sábado, março 08, 2008
DIA INTERNACIONAL DA MULHER!
Para todas (nós e vós) Mulheres, tenhais a idade que tiverdes, hoje, a minha palavra é para vós. A minha palavra é para vós, tendo o grau de conhecimentos que tiverdes; tendes seguramente o que é inerente a todas as mulheres - ser muito humanas. Quer sejais Avós, Mães, Filhas, sobrinhas, tias, sois Mulheres e como mulheres tendes uma palavra muito significativa a deixar para as vindouras, as nossas continuadoras, porque nós, já as absorvemos das que nos antecederam…
Mulheres! O nosso papel nem sempre tem sido entendido e respeitado pela sociedade em geral, porque sempre fomos um estrato dominado e “escravizado” se a palavra não for demasiado forte… estamos no Século XXI e ainda temos mulheres, quais blocos de cimento, que não têm sensibilidade para ser mulher, a não ser para pôr um colarzito de pérolas ao pescoço e uma risca de batom nos lábios, para se imaginarem mulheres…
Uma Mulher que, como figura pública, com uma vasta responsabilidade no campo do conhecimento e do saber, ousa durante uma entrevista, que deveria ser esclarecedora, não referir a palavra família uma única vez… possivelmente deve estar a pensar que a Escola existe sem que nada a houvera suportado para a sua existência… Uma pessoa que ousa apenas valorizar os seus pontos de vista, como se estivesse a tratar só de coisas e não de pessoas, na minha opinião tem muito que aprender… atenção! Não é ser destituída das suas funções – é aprender! Só se pode ensinar depois de aprender…
A Escola justifica-se porque há família e é na Escola que se promove, pelo aumento do conhecimento e pela divulgação das culturas, a importância da família. Sempre que se tem tentado unir Escola e Família, pela importância que isso representa, sócio-politico-culturalmente, há sempre boicotes… dificulta-se das mais diversas formas, sem que o tenha alguma vez entendido, que os pais acabem sempre por tentar cumprir os seus tempos com as necessidades escolares de seus descendentes… mas acabam penalizados…
Mas Mulheres! Hoje sou Mãe! Hoje sou Avó e continuo a ser professora… agora como voluntária! E que Honra! Podeis crer, mulheres que me estiverdes a ler, que em cada Aluno tenho um Amigo! Quereis saber o segredo? Pois bem! Um professor é um comunicador. Um professor é o coadjuvante dos pais, na vertente que lhe cabe, alargar o conhecimento no âmbito da ciência, porque o papel dos pais é o de educar dando amor.
Mulheres! Minhas pares nesta luta do dia a dia, tentem mostrar que o Amor é a arma mais invencível que existe. Ensina-se com amor, pinta-se com amor, escreve-se com amor, e só a partilha e a cumplicidade com amor permitem que se avance num progresso constante e consistente. Já temos ouvido falar de empresária de sucesso… pois foi com todo o seu amor que alcançaram a sua meta.
Mulheres! Homens! Todos!!! Hoje, porque teria mesmo de ser hoje, reúnem-se muitos milhares de professores, para um protesto, que tem como origem, os males entendidos expressos por quem dirige um dos ministérios mais importantes do nosso país – o Ministério da Educação!
Muitos pontos deveriam ser discutidos, porque o que está, fundamentalmente em causa, é o conhecimento e não a constante proposta de desvalorizar o saber em favor do “canudo”.
Muitos pontos deveriam ser tidos como pontos principais, em vez de dar ênfase a uma forma robótica de avaliar pessoas… Estou de acordo com a avaliação! Mas avaliemos seres humanos e não coisas!!! Dêem-se condições para avaliar e não se eliminem direitos para mostrar que se tem razão! Proporcionem-se veículos de melhorar o conhecimento sem deixar o medo como pano de fundo. Ofereçam-se incentivos (o mais insignificante elogio é uma arma poderosíssima para apoiar o progresso) até funciona com os animais ditos irracionais…
Não se desenraízem as pessoas, porque em Sociologia aprende-se que o homem é um animal gregário e a problemática dos mecanismos dos “in group” e dos “out group” tem sempre de ser levada em consideração… não queiramos esquecer constantemente o que outros conhecedores anteriores nos tentaram explicar. Se olharmos para a Pirâmide de Maslow poderemos entender melhor o que somos dentro de onde nos enquadramos: PESSOAS!
Amigas! Empatia é um estado mental em que a pessoa se identifica com outra ou se sente na mesma condição psicológica. (neste momento tenho muita dificuldade numa identificação com alguém que me parece estar longe de toda esta realidade);
Que este dia Internacional da Mulher traga a cada uma de nós um pouco de compreensão e Amor, para ajudar aqueles cujas capacidades não estão tão evidentes…
08.03.08
sábado, março 01, 2008
SABADO À TARDE
Sábado à tarde!
Parece mesmo um dia próprio para velório. Foi bem aproveitado, pois que é mesmo hoje o velório dos restos da minha cabeleira, cheia de histórias…
Morreram os meus cabelos, fortes e loiro, fonte de muitas dúvidas do pinta que não pinta…
Foi crime! Diria eu!
Foi uma semana de “rebaldaria”, de choro, de revolta, de ódio… sobretudo de tristeza, porque num momento deixei ir por terra o que havia tentado manter firme… vencer a doença…
Desisto!
Há precisamente uma semana que uma intriga nefasta me assassinou os sonhos. Me mostrou que a amizade é uma treta e que um qualquer mal intencionado pode destruir tudo! Tudo, mesmo a vida de quem lhe aprouver…
Por isso desisto!
Não restam forças para suportar o cansaço que o cansaço da doença faz aumentar dia a dia… e aqui no velório dos restos dos meus cabelos, mais destruída que uma catástrofe, nem uma palavra para dizer o cínico “lamento muito”…
O moreno da tez estiolou, o sorriso morreu na última curva do lábio inferior e o olhar perdeu-se entre as madeixas loiras e grisalhas, muito naturalmente polémicas…e o além onde muito possivelmente haverá uma alma que, poderá ao menos uma vez, usar sinceridade…
Consultas, exames, questionários… fantasias! Para depois ser dito que um transtorno nervoso alterou o ritmo da queda do cabelo…
Há sempre causas para as consequências. Fui vítima de agressão verbal, com o firme propósito de me extorquirem a bela cabeleira que emoldurava o tal sorriso a que chamavas do mais doce que conhecias… Tudo acabou!... graças a uns idiotas desabafos a quem não perdoou existir cabelo, assim natural, e sorrisos de pureza…
Dou uma volta pela pá do lixo. Ultima morada das melenas que entonteciam os olhares maliciosos dos tempos m que me chamavam a mais sensual prof. de Inglês do Josina Machel…
01.03.08
Há que louvar o que merece ser louvado!
Há que enaltecer o que realmente merece ser enaltecido e não economizarei palavras para o fazer, no que respeita aos assuntos que abordarei de seguida:
1. As avarias constatadas nos aparelhos, que assistem as pessoas com enfermidades cuja terapia obedece a programas de radioterapia, promoveram alterações nos ritmos a que técnicos, médicos e até doentes a cumprir estes programas estavam obrigados.
Máquinas são maquinas e falhando, arrastam tudo e todos para
sobrecargas indesejáveis;
2. Foram tendo solução escalonadamente e, ao cabo de uma semana todo estava correndo quase como desejável, não como tal, porque para que os enfermos não ficassem em défice negativo nas suas tomas de radioterapia, houve necessidade de abrir um programa para este sábado 01 de Março… onde estarei integrada…
Agora terei de louvar os professores deste país.
Confesso que será difícil escolher o “trigo do joio”, mas a verdade é que nunca se poderá atribuir a todos a qualidade de joio…. Quando isso jamais corresponderia a uma verdade… Sejamos honestos pelo menos uma vez na vida e não façamos do acto de ensinar uma simples troca comercial, porque é muito mais, aliás não tem equiparação nenhuma…
A ignorância é muito atrevida! Até há professores que ousam falar sobre coacção psicológica, quando, coitados! Estão tentando defender “um aconchego”… Penso que para ser professor, há que ser bem formado conscientemente e muito conhecedor da matéria que ensina… as tretas que a Senhora Ministra fala dizendo que não falou… são mesmo tretas e só tretas…
O terceiro assunto que me atreverei a abordar, trata de amizade!
Há amizades e amizades… começo a pensar que também vão entrar na bolsa de valores um dia destes… amizade quem dá mais 1… amizade quem dá mais 2…. E assim sucessivamente… vão entrar em banca rota aqueles que não olham para as cotações e só vêm a amizade como o sumo doce dos seus corações… é engraçado! Só percebi isso quando entrei em carência absoluta, depois de uma crápula qualquer, usando o telefone de uma pessoa amiga, me ter mandado para os confins de tudo o que era mais feio… sonsa! Creio, porque nunca irei aceitar, que essa velha amizade não me peça desculpa pelos desvarios ninfomaníacos de quem temporariamente não passa de mais um encantamento…
Por outro lado louvo a minha coragem, de pela primeira vez não ter a pretensão de ser a mais inteligente, cedendo… Não cedo em favor de uma inteligência que em nada me abona… Tenho razão! Exijo respeito por uma amizade que nunca traí…
29.02.08
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
QUANDO O QUANDO COMANDA…
Quando a Natureza deixa de contemplar-nos com a sorte de usufruir de todos os seus benefícios, algo está errado e possivelmente está na altura de fazer como os grandes paquidermes que dão pelo nome de elefante, que ao sentir que o seu período de existência se aproxima do fim, afastam-se e, como diria a garotada quando eu ainda era das mais exigentes a pedir os célebres TPCs, “vai morrer longe!”
Sem ter nada a ver, tem mesmo tudo a ver o que vou contar, porque é mais uma verdade, mas que até parece mentira…
Depois de me ter sido diagnosticado um carcinoma das células pequenas, não operável dado o seu poder de dispersão e caracterizado ainda por ser de células “manhosas” como lhe chama um dos médicos que me acompanha… foi estabelecido um programa de acção/combate numa tentativa de eliminar o indesejável…
Até aqui tudo bem!
Foi iniciado o programa de quimioterapia em (dose para cavalo) e em simultâneo um programa diário de radioterapia (excluindo sábados e domingos).
Tem um considerado número de utentes o programa de Radioterapia do HSTM, e dito por um dos médicos que me assiste em outras áreas, do melhor que há!
Meus caros não há bonito sem senão!!!
Foi quase perfeito nos primeiros dias. Depois a chuva, desrespeitando todas as normas, invadiu o espaço e máquinas e deixando tudo à mercê da humidade… houve necessidade de secar o material.
A aplicação de radioterapia é algo muito delicado e de uma perfeita precisão; computadores com todos os programas numa afinação impecável… marquesas, placas e outros materiais afins, tudo numa perfeita ordem para as sucessivas aplicações, que como devem calcular, não são em todos os pacientes em idêntico local… começando por cada paciente ter o seu próprio tamanho, massa corporal, etc.,etc. ….
Ontem foram iniciados mais novos casos. Houve por esse motivo um reajustamento, que por acaso destabilizou todo o movimento quase sincronizado do gabinete onde sou assistida. Resultando num atraso de um tempo para a aplicação (e aqui em segredo), também encurtou o tempo da aplicação, que invariavelmente dura entre vinte e vinte e dois minutos.
Foi marcada a hora para hoje! 13H30!
Pelas dez e pouco e pelo telefone fui informada que os aparelhos tinha “dado o berro” não havia máquinas a funcionar por isso teria de ser considerado um novo turno e por tal eu estaria marcada para a meia-noite e vinte!
Protestei docemente, pois não teria nem transporte nem companhia a uma hora tão tardia… Meus amigos, não pensem que é “pêra doce” os minutinhos da aplicação de radioterapia…
Muito compreensivos marcaram então para as 20H20…!!!
Aí tive de fazer umas chamadas telefónicas, alterar a vida a uns, disponibilizar outros… porque marcada a hora de começo, estava…. E tudo bem a ser bem cumprida…
Mas lá está! Às vezes a roda anda ao contrário… e quando já estava por perto, pelas dezassete horas… chega mais um telefonema a desmarcar totalmente o tratamento… e não só o de hoje, como o de amanhã. “Regresse na quinta-feira à hora habitual!”
A primeira reacção, como seria o lógico, foi perguntar se não haveria repercussões negativas para esta interrupção, até que depois de sábado e domingo, apenas me fora aplicado o programa de segunda-feira…
Breve e fria, impessoal e com um cheiro bafiento de economia… a resposta foi curta – “Os médicos estão a acompanhar a situação!!!”
Muito bem! Tudo muito bem, mas quem me garante que esta falha de dois dias de tratamento não encurta o meu período de vida em x tempo?
Como vou ser ressarcida pelos danos psicológicos?
Há sempre perguntas sem resposta! … e sempre umas mãos a bater palmas, porque assim, sempre se vêm livres de mim… sem me mandar outra vez para o sargaço…
26.02.08
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
QUE SITUAÇÕES!
Entre o Sol que nasce e o Sol que se põe, mil histórias escoam da boca de uns para o ouvido de outros… Umas vezes a transmissão é directa… outras usa-se o aparelho auxiliar chamado telemóvel…
Quando a cusquice é directa e vai da boca ao ouvido do interlocutor, pode sempre dar-se o benefício de duvida e ou dar um desconto a quem conta… já que quem ouve, só ouve se quiser mesmo ouvir…
Sábado!
Um dia quase normal, se há realmente algo a que se possa chamar normal…
Mas foi sábado e o facto de ser sábado já deixava muito boa gente a gozar o ócio do fim-de-semana… é que nem todos são “professores” com tarefas para fim-de-semana e ou melhoria de conhecimentos…. Há sempre os que têm tempo para melhorar um pouco do apimentado “surucucu” do cantinho da sala de professores…. Porque essa de “cuscar” as mensagens de amigos, de outros amigos, para outros amigos e fazer juízos de valores… muito típico! Deveria ficar por aí!!! O pior é que há espíritos rebeldes e “se der um pontapé no cu” daquela gaja? Assim não chateia tão cedo esta miga… e fica só pra mim…
Pois só que o bombo da festa fui eu!
Sabem o que é que a rameira me chamou? JURO! Não conheço! Nem o palavrão nem a pessoa (se é digna de ser chamada pessoa) “frissureira” nem sei se é isto que se escreve e muito menos o que quer dizer… Pois! E para isto se anda cá sobre estes montes de esterco!!!
Se quem conhece a “dama” e tiver coragem suficiente para a denunciar, será mesmo pessoa digna. SÓ QUERO QUE PEÇA DESCULPA! Depois de explicar o que todos aqueles desaforos quiseram significar… que se enforque e me deixe em paz…
E porque foi sábado, cheia de dores físicas, com um mau estar de quase moribunda, chorando diluvianamente, ainda ouvir isto tudo… só ficará, por ser mais uma folha do meu diário…
24.02.08
Quando a cusquice é directa e vai da boca ao ouvido do interlocutor, pode sempre dar-se o benefício de duvida e ou dar um desconto a quem conta… já que quem ouve, só ouve se quiser mesmo ouvir…
Sábado!
Um dia quase normal, se há realmente algo a que se possa chamar normal…
Mas foi sábado e o facto de ser sábado já deixava muito boa gente a gozar o ócio do fim-de-semana… é que nem todos são “professores” com tarefas para fim-de-semana e ou melhoria de conhecimentos…. Há sempre os que têm tempo para melhorar um pouco do apimentado “surucucu” do cantinho da sala de professores…. Porque essa de “cuscar” as mensagens de amigos, de outros amigos, para outros amigos e fazer juízos de valores… muito típico! Deveria ficar por aí!!! O pior é que há espíritos rebeldes e “se der um pontapé no cu” daquela gaja? Assim não chateia tão cedo esta miga… e fica só pra mim…
Pois só que o bombo da festa fui eu!
Sabem o que é que a rameira me chamou? JURO! Não conheço! Nem o palavrão nem a pessoa (se é digna de ser chamada pessoa) “frissureira” nem sei se é isto que se escreve e muito menos o que quer dizer… Pois! E para isto se anda cá sobre estes montes de esterco!!!
Se quem conhece a “dama” e tiver coragem suficiente para a denunciar, será mesmo pessoa digna. SÓ QUERO QUE PEÇA DESCULPA! Depois de explicar o que todos aqueles desaforos quiseram significar… que se enforque e me deixe em paz…
E porque foi sábado, cheia de dores físicas, com um mau estar de quase moribunda, chorando diluvianamente, ainda ouvir isto tudo… só ficará, por ser mais uma folha do meu diário…
24.02.08
domingo, fevereiro 17, 2008
COMPORTAMENTO…
Tive medo. É verdade. Tive medo. Senti um medo terrível por saber que podia ser dominada pelo carcinoma que me bateu à porta.
Tive medo porque de um momento para o outro, rugiu a fúria do vento devastador, um vento repetitivo, de ecos sucessivos, com as palavras “nojo”, “velha”, “doente”… ponha-se no seu lugar!
Claro que conheço bem esta verborreia agressiva, aplicada sempre que surge uma pétala flutuante no seio do jardim das perdas…
Tive medo sim, porque as palavras que verbalizaste foram mais dolorosas do que os traumatizantes tratamentos a que me sujeito…
Tive medo porque de repente senti que deveria odiar-te, que serias tu a meter-me repulsa… que deveria interiorizar como verdades, todas as palavras que me dirigiram, todas as mensagens que me enviaram, para denegrir a tua pessoa… e que jamais quis acreditá-las… possivelmente sempre não passei de objecto de animação e de “cavalo de cortesia”, para passares pelo que não eras… Mas sempre encontrei uma justificação para todas as etapas e sempre me preocupei em respeitar e aceitar como cada um é.
Tive medo e de novo o medo dos medos sobreveio a todas as realidades, porque a realidade de todas as realidades é a morte, e essa, acompanha-me como a sombra longa, ao pôr-do-sol…
Tive medo e passei a silenciar mais o que pensava e o que sinto. Não é justo se ser injustiçado por julgamentos obtusos, próprios de quem pretende dominar, porque tem medo de ser dominado… e sobretudo por quem opina, para daí obter vantagens… que irão por terra um dia… as pessoas são falsas para angariar posições que por vezes nem sabem se as merecem… ouvem, opinam, “compreendem” para tirar partido… e denegrecer os que de alma pura tentaram ser bons… Entendam como quiserem, mas estou saturada de toda esta teatral vivência com que se mascara o dia a dia… avaliar não é fácil, mas avaliar desonestamente, é facílimo…
15.02.08
sábado, fevereiro 16, 2008
O QUE PASSOU A SER ROTINA…
Dispa-se da cintura para cima e vista a batinha azul com a abertura para trás. Deite-se como de costume; mais um pouco para baixo… respire lentamente… está iniciada mais uma sessão de radioterapia…
A marquesa é de metal; os acessórios em plástico e paira um frio que gela a alma…
As técnicas são simpáticas e até brincamos por terem as mãos tão frias e pareça que estamos numa câmara ardente. Elas são o elo de ligação entre as máquinas, eu e os feixes de luz vermelha que furam a pele com o intuito de liquidar definitivamente as células, que jamais deveriam ter vindo importunar-me.
Quando o amigo X me disse que eu tinha a mais bela cabeleira grisalha, quase tive vontade de chorar. Deixei de usar a espuma branca e agora tenho um corte de cabelo à escova… espetado e amarelo, mais espesso e até pareço um garoto de bairro de periferia…. Só falta o ranho a escorregar do nariz para o lábio superior… condiz com a minha índole rebelde!
Ontem foi um dia deprimente. Foi um dia para recordar emoções de adolescente, em que nada havia sobre o tal “São Valentim”, mas que a minha avó me enviava montes de postais e outras cenas, para que o meu “querido” da época fosse presenteado como devia… mas como já está no além, já não podemos recordar… e os do actualmente, não prestam, nem merecem que perca tempo com esses devaneios…
Foi um dia 14 de Fevereiro muito insípido e vestida de batinha azul escura, lá cumpri a minha sessão de radioterapia…
15.02.08
Dispa-se da cintura para cima e vista a batinha azul com a abertura para trás. Deite-se como de costume; mais um pouco para baixo… respire lentamente… está iniciada mais uma sessão de radioterapia…
A marquesa é de metal; os acessórios em plástico e paira um frio que gela a alma…
As técnicas são simpáticas e até brincamos por terem as mãos tão frias e pareça que estamos numa câmara ardente. Elas são o elo de ligação entre as máquinas, eu e os feixes de luz vermelha que furam a pele com o intuito de liquidar definitivamente as células, que jamais deveriam ter vindo importunar-me.
Quando o amigo X me disse que eu tinha a mais bela cabeleira grisalha, quase tive vontade de chorar. Deixei de usar a espuma branca e agora tenho um corte de cabelo à escova… espetado e amarelo, mais espesso e até pareço um garoto de bairro de periferia…. Só falta o ranho a escorregar do nariz para o lábio superior… condiz com a minha índole rebelde!
Ontem foi um dia deprimente. Foi um dia para recordar emoções de adolescente, em que nada havia sobre o tal “São Valentim”, mas que a minha avó me enviava montes de postais e outras cenas, para que o meu “querido” da época fosse presenteado como devia… mas como já está no além, já não podemos recordar… e os do actualmente, não prestam, nem merecem que perca tempo com esses devaneios…
Foi um dia 14 de Fevereiro muito insípido e vestida de batinha azul escura, lá cumpri a minha sessão de radioterapia…
15.02.08
terça-feira, fevereiro 12, 2008
Hoje é o dia D
Poderá ser mesmo o primeiro dia do fim... nem sempre somos suficientemente fortes para aceitar a nossa própria degradação...
Se existir o tal se que anseio, poderei repetir por muito tempo ... sabes o quê
12.02.08
Se existir o tal se que anseio, poderei repetir por muito tempo ... sabes o quê
12.02.08
domingo, fevereiro 10, 2008
TALIS VITA, FINIS ITA
Há frases que nos fazem pensar e esta é uma delas… e faz-me pensar em ti.
Tal a vida… tal a morte… só que fazes da tua vida a morte dos que pretendes eliminar… sem apelo nem agravo vais abatendo, tordo a tordo, se não cantam à tua maneira.
Deleitei os ouvidos a escutar o trompete daquela alma eloquente… superei, temporariamente, as desditas da minha alma em despedida… recordas-te? Pois! Está mesmo decidido. Não deixo data porque a surpresa é a melhor prenda que se pode deixar aos “amigos”…
E os prazos de avaliação aos professores foram ao “ar”… temporariamente? Vão as escolas estabelecer os seus prazos… e sem que se entenda, para os contratados o prazo vai até ao fim do ano lectivo… mesmo que estivesse no activo, “bem feito!”, já não me avaliariam… fico pesarosa por não poder avaliar alguns pretensos professores…
E agora que cortei o cabelo com dois dedos de altura, estou apta para encarar a realidade que se avizinha. Feliz? Obrigada pela bela colaboração que me tens dado, desprezando os meus apelos para que o tempo que é pouco, seja menos difícil de ir passando…
Ainda não é a despedida… apenas um até daqui a um tempo sem hora marcada… a interiorização de qualquer pensamento carece da devida calma e ponderação…
10.02.08
domingo, fevereiro 03, 2008
DUALIDADES: – VIDA E MORTE
Invade-me uma letargia letal. A sequência de todos os últimos acontecimentos é similar a uma queda de água, de uma montanha assaz alcantilada…
Não te escondi nem uma vírgula. Pensei que deveria ser clara, para que te preparasses… mesmo sendo como és: frio, indiferente, calculista e sempre pronto a tirar partido das minhas fraquezas… mas desta vez não vais ter mais, desculpa. É o fim!
Tudo não passou de malabarismos, de palavreado manuseado, de um ror de jogos e em que neste não ganhaste. Mais uma vez ganha a alma a quem deste o corpo…
Valeu de muito? Nada!!!
Ficas feliz? Duvido! Tudo será mais uma recordação entre as muitas que tens para contar… os mortos são como velhos livros que, depois de lidos, ficam a acumular poeira numa estante… e tens uma estante com muitos livros.
Não entendo que tipo de perturbação é essa que te leva a homenagear os que já não têm hipótese de te agradecer… até que em vida, sempre houve o espectro de quem não pretende que te amem…
O tempo deixou de ser importante. O neste momento não mais se repetirá e muito certamente não mesmo, nunca!
Infinitamente, indefinidamente vão surgindo palavras e mais palavras, com as quais vais exaltar os estádios de alma que vais criando, numa constante tentativa de colmatar o que nunca vais deixar de querer que sintam por ti… e uma vez mais ganhou a carne à alma desprevenida…
Para muitos, toda a escrita é a labiríntica estrada pela qual foges, numa busca inconsequente… porque não há nada ao fundo dessa estrada… morte, é o fim do destino. Já não me apanhas! Corri com mais velocidade e nem me cansei… apenas fiquei muito triste porque perdeste o fôlego e desististe… a favor daquele nada… o nada que te irá fazer dar voltas e voltas como um carrocel descomandado… só pelo prazer do fervilhar, sem mais nada depois… mas tens o meu aplauso! O prazer da carne é o que promove a elevação da alma… e a tua tem de estar sempre elevada… porque esse corpo não existe mais…
Chove! As nuvens choram pelo triste abandono que lhe proporcionaste… nem elas aceitam que as esqueças…
03.02.08
domingo, janeiro 27, 2008
TRISTEZA
Não sei se é possível avaliar a tristeza. Não sei se há uma unidade de equiparação para que esse valor nos seja fornecido com precisão. Apenas sei e por instinto, que a tristeza que sinto é incomensurável. Jamais imaginei ser tão triste. Sentir a tristeza que sinto.
Como estou destruída!
Como uma ilusão pode ser tão devastadora…
Como é que uma quimera nos pode arrasar tão profundamente?... A quimera da vida!
Sim! Porquê teria imaginado que deixaria de ser tão só? …
Troquei… comercializei a palavra com a solidão para não estar só… É triste! Fiquei mais só. Usada. Banalizada. Preterida. Ignorada.
Os meus sentimentos ignorados, foram vandalizados, apedrejados, mal tratados…
O primeiro impacto foi o do maravilhoso. O do encantamento pela palavra… o do domínio da incerteza, com as suas fantasias… orquestras de sinos no paraíso… ninfas segredando poesia as som dos murmúrios do rio… e deixei-me embalar pela doçura do imprevisto e pela originalidade dos factos… pela beleza do imaginário e pela perspectiva das consequências… até as desejei rápidas. Morrer lentamente deve ser atroz…
Depois, no silêncio do estar mais só, aquando a respiração quase não se sente, odiei-me e também a todo o cenário que apadrinhou toda a ilusão… viver!
Quando a tristeza ultrapassa a nossa dimensão, o fim é a solução… as recordações dissipam-se como as peugadas no deserto…
27.01.08
sábado, janeiro 26, 2008
PASSEANDO PELA PALAVRA
Vou contar-te um segredo. Talvez não seja bem um segredo. Talvez seja mais um desabafo. Um daqueles desabafos que só alguém muito especial pode entender.
Pois! Talvez nem seja um segredo nem um desabafo, talvez seja apenas o deixar que os sons emitidos sejam o de palavras…
Mas encontrei a Palavra nas minhas deambulações pelo Monte… Sabes? A Palavra é a fonte inesgotável dos dizeres de cada um de nós… a Palavra é o som. A Palavra musicada é um hino de Amor, um lamento… uma lágrima.
A Palavra é a eterna viajante. De boca em boca, de papel em papel, a Palavras é o elo de ligação entre nós.
Uso a Palavra de noite e de dia. Umas vezes dizendo-a, outras escrevendo-a, outras ainda, deixando-a correr livremente pelo pensamento. A Palavra é a companheira que escolhi desde sempre e percorre-la é uma proeza, por vezes perversa, por vezes maravilhosa… mas a Palavra é o alimento da minha alma e a minha alma sem a Palavra não é nada…
Sabes? Perguntei à Palavra se sabia como dava prazer… a Palavra respondeu-me que se fora Saber, se transmitisse conhecimento… sim, era Prazer… um prazer breve como a brisa primaveril. … porque o saber é inesgotável e o conhecimento um Oceano sem fim… nunca se consegue atravessá-lo, quanto mais se avança, mais falta para se chegar à costa…
Interroguei a Palavra se também tinha necessidade de reflectir… e a Palavra retorquiu que sem reflexão não fazia sentido… então a palavra é o pensamento e o pensamento a reflexão… assim anseio pensar e encontrar uma explicação cabal para as questões que vão brotando do meu pensamento…
Continuei a passear pela Palavra e com a Palavra, esperando encontrar-te por aí, entre a minha e a tua palavra… pensando e continuando a estimular as perguntas, para continuarmos o nosso caminho na busca de respostas…
Na Palavra encontrei o poder do seu uso… o poder do uso da Palavra é incontornável! …
26.01.08
visitar - FRONTEIRAS
sexta-feira, janeiro 18, 2008
DISSEMELHANTES MOMENTOS
.jpg)
Vou dar uma festa!
Vou dar uma festa, finalmente liberta do teu fantasma.
Vou dançar e ouvir todas essa coisas alegres que tens para me contar… e para? És demais!!!
És mesmo demais! Há quanto tempo não me ria desta maneira, nem sentia o sangue a fervilhar nas veias? Senti-me! Fui eu, o que parecia ter desaparecido há algum tempo...
Ao mesmo tempo foi útil este breve interregno entre a doença e as férias, foi a única forma de saber que atrás dessa bata, branca e resplandecente, havia uma alma, bela e transparente, ingénua e cúmplice, dividida entre a ciência e a gentileza.
Há quanto tempo não me abriam a porta para eu passar?!…. Há quanto tempo não me sussurravam ao ouvido dessas palavras…
Entre o saber e o prazer, com esse programa informático, conseguem-se (medir/avaliar) as células nefastas. Que interessante! Quando tens os meus resultados?
Cada segundo é um bilião de horas de impaciência para ouvir essa doce e melodiosa voz, cantar baixinho, que sou a doente eleita…
Até que o tempo passe veloz, vou fazer umas leituras, para que se repita o programa, que se vai tornando hábito, caso não surjam casos graves.
Ontem!
Foi o melhor café que bebi!...
18.01.08
sábado, janeiro 12, 2008
DEAMBULAÇÕES DO PENSAMENTO
.jpg)
A escuridão penetrou pelas trevas recortadas em anil alaranjado, qual bordado imaginado pela Natureza, anunciando a hora crepuscular.
A grandeza do momento foi o momento em que a vida se recostou no rio e adormeceu…
O entardecer é assim o tecido onde nos envolvemos no momento em que nos separa o é do nada, o momento de fragilidade que todavia se continua a tentar avaliar… e que se esvai na imensidão do infinito que é o além, onde se espraia a morte sem quaisquer interpretações…
E quanto mais ponderamos na morte, mais incertezas pairam na existência. A incerta e insegura existência que nos permite deambular entre trocas e encontros desencontrados, em tempos desacertados mas distintos… que aumentam a diminuição do nosso tempo de vida…
12.01.08
terça-feira, janeiro 08, 2008
UMA NOITE DE MUITAS NOITES
Vieste como uma brisa muito suave. Acariciaste todo o meu ser. Louvaste o meu sorriso. Beijaste meus sonhos que apreciastes ao saírem desta minha mente moribunda…
Foste a brisa que ateou as brasas de um fogo extinto e em fase de rescaldo. Foste herói e vilão e de sonho em sonho, apenas foste a figura heróica que saiu de um dos sonhos e que se foi tornando num papão e que me fez acordar como que de um pesadelo…
Vieste, como gota de orvalho, dar viço a uma flor que morria, na secura do deserto da vida e vieste por bem… pensei…
Atravessei mais uma das muitas noites em que vagueio entre as veredas do monte ou que de faróis nos máximos, disperso a minha atenção nas curvas do Monte Gordo…
Vagueio agora, na penumbra do nevoeiro, na penumbra da minha alma, na penumbra da solidão feita música de fundo…
O nevoeiro é espesso e nem vejo o rio… aquele rio que fez fronteira entre o além e o agora, em que tu foste a ponte que atravessei em busca da vida. Mas apenas me ofereceste morte…. Morte de sonhos, Morte de desejos, morte das recordações que foram por décadas o baloiço que embalava a minha alma e a imaginação…
Vieste como a mais suave brisa primaveril, deixando o delicioso perfume das flores espalhar-se por mim, como uma bênção de vida…
Mas foste fugaz como o arfar de morte e o perfume que resta é o de pétalas secas…
Vieste tão suave… tão doce… com tanta delicadeza… Disseste palavras tão bonitas. Balbuciaste versos de cantigas antigas… e foste tão enganador… Foste a utopia feita ser real… quando apenas eras utopia e sem te dares, dominaste. Misturaste alma com carne e perdeste a magia que um sonho dá… Perdeste!
Foste apenas uma noite de muitas noites…
08.01.08
sexta-feira, janeiro 04, 2008
VERDADE II
Novo Ano!
Não é novidade para ninguém, mas para não fugir à tradição, aqui deixo também os meus votos de que tudo, sem excepção, seja maravilhoso para todos vós, neste “novinho em folha”, 2008.
Que tenham saúde. Com saúde somos felizes.
Verdade Dois, porque, por ser verdade, não deixei de a deixar escrita no meu Diário… e aqui, para que sintam quão ridícula é a verdade, sobretudo, se se trata de saúde…
Em fins de Novembro do ano passado, sentia-me muito cansada.
Sentia-me como que flutuando, ou melhor, disse-o aos meus alunos sénior, que me parecia estar caminhando sobre um colchão de água (nada de ser mal intencionado…)
Estava cansada. Estava desiludida e triste ou só cansada. Estava saturada de alguns desaforos… e por vezes, por chorar sem limites pelo que me magoas, quando perdes o norte ao que dizes… e ou não … com o intuito pré-programado de me arranhar… mas estava cansada e nem mesmo de tudo isto me lembrava, nem atribuía a esses factores tamanho cansaço… Apenas me sentia a desfalecer ao fim de cada dia… e passou uma semana… e mais uns dias de outra… Quase férias de Natal, devia ser cansaço de muita azáfama…
Comia bem, andava, como sempre em stress, com a adrenalina nos píncaros… enfim, parecia vender saúde… mas não. O cansaço era proveniente de alta temperatura… e ao cabo de semana e meia, lembraram-me de medir a temperatura… 39º,97… Loucura!
Uma corrida para a médica de família e desta, para as urgências do Hospital, com uma carta na mão… devia dizer “URGENTE”, … diria? Não sei!
Na urgência do Hospital foi entregue a carta; colhidos os dados todos que solicitaram e por fim, lá entrei na triagem… Um “aparelhómetro” encostado ao ouvido direito acusou os tais 39,97 de temperatura…
“Agora vá para aquela sala e espere um pouco. Tire esses casacos”
Claro! Eu estava cheia de frio, mas tirei os casacos e dobrei-os no colo… Duas horas! Duas horas depois, como nem sequer me haviam olhado, levantei-me, tonta, pela febre e pelo que observava (pessoas com soro, pessoas em macas… enfim, e, pessoal que se preocupava se a colega ia comer sopa, se não se esquecia da prenda do jantar de Natal… se eram as tais botas que ia usar…) pois levantei-me da minha cadeira, lá escondidinha entre dois pacientes a soro e fui corredor fora… e interpolaram-me para saber onde pensava que ia… Viram-me! Mas não ligaram ao meu estado, apenas, nem podia deixar os casacos ao acompanhante e devia esperar mais… com quase quarenta graus de temperatura…
Pois tinha de ir à casa de banho com dois casacos no braço… e tinha de continuar a esperar. Que fúria me deu! Senti-me tratada abaixo de cachorro… e berrei “Vocês não prestam! Não têm consideração nem respeito por quem não se sente bem.” E sem que me deixasse agarrar, fugi…
Mas como estava mesmo mal, recorri a outros meios (porque posso) e acabaram por diagnosticar - Pneumonia! Só que a proveniência da cuja… ainda anda a ser estudada, mas não no Hospital da área onde resido… aí, possivelmente, será só para passar a certidão de óbito…
04.01.08
Não é novidade para ninguém, mas para não fugir à tradição, aqui deixo também os meus votos de que tudo, sem excepção, seja maravilhoso para todos vós, neste “novinho em folha”, 2008.
Que tenham saúde. Com saúde somos felizes.
Verdade Dois, porque, por ser verdade, não deixei de a deixar escrita no meu Diário… e aqui, para que sintam quão ridícula é a verdade, sobretudo, se se trata de saúde…
Em fins de Novembro do ano passado, sentia-me muito cansada.
Sentia-me como que flutuando, ou melhor, disse-o aos meus alunos sénior, que me parecia estar caminhando sobre um colchão de água (nada de ser mal intencionado…)
Estava cansada. Estava desiludida e triste ou só cansada. Estava saturada de alguns desaforos… e por vezes, por chorar sem limites pelo que me magoas, quando perdes o norte ao que dizes… e ou não … com o intuito pré-programado de me arranhar… mas estava cansada e nem mesmo de tudo isto me lembrava, nem atribuía a esses factores tamanho cansaço… Apenas me sentia a desfalecer ao fim de cada dia… e passou uma semana… e mais uns dias de outra… Quase férias de Natal, devia ser cansaço de muita azáfama…
Comia bem, andava, como sempre em stress, com a adrenalina nos píncaros… enfim, parecia vender saúde… mas não. O cansaço era proveniente de alta temperatura… e ao cabo de semana e meia, lembraram-me de medir a temperatura… 39º,97… Loucura!
Uma corrida para a médica de família e desta, para as urgências do Hospital, com uma carta na mão… devia dizer “URGENTE”, … diria? Não sei!
Na urgência do Hospital foi entregue a carta; colhidos os dados todos que solicitaram e por fim, lá entrei na triagem… Um “aparelhómetro” encostado ao ouvido direito acusou os tais 39,97 de temperatura…
“Agora vá para aquela sala e espere um pouco. Tire esses casacos”
Claro! Eu estava cheia de frio, mas tirei os casacos e dobrei-os no colo… Duas horas! Duas horas depois, como nem sequer me haviam olhado, levantei-me, tonta, pela febre e pelo que observava (pessoas com soro, pessoas em macas… enfim, e, pessoal que se preocupava se a colega ia comer sopa, se não se esquecia da prenda do jantar de Natal… se eram as tais botas que ia usar…) pois levantei-me da minha cadeira, lá escondidinha entre dois pacientes a soro e fui corredor fora… e interpolaram-me para saber onde pensava que ia… Viram-me! Mas não ligaram ao meu estado, apenas, nem podia deixar os casacos ao acompanhante e devia esperar mais… com quase quarenta graus de temperatura…
Pois tinha de ir à casa de banho com dois casacos no braço… e tinha de continuar a esperar. Que fúria me deu! Senti-me tratada abaixo de cachorro… e berrei “Vocês não prestam! Não têm consideração nem respeito por quem não se sente bem.” E sem que me deixasse agarrar, fugi…
Mas como estava mesmo mal, recorri a outros meios (porque posso) e acabaram por diagnosticar - Pneumonia! Só que a proveniência da cuja… ainda anda a ser estudada, mas não no Hospital da área onde resido… aí, possivelmente, será só para passar a certidão de óbito…
04.01.08
domingo, dezembro 30, 2007
VERDADE
quinta-feira, dezembro 27, 2007
O QUE NOS DEIXA A MEMÓRIA
Há datas que nunca esquecemos. De uma maneira ou de outra acabamos por as recordar, mesmo que tivéssemos prometido a nós próprios que jamais as iríamos relembrar…
Claro que não é o facto de ser o dia do teu aniversário que está em causa. Sempre foi um dia que foi lembrado com emoção e ao qual foram dedicados certos rituais, como se estivesses mesmo ali ao lado…
O que me faz nem querer voltar a pensar, nem na data, nem em ti, é a revolta que sinto por todos aqueles eventos que viveste e escondeste, fazendo protagonista de toda a aventura a única pessoa que pensei jamais ser capaz de o fazer… não sei como vos tratar – traidores!!!
Como tinhas coragem de ir jantar o tal “cabritinho à padeiro” sabendo que eu tão longe, sofria como que cumprindo uma pena, completamente inocente?! A sonsa ainda tem coragem de contar, com requintes de malvadez toda a trama das noites bem passadas… nem tenho palavras! Aliás, acho que o ódio tira o dom da palavra… e até do pensamento…
Não contente com a festa, sem respeito pela debilidade do momento, ainda um ou uma idiota bate à porta, em tons deselegantes, manda que abra, para uma visita… à hora do jantar, atender distribuidores de religiões empacotadas em brochuras para descobrir a paz… a fé!!! Depois do “cabrito à padeiro”, em São Pedro de Sintra!!! Já não há mais nada!
Fica na memória, destruindo todas as outras memórias, o que me destrói todos os dias… porque a provocação continua, num descarado atrevimento…
27.12.07
quarta-feira, dezembro 26, 2007
NO DIA 25 DE DEZEMBRO
Interrompi o meu silêncio com a palavra que se soltou do mais profundo do meu ser e quase sem controlo, não a consegui calar. Foi um lamento, foi um suspiro de dor… foi talvez uma revolta que se soltou do mais profundo da minha alma… Foi sempre a mesma coisa!
O pretexto soltou-se como uma baforada de fumo e ardilosamente arranjaste forma de ir satisfazer o teu capricho… diria os teus caprichos… mentira, cifrões e mais caprichos e mais mentiras… O sol encanta e dá brilho às pétalas das flores e vives dos encantamentos fictícios… enganando quem? A cigarra ou a formiga?
Nem no tal período que diziam ser de Amor (Natal!) ….
Como és a imagem da falsidade! Teatro. Faz de conta… um papel muito bem interpretado.
Vou rir! Que lata! Vieram então as prendinhas para enganar… sofisticadas formas de gostar (?) …. Merda!!! Que lata!!! Entretanto quem vai usufruindo das ternuras e das delicias… é?! São!!!
Um colar de pérolas! (Claro que são as minhas lágrimas solidificadas…) Luvas! Mas para quê, um par de luvas, quando agora nem posso sair… E será que lhes vou dar uso?
A contagem decrescente já começou há muito. Mas nem isso promove um gesto de humanidade e pões de parte todo esse calculismo de superioridade…???
Os medicamentos estão a actuar perfeitamente. Já não há temperatura e abrandou a instabilidade… mas o problema subsiste… o que será? Novos exames efectuar-se-ão na próxima semana, até lá aquela dúvida vai brilhar como brilha a estrela da tarde…
Mas quase me esquecia de ti! Estás a ver, como esta porcaria de doença, que nem sequer sei o que é, me faz esquecer de ti. E será que mereces mais do que isso? Também nunca gostaste de mim como eu gostei de ti… mas agora também é tarde. Nada merece a pena, quando as dúvidas são a almofada onde deitamos o rosto todas as noites, sem sequer saberemos se haverá a manhã seguinte…
Com o anoitecer verifico que vai finalizar mais um dia 25 de Dezembro, e que mais um dia de Natal é mais um dia de um calendário, que os Homens criaram, para os Homens… e que não é senão um dia vinte e cinco, como todos os outros dias vinte e cinco que cada mês tem… e a verdade é que apenas há um dia vinte e cinco em cada mês…tal como eu sou eu só, em cada dia de cada mês…
Não te angusties. Não fiques sob frustração… afinal nunca me pediste para que gostasse de ti…
25.12.07
Subscrever:
Mensagens (Atom)


