sexta-feira, junho 20, 2008

IRREFLECTIDAS COGITAÇÕES


Parei. Tudo parou em meu redor. Sinto-me como que atordoada como se tivesse sofrido uma pancada forte na cabeça. Sinto-me às vezes desta maneira, sem que isso queira dizer que estou deprimida… mas se calhar até estou…. Mas na verdade o que estou é triste.
Perguntaste-me porque havia escolhido o deserto para caminhar e eu respondi-te que no deserto não deixamos peugadas… e sempre esses porquês! Porque… porque não estava interessada em ser seguida… e tu segues-me e persegues-me por toda a parte…
Detesto gente intrometida e tu primas por sê-lo. Perguntas onde estou, onde vou, com quem estou ou de onde venho ou com quem estive… não queiras saber mais do que aquilo que pretendo dizer…
Essa justificação é mesmo tendenciosa… então é por gostares muito de mim que queres saber tanto?... Isso é treta! Sabes? não acredito em nada disso.
Em todo o meu interior choro, são rios e rios de lágrimas que se esgotam dentro de mim. É a tal tristeza que não sei definir, sinto-me como se chorasse pela minha perda.
Se ao menos não houvesse a pessoa errada, se ao menos pudesse gritar que aquela lápide é a nossa e não a de desconhecidos… amar assim, tão infinitamente, quem nem repara que estamos do outro lado da rua… por isso penso que todo o trajecto pelo deserto foi em vão…
Será que vou resistir a mais esta prova? Essa é a pergunta que faz latejar a minha testa e para a qual nem tu nem ninguém encontra resposta… mas talvez baste dizeres, de lá dos confins da minha memória, que estarás comigo… mesmo nesta distância incomensurável…


20.06.08

1 comentário:

Anónimo disse...

...estou a ler 'A eternidade e o desejo' de Inês Pedrosa. Todo ele bebido em Pe António Vieira que um dia disse:

'há chorar com lágrimas, chorar sem lágrimas e chorar com riso: chorar com lágrimas é sinal de dor moderada; chorar sem lágrimas é sinal de maior dor; e chorar com riso é sinal de dor suma e excessiva'

por isso chore se tiver que chorar..alivia a dor.

e depois sorria, com os lábios vermelhos, mas não tristes :p Joaninha.

Beijos e abraços cuidadosos*

Marta