sábado, setembro 30, 2006

CLUBE DOS PENSADORES

(Texto publicado no Clube do Pensadores)

Como acabamos por conhecer pessoas, que correm pelo mesmo “rio”…

Ora bem, há uns tempinhos, passava em revista os “blogs” que iam correndo, e vi um que me chamou a atenção – CLUBE dos PENSADORES. Daí a ir até lá, foi um saltinho de pulga e o que se deparou, foi algo excitante: pensadores a sério. Como não estou muito habituada a que pensadores andem por aí aos pulos, li atentamente o que estava escrito. Inteligente, expressivo e significativo. Decidi congratular-me por tal achado e escrevi uma frase insignificante, que deu azo a um posterior vai e vem de leituras e comentários, que muito me honram e envaidecem, porque numa sociedade em que cada um pensa só em si, verifico que há mais alguém a tentar divulgar certas “anormalidades” que devem ser corrigidas na nossa sociedade, sem que isso seja para lhe dar estatuto ou protagonismo.

Depois veio a informação sobre debates e eis que logo o primeiro me encheu de curiosidade uma vez que a tal cidadania é muito falada, mas muito pouco praticada…

Vão seguir-se debates, em que se abordará a mulher inserida na sociedade actual e então fiquei mesmo curiosa e cheia de vontade de que não se esqueçam que a mulher, muito embora já marque a sua posição, continua a ser muito vítima de tempos idos – vão passar umas boas décadas, para que se modifique esta forma, ainda muito ligada a tempos passados. Talvez começar por explicar bem, que violência, pode ter o seu patamar de entrada na violência conjugal e daí em diante, será um escorregar de violência em violência, não esquecendo que violência, não é obrigatoriamente pancada.

A questão da despenalização da interrupção voluntária da gravidez, com a qual estou plenamente de acordo, fez subir ainda mais o meu entusiasmo com o Clube, pois apercebo-me que se vão tratando de assuntos, que para este grupo de pessoas não é tabu, nem lhe põem uma capa, para fazer de conta que está tudo bem. É importante mentalizar, que despenalizar não é provocar algo que passe a ser corriqueiro, mas sim evitar, que tantas mulheres morram, vítimas de aproveitadores da situação.

Quanto a um texto sobre o preço de livros e material escolar, devo acrescentar que, os nossos livros sempre foram caros e um pouco assimétricos em relação aos bolsos dos nossos progenitores, mas daí a fazerem-se notícias e notícias sobre isso, vai uma grande distância… devíamos começar por divulgar, por todos os estratos sociais, a Pirâmide de Maslow. Parece-me que nem toda a gente sabe o que é… sobretudo que dirige.

23.09.06
isabel

sábado, setembro 23, 2006

FRAGMENTOS DO PENSAR


Quando nos sentamos a uma mesa, com papel e caneta e tentamos auto-analisarmos os acontecimentos dos últimos dias, constatamos que inconscientemente nos haviam passado despercebidos alguns momentos agradáveis, para apenas nos centrarmos naqueles que nos deixaram um traço de azedume e angústia.

Retrospectivando esses dias inobservados que nos propusemos analisar, sentimo-nos cobaias de nós próprios e mais do que tudo, tentamos fazer reviver os tais mais esquecidos momentos, para readquirirmos o prazer que tivemos, breve que tenha sido. Persiste, contudo, muitas vezes a ansiedade que começamos a sentir, proveniente de uma má frase, de um diálogo abespinhado ou de uma dúvida instalada, causadora de instabilidade, insegurança e consequente baixa auto-estima.

Se o esforço de recordar os momentos agradáveis, for um mecanismo de defesa contra a depressão, frustração e baixa auto-estima, então, como cobaias de nós próprios, estamos a arranjar solução para os problemas que nos afectam.

Quando deixei o meu pensamento começar a percorrer este caminho de ideias sobre o meu permanente estado de angústia, nem havia admitido que este estado estava ligado à realidade existente.

Há realidades que existindo, não existem. Não fora um amigo abordar um determinado assunto comigo, deixando-me ver o que eu, embora com todos os interruptores não vira, porque não acendera nenhum, deixando-me numa completa escuridão.

Quando o meu amigo me disse que temos sempre uma escada para subir ou descer a outro piso e que apenas a nossa vontade nos faz subi-la ou desce-la… mas abordámos os condicionalismos que nos levam a não passarmos de um para outro degrau… Então fez-se a tal luz do outro lado e percebi que muitas vezes sem sentir, os desejos insatisfeitos são a razão das tais ansiedades, das fobias e não só, mas também o fazer prevalecer algo que jamais se verificará – dar vida a quem já não a tem… e apenas dezasseis degraus podem ser a distancia que me separa da tal luz que sempre esperei acender, sem me atrever a chegar ao interruptor…

Continuando a vaguear por todos estes pensamentos, mais me apetece concluir que actuo com uma falsidade imensa, quando estou a transmitir força a quem a não tem, quando estou a injectar alta auto-estima, quando a procuro em mim e não a encontro…

06.09.06

sábado, setembro 02, 2006

NA ESTRADA


Meti-me no carro. Deixei-o trabalhar a seu ritmo e fiz-me à estrada. Estreita e muito arborizada, com as bermas mal estimadas e com curvas acentuadas. Conduzi.

Deixei que o CD corresse no seu receptáculo, transmitindo sons melodiosos do “Alegro moderato” de Peter Tchaikovsky.

Cada árvore parecia uma viúva. Pareciam todas negras e solitárias, como que abandonadas. Eu era mais uma, mas conduzia. Conduzia. Ora aumentando a velocidade, em rectas, ora muito devagar, se as curvas se sucediam.

Os momentos pareciam eternidades e com o depósito cheio, nem me lembrava que havia de precisar de mais combustível.

Olhos meus, que nem sei se viam estrada ou se viam um prolongamento do manto negro que me cobria.

Nunca entendo se estou triste, se cheia de medo. Por isso vou acelerando, mas mais uma curva e muitas árvores de ramos erguidos, como que pedindo auxilio, mas a quem? Se todas estão perto e tão longe umas das outras?... Parecemos nós. Estendemos os braços, mas nunca se tocam as mãos… olhamo-nos nos olhos e não conseguimos ver-nos. Pensamos no mesmo e jamais encaramos a realidade.

Aquele choupo enorme, com um ar tristonho como o de um cipreste, pareceu-me dizer algo. Abrandei. Parei na berma, porque não havia nenhum precipício e podia encostar, sem prejudicar quem quisesse passar… mas na minha estrada não passa ninguém.

Era esse o desabafo?! Somos velhos troncos ressequidos, por uma idade não contável, à beira de uma estrada, que não sabemos onde vai dar… uma estrada sem uso, esquecida. Abandonada com as suas próteses e maleitas, que afugentam os jovens, porque passamos a meter nojo… uma estrada solitária e abandonada.

Na verdade, não há marcos nem painéis, a referir a próxima localidade. Não há semáforos para controlo da velocidade e com as bermas tão mal estimadas e em alguns sítios com os capins a invadirem o asfalto, muito esburacado, parece uma estrada para o fim do mundo…

Mas onde fica o fim do mundo? Além, muito além no horizonte a perder de vista, sempre com esta serpentina negra em frente, conduzo. Estreita-se a serpentina negra frente à minha vista atenta, porque há mais buracos… e sinto-me num baile de máscaras no fim do mundo, onde tudo é preto, não faltando as serpentinas pretas, como aquela por onde vou conduzindo, rumo ao fim do mundo. Afinal para ir a um baile de máscaras…

Não quis nada. Não pedi nada. Dei.

Dei tudo: a liberdade, o amor, os bens materiais, a alegria - a vida. Mas apenas me deixaram a estrada estreita e esburacada, ladeada de árvores tão negras quanto eu e tão velhas que como eu, que para nada vão servir, a não ser para arderem um dia destes, se algum pirómano se sentir feliz a ver as labaredas consumindo estas velhas tontas, que imaginam que ainda têm direito a olhar o sol por entre alguns ramos que vão mantendo viçosos…

As curvas lá à frente são bem apertadas. Desta vez vou pôr o pé no acelerador. Vão ver como sou perita. Ainda tenho mão no volante. Conduzo com prazer. Mas desta vez vou mesmo acelerar, para morrer.


02.09.06

quarta-feira, agosto 30, 2006

VIDA E MORTE


A pequenez da palavra VIDA, talvez seja apenas para mostrar como a vida é mesmo pequena, podendo ser grande, mas curta. Ou longa e mesmo pequena…

Como somos insignificantes perante a MORTE! Mesmo não tendo muitas letras, é enorme!

Em cada dia constatamos, pelas situações mais diversas, que a vida é mesmo pequena… nunca sabemos o suficiente. Nunca fazemos o que queremos (os condicionalismos são monumentalmente grandes), nunca temos tempo para mais isto ou mais aquilo…

Contudo, vamos vivendo. Com imensas contrariedades! Cobiça-se o que se não tem. Engorda-se quando se queria ser magro. Ama-se quem não nos quer. Trabalha-se num ramo, para o qual não se sente a menor aptidão. Dá-se o que mal se consegue ter, encontra-se o que nem se procurou… e de dificuldade em dificuldade dizemos que vivemos…

E mesmo longa que a Vida seja, finge-se. Finge-se, possivelmente, para que a vida se esconda da Morte… Há quem esquecendo a pequenez da vida, se faz grande: Eles engravatam-se, usam formas sofisticadas de convencer, maneirismos adequados ao que querem alcançar. Disfarçam e interpretam o papel de homens gentis… mas, a verdade é que não têm coragem de enfrentar as suas limitações. Têm medo. Um medo terrificante que a vida se lhes acabe. Elas! Bem, elas falam do que apenas sabem superficialmente, como se fossem donas de toda a sabedoria… como se algumas vez se soubesse alguma coisa… pintam-se para esconder a idade, como se isso fosse uma condicionante para viverem, fazem de conta, para se infiltrarem em amizades que serão o tema de conversas posteriores, repletas de críticas e reticências… Muitos ses a apontar, esquecendo os seus próprios ses… A vaidade, o maldizer, o cinismo, caracterizam muito no feminino, mas para quê? Sendo tão pequena a Vida, merece a pena tudo isso?

Mas de Morte ninguém gosta de falar. Por ser grande? Por ser duradoira? Ou apenas porque se tem medo de morrer?! A morte vem associada, geralmente ao número de anos que se tem. No entanto, a idade de cada um de nós, verdadeiramente, é aquela que nos falta para chegarmos ao fim.

Vida e Morte – começo e fim. Flores, sonhos, amores, tudo o que afinal está ligado, quer à Vida, quer à Morte…

30.08.06

segunda-feira, agosto 28, 2006

PALAVREADO!


Não sei se me apetece escrever ou se apenas deixar que as palavras mudas, que se alinhavam na minha mente, escorram para o papel, que as vai captando e as irá conservar, como se se tratasse de uma simples acta, no final de uma reunião de trabalho…

Não sei mesmo se me apetece escrever sobre uma coisa qualquer, ou se irei falar do que mais me atormenta neste momento… eu, nós, tu… eu e tu ou nós, se apenas me exclua e fale de ti e só de ti… mas falar de ti implica falar de mim, porque tu és eu e eu sou tu e tu e eu somos nós… …

Eu em frente ao espelho sou eu, e eu e nós falamos e interagimos como dois seres que se completam sem se entenderem, que se aproximam e afastam, que embora se desentendam são cúmplices e acabam por estar de acordo.

De acordo?! Muito possivelmente não estaremos de acordo em um ponto. Fundamentalmente, num ponto: Tu!!! Ele que te preocupa, ele que te confunde e que não deixa que o ritmo do pensamento seja cadenciado como uma dança e que da valsa passa ao rock e à capoeira, depois passa pelo tango e entra pela marcha e vai do corridinho ao vira, com uma facilidade malabarista indizível, fazendo crer no que as palavras dizem, sem dizerem nada, sempre confundindo sentimentos com trocas, trocas com dependências, liberdade com irritabilidade, imposição, vingança e ódio, mas esquece o que é mais importante na vida de cada ser humano – o Amor!

O Amor! Esse que não se ganha, que não se compra, que não se acha, mas que desabrocha de uma amizade desinteressada e alicerçada na compreensão, na cedência, na solidariedade. O Amor que permite, que anula desentendimentos, que admira qualquer insignificante coisa, como se fosse o mais elaborado trabalho… O Amor que dá e nada recebe. O Amor que aconchega sem tapar. O Amor que acompanha sem aconselhar… O Amor que ama e com um sorriso e um beijo, ama mais e mais e sempre mais, para deixar uma etiqueta de felicidade, que só se tem se se der…

Gostava de algum dia poder mostrar que amar é compreender, é gostar mesmo muito… é abdicar: é apenas Amar!

E se algum dia pudesse pedir um desejo, gostaria de pedir que entendesses, que o que faço todos os dias, é mostrar que amo…

28.08.06

sábado, agosto 26, 2006

AO ESPELHO!



Sentei-me frente ao espelho.

Acho que ainda não me tinha olhado desta maneira, ou possivelmente pareceste-me outra pessoa. Não te reconheci. Em nada parecias a imagem que julgava ser a tua. Possivelmente apenas foste a imagem que eu imaginei. Apenas é nela que estás espelhada e não ele que tens debaixo dos teus olhos. Ele afinal está enamorado. E gostar de alguém que não nos ama… Que nojo! Odeio esta figura, odeio estes olhos, odeio esta voz… morreste!

Julgava estar enamorada da figura esbelta de olhar profundo, pensamento elevado, plena de conhecimento e sempre a querer saber mais e vejo-me prostrada frente a uns seios hirtos, um olhar vago e embaciado de lágrimas… Umas palavras simbólicas para fazer de conta.

Palavras que só são para fingir. Que são de circunstância, para angariar uma confiança que não é merecida. É a imagem do horrendo. Queria quebrar o espelho!

Vejo uns braços enrolados em outros braços dissimulados de jarros, lábios trementes e ansiosos em outros lábios, que o batom faz brilhar, para mostrar como brilham no desejo… e como não quero ver mais nada, apenas me vou levantar de frente do espelho e nem o vou estilhaçar, porque nem isso merece… e até pode servir para que possa ver-me mais tarde rindo, porque os palhaços são para nos fazer rir…

E assim se morre num sábado, que podia ser belo e cheio de alegria…

26.08.06

sexta-feira, agosto 25, 2006

HOJE!



Estavas tão perto! Tão depressa chegaste!

Que saudade tão grande enchia meu peito, que nem cabia o ar que respirava. Foi tão bom rever-te.

Há sentimentos intraduzíveis. Há emoções inenarráveis… há prazeres, que nem uma vida toda chega para mostrarmos o como os sentimos.

Está vento. Sopra de rajada e os eucaliptos em frente a esta minha janela dançam freneticamente, como que numa dança africana, ao som de muitas tarimbas… e eu só sinto um desejo. Um desejo tão imensamente grande, que nenhum aparelho existente poderia avaliar tal medida… o desejo de ser abraçada, com um daqueles abraços, em que me apertas bem junto do teu peito e me deixas sem forças para que um breve suspiro de deleite se esvaia pela minha boca… Como é bom que me abraces!

Há uma profunda amizade, um carinho tão delicado, uma ternura tão sublime, que daria a vida para que jamais em afastasse desse abraço…

Foi eloquente o momento tão breve que estive perto de ti… todo o aroma que envolvia todo o teu ser me anestesiou, deixando-me letárgica, em sonho… Apeteceu-me segredar-te quanto … não! Jamais uma flor compreenderia que sentimentos humanos se pudessem dedicar a plantas…

As luzes dos candeeiros da rua e as árvores dançando ao vento, deixam que sombras de múltiplas formas se enlacem, se alonguem e se percam entre outras sombras, mais as sombras do meu pensamento, que é um único: Tu!

O sibilar do vento, nas esquinas dos prédios do outro lado da rua, angustia-me e uma sensação de medo invade-me. E se tu?! Não! Não! Não poderia aceitar nunca. Seria o meu nunca pela última vez. Não posso aceitar que todo este vento vai secar as pétalas da minha flor, nem tão pouco quaisquer mãos assassinas a colherão, para que morra em uma jarra qualquer, a um canto sombrio de uma casa, com jarra aqui, jarra ali… como se fosse um museu…

Adoro-te minha flor!

24.08.06

quarta-feira, agosto 23, 2006

PAPÉIS


Fiquei aqui, só, com a música baixa, a mexer em papéis e mais papéis: antigos; muito antigos. Papéis onde apontei tantas palavras. Papéis que são horas da minha existência, que são notas do que não quis esquecer, poemas de esperança, de desespero de impaciência… e sempre, sempre de procura… uma procura incessante, como que quisesse encontrar um escrito teu, só para mim… e tanto que me escrevi!...

Entre os papéis que guardo como relíquias, encontrei cartas de amigos. Velhos amigos. Amigos que já partiram para a sua viagem ao infinito. Cartas de amigos que a distancia separou e perdi o contacto, mas não os esqueci. Amigos que escreveram banalidades. Amigos que me escreveram verdadeiras cartas de amor. Hoje compreendo que eram cartas de amor… cartas que falavam de si, das suas vidas, dos seus encantos e desencantos…

Reli uma das cartas que encontrei do Roberto Mártir, do Brasil. Muitas cartas trocámos e até bolos lhe enviei… éramos ambos fans do Club de John Gavin… e muito amigos. Contou-me que era primo do Roberto Carlos e que também tocava violão. Nunca cheguei a receber um disco seu.

Dos papéis mais recentes, voltei a reler uns escritos que imprimi de um dos Blogs de um amigo. Sempre escreveu coisas lindas. Escritos profundos e a fazerem pensar, que julgava que eram escritos para mim… e como me enganei. Enganamo-nos sempre. Quando nos sentimos profundamente desenganados, é tarde demais para se recuar…

Há onze dias que vou passando o tempo em função do toque do telefone portátil, por isso, vou aproveitando o tempo de espera para fazer arquivos e reler os meus papéis. Quando ele toca, a maior parte das vezes, nem posso dar a atenção que queria a quem me liga, porque invariavelmente, só me telefonam quando estou a fazer qualquer coisa que não posso interromper… mas fico feliz, só por saber que não estou esquecida. Contudo, às vezes toca o fixo e não é ninguém… apenas digo “estou sim…” e desligam…

23.08.06

terça-feira, agosto 22, 2006

LETRAS E PALAVRAS OU VICE-VERSA


Eu sou tu quando escrevo as minhas folhas soltas deste diário, que desde adolescente venho escrevendo, cheio de palavras dirigidas a mim própria, como uma anotação, para não esquecer o que pretendo que me fique como registo, para posterior análise ou apenas porque quero mais tarde recordar, como quem lê um livro de histórias da infância. Letras e palavras… Umas grandes, outras pequenas, outras cruzadas, outras juntas, formando emaranhados de linhas e linhas, como se fossem uma trepadeira de hera, subindo por um choupo acima, fazendo uma mata cerrada, que muitas vezes nem tem significado para quem possa ler, a não ser para mim, que leio e escrevo e escrevo e leio, sempre pronta a criticar isto ou aquilo, este ou aquele facto, porque me chamou mais a atenção ou porque não estou de acordo… sempre fui contestatária…

Hoje comecei a ler um novo livro. Novo porque o comprei no sábado passado; novo porque está nas bancas depois de traduzido, desde Janeiro… e novo porque ainda não tinha lido nada sobre este tema, exposto desta maneira. O romance de Eugenia Rico e traduzido por Miguel Serras Pereira, trata de uma viagem, entre o real e o fantástico, de uma mulher à procura da sua segunda oportunidade – A idade Secreta – que poderia ser a tua, a minha ou a de qualquer um que, sem ter sido pela razão desta personagem, está dentro do mesmo carrinho verde, estrada fora, em direcção a um horizonte perdido... Ela vai por aí em busca de si, de alguém, de nada, de viver… eu vou por aqui, por além, por nenhures… em busca de amor…

…pela leitura das primeiras linhas, senti que gostava de ser a personagem deste romance… bem! a verdade é que me senti na sua pele desde que folheei o livro, ainda na livraria…

Pensei, ou melhor, revi-me nesta travessia de uma imensa floresta, em busca do “velo de ouro” suspenso de um carvalho, no bosque sagrado da Cólquida e guardado por um dragão não menos sagrado…

Não quero hoje saber de notícias. Não quero ouvir da guerra, dos crimes, do preço do petróleo. Afinal tu também não estás com qualquer interesse nestes temas. Outros assuntos te preenchem. Não sou esquecida, para justificar que não sou esquecida, mas não tenho significado, porque nem sempre significa alguma coisa, as coisas que não esquecemos. Entretanto voltou o telefone a tocar. A “minha fantasma” gosta de me ouvir dizer “Estou sim!” … … … …


22.08.06

segunda-feira, agosto 21, 2006

CONSIDERAÇÕES OU REFLEXÕES SOBRE O “ACABAR”



Ainda soam no meu ouvido as palavras que disseste. Deixaram-me a pensar. Deixaram que pensamentos se chocassem e se cruzassem, como os que escrevi na página de ontem, quando analisava os pensamentos. Os meus pensamentos.

Não sei se são para me marginalizar, se para me confundir, se apenas para me deixar a gravitar numa orbita distante… se para acelerar a minha decisão de um dia destes também viajar sem destino. Assim, param de ser lidas as minhas palavras e nem tão pouco lerei as tais “bocas foleiras” de uma piton, que à força me quer engolir, como quem come um pastel de nata… ou uma torrada bem amanteigada, deixando em reticencias o que cobardemente não digere como as suas gulodices ….

Já mais de uma vez deixei que a minha opinião sobre o “acabar”, que é muito minha, fosse escutada por ti. Tenho uma opinião própria, porque não concebo que se viva sem se amar ou ser amado. Já disse muitas vezes, também, que amar é tão largo como o oceano e tem intensidades diferentes, como as rajadas de vento… contudo, estou plenamente de acordo, que não podemos exigir que nos amem, como amamos.

No Amor fraternal, há intensidades diferentes. Todos sabemos que, se num seio familiar houver mais do que um filho, por mais que se mostre amar todos de igual forma, há sempre um, para quem se encontra uma justificação, para se lhe demonstrar mais amor e carinho. Entre dois ou mais irmãos, passa-se o mesmo. Há sempre aquele que é mais camarada, aquele com quem se partilha mais, aquele que é o cúmplice de brincadeiras e dos segredinhos de adolescente. Em parceiros, um deles, ama mais, muito embora a outra parte tente mostrar que é quem mais ama. Não há explicação para isso, assim como também não existe o que determine quando e porquê se começa a gostar (amar) de alguém – os espanhóis dizem “te quiero” porque a palavra “amar”, é suposto ser muito forte... Os factores que para isso contribuem são inumeráveis e as condições que favorecem o momento de se começar a gostar são indizíveis, até porque algumas anulam outras e por esse motivo qualquer explicação tornar-se-ia absurda.

O suicídio, muito condenado, pode ser a única solução para pôr fim a qualquer situação insustentável. Se a parte psicológica não tem garantes de sobrevivência e se a auto-estima está em baixo, se só existem incertezas e inseguranças, se falham as bases essenciais no âmbito emocional, se não se vislumbra qualquer hipótese de se alcançar um primeiro degrau para que se seja feliz, é muito complicado sobreviver. Antes de se praticar o suicídio, já se morreu há muito… porque a doença já dominou, porque a miséria já subjugou, porque o amor já se fundiu entre ódios, raivas e desesperos… Como se pode fazer juízos de quem está num caldeirão de ácido, desfazendo-se em cada segundo? É ser-se humano o criticar alguém neste extremo? Não me parece. Creio sim, que a melhor forma é aceitar, já que não soubemos dar Amor a quem tanto necessitava dele na altura própria …

Deixei que todas estas palavras fossem a mostra do que penso, porque já tive amigos que se suicidaram, sem que tivesse tido tempo de lhes dizer, que como seres humanos, os amava…… Não falei uma única vez sobre sexo em todas estas linhas, porque, Amor nem sempre é sexo, ou melhor, Amor pode nada ter a ver com sexo.

Mas, já que aqui chego, poderia opinar que sexo, também é muito complexo, quando não visto pelo lado material. Mas como poderia chocar o que viesse a acrescentar, prefiro dedicar outra folha dos meus escritos ao assunto em causa.


20.08.06
PENSAMENTOS

Os pensamentos correm a uma velocidade incomensurável.

Cruzam-se os pensamentos e escorrem como uma cascata do alto de um penhasco. Tombam uns nos outros e misturam-se numa amálgama contorcida, deixando a mente como a terra queimada, depois de uma erupção ter varrido a encosta do cone do vulcão, deixando-a coberta de lava semi incandescente…

Abraçam-se os pensamentos e à distância fundem-se. Dois pensamentos num. Pensamentos de dois, num só … pensamentos que são o eco silencioso da voz do pensamento.

Pensamentos cheios de positividade. Pensamentos tristes – ausência e saudade!

Outros pensamentos devastadores – a guerra; gentes que morrem inocentemente; gentes que por não serem tão inocentes provocam a morte a outros… e outros que morrem inocentemente por causa de quem os não ama…

Pensamentos que traduzem incerteza; pensamentos de promovem a insegurança, pensamentos que abalam, que revoltam, que promovem o ódio: falta de Amor de uns para com os outros.

Pensamentos que agitam todo o ser e lhes deixam o amargor do abandono… pensamentos de destruição, a deixarem o travo de traição na pele de quem se sente preterido… trair não é trocar, é preterir, que é muito mais destruidor…

Quer queiras, quer não, todos os meus pensamentos estão dirigidos para os teus, num esforço titânico para que possa seguir a tua corrente de pensamentos e não ser nunca uma barreira à forma como pensas, ou como ages. Muito ao contrário, ser uma força invisível para que nada te destrua ou te faça oscilar no como és, uma vez que toda a beleza que te envolve está no ser como realmente és, mesmo que não proporcione felicidade a quem quer que aspire a partilhar contigo a cumplicidade que a liberdade dá à imaterialidade do nosso ser.

Os nossos pensamentos brincam juntos. Os nossos pensamentos divergem e voltam a unir-se numa constante fuga e aproximação, dormindo no chão, no tapete do corredor, na cadeira grande da sala… São pensamentos. Nada mais que pensamentos, cheios das ternuras que só em pensamento se sentem…


19.08.06

sexta-feira, agosto 11, 2006

ROSAS DO ADEUS


Tudo o que resta de tanto amor,
São estas rosas de saudade…
São minhas lágrimas de dor,
São lágrimas da minha verdade…

São estas, as rosas do adeus
Rosas da cor do amor…
Que gravadas nos olhos meus,
Apenas são saudade e dor…

Rosas, apenas rosas para me iludir.
Qual perfume doce e estonteante
Sempre pronto para me ferir,
Pela manhã, aquando a brisa de levante…

Adeus rosas do meu sonhar.
Ide em busca de outro jardim,
Procurem quem vos possa amar,
Mas longe, muito longe de mim…

Minhas rosas do adeus,
Rosas a quem quis tanto…
Foram minha fé num deus
Que só me deixou dor e pranto…


11.08.06

terça-feira, agosto 08, 2006

INCERTEZA


A incerteza é como um barulho ensurdecedor… é o ribombar de trovões… ou de canhões numa guerra multidimensional…
A incerteza reduz a capacidade de interagir, de raciocinar, do feed back essencial para manter acesa a chama do amor de amigo, do amor dos amantes, do amor fraternal, do amor de ser humano para ser humano…
A incerteza tira o apetite, aniquila a imaginação e extingue a compreensão.
A incerteza está dentro de mim como um vírus devastador.
A incerteza reduz a auto-estima e sem auto-estima apetece morrer…

08.08.06

segunda-feira, julho 31, 2006

FUI CONVERSAR


Gosto de ir ao campo. A paisagem verde deixa-me calma, sobretudo quando vou à procura de qualquer coisa que os aglomerados de cimento não me deixam ver. Também gosto do mar, ou não fora eu de um signo de água…

Mas a minha ida à Lezíria tinha como finalidade dar dois dedos de conversa. E encontrei mesmo quem precisava: uma Vaca.

A manada não era muito grande, mas uma salientou-se do grupo, quer fosse por curiosidade, quer fosse mesmo, para correr com a intrusa, que era eu….

Mal a cumprimentei, pareceu-me responder-me com um mummmm muito prolongado, mas que me deu azo a encetar a conversa a que me propusera, quando estacionei o carro à beira do imenso campo de pasto.

Amistosamente deixei que matasse a seu interesse e expliquei-lhe que não lhe iria fazer mal, mas queria perguntar-lhe o que pensava dos seus predadores homens. Já alguma vez lhe ocorrera que não passava de um mero objecto de valor económico e nutritivo do Homem?

Perguntei-lhe se sabia que a sua pele peluda servia para muitas coisas, sobretudo, para calçado…. E os cornos? Aí, fez um movimento de cabeça, como se se tivesse apercebido que pesavam mesmo… e expliquei-lhe que há cabos de facas, que são dessa sua parte nobre…

Perante alguns dos meus comentários a amiga Vaca pareceu indiferente, e petiscando a ervinha a seus pés, quase parecia me mandar passear…

A conversa estava a deixar-me cada vez mais empolgada, pois que para além das mordiscadelas na erva, ela apenas ia fazendo os seus mummmmmssssss, como se apenas dissesse “sim!”

Decidi ir mais fundo na conversa e perguntei-lhe se já havia comentado com as colegas, que os homens, para além de se alimentarem com a sua carne, o seu leite e usarem a sua pele e cornos, se entretinham pelos cafés, muitas vezes sem quaisquer outras finalidades que não a de comentar outros que aí entram, na política, a verem onde têm mais protagonismo, na banca, onde procuram usufruir de maiores lucros, na Internet, pescando aqui e além textos de outros e copiando, mostrando que são muito bons a mostrar o trabalho dos outros… e depois, sem muitas vezes saberem a fundo de determinados temas e atrevendo-se a falar de mentes poluídas, de poetas, de compositores… de coisas que infelizmente, apenas uma faixa muito estreita dos homens sabe, eventualmente, o que possa ser…

A minha interlocutora, parecia atónita. Deixou-me falar, atendeu a todas as minhas solicitações de atenção e daí a algum tempo, como que cansada de me escutar, deu meia volta, deixando no ar o seu característico mummmm, à laia de boa tarde e passe muito bem…

Não obtive muitas conclusões da minha conversa com aquela Vaca, mas pelo menos senti-me bem comigo, porque lhe deixei uns quantos alertas no que refere ao seu principal predador…


31.07.06

quarta-feira, julho 12, 2006

EXÉQUIAS!

Magda telefonou-me muito excitada, porque finalmente havia ultrapassado todas as barreiras que a impediam de realizar o que mais havia almejado desde 1978.

Pediu-me que a acompanhasse no dia onze, pois o funeral realizar-se-ia a meio da tarde.
Disse-lhe que era impossível, pois tinha agenda cheia e transferir sessões assim com tão pouco tempo, poderia retumbar numa confusão imensa.

Acabei por ceder. Afinal fazia o seu acompanhamento há mais de dez anos. Durante esse acompanhamento, houve mais do que três deslocações a Azóia. Era tempo de pormos as coisas nos seus devidos lugares e era sobretudo tempo para que Magda encetasse a nova vida com que tanto havia sonhado.

Magda esperou-me no parque de estacionamento. Deu-me o braço e caminhou a meu lado, muito séria e compenetrada.

Quando chegámos à porta do Cemitério, estavam em fila três carros funerários, tão carregados de rosas vermelhas, que me deixaram estupefacta.

“Todas, são os minutos em que nunca esqueci quem mais amei a vida toda…” disse baixinho ao meu ouvido.

Entretanto explicou-me que lá na Azóia o espaço havia sido solicitado e por esse motivo, quem reclamasse a ossada, poderia transladá-la para o lugar de preferência. Procedeu aos requisitos necessários e aqui estavam os restos do seu amado, para serem cremados, junto das rosas.

Eram mais de quatro mil rosas… e a fumaça branca que subiu em espiral para o céu, deixou um perfume a “Sky” a pairar no ar, que me fez chorar pela saudade que também tinha dentro de mim…

Creio que deixei ir a minha rosa junto com aquelas… Paz ao que não mais terá retorno!

Quando saímos, e por imposição do pessoal, porque iam fechar, fomos para casa de Magda, onde uma vez mais folheamos o álbum das fotos, que religiosamente continuava sobre a camilha da sala…

Espero que, finalmente, Magda seja feliz!

12.07.06

ESTA TARDE!


Lúcia (nome fictício) tinha a sessão marcada para as dezasseis horas, mas veio meia hora mais tarde.

Como sempre, muito bem cuidada. Como se diz actualmente, muito produzida. Ares de grande dama, num perfeito faz de conta, porque esta pessoa está a passar um momento de grande perturbação.

Com um casamento com mais de vinte anos e com um filho, que foi viver com os avós para a Suiça, por não querer estudar mais, vê-se diariamente confrontada com o seu papel de mulher fêmea, que a deixa insegura e com uma auto-estima muito baixa.

Lúcia veio para conversar, para ver se encontrava o fio da meada que estava emaranhada há tempo demais.

Apoiar uma pessoa que se refugia em químicos, para não se aperceber que para além de cozinhar as suas pizas, as saladas e limpar o pó, só serve para o marido se satisfazer fisicamente, pois que o senhor em questão, mais culto, vive para a sua profissão e para os seus negócios, que diz serem para manter os luxos da esposa, é extremamente difícil. Mas finalmente, Lúcia entende que toda a sua problemática vida, está contextualizada na sua vida em geral e a sua sensação de não servir para nada que a preencha, tem de ter um fim, pois começou a não aceitar a idade que tem, sentindo-se inútil e admitindo que o marido a vai pôr de parte, encontrando alguém mais jovem e com outros atributos.

Depois de ouvir Lúcia por meia hora, sem a interromper, sugeri que podia ocupar o seu tempo dedicando-se a aprender qualquer coisa que a satisfizesse, para aplicar esse conhecimento em um qualquer hobby, que a fizesse ultrapassar a sensação de vazio.

Sugeri que fizesse voluntariado com crianças ou com pessoas que necessitam de companhia, mesmo sem estarem doentes. Enfim, fui dando pistas, para que daí lhe surgissem ideias, mas sempre aquele olhar distante, como se procurasse algo num ponto indefinido de um espaço que não estava a ver.

Lúcia acabou por se despedir até à próxima semana, dizendo que tinha uma coisa para me contar, mas que para isso tinha de estruturar os mecanismos que a deixassem desinibida e a levassem a ser clara para não entrar em conflito com ela própria, como acontecia muitas vezes…

E…. foi o caso mais marcante desta tarde: há aqui uma velada violência conjugal!

11.07.06

terça-feira, julho 11, 2006

E foi assim que passei a saber o que atormentava a minha curiosidade…

Entrou pela porta de rompante. Puxou a cadeira e tossicou e abriu a boca desmedidamente, num bocejo deselegante, deixando ver uma dentadura descuidada, diria mesmo que tive nojo…

Decididamente, uma vez que veio até aqui, em que posso ajudar, foi tudo o que me ocorreu dizer…

Nada de especial, respondeu prontamente, acrescentando que já tomava mais de uma dúzia de comprimidos por dia, mas agora era demais, não estavam a fazer mais efeito…
Mas, tive de informar que não passo receitas e muito menos sou de opinião, que as pessoas se refugiem em drogas, para ultrapassarem as suas dificuldade psicológicas (as suas frustrações e todo um manancial de situações que só com inteligência podem ser ultrapassadas), não disse, pensei…

No meio desta catadupa de frases, perguntou-me pela pessoa X. Respondi-lhe que não sabia, pois não posso saber de todas as pessoas que são do relacionamento de tal personagem.

Depois de outras banalidades, à laia de confissão, volta a perguntar pela tal pessoa conhecida e se eu houvera lido os seus últimos escritos… no mínimo estranhos…. Mas como poderia eu saber? Nem conheço a pessoa em questão (?)…

Depois revelou que fora convidada para o enlace matrimonial do ex. Havia um bom relacionamento posterior à separação… que estranhas formas de vida… há um ex. um presente e desejos de um futuro… que revelações! Estou mesmo a atravessar a maior paixão da minha vida, dizia com olhos saindo das órbitas, como um bêbado que quer passar por meio de um candeeiro…

Mas não ficou por aqui a consulta. Porque vieram outras e outras frases que me deixaram atónita… e sempre a pergunta disparatada se eu tinha falado com a pessoa X, que não me explicou bem se era quem era, ou se não era mais do que o quem eu estava a supor…Mesmo já tendo ouvido dezenas e dezenas de pessoas, esta estava mesmo obcecada… Como é estranho tudo isto!

Enfim, depois de acalmar uma “paciente” tão complicada, tive de mentir, dizendo que tudo se ia recompor… nem ela sabe onde se meteu…. Mas enfim, enfim…enfim…

Era tarde e fechei a baiuca. Nada mais para mais ninguém… nem chamadas telefónicas.
Precisava de pôr a cabeça em lugar seguro, porque sempre há quem a tenha pior do que a minha….

Tive ganas de telefonar ao querido e desabafar. Há certas pessoas que nos procuram e nos deixam mais “doentes” do que elas estão na realidade… Mas não. Fiquei tão abalada com o que ouvi e observei que o mais que posso fazer, é não pensar mais no assunto.
Nem sempre as histórias têm um final feliz…..

11.07.06 – 02H30

sábado, julho 08, 2006

LIVRO EM BRANCO


Comprei um livro em branco,
Para escrever frases de amor,
Mas deixei-o sobre a mesa,
Esperando encontrar um rosto franco,
Com um sorriso e falador,
Para apagar a minha tristeza…


Folheei as folhas tão alvas
Onde decidi nada escrever.
A capa dizia Livro em branco
E as letras dum verde de malvas…
E tinha o livro e nada para dizer…
Porque não encontrei um rosto franco…


Guardei o meu livro e esperei
Numa espera de ansiedade
Deixando o meu livro inútil
E não escrevi, nem escreverei…
Porque só lá deixaria saudade,
Poesia; … tudo o que é fútil…


Podia escrever sobre a maldade,
Ou deixar a minha poesia
De escárnio e maldizer,
Mas isso seria perversidade,
Que mais ninguém entendia
E iam chamar de crueldade…


Porque poeta, é aquele que é cruel,
É o que diz sempre sem dizer
E dizendo, diz o que não sente…
Por isso lhes chamam amargos de fel,
Por isso lhes querem fazer crer
Que só vivem inutilmente…


No meu livro em branco só vou escrever,
Que detesto os ociosos,
Os presunçosos, os sem imaginação,
Porque criticam o meu escrever
E não passam de seres maliciosos,
Incoerentes, indecisos e sem coração…


E para me libertar da saudade,
Vou contigo ler o que não escrevi,
Vou deixar que me abraces forte.
Quero-te no meu livro como verdade,
Como toda a que senti,
Com toda a veracidade,
Antes da minha morte…


08.07.06
11H50
“In Hairdresser”

sexta-feira, julho 07, 2006

ERA PARA TI!

Este arquivo de poesia, que corresponde aos primeiros seis meses de 2006.

Dedico-o com todo o carinho a quem tem convivido mais comigo, nestes últimos tempos. Alguém que me conhecendo bem, teima em escarificar a ferida não cicatrizada da saudade…

Dedico-lhe também estas breves palavras, que não são senão um choro silencioso, por nem sempre ter compreendido que há muita perversidade em muitas das pessoas a quem pretendemos brindar com o nosso relacionamento e nos vão usando como meio de desfeitearem quem não gostam.

O Homem vive de recordações. Faz elos de ligação entre si e outros Homens. Aproxima uns, repudia outros; faz mal a muitos, mesmo que por vezes não tenha a percepção disso. Há os que vivem premeditando a maldade e por gestos, por diversas manifestações de agressividade, vivem tentando machucar o seu semelhante, para progredir e vencer, apenas para lhes ganhar a posição. Como que cada um não fosse um ser individual, no seu espaço, sem qualquer possibilidade de substituir ou ser substituído. Dividem os que os rodeiam com habilidade e impostura. Dividem para reinar.

Há quem procure em excertos de textos de verdadeiros autores, a forma de indirectamente agredir, mostrando o que pretende, ou está pretendendo fazer, apenas com o intuito de martirizar quem os possa ler.

Durante as últimas semanas de Junho, fui agredida verbalmente por diversas vezes, por quem não passa de ninguém, pela simples razão de querer tomar uma posição, que não tenho e que dificilmente terei, mas pelo contrário já a tem e há muito. Lamento! Esse tipo de pessoas, não merece ter essa designação, nem tão pouco de animal, porque afinal, os animais conseguem ser mais gregários que os Homens!

Quando era adolescente, li um livro muito interessante que se chamava “A Importância de se Chamar Ernesto”. Cabe muito bem a certas pessoas essa vestimenta…

Mas chega de batalhar sobre quem não merece sequer uma linha, porque até parece que estou a dar importância a um assunto que, só por si, não merece uma única palavra.

O que escrevi ao longo destes dois anos, quer prosa, quer poesia, foi-te dedicado, como disse, com todo o carinho que achei que merecias… até ao dia em que passaste a ter um “tu” de afinidades, apenas sociais, ou não, com quem me tem vindo a molestar das formas que são públicas – sabe-las bem, mas gostas dessa partilha, só porque reges o teu espaço narcisicamente, sem pensares nos que te rodeiam e que te têm sido dedicados!

Estou de acordo! Só não pactuo com banalidades.

sábado, julho 01, 2006

E VAI DAÍ


Quando me “licenciei”
E para isso estudei… estudei…
Fiquei cheia de vaidade.
Porque doutora, é verdade,
Tem saída em qualquer lado,
Até para arranjar um namorado…
Mas com tanta euforia,
Nunca passei da agonia,
Do simples faz de conta…
Embora seja uma afronta….

Umas farras, uns bailaricos,
Uns cigarros e uns copitos,
Então não é bem melhor?…

E doutora, “licenciada”,
Cresci sem fazer nada,
Porque era importante casar…
Fingir e poder armar
Em dama conhecedora,
Muito chique, muito doutora…
Dizendo sempre saber
Disto e daquilo, sem ser,
Realmente conhecedora,
Mas sempre com ares de doutora…

Umas frases empolgadas,
Umas vestes engomadas…
Mas com copitos, é melhor…

E de anos em anos a passar
Como doutora, sempre a reinar,
Sempre julgando ser a melhor,
Acabando no pior…
De manhã à noite enfrascada…
Dizendo que só bebia limonada…
Ficou-se pela bebedeira,
Rezando à padroeira,
Para mostrar e omitir,
O que já não podia fingir…

Sempre com falinha mansa
Com uns copitos na pança,
Hei-de levar a melhor…

Em constante insinuação,
Acho-me com frustração
E comecei a tratar-me…
E a tentar libertar-me
Duma grande enfermidade:
Stress e ansiedade…
E quando o sono não vinha,
Lá ia mais uma bebidazinha…
Até começar sério tratamento,
Com muita dor e sofrimento…

Cheia de medicamentos,
Ensonada em todos os momentos,
Tinha de ir em frente…

Passei então a navegar.
Cibernauta veio a calhar
E arranjei forma segura
De olvidar a secura
E saudade de beber
Que fazia, para esquecer…
Mas, há sempre um mas afinal…
Encontrei alguém igual
E comecei a conversar
Que só para mim eu quis guardar…

Sabia de informática,
Calculo e matemática.
Era a pessoa ideal!

E lancei a confusão
Por estar presa a uma paixão
Que já não era a bebida
Mas que vai deixar ferida
Uma idiota qualquer,
Que pensa que por ser mulher
Vai levar a melhor, ganhando,
A quem estou amando,
E vou arruinar-lhe a paciência
De mansinho, sem violência…

Desta maneira, dividir para reinar,
Aqui estou por lhe ganhar
Porque é burra, loira e sentimental…


histórias de entre nós
01.07.06
isabel