sexta-feira, janeiro 02, 2009

MEMÓRIAS E VOLTAS


Acabei o ano de 2008 escrevendo pouco. Se isso significa que estou a cair no desgaste, não sei, mas sei que me abalaram vários acontecimentos e me deixaram mais céptica outros… fiquei em letargia…
Sabes que sentir tristeza é difícil de traduzir. Sabes o que é querer chorar e não vertermos lágrimas… só dentro, muito no íntimo, estarmos num pranto descontrolado… é isso mesmo! Eu sabia que me entendias.
Vasculhei as memórias e os papéis que por aí andam, há um bom par de anos, para lhes dar sequência. Para os pôr com ar de quem escreveu com cabeça, tronco e membros…
Engraçado! Encontrei muitos poemas. Descobri uns quantos que me foram dedicados e outros, que escrevera à saudade… Vai! Vai saudade. Estou cansada de sentir o peso da saudade.
Mas o arquivo que mais me fascinou foi o da História da Magda. Sim. Compilei muitos textos provenientes de “entrevistas” para exercícios de Estatística, para trabalhos de avaliação de auto-estima, para avaliação de distúrbios e perturbações de personalidade, enfim… são “n” dossiers com montes de trabalhos que vieram a dar inspiração e origem à tal História da Magda… Vieram a dar origem a que a imaginação criasse uma figura, onde fosse possível apreciar as características da sua memória, as suas frustrações e os seus medos… Vou contar a História da Magda no meu Blog Bis Morgen, que tem estado em “hibernação” desde Outubro de 2007…
Um dos objectivos que quero considerar como importante, tem a ver com algumas formações, de modo a estar actualizada… continuo a gostar de estudar…
Outro dos objectivos respeita à actividade como voluntária. Gostava de ter saúde para voltar a ter mais turmas… são uns queridos os meus alunos.
Também seria óptimo voltar a pintar sem sofrer as consequências do cheiro das tintas. Pintar a óleo fascina-me… mas provoca-me alergia… como somos tão frágeis!
E às voltas e voltas, centro o pensamento em ti. Gosto da nova faceta com que te apresentas – colorida, com uma fragrância marinha, com um ritmo extravagante - mas deixaste de ser …, como deixei de ser tua. Projectos divergentes apartam pessoas, criam distâncias e erigem muros intransponíveis. Restam as amizades, que essas, verdadeiras, são eternas.

02.01.09

segunda-feira, dezembro 29, 2008

BALANÇO

Antepenúltimo dia do último mês deste ano de (dês)graça de 2008.
Altura ideal para fazer um balanço dos trezentos e sessenta e dois dias já passados… os restantes, para os trezentos e sessenta e cinco, não serão certamente relevantes a ponto de me fazer adiar este balanço.
Para já, porque lhe chamo um ano de (des)graça? Pois bem! Há um ano que foi diagnosticado um carcinoma das células pequenas no meu pulmão direito. Cigarros! Infelizmente não. Contribuíram, mas não foram “os causa” próxima… Acontece, como muitas das outras coisas que foram acontecendo no decorrer do ano… e que me entristeceram…
A nível mundial o que nunca seria de pensar, aconteceu: Crise!!! Quem diria que nos EUA havia uma “Dona Branca” no masculino, como uma tal portuguesa, mas muito mais sofisticada… e que levou bancos e banqueiros a ficarem “mancos”… E cá?!!! Alguém iria desconfiar da falsidade de certas instituições bancárias que se consideravam “seríssimas”…? Não falando em banqueiros corruptos que até estão presos… só com o que não posso concordar é que estejam presos em casa… deviam ser iguaizinhos aos demais desonestos que vão “dentro”, excepto aquele célebre ex-dirigente do Benfica, que vive à lorde, em Londres…
Mas tudo isto é nada perante desgraças que a Natureza assina com a sua rubrica muito característica: as cheias que deixam tanta gente desalojada… os sismos que deixam destruição onde já a pobreza impera… Ditadores que inventam impossibilidades para justificarem a sua indiferença ao avanço da cólera, da SIDA e outros males como o dirigente do Zimbabwe, que vive na opulência e deixa o seu povo na maior das desgraças e sofrimentos…
E no nosso jardim à beira mar plantado? O que por aqui vai, para além da banca… O surto de gripe ainda nem está a ser dos piores malefícios… a falta de cidadania e o que vai pela educação é muito mais problemático… sempre há gente muito teimosa… será que não dá para entender que a teimosia pode ser um disfarce de incompetência? (quando era garota vivi em Sintra, e diziam os vendilhões uns para os outros, perante a teimosia dos seus burricos, albarde-se o burro à vontade do dono)… pois! Dá para entender.
Incrível foi também o que Bento XVI referiu no seu discurso na Cúria e que não resisto em transcrever o excerto da notícia:” O Papa Bento XVI afirmou que «salvar» a humanidade do comportamento homossexual ou transexual é tão importante quanto salvar as florestas tropicais, avança a agência «Reuters».”E em outro parágrafo ainda li: “O Papa afirmou que os comportamentos que vão além das relações heterossexuais são «a destruição do trabalho de Deus». Aos crentes, gostaria de perguntar quem criou a Natureza…
No balanço que tento fazer, muito por alto, deste ano em fase final, ainda não incluí umas linhas extra, mas que apenas são destinadas ao “revisor” ou seja, ao meu Eu mais íntimo… Detesto deslealdades! e muito francamente a omissão como justificação de privacidade, não me convence… Não omito. Não minto nem finjo… sou como sou; sou sobretudo leal e sejam quais forem as consequências, assumi-las-ei.


29.12.08

quinta-feira, dezembro 04, 2008

VISITAS AO PASSADO

Desci a escada. Dei a volta à chave e entrei. Tudo estava desordenado como deixaras a ultima vez que lá estiveras… Não resisti. Sentei-me na berma da cama e chorei amargamente pela triste saudade que partiu e teima em nunca mais voltar…
Passaram minutos ou horas, não sei. Apenas senti ter esvaziado o meu pranto, ter esgotado as forças e pegando no que me levara a ir lá abaixo, voltei. Voltei mais triste, mais só, mais sem os nadas que ainda imaginava ter…
Os lençóis revoltos como as marés vivas de Setembro, fizeram-me reviver tão velhos momentos… subi a escada, bati e entrei. Uma visita! Cinco vinte e um! He! He, he, he… ainda te lembras? Página, linha… pois! Há coisas que nunca conseguimos esquecer…
Respirei fundo e tentei concentrar-me para ouvir aquela música que pensava ainda ter na memória… mas esvaiu-se e apenas consigo recordar um pouco do som do carro quando avariava…
Depois a tua voz suou como se estivesses ali dentro, na outra divisão onde não fui… nada havia a fazer lá.
Pareceu-me sentir ainda o teu calor quando peguei no edredão para o dobrar… foi há tanto tempo e pareceu que apenas uns minutos tinham passado… Tudo parece estranho ao mesmo tempo que tudo é tão natural. Serei eu a imaginar ou ter-se-á passado mesmo assim? Para imaginação esteve perfeita. Para ter sido realidade, pouco faltou para pensar que era mentira… ou não estaria agora aqui, a lamentar estar tão só e sem lágrimas mas com a alma num choro compulsivo…
Entretanto veio a noite. Escureceu o céu, muito encoberto e também chorando uma chuva miudinha, a fazer coro com a minha lamúria …

04.12.08

segunda-feira, novembro 24, 2008

IRONIZANDO


Ouvi notícias, li umas folhas de jornais
E fui para a janela ver chover…
Tudo isto é uma palhaçada
Que passa como fortes vendavais…
E por mais que me façam crer,
Não vejo nada nesta pobre desgraçada.
Política! Que nome de baptismo sem futuro
Se não lhe derem mais instrução,
Se não lhe ensinarem a ser cidadão
Se, sem vaidades e batom não aparecer disfarçada
E passe a respeitar os seus iguais…
Política salarial!
Politica laboral,
Política empresarial…
Há! Esqueci a Política de quem sabe mais (?)…
E mais notícias e mais jornais…
E vêm novos desentendimentos
Porque ninguém quer ficar no rol dos despedimentos…
Vamos avaliar!
Vamos saber quem vai ficar!
Vamos … ver se dará certo,
Pois para isso é fundamental
Que não haja fingimentos…
Que avaliar por perto
Pode ser assunto fatal…
Os objectivos! Diários ou anuais?
Objectivo principal…
Não são fáceis os objectivos individuais
E se formos professores,
Não digo, pois pode estar mal…
Mas à cabeça traz muitas dores…
Use-se a palavra certa
E não mais o fingimento
Aprender é uma porta aberta
Para o nosso engrandecimento…
Abra-se a porta à aprendizagem
E não se escutem palavras vãs…
Apreciem como se está no Parlamento
E pesquisem pelo célebre Magalhães…

24.11.08

quinta-feira, novembro 13, 2008

DILEMAS DE QUEM TEM DE LIMPAR O PÓ


Há coisas que temos de fazer, mesmo a convalescer de um cancro. Limpar o pó é uma delas, mesmo não sendo das coisas mais agradáveis que se fazem. Eu associo o limpar o pó a varias actividades mentais, isto num programa de autoavaliação que criei para classificar as minhas faculdades cognitivas.
Tenho muitos pratos espalhados pelas estantes da sala. Há anos deu-me para ser coleccionadora de pratos. Depois vieram as chávenas de café e ainda depois as chávenas miniatura. Vejam só como é a minha limpeza de pó…e nem deixo a tarefa por mãos alheias porque adoro as minhas bugigangas…
Mas hoje, ao fim do dia a tarefa vai ser muito mais leve. Eu explico porquê… um dos meus alunos sénior, ofereceu-me um livro, que segundo ele, opera maravilhas… (não sei bem o que são maravilhas para ele…) O Segredo! São conceitos! Depois de ter sobrevivido à morte, não sei bem onde encontrar outras maravilhas…Mas dizia eu que a minha tarefa era facilitada pela leitura de alguns excertos do Segredo… Aladino! Ora não se está mesmo a ver que limpar o pó e limpar a lâmpada de Aladino estão em sintonia? Pois é! Vamos a ver se ao limpar a minha candeia o Génio aparece e repita a frase célebre – o teu pedido é uma ordem!...
Mas estou num dilema. Se limpo a lamparina e aparece o Génio, o que lhe vou pedir? Se pensar só em mim, peço-lhe o que sabes muito bem, mas o que eu quero pode não ser o que quer a quem associaria o meu pedido, e logo fico noutro dilema, pois há tanta gente neste momento que ficaria feliz com algo que não prejudicasse as suas vidas… e as deixasse funcionar racionalmente e sem atropelos….
Está decidido. Hoje não vou limpar o pó e talvez lendo mais um pouco do Segredo, encontre solução para o que pedir ao Génio, caso apareça, e lhe fale das minhas reticências e ele dirá, possivelmente: o teu pedido é uma ordem…


13.11.08
16H00 no comboio

segunda-feira, novembro 10, 2008

I HAD A DREAM…

Pois é verdade, tive um sonho, mas já acordei há bastante tempo… Por muito estranho que possa parecer, sonhos todos temos, só que alguns têm sonhos de maquiavelismo, com o fim de fazer de conta que estão a fazer um “papelão” mas apenas estão a fazer o seu “papel”…
No meu sonho havia já sido eliminada a prepotência, a arrogância, a intransigência, a teimosia… a outros atributos que são característica de incompetências e de formas de fazer de conta que se é muito bom. Mas ao ter acordado há tanto tempo do meu sonho, constatei que na realidade todo o meu sonho não passara de sonho.
Hoje muito bem acordada e depois de ter amadurecido os meus pensamentos no que respeita à manifestação dos senhores professores, com a qual estou de pleno acordo, tenho de concluir que há aqui qualquer coisa que transcende as nossas mentes… será que o QI deixou de ser levado em consideração para aqueles que têm de exercer cargos de tão elevada nobreza?
O professor tem uma tarefa sumamente importante na transmissão de conhecimentos e formação geral, daqueles a quem dedica a sua actividade. Mas o docente é um ser humano. Não é possível exigir mais a um ser humano do que o que for para além das suas capacidades vitais.
A tarefa de um docente é ensinar, ou seja, transmitir conhecimentos. Ora os conhecimentos têm de ser actualizados constantemente, por isso a tarefa dos professores é cansativa, trabalhosa e plena de responsabilidade. Não se pode deixar para depois, porque as mutações são constantes e por isso as actualizações também. Mas ainda há factores de sobremaneira importantes que devem ser considerados. Um docente respeitando a sua actividade, encara as suas turmas como um aglomerado de seres humanos como ele, e por tal tem de adaptar a sua forma de transmitir esses conhecimentos, estudando os seus alunos e qual a melhor forma de os sensibilizar para as matérias que lhes está a ministrar. Além disso ainda é interessante a tarefa de adaptar as matérias dos manuais às realidades de receptividade dos alunos, sejam elas quais forem e sejam quais forem as suas idades, e/ou o meio onde estão inseridos e todas as outras condicionantes existentes, nesta transmissão de conhecimentos.
Para casar o meu ponto de vista com as realidades actuais, li o Decreto-lei nr.15/2007 (II), Atgº 44º - Processo de avaliação do desempenho – a consultar em
http://avaliacaodesempenho.te.pt/. A minha opinião é que há demasiada burocracia e perda de tempo para se constatar a realidade dos factos – interessar as crianças e os jovens na actividade de aprendizagem. O ir à escola tem de ser um acto de prazer e não uma “estopada” quer para alunos ou docentes. Outro, porque não outros aspectos a ter em linha de conta, é o facto de não se poder ser completamente imparcial numa avaliação dentro destes moldes. Sejamos coerentes. O grau de insatisfação já atingiu um patamar que não permite imparcialidades. O jogo posto a circular de que uns querem e fazem e outros não, é para dividir, para comandar.
Sem querer ser demasiado longa, ainda acrescento que no processo de avaliação de desempenho, cada docente deve apresentar evidências do desenvolvimento do seu percurso profissional… muito vago! Foram dados instrumentos suficientes aos docentes até à data, para que com toda a seriedade pudessem fazer essa sua auto-avaliação? Há percursos, variáveis e revezes que nunca poderão ser equacionados com toda a limpidez… Vamos reflectir para sermos imparciais na forma de ajuizar e opinar.

10.11.08

sexta-feira, novembro 07, 2008

ONDE LI: No Portal da Educação


Passeando pelos blogues onde posso recolher algo que satisfaça a minha curiosidade, cheguei ao Portal da Educação. Bem, será que é mesmo verdade ou pura propaganda? Não condiz nada com o que tenho ouvido por parte dos senhores docentes… Alguém anda a mentir… mas os professores são muitos… combinaram assim tão bem o que iriam dizer?
Não resisto em transcrever o que lá li, o que pode ser constatado por quem consultar o sitio
http://min-edu.pt/np3/2805.html - “Processo de avaliação docente avança em todas as escolas
O processo de avaliação docente está a avançar em todas as escolas, de acordo com a informação da Direcção-Geral de Recursos Humanos da Educação.
Desmentem-se assim as alusões, contraditórias entre si, em jornais diários de hoje, a suspensão, adiamento, atraso ou interrupção do processo de avaliação”.
Creio que se está a atravessar uma crise, também neste sector. Impera o bullying entre os alunos e muitas vezes entre os professores. O burnout também tem vindo a tomar conta de muitas atitudes que não deveriam ser tomadas… A culpa está no stress e o stress é a consequência de vários factores, como a insegurança (económica, social e muitas vezes emocional).
Voltando a ler o fragmento que transcrevi, parece-me ter como finalidade dividir opiniões. Dividir para reinar. É um método muito velho e bem conhecido por quem já tenha muitos anos…
Creio que já chega de estratagemas para esconder incompetências. Sejamos adultos e pensemos antes de deixarmos que ideias pouco produtivas anulem a boa vontade de quem gosta do que faz.

04.11.08

Isabel carmo

sexta-feira, outubro 31, 2008

NÃO DÁ PARA PERCEBER…


Às vezes contam-nos coisas que achamos insólitas, porque até parece que nos estão a contar anedotas… mas não! Posso dizer que se passou comigo, aqui vivinha, que nem vão acreditar…
A 25 de Julho de 2008, finalizei um ciclo de aplicações de radioterapia no Cérbero. Após a sessão seguiu-se uma consulta onde foi marcada uma consulta para apreciação de exames a fazer. Consulta essa marcada para 30 de Outubro às 14H00. Até aqui tudo bem, e sem quaisquer contestações. Uma semana antes da data prevista para a referida consulta, para lembrar a mesma, foi-me enviado um MSN, ao qual bastaria responder sim ou não. Perfeito! Respondi sim, até que já haviam sido feitos todos os exames prescritos e cujos resultados seriam apreciados na dita consulta e numa outra posterior, a realizar em outro centro hospitalar.
Dois dias antes da famigerada consulta, voltei a receber um novo MSN, com a mesma lenga-lenga. Liguei para o número opcional, pois poderia ter acontecido não terem recebido o “sim” anterior. Depois de dar a volta pelos números todos, que respeitam a diversos departamentos e consultas, lá cheguei a um que ao cabo de uns minutos me permitiu falar com um senhor, muito simpático, que me explicou que as mensagens apenas serviam para avivar a memória dos pacientes. Não necessitava mais nada.
Agora começa a odisseia…
No impresso de marcação da referida consulta, pede para que estejamos meia hora antes da hora da marcação.
A chuva, o vento e um friozinho pouco agradável, fizeram-me chegar apenas cinco minutos antes da hora marcada; apresentei ao balcão o impresso da marcação e mandaram-me sentar, pois chamar-me-iam logo que fosse para a consulta.
A minha rejeição àquele local é superior à minha vontade. Dentro de mim desfaço-me em lágrimas e sinto um terror incomensurável no caso de ter de voltar a transpor aquela porta vermelha…
Uma hora depois, portanto 15H00 chamaram-me ao balcão para reconfirmar a minha presença. Voltaram a mandar-me sentar. Chamar-me-iam quando fosse para ir para a consulta…
Às 15H35 voltaram a chamar-me. Não para a consulta. A explicação é que havia um lapso com o nome do médico a atender-me. Iam à procura de uma médica que estaria a almoçar, por isso, que voltasse a esperar…
Dezasseis e cinco minutos! Dirijo-me ao balcão e pergunto se a médica ainda estaria a almoçar… Nada disso! Não se sabia. Um outro médico que procede ao acompanhamento dos doentes em sessões de radioterapia ver-me-ia, pois que eu já estava à espera havia muito tempo…
Um amor de senhor, sem dúvida, que pediu vezes sem fim desculpa. Mas a verdade é que ele não tem culpa nenhuma.
A explicação que me deu este médico e muito bem dada é resultante do programa informático que os médicos têm de accionar para marcar a próxima consulta. Claro que aceita a data! Mas o problema é outro. Na data que o programa assume, nem está esse médico nem essas consultas são nesse horário… Vá-se lá entender que programas informáticos são estes…
E com uma angústia sem medida, com uma dor que nem sabia de onde provinha, vim embora, com a única consolação… cognitivamente não fora afectada…

30.10.08

NÃO ESTROPIO O SENTIMENTO


Esfarelam-se as palavras como migalhas de pão duro. Deixam um ruído a pairar e na alma fica o arrepio do som metálico no vidro… enquanto todos os ruídos se cruzam, caminho pelo caminho que tracei. Um caminho tortuoso cheio de precipícios onde a cada passo sinto a tentação da sua atracção…
Todos os caminhos me levaram ao caminho que me fez abeirar de ti. Frondosa árvore onde me amparei quando o cansaço me fez oscilar e quase desistir de prosseguir o meu caminho… e caminho pelo caminho que tracei para não te perder nunca…
No meu caminho há muitas palavras, muitos dizeres, muitos livros e sempre a constante curiosidade de saber mais. Um caminho cheio de porquês, em que cada porque é uma flor a desabrochar, em que cada pétala é a página que irei ler a seguir. Cada página tem a tua imagem e tudo o que nela deixas escrito é para despertar ainda mais curiosidade.
Tem cada palavra o condão de desbravar horizontes ainda desconhecidos. Cada frase tem um destino, embora possas não o identificar… gosto de idealizar os teus protagonistas…
No meu caminho, muitas vezes senti que estes ou aqueles dizeres me perturbavam, mas como os que dizes, jamais havia sentido… Um afecto muito íntimo me faz abraçar cada palavra com devoção, sem que estropie este belo sentimento…

30.10.08

sexta-feira, outubro 24, 2008

NO PAPEL


A palidez do papel branco aceita a minha tinta preta e recebe todas as letras que lhe vou deixando como se fossem desenhos simétricos e repetidos…
Todas as letras fazem palavras que, muitas vezes traduzem beleza, outras apenas deixam ler a tristeza ou ainda pretendem esconder as cicatrizes que vão perdurando na alma…
Cicatrizes são muitas vezes amargores que se fixam e perturbam o dia a dia. A distância origina pesares que se vão acumulando e quando damos conta de nós, estamos num sofrimento incomensurável…
Parti várias vezes. Sempre a sonhar que tudo iria ser como sonhara… mas que engano! Apenas somei dores e sempre mais só.
Lembro-me do Cais de Alcântara e da largada do navio….Recordo sempre o olhar da mãe e do pai… e entre a multidão que apinhava o cais, em despedida dos que partiam, havia um par de olhos castanhos que ficaram gravados no meu peito…
Como me lembro de ter passado tantos dias a chorar… enquanto outros passavam-nos enjoados… mas a saudade dominou todos os meus pensamentos, apenas desejei virar a página o mais rapidamente possível… que saudade!
As cicatrizes também podem ser arrependimentos… alguns! Mas todos os passos apenas serviam para me justificar à solidão.
Depois, um dia, parti em sentido contrário. Foi o que decidi. Foi doloroso. Gostava do que fazia, gostava de toda a gente e das flores que cobriam as árvores da minha rua. Mais uma vez ficaram olhares perdidos entre o céu e a terra, de todos os que jamais voltarei a ver… saudade! Talvez mais umas cicatrizes…
Mas nem sempre fui eu que parti! Que lutos dolorosos tenho atravessado. Há sempre alguém que se vai… e não volta mesmo, ou deixa-me no esquecimento, porque viver é tudo isto. Ou se fica perto ou se fica longe, cada vez mais longe até que a distância passa a ser outra vida.
A palidez do papel aceitou minha escrita. Aceitou as lágrimas que foram escorregando pela face e deixou que a saudade que me aperta a alma fosse um longo suspiro moribundo…

24.10.08

sexta-feira, outubro 03, 2008

DIÁRIO DE UMA NOITE FRIA


Quando escrevo, é porque escrevo. Escrevo, porque gosto muito de escrever e porque é uma terapia. Escrevo atabalhoadamente, porque apenas deito para fora o pensamento do que fervilha na minha alma. É uma forma de falar comigo pela escrita. Um monólogo feito diálogo para expandir minhas revoltas, meus sentires e lamentos… Para afagar meus afectos ou para abafar minhas angustias…
Quando leio notícias nos jornais, ou vejo certas reportagens nas televisões, fico transtornada. É isto o século XXI! Intolerância, desrespeito, repressão… será que estamos mesmo no século XXI? Afinal continuam os suseranos e os servos da gleba…
Adoras imaginar que o que escrevo é para ti e pões-te a imaginar cenas, como se fosses o centro de todas as atenções… não és diferente das outras pessoas… gostas de fazer de conta que és o supersumo das deferências. Mas tens de entender que apenas mereces o que tens…
Um dia acordas e vais estar só. Pensas que todos vão gostar de ti ao ponto de aceitar a forma irreverente como tratas os amigos?...
Vens espreitar, pela calada da noite, o que deixo escrito, para depois criticares e chegas e ter o atrevimento de me aconselhar uma consulta de psiquiatria… (penso que quem está mesmo a precisar és tu) … Já se viu o atrevimento de rires descaradamente, quando falo? Será que não é digno de meditação, no mínimo, as observações que faço quanto a pobreza, lacunas no ensino… oportunistas que têm vários “tachos”, prejudicando outros que também precisam de trabalhar… Pois creio que uma consulta de “aconselhamento” filosófico ficava-te mesmo bem… não percebi ainda é se nessas consultas se tratam de segredos de alcova… Por essa ordem de ideias, em vez dos simples copos de água, nas bancadas da Assembleia da Republica havia sempre umas caixinhas com calmantes… Obrigada pelo alvitre… e já agora, o tal “ti” ou “tu”, que não és tu seguramente, podes chamar-lhe “Zé Povinho”…

04.10.08

terça-feira, setembro 30, 2008

NO TEMPO EM QUE O TEMPO FOI SONHO


Tempo. Tempo, mas o tempo tem muitos tempos. O tempo aparece em horas, aparece em dias e meses e muitos tempos fazem anos e eras. O nosso tempo ainda é o tempo activo e o tempo de descanso… No tempo vivemos e sonhamos e mesmo no tempo de vigília, sonhamos… dos nossos tempos e dos nossos sonhos se faz a nossa vida. Vida que tem passado, presente e futuro… sendo o tempo de futuro o mais incerto…
O estranho é não nos apercebermos que o tempo em que sonhamos, é um tempo gasto como em qualquer outra actividade, com a diferença de o sonho não ser produtivo… Talvez não seja bem assim. Por vezes, inconscientemente, estamos a sonhar e acto continuo pomos em acção o sonho que acabara de ser sonhado. Era viável o que se viveu no sonho e por isso sai escrita, musica, sai uma obra de arte ou até uma peça de marcenaria…
Todos sonhamos, independentemente do nosso tempo, porque o meu tempo não é o mesmo de qualquer outra pessoa. O tempo geral é o mesmo para todos, se considerarmos um mesmo local em latitude e longitude. A loja abre às nove horas (aqui e neste tempo) e todos os que lá trabalham têm o mesmo tempo de começo e depois de saída, mas quem vai fazer as suas compras, tem o seu próprio tempo e nesse tempo não estarão outros tempos introduzidos.
O sonho ou os sonhos que vão decorrendo nos nossos tempos, não são verdades. O sonho é um engano. É um faz de conta que apenas é realidade no sonho; (sonhos durante a vigília, são muitas vezes sonhos perniciosos…)
O tempo no sonho não é tempo contável. O sonho é intemporal no tempo em que o sonho se desenrola. Não é raro acontecer entrarmos no sono, no nosso tempo, quer fisiológico quer no fuso horário em que nos encontramos e neste tempo em que dormimos, numa viagem constante, estamos dois séculos atrás, entre intrigas palacianas, ou muitas décadas à frente, numa guerra entre seres de outros astros do sistema solar…
Sonha-se mesmo quando não nos apercebemos que o sonho está a acontecer…

25.09.08

quarta-feira, setembro 24, 2008

COMO CHOVE!


Quando escrevo, sou como a chuva que cai lá fora: molho tudo e todos indistintamente. Não tenho nem a preocupação nem a pretensão de atingir A, B ou C… Se o gorro cabe em alguma cabeça, desculpem, mas prefiro ignorar. É mero acaso. Mas tenho dúvidas que existam seres similares àqueles que a minha imaginação cria…
Quando pretendo mandar recadinhos, escrevo uma carta ou pego no telefone e despejo o saco, se o interlocutor estiver pelos ajustes de me ouvir… normalmente não está ou tem uma tão forte argumentação, que me deixa no silêncio… São tácticas peculiares do aconselhamento filosófico, a ética é posta em evidência com argumentações inefáveis…
A propósito de me deixar no silêncio, recordo-me o que aconteceu esta manhã… Preparava roupa para meter na máquina, e como sempre, viro a roupa das avessas e despejo os bolsos, para confirmar que não há nada que possa prejudicar a máquina e espanto! O meu N 78 estava no bolso das calças que despira no dia anterior… Incrível! Fartei-me de o procurar quando o outro foi a carregar e nada. Nada de contactos! Quase chorava com medo de o ter perdido… mas a surpresa foi excelente. Já está comigo! E veja-se que tinha várias chamadas não atendidas… como o havia de ouvir? Vá agora explicar a quem me ligou, o que aconteceu… Estou mesmo a ver que alguém, super, não vai acreditar. Inconveniências de quando se usa a mentira e não se acredita na verdade dos outros… Aposto que neste momento há birra, para dizer que birra com birra se paga… entretanto, e porque ainda estou a deglutir algumas “coisinhas”, prefiro deixar arrefecer as ideias e fingir que ignoro que a pessoa X e a pessoa X’ é que são as ideais e que estão na rota do encantamento…
Parou de chover! O hino ao Outono cantou os seus primeiros acordes e agora os pássaros cantam, como que a saudar a lavagem das suas plumagens…
Trovejou por breves instantes e à distância, ainda se ouve um sumido ribombar… são tardes como esta que me deixam marcada a ausência e fazem reavivar a saudade… mas tudo acaba e nisso tens razão. Parte para outra, porque mesmo dos que morrem, a saudade se esvai… é como a nuvem, desfaz-se com o vento.


22.09.08

segunda-feira, setembro 22, 2008

PALAVRAS ESFARRAPADAS

Esfreguei os olhos. Voltei a esfregar, como quem torce o pano de limpeza, para que não escorram mais gotas, neste caso, de lágrimas… mas não choram apenas os olhos, chora a alma, e essa, tão doloridamente, como que em despedida, e, plenamente consciente de que a vida acaba aqui… esta fase da vida.
Perdi! Não joguei, nada disso. Há coisas muito mais sérias do que jogar… muito embora a vida seja um conjunto de jogos, em que uns aplicam, outros gastam e outros divertem-se a ver os que aplicam e os que gastam…
Acordei cedíssimo. A dor de cabeça prolongou-se pelo dia todo. O pulso voltou a subir… a zona a chatear… e o cansaço habitual… e para cúmulo, ainda me põem nos confins do desprezo, em troca de umas modernices… é verdade, afinal o jogo dos interesses é muito forte! E ainda nos espantamos com o que figuras públicas fazem, nas trocazinhas de favores… quando toda a gente joga no favorecimento dos seus interesses e nos seus encantamentos, para usufruir do benefício de estar no bem bom. Daí, esquecer os que estiveram (mas a fazer de conta) no top mais… porque realmente ninguém está de certeza nessa posição. No dia em que já não interessa, passai bem e até depois…
Até parece que estou azeda… mas não. Estou desiludida e muito. Não me conformo de nunca passar de um mero objecto de utilidade para quem tem a habilidade de enganar com palavrinhas doces e às vezes bem amargas… bem me lembro ainda de uma palavra que me ofendeu bastante -“nojo”- porque o gosto do tabaco era infernal… mas haveria modos diferentes de o dizer… Consola-me saber que deixaram de haver fumadores e outros tipos de odores… Eu continuo a usar o Chanel 5…

22.09.08

sexta-feira, setembro 05, 2008

SEXTA-FEIRA!

Depois de um dia acinzentado e ventoso, começou a chover. Gosto da chuva, quando ao de leve cai nas folhas das árvores e plantas e deixa que o som nos embale e acarinhe a nostalgia que estes dias nos deixam…
Chove ainda, depois da noite nos ter abraçado. Chove e choram os meus olhos por uma saudade que teima em entranhar-se por todo o meu ser.
A saudade é uma forma de fazermos sentir dentro de nós quem não está perto. É doloroso apenas sentir distância, quando temos alguém tão dentro de nós, a preencher nossos momentos e todos os nossos pensamentos…
Saudade de alguém, saudade de um lugar, de um objecto que estimámos e que por motivos que desconhecemos nos apartamos dele… é o que sinto quando recordo a caixa de madeira, de dois andares, onde guardava os lápis de cor, quando ainda era muito pequena… Saudade da nogueira, no recanto da quinta que mais me atraia, e que pelos meses de Setembro, em cada ano, me deixava colher as nozes, que ainda meio verdes, me sabiam deliciosamente… saudade das aventuras e das corridas, dos amiguinhos com quem partilhava rebuçados e chocolates, dos cadernos que escondia, cheios de desenhos e muitos versos.
Mas hoje a saudade ainda é outra… é saudade de mim própria… Saudade de correr pela rua fora para apanhar um autocarro, saudade de carregar no acelerador para não deixar que me ultrapassassem na estrada… saudade do que não vou voltar a ter… tardes de lançamento de livros, idas ao café do bairro com o pretexto de escrever, saudade sobretudo da companhia de quem vai deixar de vez de estar perto…. Saudade que consome, que destrói, que causa stress, que gera depressão, que deixa a alma sangrando de dor… e ainda há quem consiga deixar que amizades se percam…

05.09.08

terça-feira, agosto 19, 2008

O MEU CANAVIAL


Amigos! Nem vos peço para acreditar. Levantou-se uma ventania, que sopra num ulular enfurecido, que mais parece uma tempestade invernosa do que uma tarde solarenga de Agosto…
Não tenho por hábito confessar nada do que faço ou vou fazer, porque ainda há por aí muitos preconceituosos que me iriam julgar… e juízo de valores não os admito para mim, porque não os faço a outros.
E vai daí, um dia destes passei por um canavial aqui perto e como tinha imensa necessidade de falar, abeirei-me e disse o que me ia na alma… receio bem que o que lá deixei foi mesmo a alma…
As canas hoje dançam num rodopio indescritível… e cantam num assobio de enlouquecer… e cantam os meus segredos… Nem nas canas posso confiar…
Ora veja-se que as canas, indiscretas, assobiaram tudo o que lhes disse e ao sabor do som do vento que lhes vai varrendo as folhas, vão revelando, passo a passo, os meus dizeres… Parece incrível!
Não deixei nomes no canavial… deixei sonhos e projectos e o que não queria que se descobrisse… era só meu e do canavial… agora é do sopro de vento que ruge como que querendo divulgar o que eu tanto escondia…

19.08.08

sábado, agosto 16, 2008

A PENSAR…

Se não me doesse a cabeça, possivelmente escreveria um texto longo… longo que teria de contar as palavras para não ir além do que é permitido pelo bom senso. Nunca se deve abusar da paciência e boa vontade dos leitores… muito embora isso não tenha qualquer significado no que respeita a ser comentado o trabalho que se apresenta… claro que a justificação que recebi, é o facto de nada haver a acrescentar… eu diria, preguiça de pensar em uma resposta… Vem de lá a “cusquice”, a “ratadela”, mas escrever meia dúzia de “tretas” para se perceber que o trabalho que fizemos foi lido, isso dá muito trabalho…
Estou precisamente a lembrar-me dum trabalho que li no Blogue do Clube dos Pensadores, cujo título era Pensar Alto, da autoria de Joaquim Jorge e que apenas teve um comentário… não acredito que apenas uma pessoa tenha lido esse texto…
Começava por dizer o autor que a política deveria ser para servir os cidadãos e realizar os seus sonhos… mas que percebem os políticos de sonhos? Admito que nunca pensaram que, comer um simples prato de sopa, pode ser um acto político… Como é que os políticos podem realizar os sonhos dos seus concidadãos, se não vasculham bem quais as suas opiniões sobre certos assuntos que são do interesse comum? Ou quais são as sua preocupações fundamentais? Alimentam sim, o faz de conta, com algumas notícias bombásticas, como por exemplo a o desemprego estar e diminuir… Ninguém escuta ninguém e o importante é impor o que previamente é decidido entre as quatro paredes de um gabinete… sejam quais forem as consequências…
Há ingredientes que são essenciais para que os políticos sejam levados a sério e que as suas directivas sejam credíveis. É necessário respeitar para que se seja respeitado. Empinar o nariz e dizer que é assim, não leva a lado nenhum. Milhentas pessoas vão fazer exactamente o oposto… Quando se manda, é preciso saber mandar… e nem muita gente o sabe fazer em plena consciência. A partilha e a cumplicidade são ingredientes que têm de fazer parte dos que nos dirigem, para que possam ser ajudados a cumprir as suas decisões coerentemente e atempadamente, para que se possa interiorizar e entender bem o que é pretendido e quais as finalidades.
Claro que todos entendemos a conjuntura internacional e os respectivos problemas económicos, mas como há sempre possibilidade de serem feitas previsões, deveriam os pequenos investidores ser honestamente informados dos riscos que, eventualmente, podem correr, evitando assim de serem perdidos alguns fundos que as pessoas idealizavam ter como economias… é um detalhe insignificante, mas produziria o efeito de confiança nos cidadãos deste país.
Uma outra frase que me tocou foi aquela que diz termos na vida duas opções – ver passar a vida ou tentar alterá-la… Pensem! E façam as vossas opções. Mas, digam… gostamos sempre de sabem o pensam os nossos patrícios.
Hoje fico por aqui… amanhã há mais.

15.08.08
VER: CLUBE DOS PENSADORES

sábado, agosto 09, 2008

PSICOSE


Em 1845, um estudioso desta matéria, Ernest von Feuchtersleben introduziu o termo “psicose”, que é assim, palavra mais recente do que a palavra “neurose”.

A oposição entre a palavra neurose e psicose, por finais do século XIX, estabelece-se como que linha de demarcação entre a loucura e as outras perturbações, oposição esta, que se manteve até aos anos mais recentes.

O DSM-III (actualmente já DSM-IV com anotações actuais e que é uma espécie de Bíblia dos Psicólogos), tentou suprimir o termo “neurose” e reduzir o termo “psicose” para o adjectivo “psicótico”, contudo, a maioria dos psicopatologistas continua a utilizar o vocábulo “psicose” para designar um conjunto de perturbações caracterizadas por alguns elementos, como a gravidade, delírio, a perda da relação com a realidade e outras, que em senso comum se designavam por “loucura”.

Se quisermos falar de “psicopatologia das psicoses”, estamos a tomar uma posição em simultâneo do que é a psicopatologia e sobre a existência de uma forma de sofrimento específica e considerada, particularmente, grave. Os psicólogos consideram a psicopatologia a psicologia do patológico, segundo Pedinielli, 1994, isto é, o estudo e a teoria psicológicos das formas de sofrimento, sejam elas quais forem, as causas das mesmas.

A psicopatologia baseia-se em situações concretas de interacção com os doentes que estejam a apresentar uma psicose e produz uma interpretação psicológica dos fenómenos.

Dois níveis complementares são abrangidos pela psicopatologia:
. O primeiro tem a ver com a descrição dos aspectos psicológicos dos factos patológicos como as perturbações da percepção, do raciocínio, delírio, e outros; os trabalhos psicológicos sobre “o que se viveu”, “o imaginário”, e sobre a linguagem e o pensamento que ainda correspondem a este nível.
. O segundo nível diz respeito às teorias explicativas psicológicas das perturbações, o que não implica que elas sejam automaticamente teorias da causa das doenças.

A psicologia clínica é o instrumento que permite aos psicólogos identificar, analisar e interpretar os elementos que se trocam na relação com o doente. Saliente-se que o saber psicopatológico não é um sistema dogmático de interpretação que se aplicaria aos discursos dos doentes.
Fazer psicopatologia clínica é conseguir maneira de suscitar o discurso, de se interrogar sobre a sua lógica e de a interpretar.

Há opiniões diferentes. Iremos tentar mostrar alguns pontos que poderão ajudar a entender melhor. Os esclarecimentos sobre o ponto de vista de autores diferentes seguirão em breve.

Consulta a:

- Jean-Louis Pedinielli
- Guy Gimenez

isabel carmo

09.08.08

sexta-feira, agosto 08, 2008

JOGOS OLÍMPICOS

Zanguei-me com o tempo. Passou vertiginosamente esta tarde. Bem sei que desde a uma da tarde que não saí de frente do ecrã da televisão, para assistir à abertura dos Jogos Olímpicos. Por isso, o tempo em chamadas telefónicas, nem deu para absorver a delícia que é ouvir a tua voz. Paciência. Possivelmente, à hora que os mochos dão as suas consultas aos outros pássaros nocturnos, vou ouvir o meu Cuco cantar e lá estarás para dar as boas noites da praxe.

Mas zanguei-me com o tempo porque entre as treze horas e dez minutos e as dezassete e trinta, nada mais fiz que ver o maravilhoso espectáculo que foi a abertura dos Jogos Olímpicos na China. Mereceu a pena, muito embora esteja sempre habituada a fazer algo a seguir ao almoço, para não me deixar amolecer no cadeirão em frente do aparelho de televisão…

Magnifico espectáculo de cor, coreografias e de fogo de artifício. Creio que jamais vi espectáculo tão sumptuoso.

Milhares (dois mil e oito) de figurantes deixaram-me deliciada nas suas vestes magníficas. A maior parte das delegações de atletas de cada país, também trajando com cores vivas, desfilaram durante muito tempo. A delegação portuguesa, que passou na 178ª posição, também me agradou. Os nossos atletas caminhavam com ar convicto de que irão ser merecedores de um medalha.

Gostei de ver o Presidente do Brasil, Lula da Silva, o Presidente de Timor Leste Ramos-Horta, O Príncipe Alberto de Mónaco, os Príncipes das Astúrias Litizia e Felipe de Espanha, o Presidente de França Nicolas Sarkozy, e muitos outros presidentes e primeiros ministros de muitos outros países. Comovente o acenar das delegações para os seus dirigentes.

Não referi Portugal, porque nem Presidente nem Primeiro-ministro estiveram a assistir a esta cerimónia ímpar. Estranho, não é? Pois não é estranho não senhor. Em Agosto, pleno mês de verão, há férias e nem o Senhor Presidente nem o Senhor Primeiro ministro poderiam abdicar de uns dias, sacrificando as suas férias, para serem a força máxima a representar o nosso país… a não ser que tenham consultado o oráculo e tenham receado que algo de estranho os poderia “danificar”…

Achei interessante saber que os números são muito importantes para os chineses, daí o número de figurantes ser dois mil e oito, tal como o ano em que estamos… e logo hoje é dia oito!...

“Estou sim, docinho?” “Que bom ouvir-te de novo.” “Bla…Bla… Bla…”
A conversa durou pouco por causa da falta de carga. Amanhã haverá mais… e entretanto continuo a remoer por ter visto tantos representantes máximos de tantos países e do meu, apenas foi uma figura de representação…


08.08.08

segunda-feira, agosto 04, 2008

A MINHA VARANDA

Passei anos a abrir a janela da varanda para admirar o Monte Gordo, logo pela manhã cedinho, sentindo ora a brisa suave da Primavera, ora o agreste vento do Inverno ou o atrevido e insinuante vento do Outono, cheio de nevoeiros, deixando mistérios para além da cortina meio opaca, a esconder o Tejo…
Passei anos a olhar a metamorfose dos verdes, entre os verões quentes e os Invernos frios e húmidos. Observei as aves, umas canoras, outras de grunhido agudo, ao anoitecer… e desde a minha janela da varanda fui sempre esperando, para além do mais, o ver-te…
Via os carros da primeira curva, os que desciam mais afoitos, os destravados e em perícia guinchando na ultima curva da estrada… quando se aproximava o teu, ficava esperando do outro lado, até ouvir o puxar do travão de mão… passei anos a acompanhar todos estes pequenos sentires. Agora! Para agora, ficar perdida, por trás dos vidros, sem abrir a minha janela da varanda, para não me constipar e poder agravar o estado daquela saúde que julgava ter, mas que não terei mais…
Passei anos a respirar o ar que entrava sem pedir licença e muito informal, me lambia o corpo, me enchia a cara de um torpor, como quando se ouve uma bela melodia ou se imagina a língua a roçar a pele das costas… passei anos a esperar…
Durante estes anos em que num ritual quase que sagrado abria a janela da minha varanda e esperava que seguisses estrada acima e que pelo fim do dia esperava que regressasses… esqueci que os anos passaram… passaram mesmo!
Hoje a janela não se abriu uma vez mais. Esteve de chuva e um tempo carrancudo deixou-me mais amedrontada… apenas falámos.
A noite desce e os silêncios intercalados com os barulhos característicos vão embalar mais um dos meus pensamentos, carregados de revoltar e fúrias, por guardar para cá da janela, que mantenho fechada, os desagrados em que vamos vivendo, com contrariedade.
E não respeitando absolutamente nada nem ninguém, o tempo entreolha o tempo e deixa-me aqui, um ror de meses passados, continuando à espera, agora não de vida, mas de uma morte assegurada que um dia destes virá, como visita de cerimónia, mas que ao sair me levará, com todas as promessas que nunca soubeste fazer-me… e eu carente de todas as belezas que deixei de ver pela minha varanda, vou acreditar e deixar-me levar, como que me certificando que finalmente estou certa…
Nem olharei para trás para me despedir. Não terei tempo ou talvez, se o tiver não o farei… poderei estar a recordar as vezes que saíste e nem te lembraste que poderia estar na varanda para te dizer adeus…
E agora tudo está diferente. O Monte Gordo ficou com muitas construções, novos bairros, onde irão viver outras gentes, onde outros costumes se instalarão e se ainda por cá estiver, apreciarei todas essas mutações…

04.08.08