segunda-feira, fevereiro 16, 2009

ARTE APLICADA





Nem sempre é possível homenagear os amigos, sobretudo se se está atravessando momentos menos bons, em que a saúde nos priva de passeios, de paródias, de convívios.., Há sempre quem nunca nos esqueça e de quando em vez uns, outros diariamente, telefonam e lá nos vamos conservando com a conversa em dia… outros por estarem mais longe, lembram-se, mas têm menos tempo. Mas não esque ço eu e isso é importante.
Tenho umas amigas que são impecáveis e por isso resolvi dedicar-lhes os meus momentos de lazer (que agora são muito) e entretida em artes manuais, fiz umas coisas insignificantes, mas com todo o meu carinho. Vejam as fotos, porque os originais vão ser entregues logo que me seja possível.

16.02.09

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

VIDA VS DOENÇA VS MORTE

A morte é um dos temas que também faz as pessoas omiti-lo. O temer a morte e tudo o que lhe está associado é tabu para muitos e assunto indiscutível. Na realidade, o excesso de ideias ultra conservadoras, baseadas em legados histórico-religiosos que nunca evoluíram, vai deixando medo e insegurança nos povos.
Conjugando ideias, poderia abordar a eutanásia como tema discutível, que aliás, sendo um assunto de muita importância, ainda há-de fazer correr muita tinta, mas não. Vou abordar um outro assunto, não menos importante, que está em fase de debate e é designado como “testamento de vida” e não menos tema de discussão.
Ora se bem entendi, o “testamento de vida” é um documento que se assemelha ao comum testamento, em que alguém, ainda dentro de um estado de saúde considerado de bom, declara que em caso de doença grave, ou que se venha a transformar em grave, não pretende ser submetido a tratamentos, tais como certas técnicas de reanimação, de ligação a máquinas de ventilação, transfusões de sangue ou os tratamentos de quimioterapia e radioterapia.
Aparentemente o documento em questão é viável, contudo não passa de uma proposta da Associação Portuguesa de Bioética e necessitará do aval do Ministério da Saúde, nomeadamente da Comissão Parlamentar de Saúde, que espero não deixe o assunto morrer.
Segundo percebi, a validade do documento em questão é de três anos, findo este prazo, deverá ser feito um novo testamento. Este é o meu ponto de discórdia. Penso que deverá apenas ter uma cláusula que permita a sua revogação, caso o indivíduo mude de ideias.
Moralmente sinto-me a vontade para apoiar este documento. Tenho experiência do que é fazer radioterapia em simultâneo com quimioterapia e de todas as consequências e ainda de toda a incógnita que passa a gerir a nossa vida. Caso se ventile a hipótese de necessidade de repetir, não pretendo renovar tais passos. É angustiante que passemos a ser dominados por qualquer ponto de dúvida, que tais tratamentos surtam no efeito que se pretenda. Tenho o direito que não me seja exigido tal esforço e que aqueles que amo sofram com a falta de qualidade de vida que tais tratamentos me vão impor e impor aos que me rodeiam.
Espero que este assunto e outros considerados polémicos, mereçam o respeito que lhes é devido.

05.02.09

temas polémicos: http://jorgeferrorosa.blogspot.com

terça-feira, janeiro 27, 2009

ROTINA

Todos os dias acordo. Interessante! Ainda não tinha dado bem por isso, mas é assim. Depois sucedem-se os depois que fazem parte da rotina a que me sujeito há uma carrada de anos. Há o duche, há os dentinhos e o ouvir as notícias, primeiro na mini-telefonia a pilhas e mais tarde na televisão… É a minha rotina, tal como comer as minhas torradinhas logo pela manhã, ou vestir umas cuecas de cor diferente em cada dia… mas não há cor definida para cada dia…
Mas há uma coisa que me anda a preocupar e que não me diz respeito só a mim. Parece-me que todo o mundo anda a sofrer do “síndrome” da rotina…
Há uns meses que entrou em rotina abordar-se o tema Ministério da Educação e professores… que praga! É tempo desse célebre Ministério entender que os tais objectivos deveriam ter outras características, que as avaliações de professores não se comparam a cultivares (variedades) de arroz ou às diferenças entre milho e milho híbrido… é tempo de se entender que uma carreira de professor não se assemelha à do merceeiro…
Há! Mas não ficamos por aqui com as rotinas, sobretudo as que os “masse media” nos presenteiam até à exaustão: A crise! As múltiplas crises… (mas temos de reconhecer que a crise social em que se está a cair, é preocupante) e para que não fosse de todo falta originalidade, voltou-se à já cansativa noticia sobre o Freeport. Há seguramente algo que não está bem certinho, pois se assim fosse, não tinha havido a polémica que houve no tempo passado, bem como para a ponte Vasco da Gama… Claro que a Natureza não diz nada aos nossos dirigentes, eles nem fazem parte dela…
Mas a minha rotina não acaba aqui… há outro cerimonial que não posso deixar de cumprir diariamente… há pelo menos quatro blogues que tenho de ler todos os dias: O Clube dos Pensadores - são deliciosas as criticas sofisticadas e as liçõezinhas, as chamadas de atenção que parece que ninguém liga ou talvez não percebam. Depois vou ver se há novidades no Sombras de Mim e antes de passar uma vista de olhos pelos meus, vou deleitar-me com o Caderno da Alma e meditar um pouco com aquela prosa poética que me encanta…
Será que almoçar todos os dias não é uma rotina? Pois! Mas pensando naqueles que não podem ter almoço diariamente, recordo as múltiplas situações que fazem dessa rotina, uma não rotina…
Será que não caiu na rotina o esquecimento que se tem pelas zonas do interior, favorecendo as da costa? Rotinas! Temos de tentar não cair na rotina!

27.01.09

sábado, janeiro 24, 2009

Este é o primeiro selo criado pelo blog Sentimento Calmo intitulado de "Sobrevivente Ao Romantismo".
Com este pequeno prémio, pretende-se honrar as pessoas que ainda se regem pelo coração. Que percebem o que é o verdadeiro amor, que lutam por ele e o conseguem transmitir na sua escrita. Pretende-se ainda vir a conhecer com isto mais sobreviventes ao romantismo.
Este prémio obedece ás seguintes regras:


1) Exibir a imagem do selo;
2) Linkar o blog pelo qual se recebeu a indicação;
3) Escolher outros blogs a quem entregar o Prémio Sobrevivente Ao Romantismo.


Um dos premiados: é o blog http://bloggerliebe.blogspot.com - Meinemliebe - Que agradece a distinção e propõe ao prémio, os seguintes blogs:

http://jorgeferrorosa.blogspot.com/

http://hojeeamanh.blogspot.com/

http://nimbypolis.blogspot.com/

http://poesiaemmovimento.blogspot.com/

http://sombrasdemim.blogspot.com/

Sinto-me vaidosa pelo carinho dispensado ao receber este prémio, que posso até nem merecer...

terça-feira, janeiro 20, 2009

MR. OBAMA

Parabens Senhor Presidente!

Enquanto cidadã do mundo, faço votos para que Vossa Excelência tenha uma excelente presidência. As maiores felicidades para si e sua excelentíssima família.

Congratulations!!!!

sábado, janeiro 17, 2009

ÚLTIMA CARTA (talvez)


Para ti,

Aqui estou! Prometi que te escreveria uma última carta e aqui estou a cumprir. Hoje mesmo, porque quando a receberes já não vais ter necessidade de lhe responder… Não tem resposta!

Penso que não será muito longa esta minha carta, porque já resta muito pouco para dizer. Aliás, aprofundando o pensamento, até nem deveria escrever uma palavra mais. Todas as minhas palavras serão mal empregues em quem procedeu, como procedeste, por todo o tempo que sabes.

Uma vez mais voltei a ler o maço de cartas que me foste enviando. Vou arquivá-lo como se fora um arquivo qualquer. Um pacote com um laçarote vermelho! Ridículo! Isso acabou.

Se voltasse a descrever todas as amachucadelas que ainda cicatrizam na minha alma, estaria a ser tonta e a perder tempo. Estaria sobretudo a candidatar-me a uma série de insultos, para o que és muito pródigo… Não vale a pena. Afinal, o silêncio é de ouro… o segredo está em saber mantê-lo.

Por favor não repitas nenhuma das acções que sabes, com quem vier a seguir. Ninguém tem culpa dos desaforos que te fizeram há muito, muito tempo… mas também ninguém deverá ser a próxima vítima.

Devo confessar que houve momentos que imaginei teres passado a ser o que imaginava que eras… depois, arrependi-me sempre de pensar que estava a ser injusta. E sabem as nuvem do céu e as estrelas da noite como te amei…

Mas já lá vai. Tinha de dizer mais uma vez tudo isto, para aliviar a minha alma. Não é uma injustiça não querer voltar a ver-te. É uma alma amargurada a querer partir em paz com ela própria.

Tenta reflectir. Sê feliz e até à eternidade,

Eu, sempre eu…

16.01.09

sexta-feira, janeiro 02, 2009

MEMÓRIAS E VOLTAS


Acabei o ano de 2008 escrevendo pouco. Se isso significa que estou a cair no desgaste, não sei, mas sei que me abalaram vários acontecimentos e me deixaram mais céptica outros… fiquei em letargia…
Sabes que sentir tristeza é difícil de traduzir. Sabes o que é querer chorar e não vertermos lágrimas… só dentro, muito no íntimo, estarmos num pranto descontrolado… é isso mesmo! Eu sabia que me entendias.
Vasculhei as memórias e os papéis que por aí andam, há um bom par de anos, para lhes dar sequência. Para os pôr com ar de quem escreveu com cabeça, tronco e membros…
Engraçado! Encontrei muitos poemas. Descobri uns quantos que me foram dedicados e outros, que escrevera à saudade… Vai! Vai saudade. Estou cansada de sentir o peso da saudade.
Mas o arquivo que mais me fascinou foi o da História da Magda. Sim. Compilei muitos textos provenientes de “entrevistas” para exercícios de Estatística, para trabalhos de avaliação de auto-estima, para avaliação de distúrbios e perturbações de personalidade, enfim… são “n” dossiers com montes de trabalhos que vieram a dar inspiração e origem à tal História da Magda… Vieram a dar origem a que a imaginação criasse uma figura, onde fosse possível apreciar as características da sua memória, as suas frustrações e os seus medos… Vou contar a História da Magda no meu Blog Bis Morgen, que tem estado em “hibernação” desde Outubro de 2007…
Um dos objectivos que quero considerar como importante, tem a ver com algumas formações, de modo a estar actualizada… continuo a gostar de estudar…
Outro dos objectivos respeita à actividade como voluntária. Gostava de ter saúde para voltar a ter mais turmas… são uns queridos os meus alunos.
Também seria óptimo voltar a pintar sem sofrer as consequências do cheiro das tintas. Pintar a óleo fascina-me… mas provoca-me alergia… como somos tão frágeis!
E às voltas e voltas, centro o pensamento em ti. Gosto da nova faceta com que te apresentas – colorida, com uma fragrância marinha, com um ritmo extravagante - mas deixaste de ser …, como deixei de ser tua. Projectos divergentes apartam pessoas, criam distâncias e erigem muros intransponíveis. Restam as amizades, que essas, verdadeiras, são eternas.

02.01.09

segunda-feira, dezembro 29, 2008

BALANÇO

Antepenúltimo dia do último mês deste ano de (dês)graça de 2008.
Altura ideal para fazer um balanço dos trezentos e sessenta e dois dias já passados… os restantes, para os trezentos e sessenta e cinco, não serão certamente relevantes a ponto de me fazer adiar este balanço.
Para já, porque lhe chamo um ano de (des)graça? Pois bem! Há um ano que foi diagnosticado um carcinoma das células pequenas no meu pulmão direito. Cigarros! Infelizmente não. Contribuíram, mas não foram “os causa” próxima… Acontece, como muitas das outras coisas que foram acontecendo no decorrer do ano… e que me entristeceram…
A nível mundial o que nunca seria de pensar, aconteceu: Crise!!! Quem diria que nos EUA havia uma “Dona Branca” no masculino, como uma tal portuguesa, mas muito mais sofisticada… e que levou bancos e banqueiros a ficarem “mancos”… E cá?!!! Alguém iria desconfiar da falsidade de certas instituições bancárias que se consideravam “seríssimas”…? Não falando em banqueiros corruptos que até estão presos… só com o que não posso concordar é que estejam presos em casa… deviam ser iguaizinhos aos demais desonestos que vão “dentro”, excepto aquele célebre ex-dirigente do Benfica, que vive à lorde, em Londres…
Mas tudo isto é nada perante desgraças que a Natureza assina com a sua rubrica muito característica: as cheias que deixam tanta gente desalojada… os sismos que deixam destruição onde já a pobreza impera… Ditadores que inventam impossibilidades para justificarem a sua indiferença ao avanço da cólera, da SIDA e outros males como o dirigente do Zimbabwe, que vive na opulência e deixa o seu povo na maior das desgraças e sofrimentos…
E no nosso jardim à beira mar plantado? O que por aqui vai, para além da banca… O surto de gripe ainda nem está a ser dos piores malefícios… a falta de cidadania e o que vai pela educação é muito mais problemático… sempre há gente muito teimosa… será que não dá para entender que a teimosia pode ser um disfarce de incompetência? (quando era garota vivi em Sintra, e diziam os vendilhões uns para os outros, perante a teimosia dos seus burricos, albarde-se o burro à vontade do dono)… pois! Dá para entender.
Incrível foi também o que Bento XVI referiu no seu discurso na Cúria e que não resisto em transcrever o excerto da notícia:” O Papa Bento XVI afirmou que «salvar» a humanidade do comportamento homossexual ou transexual é tão importante quanto salvar as florestas tropicais, avança a agência «Reuters».”E em outro parágrafo ainda li: “O Papa afirmou que os comportamentos que vão além das relações heterossexuais são «a destruição do trabalho de Deus». Aos crentes, gostaria de perguntar quem criou a Natureza…
No balanço que tento fazer, muito por alto, deste ano em fase final, ainda não incluí umas linhas extra, mas que apenas são destinadas ao “revisor” ou seja, ao meu Eu mais íntimo… Detesto deslealdades! e muito francamente a omissão como justificação de privacidade, não me convence… Não omito. Não minto nem finjo… sou como sou; sou sobretudo leal e sejam quais forem as consequências, assumi-las-ei.


29.12.08

quinta-feira, dezembro 04, 2008

VISITAS AO PASSADO

Desci a escada. Dei a volta à chave e entrei. Tudo estava desordenado como deixaras a ultima vez que lá estiveras… Não resisti. Sentei-me na berma da cama e chorei amargamente pela triste saudade que partiu e teima em nunca mais voltar…
Passaram minutos ou horas, não sei. Apenas senti ter esvaziado o meu pranto, ter esgotado as forças e pegando no que me levara a ir lá abaixo, voltei. Voltei mais triste, mais só, mais sem os nadas que ainda imaginava ter…
Os lençóis revoltos como as marés vivas de Setembro, fizeram-me reviver tão velhos momentos… subi a escada, bati e entrei. Uma visita! Cinco vinte e um! He! He, he, he… ainda te lembras? Página, linha… pois! Há coisas que nunca conseguimos esquecer…
Respirei fundo e tentei concentrar-me para ouvir aquela música que pensava ainda ter na memória… mas esvaiu-se e apenas consigo recordar um pouco do som do carro quando avariava…
Depois a tua voz suou como se estivesses ali dentro, na outra divisão onde não fui… nada havia a fazer lá.
Pareceu-me sentir ainda o teu calor quando peguei no edredão para o dobrar… foi há tanto tempo e pareceu que apenas uns minutos tinham passado… Tudo parece estranho ao mesmo tempo que tudo é tão natural. Serei eu a imaginar ou ter-se-á passado mesmo assim? Para imaginação esteve perfeita. Para ter sido realidade, pouco faltou para pensar que era mentira… ou não estaria agora aqui, a lamentar estar tão só e sem lágrimas mas com a alma num choro compulsivo…
Entretanto veio a noite. Escureceu o céu, muito encoberto e também chorando uma chuva miudinha, a fazer coro com a minha lamúria …

04.12.08

segunda-feira, novembro 24, 2008

IRONIZANDO


Ouvi notícias, li umas folhas de jornais
E fui para a janela ver chover…
Tudo isto é uma palhaçada
Que passa como fortes vendavais…
E por mais que me façam crer,
Não vejo nada nesta pobre desgraçada.
Política! Que nome de baptismo sem futuro
Se não lhe derem mais instrução,
Se não lhe ensinarem a ser cidadão
Se, sem vaidades e batom não aparecer disfarçada
E passe a respeitar os seus iguais…
Política salarial!
Politica laboral,
Política empresarial…
Há! Esqueci a Política de quem sabe mais (?)…
E mais notícias e mais jornais…
E vêm novos desentendimentos
Porque ninguém quer ficar no rol dos despedimentos…
Vamos avaliar!
Vamos saber quem vai ficar!
Vamos … ver se dará certo,
Pois para isso é fundamental
Que não haja fingimentos…
Que avaliar por perto
Pode ser assunto fatal…
Os objectivos! Diários ou anuais?
Objectivo principal…
Não são fáceis os objectivos individuais
E se formos professores,
Não digo, pois pode estar mal…
Mas à cabeça traz muitas dores…
Use-se a palavra certa
E não mais o fingimento
Aprender é uma porta aberta
Para o nosso engrandecimento…
Abra-se a porta à aprendizagem
E não se escutem palavras vãs…
Apreciem como se está no Parlamento
E pesquisem pelo célebre Magalhães…

24.11.08

quinta-feira, novembro 13, 2008

DILEMAS DE QUEM TEM DE LIMPAR O PÓ


Há coisas que temos de fazer, mesmo a convalescer de um cancro. Limpar o pó é uma delas, mesmo não sendo das coisas mais agradáveis que se fazem. Eu associo o limpar o pó a varias actividades mentais, isto num programa de autoavaliação que criei para classificar as minhas faculdades cognitivas.
Tenho muitos pratos espalhados pelas estantes da sala. Há anos deu-me para ser coleccionadora de pratos. Depois vieram as chávenas de café e ainda depois as chávenas miniatura. Vejam só como é a minha limpeza de pó…e nem deixo a tarefa por mãos alheias porque adoro as minhas bugigangas…
Mas hoje, ao fim do dia a tarefa vai ser muito mais leve. Eu explico porquê… um dos meus alunos sénior, ofereceu-me um livro, que segundo ele, opera maravilhas… (não sei bem o que são maravilhas para ele…) O Segredo! São conceitos! Depois de ter sobrevivido à morte, não sei bem onde encontrar outras maravilhas…Mas dizia eu que a minha tarefa era facilitada pela leitura de alguns excertos do Segredo… Aladino! Ora não se está mesmo a ver que limpar o pó e limpar a lâmpada de Aladino estão em sintonia? Pois é! Vamos a ver se ao limpar a minha candeia o Génio aparece e repita a frase célebre – o teu pedido é uma ordem!...
Mas estou num dilema. Se limpo a lamparina e aparece o Génio, o que lhe vou pedir? Se pensar só em mim, peço-lhe o que sabes muito bem, mas o que eu quero pode não ser o que quer a quem associaria o meu pedido, e logo fico noutro dilema, pois há tanta gente neste momento que ficaria feliz com algo que não prejudicasse as suas vidas… e as deixasse funcionar racionalmente e sem atropelos….
Está decidido. Hoje não vou limpar o pó e talvez lendo mais um pouco do Segredo, encontre solução para o que pedir ao Génio, caso apareça, e lhe fale das minhas reticências e ele dirá, possivelmente: o teu pedido é uma ordem…


13.11.08
16H00 no comboio

segunda-feira, novembro 10, 2008

I HAD A DREAM…

Pois é verdade, tive um sonho, mas já acordei há bastante tempo… Por muito estranho que possa parecer, sonhos todos temos, só que alguns têm sonhos de maquiavelismo, com o fim de fazer de conta que estão a fazer um “papelão” mas apenas estão a fazer o seu “papel”…
No meu sonho havia já sido eliminada a prepotência, a arrogância, a intransigência, a teimosia… a outros atributos que são característica de incompetências e de formas de fazer de conta que se é muito bom. Mas ao ter acordado há tanto tempo do meu sonho, constatei que na realidade todo o meu sonho não passara de sonho.
Hoje muito bem acordada e depois de ter amadurecido os meus pensamentos no que respeita à manifestação dos senhores professores, com a qual estou de pleno acordo, tenho de concluir que há aqui qualquer coisa que transcende as nossas mentes… será que o QI deixou de ser levado em consideração para aqueles que têm de exercer cargos de tão elevada nobreza?
O professor tem uma tarefa sumamente importante na transmissão de conhecimentos e formação geral, daqueles a quem dedica a sua actividade. Mas o docente é um ser humano. Não é possível exigir mais a um ser humano do que o que for para além das suas capacidades vitais.
A tarefa de um docente é ensinar, ou seja, transmitir conhecimentos. Ora os conhecimentos têm de ser actualizados constantemente, por isso a tarefa dos professores é cansativa, trabalhosa e plena de responsabilidade. Não se pode deixar para depois, porque as mutações são constantes e por isso as actualizações também. Mas ainda há factores de sobremaneira importantes que devem ser considerados. Um docente respeitando a sua actividade, encara as suas turmas como um aglomerado de seres humanos como ele, e por tal tem de adaptar a sua forma de transmitir esses conhecimentos, estudando os seus alunos e qual a melhor forma de os sensibilizar para as matérias que lhes está a ministrar. Além disso ainda é interessante a tarefa de adaptar as matérias dos manuais às realidades de receptividade dos alunos, sejam elas quais forem e sejam quais forem as suas idades, e/ou o meio onde estão inseridos e todas as outras condicionantes existentes, nesta transmissão de conhecimentos.
Para casar o meu ponto de vista com as realidades actuais, li o Decreto-lei nr.15/2007 (II), Atgº 44º - Processo de avaliação do desempenho – a consultar em
http://avaliacaodesempenho.te.pt/. A minha opinião é que há demasiada burocracia e perda de tempo para se constatar a realidade dos factos – interessar as crianças e os jovens na actividade de aprendizagem. O ir à escola tem de ser um acto de prazer e não uma “estopada” quer para alunos ou docentes. Outro, porque não outros aspectos a ter em linha de conta, é o facto de não se poder ser completamente imparcial numa avaliação dentro destes moldes. Sejamos coerentes. O grau de insatisfação já atingiu um patamar que não permite imparcialidades. O jogo posto a circular de que uns querem e fazem e outros não, é para dividir, para comandar.
Sem querer ser demasiado longa, ainda acrescento que no processo de avaliação de desempenho, cada docente deve apresentar evidências do desenvolvimento do seu percurso profissional… muito vago! Foram dados instrumentos suficientes aos docentes até à data, para que com toda a seriedade pudessem fazer essa sua auto-avaliação? Há percursos, variáveis e revezes que nunca poderão ser equacionados com toda a limpidez… Vamos reflectir para sermos imparciais na forma de ajuizar e opinar.

10.11.08

sexta-feira, novembro 07, 2008

ONDE LI: No Portal da Educação


Passeando pelos blogues onde posso recolher algo que satisfaça a minha curiosidade, cheguei ao Portal da Educação. Bem, será que é mesmo verdade ou pura propaganda? Não condiz nada com o que tenho ouvido por parte dos senhores docentes… Alguém anda a mentir… mas os professores são muitos… combinaram assim tão bem o que iriam dizer?
Não resisto em transcrever o que lá li, o que pode ser constatado por quem consultar o sitio
http://min-edu.pt/np3/2805.html - “Processo de avaliação docente avança em todas as escolas
O processo de avaliação docente está a avançar em todas as escolas, de acordo com a informação da Direcção-Geral de Recursos Humanos da Educação.
Desmentem-se assim as alusões, contraditórias entre si, em jornais diários de hoje, a suspensão, adiamento, atraso ou interrupção do processo de avaliação”.
Creio que se está a atravessar uma crise, também neste sector. Impera o bullying entre os alunos e muitas vezes entre os professores. O burnout também tem vindo a tomar conta de muitas atitudes que não deveriam ser tomadas… A culpa está no stress e o stress é a consequência de vários factores, como a insegurança (económica, social e muitas vezes emocional).
Voltando a ler o fragmento que transcrevi, parece-me ter como finalidade dividir opiniões. Dividir para reinar. É um método muito velho e bem conhecido por quem já tenha muitos anos…
Creio que já chega de estratagemas para esconder incompetências. Sejamos adultos e pensemos antes de deixarmos que ideias pouco produtivas anulem a boa vontade de quem gosta do que faz.

04.11.08

Isabel carmo

sexta-feira, outubro 31, 2008

NÃO DÁ PARA PERCEBER…


Às vezes contam-nos coisas que achamos insólitas, porque até parece que nos estão a contar anedotas… mas não! Posso dizer que se passou comigo, aqui vivinha, que nem vão acreditar…
A 25 de Julho de 2008, finalizei um ciclo de aplicações de radioterapia no Cérbero. Após a sessão seguiu-se uma consulta onde foi marcada uma consulta para apreciação de exames a fazer. Consulta essa marcada para 30 de Outubro às 14H00. Até aqui tudo bem, e sem quaisquer contestações. Uma semana antes da data prevista para a referida consulta, para lembrar a mesma, foi-me enviado um MSN, ao qual bastaria responder sim ou não. Perfeito! Respondi sim, até que já haviam sido feitos todos os exames prescritos e cujos resultados seriam apreciados na dita consulta e numa outra posterior, a realizar em outro centro hospitalar.
Dois dias antes da famigerada consulta, voltei a receber um novo MSN, com a mesma lenga-lenga. Liguei para o número opcional, pois poderia ter acontecido não terem recebido o “sim” anterior. Depois de dar a volta pelos números todos, que respeitam a diversos departamentos e consultas, lá cheguei a um que ao cabo de uns minutos me permitiu falar com um senhor, muito simpático, que me explicou que as mensagens apenas serviam para avivar a memória dos pacientes. Não necessitava mais nada.
Agora começa a odisseia…
No impresso de marcação da referida consulta, pede para que estejamos meia hora antes da hora da marcação.
A chuva, o vento e um friozinho pouco agradável, fizeram-me chegar apenas cinco minutos antes da hora marcada; apresentei ao balcão o impresso da marcação e mandaram-me sentar, pois chamar-me-iam logo que fosse para a consulta.
A minha rejeição àquele local é superior à minha vontade. Dentro de mim desfaço-me em lágrimas e sinto um terror incomensurável no caso de ter de voltar a transpor aquela porta vermelha…
Uma hora depois, portanto 15H00 chamaram-me ao balcão para reconfirmar a minha presença. Voltaram a mandar-me sentar. Chamar-me-iam quando fosse para ir para a consulta…
Às 15H35 voltaram a chamar-me. Não para a consulta. A explicação é que havia um lapso com o nome do médico a atender-me. Iam à procura de uma médica que estaria a almoçar, por isso, que voltasse a esperar…
Dezasseis e cinco minutos! Dirijo-me ao balcão e pergunto se a médica ainda estaria a almoçar… Nada disso! Não se sabia. Um outro médico que procede ao acompanhamento dos doentes em sessões de radioterapia ver-me-ia, pois que eu já estava à espera havia muito tempo…
Um amor de senhor, sem dúvida, que pediu vezes sem fim desculpa. Mas a verdade é que ele não tem culpa nenhuma.
A explicação que me deu este médico e muito bem dada é resultante do programa informático que os médicos têm de accionar para marcar a próxima consulta. Claro que aceita a data! Mas o problema é outro. Na data que o programa assume, nem está esse médico nem essas consultas são nesse horário… Vá-se lá entender que programas informáticos são estes…
E com uma angústia sem medida, com uma dor que nem sabia de onde provinha, vim embora, com a única consolação… cognitivamente não fora afectada…

30.10.08

NÃO ESTROPIO O SENTIMENTO


Esfarelam-se as palavras como migalhas de pão duro. Deixam um ruído a pairar e na alma fica o arrepio do som metálico no vidro… enquanto todos os ruídos se cruzam, caminho pelo caminho que tracei. Um caminho tortuoso cheio de precipícios onde a cada passo sinto a tentação da sua atracção…
Todos os caminhos me levaram ao caminho que me fez abeirar de ti. Frondosa árvore onde me amparei quando o cansaço me fez oscilar e quase desistir de prosseguir o meu caminho… e caminho pelo caminho que tracei para não te perder nunca…
No meu caminho há muitas palavras, muitos dizeres, muitos livros e sempre a constante curiosidade de saber mais. Um caminho cheio de porquês, em que cada porque é uma flor a desabrochar, em que cada pétala é a página que irei ler a seguir. Cada página tem a tua imagem e tudo o que nela deixas escrito é para despertar ainda mais curiosidade.
Tem cada palavra o condão de desbravar horizontes ainda desconhecidos. Cada frase tem um destino, embora possas não o identificar… gosto de idealizar os teus protagonistas…
No meu caminho, muitas vezes senti que estes ou aqueles dizeres me perturbavam, mas como os que dizes, jamais havia sentido… Um afecto muito íntimo me faz abraçar cada palavra com devoção, sem que estropie este belo sentimento…

30.10.08

sexta-feira, outubro 24, 2008

NO PAPEL


A palidez do papel branco aceita a minha tinta preta e recebe todas as letras que lhe vou deixando como se fossem desenhos simétricos e repetidos…
Todas as letras fazem palavras que, muitas vezes traduzem beleza, outras apenas deixam ler a tristeza ou ainda pretendem esconder as cicatrizes que vão perdurando na alma…
Cicatrizes são muitas vezes amargores que se fixam e perturbam o dia a dia. A distância origina pesares que se vão acumulando e quando damos conta de nós, estamos num sofrimento incomensurável…
Parti várias vezes. Sempre a sonhar que tudo iria ser como sonhara… mas que engano! Apenas somei dores e sempre mais só.
Lembro-me do Cais de Alcântara e da largada do navio….Recordo sempre o olhar da mãe e do pai… e entre a multidão que apinhava o cais, em despedida dos que partiam, havia um par de olhos castanhos que ficaram gravados no meu peito…
Como me lembro de ter passado tantos dias a chorar… enquanto outros passavam-nos enjoados… mas a saudade dominou todos os meus pensamentos, apenas desejei virar a página o mais rapidamente possível… que saudade!
As cicatrizes também podem ser arrependimentos… alguns! Mas todos os passos apenas serviam para me justificar à solidão.
Depois, um dia, parti em sentido contrário. Foi o que decidi. Foi doloroso. Gostava do que fazia, gostava de toda a gente e das flores que cobriam as árvores da minha rua. Mais uma vez ficaram olhares perdidos entre o céu e a terra, de todos os que jamais voltarei a ver… saudade! Talvez mais umas cicatrizes…
Mas nem sempre fui eu que parti! Que lutos dolorosos tenho atravessado. Há sempre alguém que se vai… e não volta mesmo, ou deixa-me no esquecimento, porque viver é tudo isto. Ou se fica perto ou se fica longe, cada vez mais longe até que a distância passa a ser outra vida.
A palidez do papel aceitou minha escrita. Aceitou as lágrimas que foram escorregando pela face e deixou que a saudade que me aperta a alma fosse um longo suspiro moribundo…

24.10.08

sexta-feira, outubro 03, 2008

DIÁRIO DE UMA NOITE FRIA


Quando escrevo, é porque escrevo. Escrevo, porque gosto muito de escrever e porque é uma terapia. Escrevo atabalhoadamente, porque apenas deito para fora o pensamento do que fervilha na minha alma. É uma forma de falar comigo pela escrita. Um monólogo feito diálogo para expandir minhas revoltas, meus sentires e lamentos… Para afagar meus afectos ou para abafar minhas angustias…
Quando leio notícias nos jornais, ou vejo certas reportagens nas televisões, fico transtornada. É isto o século XXI! Intolerância, desrespeito, repressão… será que estamos mesmo no século XXI? Afinal continuam os suseranos e os servos da gleba…
Adoras imaginar que o que escrevo é para ti e pões-te a imaginar cenas, como se fosses o centro de todas as atenções… não és diferente das outras pessoas… gostas de fazer de conta que és o supersumo das deferências. Mas tens de entender que apenas mereces o que tens…
Um dia acordas e vais estar só. Pensas que todos vão gostar de ti ao ponto de aceitar a forma irreverente como tratas os amigos?...
Vens espreitar, pela calada da noite, o que deixo escrito, para depois criticares e chegas e ter o atrevimento de me aconselhar uma consulta de psiquiatria… (penso que quem está mesmo a precisar és tu) … Já se viu o atrevimento de rires descaradamente, quando falo? Será que não é digno de meditação, no mínimo, as observações que faço quanto a pobreza, lacunas no ensino… oportunistas que têm vários “tachos”, prejudicando outros que também precisam de trabalhar… Pois creio que uma consulta de “aconselhamento” filosófico ficava-te mesmo bem… não percebi ainda é se nessas consultas se tratam de segredos de alcova… Por essa ordem de ideias, em vez dos simples copos de água, nas bancadas da Assembleia da Republica havia sempre umas caixinhas com calmantes… Obrigada pelo alvitre… e já agora, o tal “ti” ou “tu”, que não és tu seguramente, podes chamar-lhe “Zé Povinho”…

04.10.08

terça-feira, setembro 30, 2008

NO TEMPO EM QUE O TEMPO FOI SONHO


Tempo. Tempo, mas o tempo tem muitos tempos. O tempo aparece em horas, aparece em dias e meses e muitos tempos fazem anos e eras. O nosso tempo ainda é o tempo activo e o tempo de descanso… No tempo vivemos e sonhamos e mesmo no tempo de vigília, sonhamos… dos nossos tempos e dos nossos sonhos se faz a nossa vida. Vida que tem passado, presente e futuro… sendo o tempo de futuro o mais incerto…
O estranho é não nos apercebermos que o tempo em que sonhamos, é um tempo gasto como em qualquer outra actividade, com a diferença de o sonho não ser produtivo… Talvez não seja bem assim. Por vezes, inconscientemente, estamos a sonhar e acto continuo pomos em acção o sonho que acabara de ser sonhado. Era viável o que se viveu no sonho e por isso sai escrita, musica, sai uma obra de arte ou até uma peça de marcenaria…
Todos sonhamos, independentemente do nosso tempo, porque o meu tempo não é o mesmo de qualquer outra pessoa. O tempo geral é o mesmo para todos, se considerarmos um mesmo local em latitude e longitude. A loja abre às nove horas (aqui e neste tempo) e todos os que lá trabalham têm o mesmo tempo de começo e depois de saída, mas quem vai fazer as suas compras, tem o seu próprio tempo e nesse tempo não estarão outros tempos introduzidos.
O sonho ou os sonhos que vão decorrendo nos nossos tempos, não são verdades. O sonho é um engano. É um faz de conta que apenas é realidade no sonho; (sonhos durante a vigília, são muitas vezes sonhos perniciosos…)
O tempo no sonho não é tempo contável. O sonho é intemporal no tempo em que o sonho se desenrola. Não é raro acontecer entrarmos no sono, no nosso tempo, quer fisiológico quer no fuso horário em que nos encontramos e neste tempo em que dormimos, numa viagem constante, estamos dois séculos atrás, entre intrigas palacianas, ou muitas décadas à frente, numa guerra entre seres de outros astros do sistema solar…
Sonha-se mesmo quando não nos apercebemos que o sonho está a acontecer…

25.09.08

quarta-feira, setembro 24, 2008

COMO CHOVE!


Quando escrevo, sou como a chuva que cai lá fora: molho tudo e todos indistintamente. Não tenho nem a preocupação nem a pretensão de atingir A, B ou C… Se o gorro cabe em alguma cabeça, desculpem, mas prefiro ignorar. É mero acaso. Mas tenho dúvidas que existam seres similares àqueles que a minha imaginação cria…
Quando pretendo mandar recadinhos, escrevo uma carta ou pego no telefone e despejo o saco, se o interlocutor estiver pelos ajustes de me ouvir… normalmente não está ou tem uma tão forte argumentação, que me deixa no silêncio… São tácticas peculiares do aconselhamento filosófico, a ética é posta em evidência com argumentações inefáveis…
A propósito de me deixar no silêncio, recordo-me o que aconteceu esta manhã… Preparava roupa para meter na máquina, e como sempre, viro a roupa das avessas e despejo os bolsos, para confirmar que não há nada que possa prejudicar a máquina e espanto! O meu N 78 estava no bolso das calças que despira no dia anterior… Incrível! Fartei-me de o procurar quando o outro foi a carregar e nada. Nada de contactos! Quase chorava com medo de o ter perdido… mas a surpresa foi excelente. Já está comigo! E veja-se que tinha várias chamadas não atendidas… como o havia de ouvir? Vá agora explicar a quem me ligou, o que aconteceu… Estou mesmo a ver que alguém, super, não vai acreditar. Inconveniências de quando se usa a mentira e não se acredita na verdade dos outros… Aposto que neste momento há birra, para dizer que birra com birra se paga… entretanto, e porque ainda estou a deglutir algumas “coisinhas”, prefiro deixar arrefecer as ideias e fingir que ignoro que a pessoa X e a pessoa X’ é que são as ideais e que estão na rota do encantamento…
Parou de chover! O hino ao Outono cantou os seus primeiros acordes e agora os pássaros cantam, como que a saudar a lavagem das suas plumagens…
Trovejou por breves instantes e à distância, ainda se ouve um sumido ribombar… são tardes como esta que me deixam marcada a ausência e fazem reavivar a saudade… mas tudo acaba e nisso tens razão. Parte para outra, porque mesmo dos que morrem, a saudade se esvai… é como a nuvem, desfaz-se com o vento.


22.09.08

segunda-feira, setembro 22, 2008

PALAVRAS ESFARRAPADAS

Esfreguei os olhos. Voltei a esfregar, como quem torce o pano de limpeza, para que não escorram mais gotas, neste caso, de lágrimas… mas não choram apenas os olhos, chora a alma, e essa, tão doloridamente, como que em despedida, e, plenamente consciente de que a vida acaba aqui… esta fase da vida.
Perdi! Não joguei, nada disso. Há coisas muito mais sérias do que jogar… muito embora a vida seja um conjunto de jogos, em que uns aplicam, outros gastam e outros divertem-se a ver os que aplicam e os que gastam…
Acordei cedíssimo. A dor de cabeça prolongou-se pelo dia todo. O pulso voltou a subir… a zona a chatear… e o cansaço habitual… e para cúmulo, ainda me põem nos confins do desprezo, em troca de umas modernices… é verdade, afinal o jogo dos interesses é muito forte! E ainda nos espantamos com o que figuras públicas fazem, nas trocazinhas de favores… quando toda a gente joga no favorecimento dos seus interesses e nos seus encantamentos, para usufruir do benefício de estar no bem bom. Daí, esquecer os que estiveram (mas a fazer de conta) no top mais… porque realmente ninguém está de certeza nessa posição. No dia em que já não interessa, passai bem e até depois…
Até parece que estou azeda… mas não. Estou desiludida e muito. Não me conformo de nunca passar de um mero objecto de utilidade para quem tem a habilidade de enganar com palavrinhas doces e às vezes bem amargas… bem me lembro ainda de uma palavra que me ofendeu bastante -“nojo”- porque o gosto do tabaco era infernal… mas haveria modos diferentes de o dizer… Consola-me saber que deixaram de haver fumadores e outros tipos de odores… Eu continuo a usar o Chanel 5…

22.09.08