditos, mesmo sendo um largo número de cidadãos imprescindível a todos, indistintamente. Os professores já foram alunos de professores, que por sua vez já haviam sido de outros e assim sucessivamente…
Pessoalmente, nada tenho a ver com o assunto. Já não conto para estatística e até bem cedo fui banida. Mas vivo em cada veia o ensino, porque acho que nasci para ser professora… gosto de ensinar, com conhecimento e amor, porque só se é bom no que se faz, quando se ama o que se faz.
Mas ser professor é quase uma maldição. A maioria é mal remunerada. Não pode ter vida própria e muito menos estabilidade emocional. São uma espécie de caracóis peregrinos, os professores contratados… que grande incentivo para transmitir conhecimentos!!!
Depois, vêm ainda outras condicionantes: a impossibilidade de evoluir, sobretudo nas áreas específicas do conhecimento que transmitem, pois que, com o baixo rendimento remuneratório, não se pode investir em livros, formações, enfim, acompanhar as mutações e evoluções que quaisquer ramos vão sofrendo. É castrador para quem ama o que faz.
Não entendo porquê há sempre no fundo da última prateleira do cofre de uma qualquer escola, aquele horário completo, que logo por azar vai para um alguém “desconhecido” ou, se o tal azar se mentem, acaba por desaguar na escola X o professor Y, que por azar nasceu na Raia, fez a sua vida na costa e é colocado na montanha… Tudo tem a ver com a sua personalidade, com a vivência e prioridades preestabelecidas para a sua vida.
Isto é consequência de um perfeito planeamento e uma planificação aplicada ao desenvolvimento…
14.09.07
segunda-feira, setembro 17, 2007
1º DEBATE DO 4º CLICLO
Uma vez mais, o Clube dos Pensadores põe em evidencia a importância do esclarecimento, através dos debates políticos que leva a efeito ao iniciar este 4º Ciclo.
Tem como tema este primeiro debate “A Verdade e a Política”, tendo como convidada a Euro deputada socialista ANA GOMES, caracterizada, sobretudo, pela sua frontalidade e largo conhecimento do tema em discussão.
JOAQUIM JORGE, fundador do Clube e organizador destes debates, convidou ainda outras entidades: CARLOS PEREIRA (psiquiatra e antigo director do hospital de Valongo) e GUILHERMA ALARCÃO (mestre em história medieval).
O evento tem lugar no Hotel Holiday Inn, esta noite, depois das 21H30, a seguir a um jantar que reunirá os convidados e membros do Clube.
Votos de que seja mais um sucesso.
quarta-feira, setembro 12, 2007
“ALERTA!”
Segundo o jornal “METRO” de 11 de Setembro, três mil pessoas suicidam-se por dia. Numa chamada de alerta, referem que no mundo, em cada trinta segundos, uma pessoa se suicida, o que perfaz o valor supracitado.
O alerta é proveniente da OMS (WHO) – Organização Mundial de Saúde – aquando assinalado o “Dia Mundial de Prevenção do Suicídio”.
Segundo estimativas provenientes desta Organização, por cada suicídio levado a efeito com sucesso, registam-se, pelo menos, vinte tentativas falhadas.
Refere também a notícia em causa que a incidência se verifica entre a faixa etária entre os 15 e os 35 anos e que esta pode ser considerada a terceira causa de morte, sobretudo nos países em desenvolvimento.
Ainda segundo a OMS, das tentativas falhadas, resultam graves lesões e sequelas que, afectam os próprios suicidas, como também familiares e amigos.
Contudo, há que referir que muitos dos factores que levam a este estádio limite, poderiam ser reduzidos, se, houvesse uma melhor convivência entre as pessoas, mais transparência nas relações e mais verdade. Muitos destes suicídios estão ligados a problemas de saúde, a desvios psicológicos, a frustrações e outras causas, mas fundamentalmente, a causa emocional, é muito influente. No campo das emoções, o “Amor”, e se incompreendido e não clarificado, pode promover traumas como o da rejeição, levando a extremos os seres humanos.
11.09.07
domingo, setembro 09, 2007
CONDIÇÕES VERSUS IMPOSTOS
Sem querer abusar do optimismo dos leitores deste Blog, venho abordar uma vez mais o tema que o patrono do nosso Clube dos Pensadores expôs tão bem, num artigo anteriormente apresentado.
Não me vou repetir, mas não deixa de ser relevante abordar os assuntos nas múltiplas vertentes em que podem ser analisados.
Pois bem, a saúde é deveras importante para que nos demos ao luxo de a tratar, conforme a vamos tratando actualmente…
Não sou entendida na matéria, mas recordo que, aquando estive ligada à WHO, soube que se realizara em 1978, uma reunião em Alma-Ata cuja directiva foi “Saúde para todos até ao ano 2000”, referindo sobretudo o quadro de cuidados de saúde primários, pondo em evidencia o papel a desempenhar pelos médicos, junto das populações. A prevenção foi a grande aposta, contudo, estamos no segundo semestre de 2007 e por cá, os tais cuidados ainda são muito escassos e os melhores são só para alguns. Prevenção por onde andas? Não nos esqueçamos que para prevenir, é necessário diagnosticar e para isso, é necessário fazer-se, ciclicamente, exames diversos e análises clínicas. São os meios de diagnóstico, mas estes têm número e os médicos de família serão chamados à atenção se “exagerarem” nos pedidos, pelos senhores administradores, que por sua vez também têm de responder por números… penso que se poderia poupar muitos Euros, se se pensasse um pouco na directiva que referi, se fossem feitos muitos exames preventivos e se fossem eliminados muitos medicamentos que só servem para atravancar o desenvolvimento de maleitas, que diagnosticadas precocemente, poder-se-iam reduzir… Sempre é a saúde dos nossos semelhantes…
E agora esta! Professores no desemprego!!! Então é assim que se promove o desenvolvimento sócio-cultural dos nossos patrícios?
Já que somos números apenas, vamos considerar que os números Euros, pagos em subsídios de desemprego, são uma pouca-vergonha. Paga-se para não fazer nada!!! … ou talvez para convidar à fraude: pois é, se por um lado recebem subsídio, por outro têm de trabalhar (à socapa) para poder fazer face às condições consideradas dignas… ora aqui já vão duas desonestidades… uma o subsídio (imposto) e outra os (não aos impostos)!!! …
Sem querer ver os quadros pintados a negro, gostaria que as almas pensantes se debruçassem sobre estes itens e encontrassem soluções, pois só a eles cabe levá-las a cabo. O nosso (os números), papel é o de alertar, quando as coisas não estão a ir muito bem…
Com tudo isto, pretendi dizer que, se não trabalharmos e não recebermos o justo valor pelo nosso trabalho, também não poderemos contribuir correctamente com os nossos contributos e, se não “berrarmos” que há remunerações que são um insulto, ninguém nos ouve.
08.09.07
terça-feira, setembro 04, 2007
CRISE – MOMENTO DE MOMENTOS
Os amigos de longa data são os nossos melhores amigos. São os amigos que estão sempre disponíveis, que nos dão o ombro para que choremos os nossos pesares, que nos dedicam toda a atenção e não trocam a nossa companhia por nada deste mundo. São os amigos especiais que escutam os nossos pesadelos e abdicam de tudo o que lhes dá prazer para satisfazer a nossa insatisfação…
Os amigos de longa data, os nossos melhores amigos, não têm ciúmes de outros nossos amigos mais recentes ou que estiveram ausentes muito tempo, nem deitam em cara constantemente a outros amigos, que os que são de longa data é que são a maravilha.
Os amigos de longa data jamais metem conversa com conhecimentos ou outros amigos nossos, nem tão-pouco tecem monumentais elogios a terceiros e ou a outros seus amigos, com o intuito de gerar confusão e mostrar rejeição a estes, pois a ultima coisa que os bons amigos fazem, é nunca magoar nem preterir os seus amigos, nem mesmo mostrar quanto são insignificantes e ignorantes…
Os nossos amigos de longa data jamais fazem reparo de estarmos dividindo atenção com outros… não nos fazem sentir infelizes e compreendem as nossas desditas… são mesmo bons amigos!!!
Mas será que estive a delirar? Claro! Só podia… Não existe ninguém nestas condições. Amizade com letras gordas, só na nossa imaginação. Os amigos que me mostraram muita amizade já morreram… os outros têm sempre amigos mais amigos do que eu…
03.09-07
terça-feira, agosto 28, 2007
“FUMOS”

Deixei de fumar! Mentira! Verdade?!
Sim! A verdade é que ao parar de fumar, fi-lo com o propósito de não incomodar. O pensamento direccionado ao bem-estar dos que tinham significado na minha vida e faziam desejar que se sentissem bem perto de mim e também o constante recordar do momento belo que vivi e não seria justo não o repetir. Mas aquando a desilusão se apossa, um cigarro é como que uma dupla vingança. O sabor amargo depois de um cigarro, é o castigo por não merecer o beijo idealizado… eis que funciona como uma verdade/mentira.
Quantas lágrimas retidas atrás do fumo de um cigarro… quantos desesperos afundados na cinza de um cigarro ardido… quantas frases não ditas e dissimuladas numa beata amachucada com fúria… tanta angústia dançando entre a espiral de fumo de um cigarro ardendo e perdendo-se no todo…
Quanta escrita inspirada na chama oscilante que acende um cigarro… Quanto ódio! Tanta raiva e desespero… por nada! Por ninguém… apenas por um silêncio tumular, por uma indiferença… por nada!
Não podendo ser razão, é muitas vezes uma razão forte, para quem tendo deixado de fumar, volte a pegar num cigarro, como forma de por cada um, pisar obstinadamente o que sobra, como que se desfazendo todo o seu sofrer…
27.08.07
sexta-feira, agosto 24, 2007
Muros!
Há dois dias, no jornal Público, li um artigo de Joaquim Jorge, o nosso Biólogo do Clube dos Pensadores, que faz o favor de ser meu amigo e que me “assanhou” a vontade de escrever também, dentro do mesmo tema - Os muros deviam ter acabado com a guerra fria.
Assim dissertarei desta forma:
Antes, muito antes do muro de Berlim, outros, tantos outros existiram, mesmo que para isso não se tivesse usado cimento, pedras ou simples paliçadas… e muitos outros irão aparecendo, se muito de dentro de cada um de nós, não se for modificando…
A finalidade com que se criam muros, tem sempre a ver com separações, com o impedimento de misturas, de defesa, ou apenas por se considerar que um muro salvaguarda qualquer tipo de intrusão. Quando se erigem muros, esquece-se que o pensamento é o único espaço que não permite muros físicos e que o que se pretende preservar, é tão frágil com muros como sem eles. Até mesmo os muros ideológicos têm a sua fragilidade.
Os tais muros invisíveis, esses que em cada um de nós, edificamos para manter a nossa teimosia, para criarem uma sombra tão distendida, quanto a nossa obstinada forma de analisar certas situações o pretenda, são a remota origem de por aí se criarem utopias e porque se vive muito no “faz de conta” e se mostra o que se não é… e até nos permitimos “inventar” desculpas para a nossa postura, e posturas para justificar as nossas acções.
Os tais muros (físicos) de pedra, cimento e ferro, têm como objectivo um tempo indeterminado, mas a sua temporalidade está na razão directa com a mutação que os visados vão sofrendo, permitindo-lhes “saltar” o muro. Tudo é efémero!
Terá de haver um destruir de muros, devendo começar por cada um de nós. Afinal, qual de nós é que não tem o seu muro? Quando o muro é de fraca resistência, chamamos-lhe barreira e essa é a forma muito ligeira de justificarmos que A ou B são isto ou aquilo, que este ou aquele procede de forma que não nos convém… estigmatizamos políticos, financeiros, prostitutas ou prostitutos, homossexuais ou lésbicas… somos segregacionistas dentro da nossa categoria de “animal gregário”…
Mais ou menos directa ou indirectamente damos o nosso aval às faltas de planeamento, ao não querer ver a longo prazo e incendiamos com dúvidas o nosso horizonte e temos medo de crescer, de sermos grandes e de mostrarmos que somos válidos e responsáveis, para não se ferirem susceptibilidades… apenas da palavra se faz estandarte e este ondeia ao vento… mas, muitas vezes é mesmo de nós que temos medo. Temos medo de encetar uma nova vida, temos medo de dizer que amamos, temos medo de morrer… edificamos os nossos muros culturais entre tabus e muitas vezes em obscurantismos.
Um dia destes o nosso muro vai ser tão alto quanto longa é a muralha da China… é verdade! Quantas mais dificuldades se criarem para que cresçamos, para que viajemos, para que satisfaçamos as nossas necessidades biológicas, emocionais, económicas e culturais, maior será a nossa ignorância e essa é a maior muralha que nos cerca…
Se a contenção que os muros criam é temporal e não definitiva e se são vulneráveis, porque se vão construindo outros e outros? Assim, um dia nunca desaparecerão…
24.08.07
quinta-feira, agosto 23, 2007
“HOJE, SEMPRE…”
Hoje, assim como ontem, continuo a questionar-me porquê sinto tanta curiosidade em conhecer a comunidade humana onde estou inserida. Questiono sobretudo os valores que movem cada pessoa a estar ou a ser como é ou está.
Obviamente, a minha curiosidade não infere na forma como agem e reagem, mas sim, aguça a minha procura no desvendar das causas que as leva a proceder desta ou daquela maneira.
Podes achar ridícula esta minha pretensão, mas, apenas me martela o pensamento e isto desde que me lembro de mim… há tanto tempo…
Por tudo o que tenho estudado e pelo que leio, vou extraindo conclusões, mas, são minhas e nada me certifica serem verdadeiras.
Contemplo a verdade, como se esta fosse a mais esguia e incomensurável torre, de uma qualquer Catedral, em um qualquer canto do mundo. Mas a verdade nem sequer é verdade, conforme a aprendemos aquando crianças, para nos obrigarem a relatar, sem omissões, o que ia pelas nossas almas… até havia que confessar confidencialidades do nosso pensamento, sob pena de não vivermos em pecado…
Mas voltando à minha contemplação – verdade – não posso deixar de sorrir, porque, por mais bela que pareça a palavra, nada significa, a não ser o que nós queiramos. A minha verdade não é a tua, nem a tua é a minha ou de qualquer outro ser, mesmo daqueles com quem convivemos mais assiduamente. Eventualmente, pode existir mais um, dois ou mil, em que a mesma verdade os bafeje, mas nem por acaso se cruzarão uns com os outros.
A verdade é a utopia com que nos embriagamos, para que a nossa imaginação crie imagens de felicidade, que não é senão outra utopia.
Verdade e felicidade, imaginamos nós, são ingredientes (utópicos) para que vivamos bem (felizes) …
Ainda outra palavra que angustia a nossa existência, é a palavra omissão. Não passa de uma forma falsa de faltar à verdade…
Não queria, propriamente chamar-te, descaradamente, omisso, mas não encontro nada que possa substituir… e essa forma de estar, que ultrapassa a minha capacidade de entender-te, faz-me amar cada vez mais e com mais dedicação, a pesquisa da formula (secreta) para te esquecer…
Quantas vezes, a nossa verdade é uma afronta para quem se vê dentro de outros parâmetros…
Talvez a minha verdade seja tão despropositada que nem mereça ser observada e dado isso, a tal pesquisa da formula secreta, seja desnecessária, pois o que não tem razão de existir, inexistente é…
Tão importante quanto a palavra, é o gesto. Mas este também pode ser traduzível, conforme o interlocutor… o mais afável gesto, pode estar a omitir o seu verdadeiro significado tal como um gesto amoroso pode esconder mil e uma formas enganadoras… muito embora o Homem seja um animal gregário, inventa sempre uma maneira ardilosa de ser pouco ortodoxo no seu relacionamento com o seu semelhante…
28.07.07
sábado, agosto 04, 2007
“DESABAFO DE RAQUEL”
Briga! Foi o que pretendeste. Tens plena consciência de que me magoaste propositadamente, para existir um pretexto palpável para fugir. Fugiste porque o medo te assaltou e não queres encarar a realidade dos factos e preferes, orgulhosamente, vitimar-te com o que não existe. Sabes que sei quanto baste para perceber isso mesmo, mas que nunca pretendeu ser obstáculo ao que sinto. Usas-me como se fosse um toalhete, que se joga fora, depois de utilizado.
É a perfeita forma de agir de um psicopata! (pensei de mim para mim).
Raquel, contou tudo isto e mais, intercalado de soluços e lágrimas e confessou que o amava demais, para aceitar pô-lo fora da sua vida.
Era uma mulher destruída, de baixa auto-estima e com um olhar triste, quase ausente, como o de um moribundo.
Ouvi. Ouvi atentamente, com carinho e respeito por uma pessoa que me pareceu necessitar mais do que ouvi-la, precisava de força e paz, para decidir sobre o futuro incerto que se lhe apresentava…
Não aconselhei. Aliás não seria o meu papel. Ouvi e tentei transmitir a coragem que lhe faltava, para que decidisse de acordo com o que seu eu lhe pedia… mas muito dentro de mim, apeteceu-me dizer-lhe que mandasse para os confins do esgoto, aquele traste…
04.08.07
terça-feira, julho 31, 2007
SEGREDOS
Naquele ninho, mesmo no meio do eucalipto em frente à minha janela, há um segredo. Um segredo de amor.
São tão belos os segredos de amor! São secretos e deixam no ar poesia. Como canta aquele par de passaritos! Chego a pensar como aprenderam eles a ser assim tão amorosos… Coisas da Natureza!
Mas há seres que também têm segredos. E segredos de amor. Como farão? Deve ser maravilhoso ter um segredo assim…
Mas no nosso quotidiano, nem sempre os segredos de amor dão uma felicidade plena…
Ontem voltei a estar com o Carlos e a Maria. Como pode a doença abalar a felicidade destes seres, que tanto idealizaram nada os perturbar…
Pois é, o Carlos é um homem de cinquenta anos, franzino, moreno e com um bigode farfalhudo e uma voz um tanto enrouquecida, como a de um fadista, fumador e com alguns copitos… mas é um homem com encantos e sofrimentos também… Sofrimentos, porque vive a ansiedade própria de quem receia perder o seu amor.
A Maria, de estatura abaixo do comum, deverá ter de altura um metro e meio, mas com um ar delicado e, sobretudo, sem aparentar os seus setenta e sete anos…
O Carlos esperou vários anos pela Maria. Quando ela ficou viúva, pode por às claras o seu amor, conforme me contou… “nem queira saber quanto sofria de medo… se descobrissem… era o nosso fim”. Mas há doze anos casaram. Não havia mais necessidade de se esconderem, nem de fugas cheias de segredo…
Mas mais valia que assim tivesse continuado, dizia o Carlos com os olhos marejados de lágrimas… é que apenas estivemos dois anos sem este fantasma da doença… Há dez anos , depois de uma intervenção cirúrgica, que parecia ser de pouca importância, a Maria teve de começar a fazer quimioterapia… depois já fez mais duas operações… e agora os tratamentos não conseguem ser de seguida, por causa das plaquetas…
“A senhora sabe o que é estar sempre a sofrer pela pessoa que tanto amamos? Eu era menino quando conheci a Maria… foi uma loucura!”
Há momentos na vida que as palavras não saem e ontem estive nessa situação. Quando há uma semana o Carlos me fez as primeiras revelações, fiquei com uma ansiedade imensa. Chorei. Chorei só porque não tive com quem desabafar sobre o assunto… depois, há a ética profissional. Não faria conversa deste assunto a qualquer pessoa… nem tão pouco iria revelar as reais identidades dos intérpretes desta tão triste história…
Ontem o Carlos pediu-me para falar com ele, enquanto esperava que a Maria fosse consultada… eu estava com o Paulo Alexandre, mas ele entendeu. Já passou pelo mesmo…. E só tem quarenta e três anos…
Enquanto estes pensamentos vão escorrendo, o par de passaritos continua no seu melhor diálogo cantante… até eu sinto o amor no ar… por mim própria (não há ninguém que seja merecedor da beleza de um amor que jamais dei fosse a quem fosse – sou mesmo narcísica!!! – este é o meu segredo!)
31.07.07
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