sábado, março 01, 2008
Há que louvar o que merece ser louvado!
Há que enaltecer o que realmente merece ser enaltecido e não economizarei palavras para o fazer, no que respeita aos assuntos que abordarei de seguida:
1. As avarias constatadas nos aparelhos, que assistem as pessoas com enfermidades cuja terapia obedece a programas de radioterapia, promoveram alterações nos ritmos a que técnicos, médicos e até doentes a cumprir estes programas estavam obrigados.
Máquinas são maquinas e falhando, arrastam tudo e todos para
sobrecargas indesejáveis;
2. Foram tendo solução escalonadamente e, ao cabo de uma semana todo estava correndo quase como desejável, não como tal, porque para que os enfermos não ficassem em défice negativo nas suas tomas de radioterapia, houve necessidade de abrir um programa para este sábado 01 de Março… onde estarei integrada…
Agora terei de louvar os professores deste país.
Confesso que será difícil escolher o “trigo do joio”, mas a verdade é que nunca se poderá atribuir a todos a qualidade de joio…. Quando isso jamais corresponderia a uma verdade… Sejamos honestos pelo menos uma vez na vida e não façamos do acto de ensinar uma simples troca comercial, porque é muito mais, aliás não tem equiparação nenhuma…
A ignorância é muito atrevida! Até há professores que ousam falar sobre coacção psicológica, quando, coitados! Estão tentando defender “um aconchego”… Penso que para ser professor, há que ser bem formado conscientemente e muito conhecedor da matéria que ensina… as tretas que a Senhora Ministra fala dizendo que não falou… são mesmo tretas e só tretas…
O terceiro assunto que me atreverei a abordar, trata de amizade!
Há amizades e amizades… começo a pensar que também vão entrar na bolsa de valores um dia destes… amizade quem dá mais 1… amizade quem dá mais 2…. E assim sucessivamente… vão entrar em banca rota aqueles que não olham para as cotações e só vêm a amizade como o sumo doce dos seus corações… é engraçado! Só percebi isso quando entrei em carência absoluta, depois de uma crápula qualquer, usando o telefone de uma pessoa amiga, me ter mandado para os confins de tudo o que era mais feio… sonsa! Creio, porque nunca irei aceitar, que essa velha amizade não me peça desculpa pelos desvarios ninfomaníacos de quem temporariamente não passa de mais um encantamento…
Por outro lado louvo a minha coragem, de pela primeira vez não ter a pretensão de ser a mais inteligente, cedendo… Não cedo em favor de uma inteligência que em nada me abona… Tenho razão! Exijo respeito por uma amizade que nunca traí…
29.02.08
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
QUANDO O QUANDO COMANDA…
Quando a Natureza deixa de contemplar-nos com a sorte de usufruir de todos os seus benefícios, algo está errado e possivelmente está na altura de fazer como os grandes paquidermes que dão pelo nome de elefante, que ao sentir que o seu período de existência se aproxima do fim, afastam-se e, como diria a garotada quando eu ainda era das mais exigentes a pedir os célebres TPCs, “vai morrer longe!”
Sem ter nada a ver, tem mesmo tudo a ver o que vou contar, porque é mais uma verdade, mas que até parece mentira…
Depois de me ter sido diagnosticado um carcinoma das células pequenas, não operável dado o seu poder de dispersão e caracterizado ainda por ser de células “manhosas” como lhe chama um dos médicos que me acompanha… foi estabelecido um programa de acção/combate numa tentativa de eliminar o indesejável…
Até aqui tudo bem!
Foi iniciado o programa de quimioterapia em (dose para cavalo) e em simultâneo um programa diário de radioterapia (excluindo sábados e domingos).
Tem um considerado número de utentes o programa de Radioterapia do HSTM, e dito por um dos médicos que me assiste em outras áreas, do melhor que há!
Meus caros não há bonito sem senão!!!
Foi quase perfeito nos primeiros dias. Depois a chuva, desrespeitando todas as normas, invadiu o espaço e máquinas e deixando tudo à mercê da humidade… houve necessidade de secar o material.
A aplicação de radioterapia é algo muito delicado e de uma perfeita precisão; computadores com todos os programas numa afinação impecável… marquesas, placas e outros materiais afins, tudo numa perfeita ordem para as sucessivas aplicações, que como devem calcular, não são em todos os pacientes em idêntico local… começando por cada paciente ter o seu próprio tamanho, massa corporal, etc.,etc. ….
Ontem foram iniciados mais novos casos. Houve por esse motivo um reajustamento, que por acaso destabilizou todo o movimento quase sincronizado do gabinete onde sou assistida. Resultando num atraso de um tempo para a aplicação (e aqui em segredo), também encurtou o tempo da aplicação, que invariavelmente dura entre vinte e vinte e dois minutos.
Foi marcada a hora para hoje! 13H30!
Pelas dez e pouco e pelo telefone fui informada que os aparelhos tinha “dado o berro” não havia máquinas a funcionar por isso teria de ser considerado um novo turno e por tal eu estaria marcada para a meia-noite e vinte!
Protestei docemente, pois não teria nem transporte nem companhia a uma hora tão tardia… Meus amigos, não pensem que é “pêra doce” os minutinhos da aplicação de radioterapia…
Muito compreensivos marcaram então para as 20H20…!!!
Aí tive de fazer umas chamadas telefónicas, alterar a vida a uns, disponibilizar outros… porque marcada a hora de começo, estava…. E tudo bem a ser bem cumprida…
Mas lá está! Às vezes a roda anda ao contrário… e quando já estava por perto, pelas dezassete horas… chega mais um telefonema a desmarcar totalmente o tratamento… e não só o de hoje, como o de amanhã. “Regresse na quinta-feira à hora habitual!”
A primeira reacção, como seria o lógico, foi perguntar se não haveria repercussões negativas para esta interrupção, até que depois de sábado e domingo, apenas me fora aplicado o programa de segunda-feira…
Breve e fria, impessoal e com um cheiro bafiento de economia… a resposta foi curta – “Os médicos estão a acompanhar a situação!!!”
Muito bem! Tudo muito bem, mas quem me garante que esta falha de dois dias de tratamento não encurta o meu período de vida em x tempo?
Como vou ser ressarcida pelos danos psicológicos?
Há sempre perguntas sem resposta! … e sempre umas mãos a bater palmas, porque assim, sempre se vêm livres de mim… sem me mandar outra vez para o sargaço…
26.02.08
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
QUE SITUAÇÕES!
Quando a cusquice é directa e vai da boca ao ouvido do interlocutor, pode sempre dar-se o benefício de duvida e ou dar um desconto a quem conta… já que quem ouve, só ouve se quiser mesmo ouvir…
Sábado!
Um dia quase normal, se há realmente algo a que se possa chamar normal…
Mas foi sábado e o facto de ser sábado já deixava muito boa gente a gozar o ócio do fim-de-semana… é que nem todos são “professores” com tarefas para fim-de-semana e ou melhoria de conhecimentos…. Há sempre os que têm tempo para melhorar um pouco do apimentado “surucucu” do cantinho da sala de professores…. Porque essa de “cuscar” as mensagens de amigos, de outros amigos, para outros amigos e fazer juízos de valores… muito típico! Deveria ficar por aí!!! O pior é que há espíritos rebeldes e “se der um pontapé no cu” daquela gaja? Assim não chateia tão cedo esta miga… e fica só pra mim…
Pois só que o bombo da festa fui eu!
Sabem o que é que a rameira me chamou? JURO! Não conheço! Nem o palavrão nem a pessoa (se é digna de ser chamada pessoa) “frissureira” nem sei se é isto que se escreve e muito menos o que quer dizer… Pois! E para isto se anda cá sobre estes montes de esterco!!!
Se quem conhece a “dama” e tiver coragem suficiente para a denunciar, será mesmo pessoa digna. SÓ QUERO QUE PEÇA DESCULPA! Depois de explicar o que todos aqueles desaforos quiseram significar… que se enforque e me deixe em paz…
E porque foi sábado, cheia de dores físicas, com um mau estar de quase moribunda, chorando diluvianamente, ainda ouvir isto tudo… só ficará, por ser mais uma folha do meu diário…
24.02.08
domingo, fevereiro 17, 2008
COMPORTAMENTO…
Tive medo. É verdade. Tive medo. Senti um medo terrível por saber que podia ser dominada pelo carcinoma que me bateu à porta.
Tive medo porque de um momento para o outro, rugiu a fúria do vento devastador, um vento repetitivo, de ecos sucessivos, com as palavras “nojo”, “velha”, “doente”… ponha-se no seu lugar!
Claro que conheço bem esta verborreia agressiva, aplicada sempre que surge uma pétala flutuante no seio do jardim das perdas…
Tive medo sim, porque as palavras que verbalizaste foram mais dolorosas do que os traumatizantes tratamentos a que me sujeito…
Tive medo porque de repente senti que deveria odiar-te, que serias tu a meter-me repulsa… que deveria interiorizar como verdades, todas as palavras que me dirigiram, todas as mensagens que me enviaram, para denegrir a tua pessoa… e que jamais quis acreditá-las… possivelmente sempre não passei de objecto de animação e de “cavalo de cortesia”, para passares pelo que não eras… Mas sempre encontrei uma justificação para todas as etapas e sempre me preocupei em respeitar e aceitar como cada um é.
Tive medo e de novo o medo dos medos sobreveio a todas as realidades, porque a realidade de todas as realidades é a morte, e essa, acompanha-me como a sombra longa, ao pôr-do-sol…
Tive medo e passei a silenciar mais o que pensava e o que sinto. Não é justo se ser injustiçado por julgamentos obtusos, próprios de quem pretende dominar, porque tem medo de ser dominado… e sobretudo por quem opina, para daí obter vantagens… que irão por terra um dia… as pessoas são falsas para angariar posições que por vezes nem sabem se as merecem… ouvem, opinam, “compreendem” para tirar partido… e denegrecer os que de alma pura tentaram ser bons… Entendam como quiserem, mas estou saturada de toda esta teatral vivência com que se mascara o dia a dia… avaliar não é fácil, mas avaliar desonestamente, é facílimo…
15.02.08
sábado, fevereiro 16, 2008
Dispa-se da cintura para cima e vista a batinha azul com a abertura para trás. Deite-se como de costume; mais um pouco para baixo… respire lentamente… está iniciada mais uma sessão de radioterapia…
A marquesa é de metal; os acessórios em plástico e paira um frio que gela a alma…
As técnicas são simpáticas e até brincamos por terem as mãos tão frias e pareça que estamos numa câmara ardente. Elas são o elo de ligação entre as máquinas, eu e os feixes de luz vermelha que furam a pele com o intuito de liquidar definitivamente as células, que jamais deveriam ter vindo importunar-me.
Quando o amigo X me disse que eu tinha a mais bela cabeleira grisalha, quase tive vontade de chorar. Deixei de usar a espuma branca e agora tenho um corte de cabelo à escova… espetado e amarelo, mais espesso e até pareço um garoto de bairro de periferia…. Só falta o ranho a escorregar do nariz para o lábio superior… condiz com a minha índole rebelde!
Ontem foi um dia deprimente. Foi um dia para recordar emoções de adolescente, em que nada havia sobre o tal “São Valentim”, mas que a minha avó me enviava montes de postais e outras cenas, para que o meu “querido” da época fosse presenteado como devia… mas como já está no além, já não podemos recordar… e os do actualmente, não prestam, nem merecem que perca tempo com esses devaneios…
Foi um dia 14 de Fevereiro muito insípido e vestida de batinha azul escura, lá cumpri a minha sessão de radioterapia…
15.02.08
terça-feira, fevereiro 12, 2008
Hoje é o dia D
Se existir o tal se que anseio, poderei repetir por muito tempo ... sabes o quê
12.02.08
domingo, fevereiro 10, 2008
TALIS VITA, FINIS ITA
Há frases que nos fazem pensar e esta é uma delas… e faz-me pensar em ti.
Tal a vida… tal a morte… só que fazes da tua vida a morte dos que pretendes eliminar… sem apelo nem agravo vais abatendo, tordo a tordo, se não cantam à tua maneira.
Deleitei os ouvidos a escutar o trompete daquela alma eloquente… superei, temporariamente, as desditas da minha alma em despedida… recordas-te? Pois! Está mesmo decidido. Não deixo data porque a surpresa é a melhor prenda que se pode deixar aos “amigos”…
E os prazos de avaliação aos professores foram ao “ar”… temporariamente? Vão as escolas estabelecer os seus prazos… e sem que se entenda, para os contratados o prazo vai até ao fim do ano lectivo… mesmo que estivesse no activo, “bem feito!”, já não me avaliariam… fico pesarosa por não poder avaliar alguns pretensos professores…
E agora que cortei o cabelo com dois dedos de altura, estou apta para encarar a realidade que se avizinha. Feliz? Obrigada pela bela colaboração que me tens dado, desprezando os meus apelos para que o tempo que é pouco, seja menos difícil de ir passando…
Ainda não é a despedida… apenas um até daqui a um tempo sem hora marcada… a interiorização de qualquer pensamento carece da devida calma e ponderação…
10.02.08
domingo, fevereiro 03, 2008
DUALIDADES: – VIDA E MORTE
Invade-me uma letargia letal. A sequência de todos os últimos acontecimentos é similar a uma queda de água, de uma montanha assaz alcantilada…
Não te escondi nem uma vírgula. Pensei que deveria ser clara, para que te preparasses… mesmo sendo como és: frio, indiferente, calculista e sempre pronto a tirar partido das minhas fraquezas… mas desta vez não vais ter mais, desculpa. É o fim!
Tudo não passou de malabarismos, de palavreado manuseado, de um ror de jogos e em que neste não ganhaste. Mais uma vez ganha a alma a quem deste o corpo…
Valeu de muito? Nada!!!
Ficas feliz? Duvido! Tudo será mais uma recordação entre as muitas que tens para contar… os mortos são como velhos livros que, depois de lidos, ficam a acumular poeira numa estante… e tens uma estante com muitos livros.
Não entendo que tipo de perturbação é essa que te leva a homenagear os que já não têm hipótese de te agradecer… até que em vida, sempre houve o espectro de quem não pretende que te amem…
O tempo deixou de ser importante. O neste momento não mais se repetirá e muito certamente não mesmo, nunca!
Infinitamente, indefinidamente vão surgindo palavras e mais palavras, com as quais vais exaltar os estádios de alma que vais criando, numa constante tentativa de colmatar o que nunca vais deixar de querer que sintam por ti… e uma vez mais ganhou a carne à alma desprevenida…
Para muitos, toda a escrita é a labiríntica estrada pela qual foges, numa busca inconsequente… porque não há nada ao fundo dessa estrada… morte, é o fim do destino. Já não me apanhas! Corri com mais velocidade e nem me cansei… apenas fiquei muito triste porque perdeste o fôlego e desististe… a favor daquele nada… o nada que te irá fazer dar voltas e voltas como um carrocel descomandado… só pelo prazer do fervilhar, sem mais nada depois… mas tens o meu aplauso! O prazer da carne é o que promove a elevação da alma… e a tua tem de estar sempre elevada… porque esse corpo não existe mais…
Chove! As nuvens choram pelo triste abandono que lhe proporcionaste… nem elas aceitam que as esqueças…
03.02.08
domingo, janeiro 27, 2008
TRISTEZA
Não sei se é possível avaliar a tristeza. Não sei se há uma unidade de equiparação para que esse valor nos seja fornecido com precisão. Apenas sei e por instinto, que a tristeza que sinto é incomensurável. Jamais imaginei ser tão triste. Sentir a tristeza que sinto.
Como estou destruída!
Como uma ilusão pode ser tão devastadora…
Como é que uma quimera nos pode arrasar tão profundamente?... A quimera da vida!
Sim! Porquê teria imaginado que deixaria de ser tão só? …
Troquei… comercializei a palavra com a solidão para não estar só… É triste! Fiquei mais só. Usada. Banalizada. Preterida. Ignorada.
Os meus sentimentos ignorados, foram vandalizados, apedrejados, mal tratados…
O primeiro impacto foi o do maravilhoso. O do encantamento pela palavra… o do domínio da incerteza, com as suas fantasias… orquestras de sinos no paraíso… ninfas segredando poesia as som dos murmúrios do rio… e deixei-me embalar pela doçura do imprevisto e pela originalidade dos factos… pela beleza do imaginário e pela perspectiva das consequências… até as desejei rápidas. Morrer lentamente deve ser atroz…
Depois, no silêncio do estar mais só, aquando a respiração quase não se sente, odiei-me e também a todo o cenário que apadrinhou toda a ilusão… viver!
Quando a tristeza ultrapassa a nossa dimensão, o fim é a solução… as recordações dissipam-se como as peugadas no deserto…
27.01.08
sábado, janeiro 26, 2008
PASSEANDO PELA PALAVRA
Vou contar-te um segredo. Talvez não seja bem um segredo. Talvez seja mais um desabafo. Um daqueles desabafos que só alguém muito especial pode entender.
Pois! Talvez nem seja um segredo nem um desabafo, talvez seja apenas o deixar que os sons emitidos sejam o de palavras…
Mas encontrei a Palavra nas minhas deambulações pelo Monte… Sabes? A Palavra é a fonte inesgotável dos dizeres de cada um de nós… a Palavra é o som. A Palavra musicada é um hino de Amor, um lamento… uma lágrima.
A Palavra é a eterna viajante. De boca em boca, de papel em papel, a Palavras é o elo de ligação entre nós.
Uso a Palavra de noite e de dia. Umas vezes dizendo-a, outras escrevendo-a, outras ainda, deixando-a correr livremente pelo pensamento. A Palavra é a companheira que escolhi desde sempre e percorre-la é uma proeza, por vezes perversa, por vezes maravilhosa… mas a Palavra é o alimento da minha alma e a minha alma sem a Palavra não é nada…
Sabes? Perguntei à Palavra se sabia como dava prazer… a Palavra respondeu-me que se fora Saber, se transmitisse conhecimento… sim, era Prazer… um prazer breve como a brisa primaveril. … porque o saber é inesgotável e o conhecimento um Oceano sem fim… nunca se consegue atravessá-lo, quanto mais se avança, mais falta para se chegar à costa…
Interroguei a Palavra se também tinha necessidade de reflectir… e a Palavra retorquiu que sem reflexão não fazia sentido… então a palavra é o pensamento e o pensamento a reflexão… assim anseio pensar e encontrar uma explicação cabal para as questões que vão brotando do meu pensamento…
Continuei a passear pela Palavra e com a Palavra, esperando encontrar-te por aí, entre a minha e a tua palavra… pensando e continuando a estimular as perguntas, para continuarmos o nosso caminho na busca de respostas…
Na Palavra encontrei o poder do seu uso… o poder do uso da Palavra é incontornável! …
26.01.08
visitar - FRONTEIRAS
sexta-feira, janeiro 18, 2008
DISSEMELHANTES MOMENTOS
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Vou dar uma festa!
Vou dar uma festa, finalmente liberta do teu fantasma.
Vou dançar e ouvir todas essa coisas alegres que tens para me contar… e para? És demais!!!
És mesmo demais! Há quanto tempo não me ria desta maneira, nem sentia o sangue a fervilhar nas veias? Senti-me! Fui eu, o que parecia ter desaparecido há algum tempo...
Ao mesmo tempo foi útil este breve interregno entre a doença e as férias, foi a única forma de saber que atrás dessa bata, branca e resplandecente, havia uma alma, bela e transparente, ingénua e cúmplice, dividida entre a ciência e a gentileza.
Há quanto tempo não me abriam a porta para eu passar?!…. Há quanto tempo não me sussurravam ao ouvido dessas palavras…
Entre o saber e o prazer, com esse programa informático, conseguem-se (medir/avaliar) as células nefastas. Que interessante! Quando tens os meus resultados?
Cada segundo é um bilião de horas de impaciência para ouvir essa doce e melodiosa voz, cantar baixinho, que sou a doente eleita…
Até que o tempo passe veloz, vou fazer umas leituras, para que se repita o programa, que se vai tornando hábito, caso não surjam casos graves.
Ontem!
Foi o melhor café que bebi!...
18.01.08
sábado, janeiro 12, 2008
DEAMBULAÇÕES DO PENSAMENTO
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A escuridão penetrou pelas trevas recortadas em anil alaranjado, qual bordado imaginado pela Natureza, anunciando a hora crepuscular.
A grandeza do momento foi o momento em que a vida se recostou no rio e adormeceu…
O entardecer é assim o tecido onde nos envolvemos no momento em que nos separa o é do nada, o momento de fragilidade que todavia se continua a tentar avaliar… e que se esvai na imensidão do infinito que é o além, onde se espraia a morte sem quaisquer interpretações…
E quanto mais ponderamos na morte, mais incertezas pairam na existência. A incerta e insegura existência que nos permite deambular entre trocas e encontros desencontrados, em tempos desacertados mas distintos… que aumentam a diminuição do nosso tempo de vida…
12.01.08
terça-feira, janeiro 08, 2008
UMA NOITE DE MUITAS NOITES
Vieste como uma brisa muito suave. Acariciaste todo o meu ser. Louvaste o meu sorriso. Beijaste meus sonhos que apreciastes ao saírem desta minha mente moribunda…
Foste a brisa que ateou as brasas de um fogo extinto e em fase de rescaldo. Foste herói e vilão e de sonho em sonho, apenas foste a figura heróica que saiu de um dos sonhos e que se foi tornando num papão e que me fez acordar como que de um pesadelo…
Vieste, como gota de orvalho, dar viço a uma flor que morria, na secura do deserto da vida e vieste por bem… pensei…
Atravessei mais uma das muitas noites em que vagueio entre as veredas do monte ou que de faróis nos máximos, disperso a minha atenção nas curvas do Monte Gordo…
Vagueio agora, na penumbra do nevoeiro, na penumbra da minha alma, na penumbra da solidão feita música de fundo…
O nevoeiro é espesso e nem vejo o rio… aquele rio que fez fronteira entre o além e o agora, em que tu foste a ponte que atravessei em busca da vida. Mas apenas me ofereceste morte…. Morte de sonhos, Morte de desejos, morte das recordações que foram por décadas o baloiço que embalava a minha alma e a imaginação…
Vieste como a mais suave brisa primaveril, deixando o delicioso perfume das flores espalhar-se por mim, como uma bênção de vida…
Mas foste fugaz como o arfar de morte e o perfume que resta é o de pétalas secas…
Vieste tão suave… tão doce… com tanta delicadeza… Disseste palavras tão bonitas. Balbuciaste versos de cantigas antigas… e foste tão enganador… Foste a utopia feita ser real… quando apenas eras utopia e sem te dares, dominaste. Misturaste alma com carne e perdeste a magia que um sonho dá… Perdeste!
Foste apenas uma noite de muitas noites…
08.01.08
sexta-feira, janeiro 04, 2008
VERDADE II
Não é novidade para ninguém, mas para não fugir à tradição, aqui deixo também os meus votos de que tudo, sem excepção, seja maravilhoso para todos vós, neste “novinho em folha”, 2008.
Que tenham saúde. Com saúde somos felizes.
Verdade Dois, porque, por ser verdade, não deixei de a deixar escrita no meu Diário… e aqui, para que sintam quão ridícula é a verdade, sobretudo, se se trata de saúde…
Em fins de Novembro do ano passado, sentia-me muito cansada.
Sentia-me como que flutuando, ou melhor, disse-o aos meus alunos sénior, que me parecia estar caminhando sobre um colchão de água (nada de ser mal intencionado…)
Estava cansada. Estava desiludida e triste ou só cansada. Estava saturada de alguns desaforos… e por vezes, por chorar sem limites pelo que me magoas, quando perdes o norte ao que dizes… e ou não … com o intuito pré-programado de me arranhar… mas estava cansada e nem mesmo de tudo isto me lembrava, nem atribuía a esses factores tamanho cansaço… Apenas me sentia a desfalecer ao fim de cada dia… e passou uma semana… e mais uns dias de outra… Quase férias de Natal, devia ser cansaço de muita azáfama…
Comia bem, andava, como sempre em stress, com a adrenalina nos píncaros… enfim, parecia vender saúde… mas não. O cansaço era proveniente de alta temperatura… e ao cabo de semana e meia, lembraram-me de medir a temperatura… 39º,97… Loucura!
Uma corrida para a médica de família e desta, para as urgências do Hospital, com uma carta na mão… devia dizer “URGENTE”, … diria? Não sei!
Na urgência do Hospital foi entregue a carta; colhidos os dados todos que solicitaram e por fim, lá entrei na triagem… Um “aparelhómetro” encostado ao ouvido direito acusou os tais 39,97 de temperatura…
“Agora vá para aquela sala e espere um pouco. Tire esses casacos”
Claro! Eu estava cheia de frio, mas tirei os casacos e dobrei-os no colo… Duas horas! Duas horas depois, como nem sequer me haviam olhado, levantei-me, tonta, pela febre e pelo que observava (pessoas com soro, pessoas em macas… enfim, e, pessoal que se preocupava se a colega ia comer sopa, se não se esquecia da prenda do jantar de Natal… se eram as tais botas que ia usar…) pois levantei-me da minha cadeira, lá escondidinha entre dois pacientes a soro e fui corredor fora… e interpolaram-me para saber onde pensava que ia… Viram-me! Mas não ligaram ao meu estado, apenas, nem podia deixar os casacos ao acompanhante e devia esperar mais… com quase quarenta graus de temperatura…
Pois tinha de ir à casa de banho com dois casacos no braço… e tinha de continuar a esperar. Que fúria me deu! Senti-me tratada abaixo de cachorro… e berrei “Vocês não prestam! Não têm consideração nem respeito por quem não se sente bem.” E sem que me deixasse agarrar, fugi…
Mas como estava mesmo mal, recorri a outros meios (porque posso) e acabaram por diagnosticar - Pneumonia! Só que a proveniência da cuja… ainda anda a ser estudada, mas não no Hospital da área onde resido… aí, possivelmente, será só para passar a certidão de óbito…
04.01.08
domingo, dezembro 30, 2007
VERDADE
quinta-feira, dezembro 27, 2007
O QUE NOS DEIXA A MEMÓRIA
Há datas que nunca esquecemos. De uma maneira ou de outra acabamos por as recordar, mesmo que tivéssemos prometido a nós próprios que jamais as iríamos relembrar…
Claro que não é o facto de ser o dia do teu aniversário que está em causa. Sempre foi um dia que foi lembrado com emoção e ao qual foram dedicados certos rituais, como se estivesses mesmo ali ao lado…
O que me faz nem querer voltar a pensar, nem na data, nem em ti, é a revolta que sinto por todos aqueles eventos que viveste e escondeste, fazendo protagonista de toda a aventura a única pessoa que pensei jamais ser capaz de o fazer… não sei como vos tratar – traidores!!!
Como tinhas coragem de ir jantar o tal “cabritinho à padeiro” sabendo que eu tão longe, sofria como que cumprindo uma pena, completamente inocente?! A sonsa ainda tem coragem de contar, com requintes de malvadez toda a trama das noites bem passadas… nem tenho palavras! Aliás, acho que o ódio tira o dom da palavra… e até do pensamento…
Não contente com a festa, sem respeito pela debilidade do momento, ainda um ou uma idiota bate à porta, em tons deselegantes, manda que abra, para uma visita… à hora do jantar, atender distribuidores de religiões empacotadas em brochuras para descobrir a paz… a fé!!! Depois do “cabrito à padeiro”, em São Pedro de Sintra!!! Já não há mais nada!
Fica na memória, destruindo todas as outras memórias, o que me destrói todos os dias… porque a provocação continua, num descarado atrevimento…
27.12.07
quarta-feira, dezembro 26, 2007
NO DIA 25 DE DEZEMBRO
Interrompi o meu silêncio com a palavra que se soltou do mais profundo do meu ser e quase sem controlo, não a consegui calar. Foi um lamento, foi um suspiro de dor… foi talvez uma revolta que se soltou do mais profundo da minha alma… Foi sempre a mesma coisa!
O pretexto soltou-se como uma baforada de fumo e ardilosamente arranjaste forma de ir satisfazer o teu capricho… diria os teus caprichos… mentira, cifrões e mais caprichos e mais mentiras… O sol encanta e dá brilho às pétalas das flores e vives dos encantamentos fictícios… enganando quem? A cigarra ou a formiga?
Nem no tal período que diziam ser de Amor (Natal!) ….
Como és a imagem da falsidade! Teatro. Faz de conta… um papel muito bem interpretado.
Vou rir! Que lata! Vieram então as prendinhas para enganar… sofisticadas formas de gostar (?) …. Merda!!! Que lata!!! Entretanto quem vai usufruindo das ternuras e das delicias… é?! São!!!
Um colar de pérolas! (Claro que são as minhas lágrimas solidificadas…) Luvas! Mas para quê, um par de luvas, quando agora nem posso sair… E será que lhes vou dar uso?
A contagem decrescente já começou há muito. Mas nem isso promove um gesto de humanidade e pões de parte todo esse calculismo de superioridade…???
Os medicamentos estão a actuar perfeitamente. Já não há temperatura e abrandou a instabilidade… mas o problema subsiste… o que será? Novos exames efectuar-se-ão na próxima semana, até lá aquela dúvida vai brilhar como brilha a estrela da tarde…
Mas quase me esquecia de ti! Estás a ver, como esta porcaria de doença, que nem sequer sei o que é, me faz esquecer de ti. E será que mereces mais do que isso? Também nunca gostaste de mim como eu gostei de ti… mas agora também é tarde. Nada merece a pena, quando as dúvidas são a almofada onde deitamos o rosto todas as noites, sem sequer saberemos se haverá a manhã seguinte…
Com o anoitecer verifico que vai finalizar mais um dia 25 de Dezembro, e que mais um dia de Natal é mais um dia de um calendário, que os Homens criaram, para os Homens… e que não é senão um dia vinte e cinco, como todos os outros dias vinte e cinco que cada mês tem… e a verdade é que apenas há um dia vinte e cinco em cada mês…tal como eu sou eu só, em cada dia de cada mês…
Não te angusties. Não fiques sob frustração… afinal nunca me pediste para que gostasse de ti…
25.12.07
segunda-feira, dezembro 24, 2007
24 DE DEZEMBRO
O toque da campainha faz pressupor que é alguém. Tento perceber pelo megafone de quem se trata, mas nada. Abro a porta e parece-me que rostos conhecidos transpõem a porta mas não sei bem se sou eu que entro, se são outras pessoas que entram e passam, sorridentes. Não são ninguém. Ou serei eu que não sou ninguém?...
Por hábito, por maneira de estar, por razões que a razão não permite perscrutar, estou normalmente só e às vezes, como agora, se tenho gente por perto, não sinto as presenças… são fantasmas vivos de uma existência morta.
Há ruídos que se parecem com vozes, há ruídos que parecem sorrisos… mas onde estão aqueles que dão origem a estes sons?
Entre as vozes parece que a tua, sorridente e algo irritante, sobressai. Sob uma excitação que não é muito comum (excepto nas ocasiões de que falaste), mostras a tal faceta eufórica de quem está bem nutrido por dentro e por fora… Foi isso! Aliás, não era nenhuma boa nova, porque já o havias explicitado…
O tilintar dos copos, o “trique-traque” dos pratos e dos talheres deixa que perceba que há muita gente na sala… “Quer dizer, estive a fazer tudo isso para essa gente toda!” Estranho. Estou mesmo só. Ninguém é ninguém e tu és menos tu do que alguma vez foste… Pois sempre percebi que eras uma bela marioneta colorida nas mãos de um habilidoso artista de circo…
Mais toques de campainha… mais fantasmas!? Mas que me querem, se estou só e com todos à minha volta, só fico?!...
Não é o facto de ser só, que é triste e por isso o dia 24 de Dezembro, não é o especial dia para estar triste… estar triste é uma componente dos dias todos do ano e dos anos, desde que se começa a perceber que nada tem o significado que se quer mostrar que tenha.
Claro que me recordo da minha avó. Claro que não esqueço os meus pais… claro que não esqueço amigas, especialmente a Manela. Claro que não esqueço os amigos, especialmente o Artur José. Claro que tenho uma raiva imensa por não ter esta gente todo ao pé de mim… mas tudo é o que tem de ser… O Zé, que ocupou um lugar especial, naquele ano trágico… a Isabel, que era de loucos as nossas conversas sobre Antropologia… e todos os que já partiram… não chegam para o lanche… nem para o jantar… nem nunca mais… partiram para que eu ficasse só.
Depois, aparecem algumas “almas penadas”… a fingir que são muito “queridos” mas com o pensamento em outros…. E eu só! (!!!)
Mas nada significa nada, porque o estar só é uma forma de estar, que é o oposto de estar acompanhado… e mais vale só do que mal acompanhado… porque a tua companhia passou a ser um nojo… mesmo no dia 24 de Dezembro…
24.12.07
sábado, dezembro 22, 2007
A VOZ INTERIOR
Pouco tenho escrito de raiz. Concluo alguns textos que, como sempre, por múltiplas tarefas, vou deixando a meio. Mas agora é no todo dos todos que vão saindo todas estas palavras. Desabafo? Lamento? Não sei, apenas sei que se não escrever fico entupida e quase rebento entre os soluços e as lágrimas e os gritos que morrem na garganta e não saem senão nestes suspiros intercalados com o soluçar…
Amiga, consegui desejar-te boa sorte para o dia importante que é hoje. Não me contive e chorei. Perdoa-me. Sê feliz por favor!
Depois falei com outros amigos. A época é propícia a que se seja gentil e nem em estádios de instabilidade se consegue deixar de cumprir formalidades tão arreigadas nas gentes.
Um dos amigos esteve mesmo comigo, de corpo presente, com um abraço de infinita bondade, dando-me a força que precisava, toda cristal delicado e antigo, que a uma corrente de ar se estava estilhaçando…
E todo o meu interior se estilhaçou. Mil fragmentos de desespero foram uma mão cheia de cacos do que resta das esperanças e dos desesperos que rodopiam por mim toda… e se ainda viver depois de amanhã, talvez possa segredar-te que foste o amor da minha vida…
Injustiça! Logo agora que vivia bastante ocupada, a doença veio dominar como qualquer déspota prepotente, destruindo a coroa de sonhos que deixara na minha jarra eleita…
Quero aquela rosa carmim presa nos lábios, quando selares a minha boca no beijo último, da última despedida…
Ingratidão! Como todo o tempo foi ingrato para mim, não permitindo até que o diagnóstico fosse conclusivo, para que não continuasse neste impasse de vida e o que mais?
Desolação! Sim! No mínimo desolador não ter tempo para te dizer que te amo. Que tudo é teu e o mais insignificante sonho foi contigo…não olhes! Desencorajas-me, muito embora saibas da decisão… ficam todos os silêncios e todas as turbulências consequentes de quem não te sentia, como sempre te senti.
Desalento! Já alguma vez sentiste desalento? É estranho. É algo grande dentro de nós que nos faz sentir infinitamente pequenos e as palavras deixam de ter significado e os significados deixam de ter razão de existir… por isso dizer que te amo é uma anormalidade, uma descomunal anormalidade… a um moribundo, deixa de ter sentido certos dizeres…
Natal!
2007.12.22
sexta-feira, dezembro 21, 2007
A NOSSA NOITE (?)
Deixei que o corpo se confundisse com os lençóis e os edredões, tão acasalado estava um e outros…
Numa semiobscuridade, o quarto mais parecia uma câmara ardente, pronta para deixar entrar os primeiros visitantes do velório.
Os olhos semicerrados, como estreitas gretas de uma gelosia, apenas via imagens ilusórias, como num filme de terror, entre nevoeiros e sombras…
Senti uma aragem correr pelo quarto o que me fez perceber que a greta da porta se alargara e que possivelmente alguém entrara… Mas não ouvi, nem passos, nem quaisquer ruídos… talvez apenas tenha imaginado.
A respiração curta e lenta deixa subentender que há algo que não está funcionando correctamente, num sistema cárdiorespiratório que era pressuposto estar a trabalhar melhor, não fora o estado febril…
Todos os quadros são consequência das febres altas e os consequentes delírios, os do estertor da morte… mas são mesmo delírios?
Alguém se sentou com desmedido cuidado na borda da cama. Senti o deslizar de uma mão acariciante subindo a perna esquerda, muito devagar, deixando o morno calor passar as cobertas e fazer que uma onda de bem-estar acalmasse o estado semidesfalecido em que me encontrava. Afinal estava mesmo à espera da hora em que todas as luzes se apagassem… Vieste?!
E a mão, ou algo que me fez idealizar que o fosse, deslizou mais e mais e parou na face, circundou o desenho esbatido dos meus lábios e num sumido murmúrio deixou que me parecesse estar a ouvir a tua voz.
O delírio da febre? Não! Só podias ser mesmo tu. Para quê? À espera que de vez deixasse de respirar? Calculo! Querias mesmo testemunhar o último suspiro!
Para quê continuas a mentir? Para quê a teatral farsa, mesmo nas horas que restam a quem já nada espera? O baile das carícias com a ignóbil mentira disfarçada de bom momento… Chega! Não quero findar com mais um engano, mais um sonho que nunca foi mais do que um pesadelo…
Parecem lágrimas… mas tu choras? Ironia! Jamais se chora por quem se detesta, ou por quem se satiriza o gostar… Um grande actor faz verdadeiros milagres!!!
Não me olhes como que um arrependido! Não peças mais desculpas! Agora é tarde e nem sei se terei forças para te olhar, pela última vez…
21.12.07
sábado, dezembro 15, 2007
SÁBADO À TARDE
Não sei bem se me apetece escrever, se gritar ou apenas chorar… mas já tenho os olhos inchados e vermelhos de apenas chorar… Aumentou o número de vítimas. E com o arrefecimento previsto, vai aumentar, seguramente, o número de mortos…
São sempre em vão os muitos avisos que se difundem por todos os meios. Uma grande parte das pessoas não liga ao que ouve, ao que lê, nem mesmo quando lhes é segredado que estejam atentos, ligam importância… É mesmo característica do ser humano… depois a catástrofe assola à porta e já pouco resta para ser feito…
Quando nevou, e o frio era intenso, assolou uma tempestade que destruiu todas as belas ramagens da árvore que plantara em meu peito… A Árvore é o símbolo da vida! Foi o princípio do fim…
Despida de folhagens, ramos novos cortados cerce, abria-se assim o vasto horizonte. A perder de vista…
Depois foram reaparecendo os sinais de primavera… mas veio outro Inverno frio e desastroso… e quando uma nova primavera deslumbrava os horizontes da natureza… um vento soprou, nórdico e devastador e as novas ramagens, simbolizando vida, perderam-se… perderam-se uma vez mais…
Está imenso frio. Penso em todos esses seres que vivem à deriva, sem abrigo, sem vontade de lutar por melhores dias ou apenas por um outro dia… perderam tudo, nada têm e por nada lutam… Quantos não são consequência de ser mal amados!... Quantos não são o resultado de uma entrega, de um desvelo por quem nem se apercebeu ou se deu ao trabalho de aperceber que estava a ser amado… Como é difícil fazer o mundo entender que só com amor se consegue ultrapassar as grandes dificuldades. Como se confunde Amor, no dia a dia, com tanta outra coisa que nada tem a ver com Amor…
Mas de mármore cinzento e frio será o tálamo onde vou deixar as poucas gramas de cinza que restarão deste corpo gasto e sem alma, que divagou sem destino, que amou sem amado e das suas rosas foi fazendo um pouco de pão…
15.12.07
sábado, dezembro 08, 2007
Sábado, 08 de Dezembro de 2007
Juntavam-se as mães dos pais, as nossas e nós e havia uma ceia muito animada, com um quadrinho pintado a lápis de cor, quase igual para todas…
Tudo se esfumou no passar dos anos. Hoje nem se fala disso por aí, como se fosse uma passagem tão antiga, como outras, na história da humanidade…
Como estou doente, deu-me para passar em revista partes de um passado, que muito embora não seja assim tão passado, levou-me a outras fases que fui vivendo. Algumas para esquecer. (Esquecer! Isso é que provaria que a minha inteligência estava aferida… )
Depois li uns Bloques. Já não os lia há muito tempo, porque o tempo é sempre limitado, quando se arranjam mil tarefas…
Num dos blogues li um fragmento de texto muito interessante. Até fiquei com a tal ideia de que a “carapuça” poderia servir à medida, a uma das pessoas minhas amigas. Há sempre quem é mais esperto e “nas costas de uns lêem as suas…”
Nada seria devastador se não se usassem terceiros para arranhar e magoar…a tal violência psicológica que tão bem é aplicada, para que o ego seja elevado… A melhor pessoa do mundo! Quem sabe mais! A pessoa mais perfeita! Tudo o resto é por acaso…
Mas eu continuo a insistir que não é justo criar um clima amoroso à volta das pessoas e depois pô-las na lama ou simplesmente ignorá-las. Rejeitar, agredir, magoar, são formas de agir que não aprendi e por isso, não sei defender-me. Sabe-lo bem, assim como o sabia a minha amiga Manela, que tantas vezes me disse que o perigo estava mesmo ali ao lado… Agora que não estou bem, percebo perfeitamente o que ela queria dizer.
Passei pelo arquivo fotográfico e depois ouvi algumas gravações. Engraçado! Como foi possível uma transformação tão radical. Apaguei-as. Para quê continuar a ouvir o que nem sequer foi dito com sentimento… Assim como alguns escritos que havia guardado religiosamente… e neste momento estão no saco para o papelão… Tanta farsa!
Às vezes sinto-me uma perfeita idiota. Outras, sinto uma revolta imensa, outras ainda, tenho uma incomensurável saudade daquele tempo, que no cimo das ameixieiras, fazia competição com os melros lá da quinta…
Já li o livro! Afinal o vilão lá conseguiu embarretar mais uma vítima… Serial Killer! Mas era esperto! Mas não tanto, que se esqueceu que não há crimes perfeitos… a não ser que tivesse tomado o resto do veneno… mesmo assim gostei.
Uma vez mais o pulso subiu aos cento e tal, depois baixou, e voltou a subir aos noventa e cinco… Estranho. Não tenho nada que esteja pendente nem fiz mal a ninguém, nem pus ninguém de parte… muito pelo contrário… até a minha saudade esteve muito no meu pensamento. Sempre devemos respeitar a memória dos que só nos fizeram bem e nunca ousaram fazer-nos sentir uns zeros.
08.12.07
quinta-feira, dezembro 06, 2007
NOITE DE NEVOEIRO
A noite está fantasmagórica. Mais parece que estou numa história daquelas que a minha avó me contava, de cavernas e duendes, que com as suas lanternas de luz periclitante, deixavam desenhos disformes nas sombras.
O dia foi cansativo. Dei as aulas habituais mas tive o grato prazer de reencontrar um jovem colega que não via desde que juntos estivemos numa formação sobre lutos, em que o conceituado Moita Flores, deu uma aula que nunca mais nos esqueceremos. O colega foi substituir um outro que está a doutorar-se em Psicogerontologia.
Mais tarde, depois de retemperar o estômago, pois nem havia almoçado, vim escrever um texto que devia, porque jamais aceito certo tipo de situações e o desrespeito pelo ser humano repugna-me, sobretudo quando se está deliberadamente a amachucar outra pessoa, como fazes comigo… e depois santificas a tua posição de vitima, como a criancinha que vai aos bombons do avô… Como é fácil culpabilizar, quando se quer ser o centro das atenções… mas o dia não acabou por aí…
Não atendi chamadas, porque deixei os celulares no silêncio, como haviam estado durante as aulas… e só reparei que havia esquecido quando liguei a uma amiga para saber do seu caso… não foram os “meus interesses” que levaram a não atender. Só se pode exigir, quando não se falha… Mas no todo, houve algo bom. Uma amiga vai publicar um livro. É uma excelente poetiza e muito humana.
O nevoeiro está ainda mais denso. Fui à varanda e até senti um arrepio… medo? Talvez. Está deveras sinistra esta noite… Se fosse de manhã, esperava que o sol despontasse, porque a minha avó dizia muitas vezes que, “manhã de nevoeiro é tarde de soalheiro…”
E mais uma página do Diário que vou escrevendo, para não falar a sós comigo, nesta noite de nevoeiro, em que os faróis dos carros que sobem a estrada, parecem os olhos dos bois-cavalos, que se atravessavam na picada, quando lhes direccionava os máximos…
05.12.07
sábado, dezembro 01, 2007
ONTEM!
Falámos pouco. O suficiente. Mas falámos. Tão longe mas falámos. Ainda bem que falámos e ainda bem que estávamos longe. Falar foi como uma dádiva que a Natureza nos pôs, para expandirmos o que sentimos.
Falámos muito pouco e embora fosse vago, foi significativo o que dissemos. A nossa distância é incomensurável, mas estás sempre perto. Vives dentro dos meus pensamentos, mas não vês como os meus olhos choram.
Rios de lágrimas que ensopam a almofada ou obrigam a um gasto exagerado de lenços. Como choro!
Agora o que chora é a alma. Está só e só vai ficar por tempos incontáveis, contudo o meu amor não tem tempo, nem densidade nem é apenas feito das palavras que deslizam por esta folha impaciente por recebê-las. Assim escrevo. Assim escreverei até ao fim, dilacerada por uma ausência sem tamanho.
A tristeza não se pesa, não se mede, não se avalia. A tristeza é o elixir da morte extemporânea; a tristeza é o condimento de um amor feito de incertezas, saudades e desilusão…
Mas falámos. Não disse nada do que queria. Não deixei deslizar os lábios meio frios pelo teu corpo porque está ausente. Não deixei as tuas mãos encerrar as minhas, porque apenas falámos e tão longe… tão longe, que pouco dissemos…
29.11.07
sexta-feira, novembro 30, 2007
E OUTRA PÁGINA
Primeiro acreditei. Sempre aceitei o que me dizem como sendo a pura verdade. A palavra dos outros, sempre a respeitei, mas como me enganei!
A farsa, a patranha, a peta, o abuso da credulidade, a agressão psicológica, foram metodologias aplicadas com toda a perícia, com o firme propósito de enganar, iludir, manobrar, magoas, enfim, espoliar o mais que fosse possível… e, eu acreditei…
Talvez não tenha acreditado sempre, até pode ter acontecido só ter acreditado um pouco, mas no que acreditei, provoca-me ainda um mau estar sem limites. Como pode a inteligência humana ser iludida por enganadoras e malévolas mentiras?
Acreditei que tudo ia mudar. Acreditei que a responsabilidade social era muito importante. Acreditei que educar e transmitir conhecimento era como que uma devoção. Acreditei que se tempera com amor tudo, nas nossas vidas. Mas não! Amor, esse sentimento que até tem fama de ser belo, é um engano. Até aí me enganei…
Enganei-me em que a idade seja um estatuto de responsabilidade. Nada disso! Há uma falta de respeito entre os adultos que são o exemplo dos nossos continuadores.
Enganei-me quando idealizei saber mais e mais. Apenas não passei o tempo sem ocupação… mas não serve de nada!
Gritei pelo monte, pelas areias da praia, aos rochedos da beira-mar, para que um eco uníssono repetisse vezes sem fim que amava. Amava, mas não era amante de ninguém no sentido mais lato ou mesmo pejorativo… amante é todo aquele que é amado e amada nunca fui… mas acreditei.
Choveu. Agora faz sol. Nisto posso acreditar.
22.11.07
segunda-feira, novembro 26, 2007
ASSIM SE (DES)APRENDE
Calamidade! Pois é mesmo assim que chamo à falta de planeamento de qualquer tarefa que se tenha de fazer. Planificar, organizar, esquematizar, são formas de se poder vir a garantir vir a ter sucesso em um qualquer empreendimento que tenhamos de abraçar.
Contrariamente, se quisermos enveredar pelo insucesso, pela confusão, em suma, pelo caos, então não planifiquemos, não organizemos nem façamos nada que permita saber onde começar e onde acabar; não nos preocupemos: “seja o que Deus quiser” e “quem quiser que se lixe”.
Introduzida que está a minha opinião, aqui vai a causa para a ter expresso: colocação de professores, muito especificamente, os que ainda andam nas andanças (passo o pleonasmo) de serem contratados.
Chamar injustiça a uma forma de camuflar “padrinhos”, “cunhas” e outros métodos que coroam o caos, será pouco decente. Injustiça é algo que visa algo ou alguém, mas até com uma certa organização. Incompetência, laxismo, indiferença, engano premeditado, não se podem designar como injustiça, embora os que sofrem na pele se sintam injustiçados contudo, reclamar ante quadros deste género, não só é inútil, como até pode parecer anedótico.
Claro que seria excelente escolher o “trigo do joio”, mas, com tanta irregularidade de critérios e tanta falta de profissionalismo, tudo se agrava e em pouco melhorará. Vão continuar a ensinar alguns incompetentes, alguns desactualizados, outros ainda sem inspiração ou vocação para transmitir conhecimentos e ainda aqueles que deveriam ser reformados. Todos os que se esforçam deveriam ser acarinhados e premiados. Aos outros, eu oferecia um par de patins…
2611.07
sábado, novembro 17, 2007
UMA VOLTA COM O PENSAMENTO
No bulício da cidade deixo os meus sentidos a deambular. Chego a olhar sem ver, tão absorta caminho, entre a revolta e a tristeza, pela incapacidade que sinto, em não conseguir que o que está errado, passe a ser certo.
As caras daqueles com quem me cruzo, são a plena demonstração de que algo está mal. Ninguém vê ninguém e tudo me parece inútil. Todos caminham absorvidos pelos seus próprios problemas e esquecem que os seus problemas são os problemas do país inteiro. Talvez do mundo…
Não vejo ninguém com as lágrimas a correr, mas também não vejo sorrisos aflorando pelos lábios descaídos, de mulheres e homens que vão pelo caminho inverso ao meu.
Olho o meu interior e o caos é a miragem que me envolve e que se dispersa pelo que sendo, não é. Há um ruído ensurdecedor amortecido pelo silêncio do descontentamento. Também seria inútil aumentar o som ao ruído…
Há uma nuvem amedrontadora a dominar as vontades do que se deseja… Professores que continuam sem colocação… alunos que crescem (?) em salas de aula… vagas para meia dúzia de horas lá para onde o sol se põe, para candidatos, que por um mês poderão ir viver para “debaixo da ponte”… formas de enganar o absentismo com a promoção do desconhecimento… projectos de ensino que falham… alguém que recebe uma remuneração principesca para lançar a confusão no que se ensina e no que se aprende… e passa a não aprender…
Passes de transportes públicos caros para que uma elite seja conduzida em luxuosos transportes… voluntários trabalhando arduamente, enquanto umas dezenas de figuras limpam o pó do hemiciclo de um lugar que devia ser respeitado e onde respeitar os que representam…
E olho de novo o meu interior e de entre o caos sai o gemido que jamais terá eco… Patético! Apetece-me bater palmas…
Cíclicas! É verdade. Mas já esgotadas certas áreas… e fantasmagoricamente, aparecendo horários, mas dentro de parâmetros completamente incríveis… só falta que apareça um a pedir “alguém com um sinal particular…” Incrível! Mas verdadeiro. E tudo isto para quê? Para aconchegar incompetências? Não! Para nada. Para absolutamente nada!
Toda esta amálgama de situações que me parecem fora de controlo, leva a que se eleve o número de “stressados”, e que o burnout reine como uma das mais perniciosas enfermidades da época no seio escolar…
16.11.07
sexta-feira, novembro 16, 2007
AMOR?!

Ensinaram-me um montão de coisas. Eu aprendi. Falaram-me de amor e que tudo era fruto do amor.
Hoje pergunto-me se teriam razão. Amor!
Pois, o amor é um casaco de Inverno, cheio de peles, para manter quente a quimera da vida.
Hoje pergunto-me o que é realmente o amor e só encontro uma resposta – nada!
Usei o amor para aprender. Hoje que sei eu? Nada!
Usei o amor para com os que me foram rodeando no decorrer dos anos, mas em suma, nunca ninguém o aceitou. Tudo resultou em nada…
Amei. Amei com todo o fulgor da adolescência, mas foi um amor proibido…de sempre para sempre, porque um dia morreu…
Dei amor, para superar a lacuna da adolescência, mas aí, também falhei…
E uma mão cheia de tudo foi nada…
Hoje, julguei ter encontrado, finalmente, onde aplicar o que havia aprendido outrora sobre o amor… mas de novo o nada submergiu em todos os nadas e mostrou-me quanto inútil é amar: - um nada!
E olho em volta e o que vejo? Rua, carros, luzes e gentes que daqui para acolá andam nas suas lides e de novo surge a pergunta – para que serve tudo isto? – Para nada!
Então, o tal amor de que tanto me falaram, de nada tem servido durante todo o percurso da minha existência…
Já não o posso reclamar de meus pais; já não o posso reclamar daqueles que me falaram dele; já não posso provar-lhes quão inútil foi o terem-me ensinado que para haver felicidade, tem de haver amor…
Falámos disso e sobre isso muitas vezes. Decidimos escrever sobre o tema e uma pantomina de inutilidades escorreu das nossas canetas, do nosso teclado, da nossa imaginação… Não queres amar, não ames, mas amas o que não te serve para nada… e eu amo e perco o pensamento em justificações, para encontrar o que nada significa para nos mantermos vivos… Vivos? Não sei!
Não sei mesmo nada!!!...
04.11.07
quinta-feira, novembro 15, 2007
CONVERSA COM A MORTE

O meu avô e Fernando Pessoa, com os seus cafezinhos, com os seus blocos e os seus instrumentos de escrita, iam dedicando às suas amadas, os poemas que fluíam como águas límpidas, em fontes naturais.
Com curiosidade quis saber porquê ambos escreviam, isto porque de ambos li poemas lindos e porque escrevo, mesmo sem sentido, umas palavras que sobraram para mim. Saber porquê os outros escreveram deixa-me apreensiva. Será que a razão é a mesma?
Sábia, filosófica e inédita veio a resposta “ A escrita é a expressão mais eloquente do revelar o que se sente e que os outros não entenderiam se falássemos e que mais tarde, quem vier a ler-nos, irá desmultiplicar o significado e a quem dedicámos a nossa escrita, possivelmente, achá-la-ia despropositada se a lesse dentro da actualidade desse momento…”
À nossa mesa sentou-se a Morte. Deles já tomara conta há muito. De mim, aguardava o momento decisivo…
Assim conversámos. Três épocas. Três estádios diferentes com um elo de ligação comum – a escrita.
A Morte sempre escreveu. Escreveu sobre o adeus, a saudade e a desilusão, porque a vida lhe foi dando o mote… Fernando Pessoa, filosofou sobre o ser que era e os que o rodeavam. Escreveu para fazer pensar. Mas a Morte dizia que eu escrevia a copiar os seus sentires e a usar as suas palavras… como se as palavras não fossem de todos nós…
Tive de confessar à Morte que só o amor era cúmplice da minha escrita; escrevia o que o amor ditava e se ditava desditas, pois então, eram essas as minhas expressões…
A Morte não quis falar de morte. Disse que se viera sentar-se à nossa mesa, fora para falar de vida. Vida ou tempo que nos separa da morte… Fernando Pessoa falou desse tempo e como eu era vida, devia vivê-la com os sonhos que comandam a vida… tinha de a viver porque escasseava o tempo que me restava…
A Morte falou dos meus amores. Disse que quem partira, havia partido em outros rumos e quem ficou, ficou à espera que esquecesse quem fora…
Tontarias da Morte! Quem está não estará. Quem amo é alma prisioneira de outras gaiolas; é pássaro canoro de outras floresta… eu nem direito tenho a separar o que foi do que é, porque o que foi deixou a eterna ilusão de ser o ideal… quem está, questiona quem é e o que é o amor… ainda mantém a total confusão dos sentimentos… de braços abertos vai esperar a divindade de quem recebe inspiração…
Deixei soltar uma lágrima. Como seria sentir palpitar no peito a emoção de escutar uma frase doce?…
Senti a carícia acolhedora da Morte como que incentivando a força que eu já não tinha… Ouvi nitidamente uma voz sussurrar bem perto de mim “beija o teu sonho como se fora a última vez que sonhavas…” Aí, levantei a cabeça, poisei a caneta e reparei que sonhara mesmo e que em outras mesas havia pessoas com sorrisos maliciosos…
12.11.07
segunda-feira, outubro 29, 2007
“ARRUMAÇÃO DE IDEIAS”
É mesmo isso. Um dia, de repente, sentimos que estamos saturados e aquela pessoa que preenchia todos os nossos momentos pareceu-nos um monstro. Foi assim que hoje olhei para ti - um monstro!
Detestei-te. Odiei todos os passos que deste, Odiei todas as gargalhadas que fizeste soar entre o ar parado e a noite escura, de um céu encoberto, tal como deixaste a minha alma... o que te preenche destruiu o que tentava construir...
Cada palavra apenas teve o intuito de me amachucar, de denegrir o que fui sentindo por este tempo fora… mas agora, como se estivesse a acordar se um pesadelo, só penso que nem tenho mais desejo de me cruzar contigo… Vulgar! È o que te posso chamar.
Sempre soube que assim era. Nada foi novidade, apenas tentei enganar-me, para que o tempo fosse mais fácil de suportar, mas agora é tarde. Tal como todas as folhas de papel que vou arquivando, tu passarás ao arquivo. Não mereces nada mais do que isso.
Tal como a hora mudou, eu mudei também. És o ontem e nada mais do que isso… veremos se te agrada… ou talvez nem te apercebas… até que… é isso mesmo. Até que novos acontecimentos te levem a recordar que eu estava sempre ali… mas já não estarei. Tudo tem um começo, um meio e um fim…
29.10.07
domingo, outubro 21, 2007
Hoje………20.10.07
Um dia acordamos e sentimos que estamos tão vazios como se fôramos um balão rebentado. Pois é mesmo assim que me sinto. Algo me está escapando e não consigo dar a volta…
Idiota é tudo o que te posso chamar. Não prestas nem serves para nada… mias, mas devias zurrar… com esses olhos “langanhosos” de cordeiro mal mamado, tentas enganar quem? Amor não é coisa que exista como os pacotinhos individuais de chá… é mais, mas cabe a cada um entendê-lo e respeitá-lo.
Mas adiante. Não posso mudar o mundo embora o mundo me vá mudando a mim. Devo aceitar, concordar, ser assertivo, ser condescendente, ser tudo o que se quer que seja e sorrir, sorrir para o vasto auditório. Um auditório agigantado, nacional e internacionalmente… e à noite aconchegar a cara na almofada, a minha querida almofada e chorar. Chorar pelo que já perdi e por tudo o que não consigo alcançar… e às vezes, uma curta frase seria o suficiente para que a auto-estima subisse e eu, qual balão vazio, voltasse a flutuar no universo da felicidade com o pouco de ar que lhe era soprado.
Eu sei que não serve de nada chorar sobre o leite derramado… mas a tristeza tem destas coisas. Faz-nos de parvos e depois ri-se na nossa cara…
O dia passou entre o agradável e o passa que passa e entre uns sorrisos e umas lágrimas meio escondidas; deixou que o anoitecer tomasse conta de todos os factos e os arquivasse como se de facturas e guias de remessa se tratasse… enfim! Este é o papel de cada um, neste amarrotado de horas em que o tempo domina, sem que possa ser contado em paralelo com as tais horas que escorrem pelo convencional relógio imposto, desde que me lembro de ser eu…
E o sábado morreu como qualquer flor que murcha numa jarra, antes viçosa e fazendo parte da planta mãe e depois de cortada… … …
20.10.07
domingo, outubro 14, 2007
Às vezes, sem que queiramos, perdemos a oportunidade de cumprir o que havíamos combinado anteriormente. Foi mesmo o que aconteceu desta vez. Contra ventos e marés lutei, escrevi no caderno que sempre me acompanha o texto, mas depois, múltiplas contrariedades levaram-me a não publicar o texto em simultâneo com o teu. Peço desculpa. A ver vamos se hoje, passados uns quantos dias o consigo fazer.
Ora bem, no passado dia 11, escrevi:
Acordei impaciente. Dividida entre a incerteza e a angustia de um dia haver uma certeza. Uma única. Melhor, a única que iria apaziguar esta constante ansiedade, intercalada por uma eufórica alegria e risos dispersos e uma tristeza profunda, impossível de avaliar. E eu sou eu em ambas as situações e eu sou eu rindo e eu sou eu chorando que nem uma “madalena”… salto e solto todo o meu entusiasmo frente à repleta sala de aula – os meus queridos alunos seniores – que me dão força para ser cada vez mais uma real professora (porque poucos podem dizer o mesmo).
Sem dúvida, professor é mártir! Não há direito de se fazer o que se faz a este estrato social. Como vai ficando a vertente mais importante da nossa sociedade… Saiu a 4ª cíclica! Muitos dos meus amigos e muitos que não conheço, mantêm-se no desemprego. Que vergonha!
Mas não ficamos por aqui. Que ignorância é esta de não se entender o que é anti-pedagógico? Turmas tão grandes… e lá vêm dizer posteriormente, que os professores não prestam… será que há a noção da diferença de ensinar dezoito alunos e ter mais de vinte e tantos na sala de aula? Será que há noção de que psicologicamente não há condição de se ser profissional com tantas divergências e tanta arrogância? A arrogância e a prepotência são sinónimos de incompetência, não sabeis disso?
Bem, mas já percebi. O que contam são os números… mas economiza-se por um lado … e esbanja-se por outro… mas os professores são apenas marionetas de pau…
Ainda esta, que quem não sabe, procure saber. Apareceram horários no secundário, por aqui e por acolá, para duas, quatro ou seis horas… no norte… no centro ou no sul… Ora vejamos: um professor no sul, não colocado, deverá aceitar um horário de quatro horas no norte? Que desarrumação! Não vou chamar outra coisa, mas vamos pensar… o professor X, nessa situação de desempregado, mas com casa, família e N responsabilidades pode aceitar esse horário algures, onde terá de ir viver, terá de comer, terá de usar transportes, deverá adquirir material de apoio à sua função… enfim, será que pode viver com uma remuneração correspondente ao horário que lhe vai caber? Estamos a brincar ou quê? É não termos noção das realidades… (dentro de uma situação destas, o professor terá de viver com alguns “expedientes”, de esmolas ou se alugar) ou pretende-se proporcionar um “tacho” a alguém de outras linhas que não o ensino… ou proporcionar que um professor dê aulas em dois ou três estabelecimentos, numa área relativamente perto, para saltitar de escola em escola até perfazer o horário completo? (Isto é negativo em todos os aspectos, o desgaste irá seguramente reflectir-se na qualidade do exercício das suas funções…). Pensemos!
11.10.07
sábado, outubro 06, 2007
“AS PALAVRAS DE HOJE”
Posso ser tudo, mas parva, não sou. Apenas me posso engajar em sonhos, até que, de repente, interiorize que nada faz sentido. Que incongruência continuar a escrever. Escrever frases e mais frases, cujo significado só teria sentido com o teu gostar.
Morta que está a minha alma com a minha ilusão, já nada tem justificação. No mundo abstracto em que o amor tem a brevidade de um arco-íris, nada mais tem oportunidade.
Desfiz a embalagem do sonho e deitei fora as ilusões que houvera embrulhado tão carinhosamente… não têm qualquer utilidade…
O brilho do olhar deixou de se reflectir nos lábios e estes deixaram de ansiar por outros que os acariciassem… (seria horrível desejar uns lábios que almejam beijar outros…) assim, como num féretro fúnebre, tudo de mim saiu…
05.10.07
sexta-feira, outubro 05, 2007
“PAGINA Z DO DIARIO”
Escoam-se as nuvens do encantamento. Surgiu o sol, quente mas outonal. Teus olhos viraram na direcção da luz e esqueceste na sombra das palavras gentis e deliciosas, outrora dedicadas a tantos outros por quem te encantaste e dedicaste esse teu eterno fulgor.
À noite as estrelas parecem bijutarias imitando pedras preciosas sobre o manto de veludo azul-escuro, que é o Universo que nos cobre…
Escondes todas as frustrantes obsessões em filosóficas fraseologias para mostrares o que queres que apenas não admitam, e, em malabarismos linguísticos, vais deixando uma mística angústia nos todos aqueles outros…
Enamorei-me de uma realidade numa época em que achas obsoleta tal vertente em alguém… Já não há quaisquer sentidos… Impossível!... mas quem está errado és tu!!!
02.10.07
segunda-feira, outubro 01, 2007
“FOLHA X DO DIÁRIO”
As informações são vagas. Vão surgindo intercaladas com surpreendentes exclamações. Fazes parte do nada feito entre o que nada é e quando o é, é-o incomensuravelmente abominável…
Do humor fizeste a caótica existência que não tens e o miserabilismo em que te envolves, finalidade única para chamares a atenção de incautos indefesos que vão sucessivamente chegando e partindo, como aves migratórias, quando chega a mudança de estação… mudam a pena e voam de novo em busca de outros ninhos ou do que deixaram à espera, do outro lado…
Quando dizes o que premeditadamente preparaste para magoar, não tens pejo de o fazer, doendo a quem doa, fazendo-te cobrar caro pelo que te estimam… e de galho em galho, saltitas como o pintarroxo no jardim do Éden, que criaste para atrair as aves canoras que vão cantarolando seus amores, para gozares suas desgraças…
No vai e vem do Inverno, vens e vais, és e não és; do que nada tens, dás enganadoramente, pondo em evidência o que frustrantemente incendeia e que selectivamente vais impingindo, como um adocicar de lábios, depois de se saborear uma cereja doce…
01.10.07
quinta-feira, setembro 27, 2007
UM FILÓSOFO - André Gorz
A Filosofia empobreceu um pouco no passado dia 24 de Setembro. André Gorz nascido em Fevereiro de 1923 em Viena de Áustria e tendo chegado a Paris em 1949 (foi registado sob o nome de GERARD HORST e era filho de um comerciante judeu e de uma secretária católica, mas cresceu num ambiente anti-semita, que levara seu pai a converter-se ao catolicismo).
Suicidou-se conjuntamente com a mulher, cuja doença degenerativa se vinha a deteriorar nos últimos anos, tendo sido encontrado, deitado junto dela, numa demonstração ímpar de amor pela sua companheira.
Licenciou-se em Engenharia Química em 1945 pela Universidade de Lausanne e desde cedo sentiu maior proximidade com a filosofia, a fenomenologia e o existencialismo de Sartre.
Entrou no mundo do jornalismo na revista "Paris-Press", com o pseudónimo Michel Bosquet e mais tarde relacionou-se com Herbert Marcuse, pensador da Escola de Frankfurt.
André Gorz foi considerado o filósofo anti-capitalista e criticou ferozmente o estruturalismo, a diminuição do sujeito e da sociedade face à razão económica, tentando dar resposta ao problema com a ecologia.
A sua obra foi demarcada com os livros que publicou, como "Misérias do presente, riqueza do possível", "Crítica da divisão do trabalho", "Adeus ao proletariado" e "O imaterial: Conhecimento, Valor e Capital".
Que a sua obra nos seja útil e respeitemos a sua memória e o seu acto.
27.09.07
terça-feira, setembro 25, 2007
“UM FIM DE TARDE”

Depois de um dia atarefado, com uma mistura de francês e inglês, a tirar dúvidas à R., fiquei sem tinta na impressora e por isso o trabalho de pesquisa que a garota queria, ficou em lista de espera… eu também promovo listas de espera…
Depois, e, com umas sobras de tempo, decidi distrair-me e dar uma volta pelos Bolgues, conhecidos e outros não. Mas mais valia ter ficado quieta, porque escusava ter lido o que li e ter observado que essa paixoneta é mesmo forte… e agora é de ambas as partes…. E vai daí, já não contam os compromissos assumidos nem a racionalidade, porque correm na mesma vertente e são da mesma faixa etária. Pois bem! Resta-me a consolação que já ouvi o mesmo e se o trouxa não acordar a tempo, vai cair na esparrela que eu caí… “com papas e bolos se enganam os tolos…”. A conversa é sempre a mesma.
Mas tem mais. Lendo com atenção um Blog de alguém que se diz muito letrado, deitei as mãos à cabeça, porque afinal, aqueles que zurram são mais humanos e mais inteligentes… então não querem lá ver que as pessoas, agora nem sabem interpretar o que lêem? Isto é demais… e querem que se evolua, quando cada vez se diz “mais” mal, se critica mais e não se ajuda em nada a melhorar o que se reprova…
Conheço alguém que volta não volta me diz –“sou um camelo” – e conheci em tempos alguém, que costumava dizer-me – “Sou um “camurso” isto é, camelo e urso ao mesmo tempo… Bem! Que duas pessoas tão diferentes e na realidade tão “parecidas” na selva… só espero que a razão que as leva a dizerem-se isso, não seja a mesma… embora pense que, se uma acordou tarde, a outra ainda nem acordou…
O estado depressivo cresceu e eu fui comprar cigarros. A lua elevou-se no horizonte e eu pensei: “ não é tarde nem é cedo, estes são os meus “doces” amigos, que aperto entre os lábios e me entendem, me escutam e me aparam as lágrimas…” afinal sempre vou tendo razão, fico sempre para o fim da fila… muitos anos, tristeza quanto baste, má experiência de cama, inconformada e com filosofias de “cordel” como a de entender sempre os que estão na pior… uns porque têm sempre compromissos inadiáveis, outros porque estão em fase de encantamento e outros porque têm sempre alguém como mais importante… e assim vai um ser vivendo, a aparar os jogos que todos pretendem jogar… isto sem perceber “népia” de futebol…
Escureceu. A lua elevou-se mais no horizonte e eu vim escrever, ou melhor, vim desentupir as ideias, despejando toda a revolta que sinto, porque devia odiar, detestar, banir do pensamento todos os que me provocam tristeza e mau estar… e nem sabem ao menos disfarçar, embora sabendo mentir…
Mas, como já disse em tempos, a mentira pode ser verdade, quer por não ser a minha verdade, quer por quem a diz, se auto convencer que essa é a sua verdade e como tal tem de ser a verdade para os demais… é doentio e até há quem já me tenha dito que é preciso mentir para não criar problemas… engraçado… sempre aprendi que a mentira era bem devastadora na relação entre as pessoas… O tal faz de conta, afinal, é mais importante do que eu houVera pensado….
Como amanhã será mais um dia de infortúnio, com o ventinho a soprar e a temperatura a descer, vou tentar criar condições para o aceitar… como tenho aceite todos os outros… como a lava incandescente a inundar e a queimar a flor do monte tão cândida…
domingo, setembro 23, 2007
REFENS DO DESTINO
No mundo pouco conhecido dos ácaros, do pólen, das bactérias, há sempre uma preocupação: manter a espécie!
Que lugar tão apropriado!... uma cama de uma enfermaria de um qualquer hospital…
A conversa, se escutada, seria interessante, na melhor das hipóteses…
Dois ácaros congratulavam-se pelos recentes acontecimentos – não se podia mudar os lençóis e as fronhas… não tinham chegado da lavandaria as mudas, devidamente desinfectadas. Que festa!
Na cama X, da dita enfermaria do tal hospital, o lençol e a fronha também cochichavam e ao escutarem o diálogo dos ácaros… meteram a colherada… Pois! Pois!... se eles soubessem que foi a falta de pagamento que fez tudo isto… não há roupa para mudas!
- “O lençol azul é que ficou feliz…” dizia a fronha rosa ao seu parceiro… ficaram reféns do destino. Assim ficam juntos!...”
- “ Mas… não entendo… a fronha azul estava velha e já um pouco esfarrapada…. E o lençol azul veio na última remessa de novos…”
-“ Pois é!” – “Mas a fronha envelhecida, não será cobiçada facilmente, por isso não seguirá por engano na sacola de alguém com alta…”
Há coisas que os humanos nunca entenderiam… (ainda murmurou o lençol rosa) Os ácaros espantados, juntaram-se à festa e deram uns “hip-hip-hurra” àqueles reféns do destino…
15.09.07
quinta-feira, setembro 20, 2007
“ESMOLAS!”
Esmolas tanto podem ser donativos como auxílios, como favores. De uma ou de outra maneira, todos pedimos isto ou aquilo. Todos somos pedintes. Pedimos atenção, pedimos emprego, pedimos votos, pedimos favores, aumento, licença, esmolas… enfim, pedimos tudo, mesmo não sendo indigentes. Somos pedintes!
Orgulhosamente pedintes!... Ridiculamente pedintes! Pedir o que temos direito! Que estranho! Muitas vezes pedimos o que não merecemos. Outras, pedimos sem plena consciência do que estamos a pedir… outras ainda, pedimos aquilo a que naturalmente temos direito. A maior parte das vezes, ninguém ouve os nossos pedidos ou, simplesmente, finge que não os ouve…
Mas entenda-se que há mais de uma forma de pedir, mas a forma de dar é que poderá não ser…
Vamos olhar para cada um de nós como pedintes e desde que nascemos, não tendo contudo, pedido para nascer…
Eu, pedinte, reconheço-me insignificante, face a não ser ouvido o meu pedido… Nem santos, nem deuses do Olimpo, nem tão-pouco as ninfas que inspiraram Camões… Mas se tenho de continuar a pedir… Não! Não serei mais uma subserviente rastejante, para ser ouvida… Amor não é transacção, como se fosse acções… Se te habituaste a apostar no melhor cavalo… eu não passo de zebra… e mesmo pedinte, isso não peço!!!
19.09.07
terça-feira, setembro 18, 2007
“ANALOGIAS OU TALVEZ NÃO”
Um elefante incomoda muita gente. Dois elefantes incomodam muito mais… três… começava assim uma história que a minha avó contava, passada nos interiores de Africa, em que os autóctones viviam amedrontados, mas em simultâneo deixavam os enormes paquidermes a destruir as suas culturas, sem que nada lhes fizessem, por se considerarem castigados pelas forças divinas.
Recordei a história, porque afinal, em sentido figurado, também temos manadas de elefantes: cinzentos, cor-de-rosa e brancos… que incomodam muita gente… mas os pigmentados à camaleão, são os que mais nos assustam…
Há uns tempos para cá, vou admirando mais as histórias que a minha avó contava. Tinham sempre uma profundidade que só ao cabo de tantas décadas consigo interpretar com mais clareza. E que actualidade têm!
Mas não era de nada disto que queria falar. Que analogias vamos buscar… O assunto é bem diverso e se alguma réstia de equiparação se encontrar, é pura imaginação.
O meu tema de hoje reporta-se a colocação de professores. Refere o que de incoerente há na colocação dos ditos, mesmo sendo um largo número de cidadãos imprescindível a todos, indistintamente. Os professores já foram alunos de professores, que por sua vez já haviam sido de outros e assim sucessivamente…
Pessoalmente, nada tenho a ver com o assunto. Já não conto para estatística e até bem cedo fui banida. Mas vivo em cada veia o ensino, porque acho que nasci para ser professora… gosto de ensinar, com conhecimento e amor, porque só se é bom no que se faz, quando se ama o que se faz.
Mas ser professor é quase uma maldição. A maioria é mal remunerada. Não pode ter vida própria e muito menos estabilidade emocional. São uma espécie de caracóis peregrinos, os professores contratados… que grande incentivo para transmitir conhecimentos!!!
Depois, vêm ainda outras condicionantes: a impossibilidade de evoluir, sobretudo nas áreas específicas do conhecimento que transmitem, pois que, com o baixo rendimento remuneratório, não se pode investir em livros, formações, enfim, acompanhar as mutações e evoluções que quaisquer ramos vão sofrendo. É castrador para quem ama o que faz.
Não entendo porquê há sempre no fundo da última prateleira do cofre de uma qualquer escola, aquele horário completo, que logo por azar vai para um alguém “desconhecido” ou, se o tal azar se mentem, acaba por desaguar na escola X o professor Y, que por azar nasceu na Raia, fez a sua vida na costa e é colocado na montanha… Tudo tem a ver com a sua personalidade, com a vivência e prioridades preestabelecidas para a sua vida.
Isto é consequência de um perfeito planeamento e uma planificação aplicada ao desenvolvimento…
14.09.07
segunda-feira, setembro 17, 2007
1º DEBATE DO 4º CLICLO
Uma vez mais, o Clube dos Pensadores põe em evidencia a importância do esclarecimento, através dos debates políticos que leva a efeito ao iniciar este 4º Ciclo.
Tem como tema este primeiro debate “A Verdade e a Política”, tendo como convidada a Euro deputada socialista ANA GOMES, caracterizada, sobretudo, pela sua frontalidade e largo conhecimento do tema em discussão.
JOAQUIM JORGE, fundador do Clube e organizador destes debates, convidou ainda outras entidades: CARLOS PEREIRA (psiquiatra e antigo director do hospital de Valongo) e GUILHERMA ALARCÃO (mestre em história medieval).
O evento tem lugar no Hotel Holiday Inn, esta noite, depois das 21H30, a seguir a um jantar que reunirá os convidados e membros do Clube.
Votos de que seja mais um sucesso.
quarta-feira, setembro 12, 2007
“ALERTA!”
Segundo o jornal “METRO” de 11 de Setembro, três mil pessoas suicidam-se por dia. Numa chamada de alerta, referem que no mundo, em cada trinta segundos, uma pessoa se suicida, o que perfaz o valor supracitado.
O alerta é proveniente da OMS (WHO) – Organização Mundial de Saúde – aquando assinalado o “Dia Mundial de Prevenção do Suicídio”.
Segundo estimativas provenientes desta Organização, por cada suicídio levado a efeito com sucesso, registam-se, pelo menos, vinte tentativas falhadas.
Refere também a notícia em causa que a incidência se verifica entre a faixa etária entre os 15 e os 35 anos e que esta pode ser considerada a terceira causa de morte, sobretudo nos países em desenvolvimento.
Ainda segundo a OMS, das tentativas falhadas, resultam graves lesões e sequelas que, afectam os próprios suicidas, como também familiares e amigos.
Contudo, há que referir que muitos dos factores que levam a este estádio limite, poderiam ser reduzidos, se, houvesse uma melhor convivência entre as pessoas, mais transparência nas relações e mais verdade. Muitos destes suicídios estão ligados a problemas de saúde, a desvios psicológicos, a frustrações e outras causas, mas fundamentalmente, a causa emocional, é muito influente. No campo das emoções, o “Amor”, e se incompreendido e não clarificado, pode promover traumas como o da rejeição, levando a extremos os seres humanos.
11.09.07
domingo, setembro 09, 2007
CONDIÇÕES VERSUS IMPOSTOS
Sem querer abusar do optimismo dos leitores deste Blog, venho abordar uma vez mais o tema que o patrono do nosso Clube dos Pensadores expôs tão bem, num artigo anteriormente apresentado.
Não me vou repetir, mas não deixa de ser relevante abordar os assuntos nas múltiplas vertentes em que podem ser analisados.
Pois bem, a saúde é deveras importante para que nos demos ao luxo de a tratar, conforme a vamos tratando actualmente…
Não sou entendida na matéria, mas recordo que, aquando estive ligada à WHO, soube que se realizara em 1978, uma reunião em Alma-Ata cuja directiva foi “Saúde para todos até ao ano 2000”, referindo sobretudo o quadro de cuidados de saúde primários, pondo em evidencia o papel a desempenhar pelos médicos, junto das populações. A prevenção foi a grande aposta, contudo, estamos no segundo semestre de 2007 e por cá, os tais cuidados ainda são muito escassos e os melhores são só para alguns. Prevenção por onde andas? Não nos esqueçamos que para prevenir, é necessário diagnosticar e para isso, é necessário fazer-se, ciclicamente, exames diversos e análises clínicas. São os meios de diagnóstico, mas estes têm número e os médicos de família serão chamados à atenção se “exagerarem” nos pedidos, pelos senhores administradores, que por sua vez também têm de responder por números… penso que se poderia poupar muitos Euros, se se pensasse um pouco na directiva que referi, se fossem feitos muitos exames preventivos e se fossem eliminados muitos medicamentos que só servem para atravancar o desenvolvimento de maleitas, que diagnosticadas precocemente, poder-se-iam reduzir… Sempre é a saúde dos nossos semelhantes…
E agora esta! Professores no desemprego!!! Então é assim que se promove o desenvolvimento sócio-cultural dos nossos patrícios?
Já que somos números apenas, vamos considerar que os números Euros, pagos em subsídios de desemprego, são uma pouca-vergonha. Paga-se para não fazer nada!!! … ou talvez para convidar à fraude: pois é, se por um lado recebem subsídio, por outro têm de trabalhar (à socapa) para poder fazer face às condições consideradas dignas… ora aqui já vão duas desonestidades… uma o subsídio (imposto) e outra os (não aos impostos)!!! …
Sem querer ver os quadros pintados a negro, gostaria que as almas pensantes se debruçassem sobre estes itens e encontrassem soluções, pois só a eles cabe levá-las a cabo. O nosso (os números), papel é o de alertar, quando as coisas não estão a ir muito bem…
Com tudo isto, pretendi dizer que, se não trabalharmos e não recebermos o justo valor pelo nosso trabalho, também não poderemos contribuir correctamente com os nossos contributos e, se não “berrarmos” que há remunerações que são um insulto, ninguém nos ouve.
08.09.07
terça-feira, setembro 04, 2007
CRISE – MOMENTO DE MOMENTOS
Os amigos de longa data são os nossos melhores amigos. São os amigos que estão sempre disponíveis, que nos dão o ombro para que choremos os nossos pesares, que nos dedicam toda a atenção e não trocam a nossa companhia por nada deste mundo. São os amigos especiais que escutam os nossos pesadelos e abdicam de tudo o que lhes dá prazer para satisfazer a nossa insatisfação…
Os amigos de longa data, os nossos melhores amigos, não têm ciúmes de outros nossos amigos mais recentes ou que estiveram ausentes muito tempo, nem deitam em cara constantemente a outros amigos, que os que são de longa data é que são a maravilha.
Os amigos de longa data jamais metem conversa com conhecimentos ou outros amigos nossos, nem tão-pouco tecem monumentais elogios a terceiros e ou a outros seus amigos, com o intuito de gerar confusão e mostrar rejeição a estes, pois a ultima coisa que os bons amigos fazem, é nunca magoar nem preterir os seus amigos, nem mesmo mostrar quanto são insignificantes e ignorantes…
Os nossos amigos de longa data jamais fazem reparo de estarmos dividindo atenção com outros… não nos fazem sentir infelizes e compreendem as nossas desditas… são mesmo bons amigos!!!
Mas será que estive a delirar? Claro! Só podia… Não existe ninguém nestas condições. Amizade com letras gordas, só na nossa imaginação. Os amigos que me mostraram muita amizade já morreram… os outros têm sempre amigos mais amigos do que eu…
03.09-07
terça-feira, agosto 28, 2007
“FUMOS”

Deixei de fumar! Mentira! Verdade?!
Sim! A verdade é que ao parar de fumar, fi-lo com o propósito de não incomodar. O pensamento direccionado ao bem-estar dos que tinham significado na minha vida e faziam desejar que se sentissem bem perto de mim e também o constante recordar do momento belo que vivi e não seria justo não o repetir. Mas aquando a desilusão se apossa, um cigarro é como que uma dupla vingança. O sabor amargo depois de um cigarro, é o castigo por não merecer o beijo idealizado… eis que funciona como uma verdade/mentira.
Quantas lágrimas retidas atrás do fumo de um cigarro… quantos desesperos afundados na cinza de um cigarro ardido… quantas frases não ditas e dissimuladas numa beata amachucada com fúria… tanta angústia dançando entre a espiral de fumo de um cigarro ardendo e perdendo-se no todo…
Quanta escrita inspirada na chama oscilante que acende um cigarro… Quanto ódio! Tanta raiva e desespero… por nada! Por ninguém… apenas por um silêncio tumular, por uma indiferença… por nada!
Não podendo ser razão, é muitas vezes uma razão forte, para quem tendo deixado de fumar, volte a pegar num cigarro, como forma de por cada um, pisar obstinadamente o que sobra, como que se desfazendo todo o seu sofrer…
27.08.07
sexta-feira, agosto 24, 2007
Muros!
Há dois dias, no jornal Público, li um artigo de Joaquim Jorge, o nosso Biólogo do Clube dos Pensadores, que faz o favor de ser meu amigo e que me “assanhou” a vontade de escrever também, dentro do mesmo tema - Os muros deviam ter acabado com a guerra fria.
Assim dissertarei desta forma:
Antes, muito antes do muro de Berlim, outros, tantos outros existiram, mesmo que para isso não se tivesse usado cimento, pedras ou simples paliçadas… e muitos outros irão aparecendo, se muito de dentro de cada um de nós, não se for modificando…
A finalidade com que se criam muros, tem sempre a ver com separações, com o impedimento de misturas, de defesa, ou apenas por se considerar que um muro salvaguarda qualquer tipo de intrusão. Quando se erigem muros, esquece-se que o pensamento é o único espaço que não permite muros físicos e que o que se pretende preservar, é tão frágil com muros como sem eles. Até mesmo os muros ideológicos têm a sua fragilidade.
Os tais muros invisíveis, esses que em cada um de nós, edificamos para manter a nossa teimosia, para criarem uma sombra tão distendida, quanto a nossa obstinada forma de analisar certas situações o pretenda, são a remota origem de por aí se criarem utopias e porque se vive muito no “faz de conta” e se mostra o que se não é… e até nos permitimos “inventar” desculpas para a nossa postura, e posturas para justificar as nossas acções.
Os tais muros (físicos) de pedra, cimento e ferro, têm como objectivo um tempo indeterminado, mas a sua temporalidade está na razão directa com a mutação que os visados vão sofrendo, permitindo-lhes “saltar” o muro. Tudo é efémero!
Terá de haver um destruir de muros, devendo começar por cada um de nós. Afinal, qual de nós é que não tem o seu muro? Quando o muro é de fraca resistência, chamamos-lhe barreira e essa é a forma muito ligeira de justificarmos que A ou B são isto ou aquilo, que este ou aquele procede de forma que não nos convém… estigmatizamos políticos, financeiros, prostitutas ou prostitutos, homossexuais ou lésbicas… somos segregacionistas dentro da nossa categoria de “animal gregário”…
Mais ou menos directa ou indirectamente damos o nosso aval às faltas de planeamento, ao não querer ver a longo prazo e incendiamos com dúvidas o nosso horizonte e temos medo de crescer, de sermos grandes e de mostrarmos que somos válidos e responsáveis, para não se ferirem susceptibilidades… apenas da palavra se faz estandarte e este ondeia ao vento… mas, muitas vezes é mesmo de nós que temos medo. Temos medo de encetar uma nova vida, temos medo de dizer que amamos, temos medo de morrer… edificamos os nossos muros culturais entre tabus e muitas vezes em obscurantismos.
Um dia destes o nosso muro vai ser tão alto quanto longa é a muralha da China… é verdade! Quantas mais dificuldades se criarem para que cresçamos, para que viajemos, para que satisfaçamos as nossas necessidades biológicas, emocionais, económicas e culturais, maior será a nossa ignorância e essa é a maior muralha que nos cerca…
Se a contenção que os muros criam é temporal e não definitiva e se são vulneráveis, porque se vão construindo outros e outros? Assim, um dia nunca desaparecerão…
24.08.07
quinta-feira, agosto 23, 2007
“HOJE, SEMPRE…”
Hoje, assim como ontem, continuo a questionar-me porquê sinto tanta curiosidade em conhecer a comunidade humana onde estou inserida. Questiono sobretudo os valores que movem cada pessoa a estar ou a ser como é ou está.
Obviamente, a minha curiosidade não infere na forma como agem e reagem, mas sim, aguça a minha procura no desvendar das causas que as leva a proceder desta ou daquela maneira.
Podes achar ridícula esta minha pretensão, mas, apenas me martela o pensamento e isto desde que me lembro de mim… há tanto tempo…
Por tudo o que tenho estudado e pelo que leio, vou extraindo conclusões, mas, são minhas e nada me certifica serem verdadeiras.
Contemplo a verdade, como se esta fosse a mais esguia e incomensurável torre, de uma qualquer Catedral, em um qualquer canto do mundo. Mas a verdade nem sequer é verdade, conforme a aprendemos aquando crianças, para nos obrigarem a relatar, sem omissões, o que ia pelas nossas almas… até havia que confessar confidencialidades do nosso pensamento, sob pena de não vivermos em pecado…
Mas voltando à minha contemplação – verdade – não posso deixar de sorrir, porque, por mais bela que pareça a palavra, nada significa, a não ser o que nós queiramos. A minha verdade não é a tua, nem a tua é a minha ou de qualquer outro ser, mesmo daqueles com quem convivemos mais assiduamente. Eventualmente, pode existir mais um, dois ou mil, em que a mesma verdade os bafeje, mas nem por acaso se cruzarão uns com os outros.
A verdade é a utopia com que nos embriagamos, para que a nossa imaginação crie imagens de felicidade, que não é senão outra utopia.
Verdade e felicidade, imaginamos nós, são ingredientes (utópicos) para que vivamos bem (felizes) …
Ainda outra palavra que angustia a nossa existência, é a palavra omissão. Não passa de uma forma falsa de faltar à verdade…
Não queria, propriamente chamar-te, descaradamente, omisso, mas não encontro nada que possa substituir… e essa forma de estar, que ultrapassa a minha capacidade de entender-te, faz-me amar cada vez mais e com mais dedicação, a pesquisa da formula (secreta) para te esquecer…
Quantas vezes, a nossa verdade é uma afronta para quem se vê dentro de outros parâmetros…
Talvez a minha verdade seja tão despropositada que nem mereça ser observada e dado isso, a tal pesquisa da formula secreta, seja desnecessária, pois o que não tem razão de existir, inexistente é…
Tão importante quanto a palavra, é o gesto. Mas este também pode ser traduzível, conforme o interlocutor… o mais afável gesto, pode estar a omitir o seu verdadeiro significado tal como um gesto amoroso pode esconder mil e uma formas enganadoras… muito embora o Homem seja um animal gregário, inventa sempre uma maneira ardilosa de ser pouco ortodoxo no seu relacionamento com o seu semelhante…
28.07.07
sábado, agosto 04, 2007
“DESABAFO DE RAQUEL”
Briga! Foi o que pretendeste. Tens plena consciência de que me magoaste propositadamente, para existir um pretexto palpável para fugir. Fugiste porque o medo te assaltou e não queres encarar a realidade dos factos e preferes, orgulhosamente, vitimar-te com o que não existe. Sabes que sei quanto baste para perceber isso mesmo, mas que nunca pretendeu ser obstáculo ao que sinto. Usas-me como se fosse um toalhete, que se joga fora, depois de utilizado.
É a perfeita forma de agir de um psicopata! (pensei de mim para mim).
Raquel, contou tudo isto e mais, intercalado de soluços e lágrimas e confessou que o amava demais, para aceitar pô-lo fora da sua vida.
Era uma mulher destruída, de baixa auto-estima e com um olhar triste, quase ausente, como o de um moribundo.
Ouvi. Ouvi atentamente, com carinho e respeito por uma pessoa que me pareceu necessitar mais do que ouvi-la, precisava de força e paz, para decidir sobre o futuro incerto que se lhe apresentava…
Não aconselhei. Aliás não seria o meu papel. Ouvi e tentei transmitir a coragem que lhe faltava, para que decidisse de acordo com o que seu eu lhe pedia… mas muito dentro de mim, apeteceu-me dizer-lhe que mandasse para os confins do esgoto, aquele traste…
04.08.07


