sexta-feira, junho 16, 2006

HISTORIAS QUE A VIDA NOS ENSINA



Uma simples pergunta que deu origem a um elo nas relações entre seres humanos. É verdade!

Agora sei que ela se chama Quelinha e ele, apenas Amor…

Os horários dos comboios sofreram alterações em consequência de ser feriado. Quelinha pediu-me para lhe explicar porquê não havia o comboio do costume. Acrescentou que estava ainda em convalescença de uma grave depressão e por essa razão se confundia e entrava em stress tão facilmente.

Percebi desde logo que tinha uma sede imensa de se abrir e falar. Precisava de alguém que aceitasse o que fazia e de como o fazia e o que a levava a fazê-lo.

Choramingou. Não deixei. Dei-lhe toda a força. Toda a que não sinto em mim, mas que de não sei bem donde, consegui fazê-la sorrir, quando a minha alma chora torrentes de lágrimas, que apenas se perdem no meu peito, porque não existem ombros solidários.

Tentei dar segurança e criar autoconfiança em Quelinha, que receava não ser capaz de acertar na estação onde haveria de sair.

Tocou o telefone dentro da mala dela e respondeu com um “Amor”, que estava acompanhada e apoiada. E assim foi, até a ter entregue nos braços do seu “Amor”.

Quelinha contou-me ser casada, mas que desde os trinta e dois anos, o marido, que sofrera um acidente vascular grave, derivado a um tumor cerebral e desde essa altura, apenas era um bebé. Passam entretanto trinta e três anos…

Depois contou que tipo de medicamentos toma diariamente, quem são os seus médicos e como conheceu a pessoa com quem se ia encontrar.

E o comboio chegou à estação para onde íamos. Descemos e de novo o telefone tocou. Disse-lhe onde estava e que eu a acompanhava. Ele chegou. Um homem já meio idoso, aliás, como Quelinha e muito bem parecido e tão gentil…

Formavam um par perfeito e lá seguiram, enquanto eu me afastava para seguir para onde ia.

O resto do dia decorreu sem incidentes e nunca deixei de pensar naquela mulher e naquele homem, que sem deixarem de respeitar os seus compromissos, partilhavam um carinho belo e ternurento, que lhes vai dando força para continuarem vivos e com coragem para enfrentarem os revezes das suas vidas.

Esta lição de vida permitiu-me ver com certa lucidez o que me preocupa muitas vezes, porque o preconceito de certas teorias acaba por atrofiar o que mais belo temos dentro de nós – o Amor!...

13.06.06

sábado, maio 27, 2006

(RE)LEITURAS

Leio e releio tudo o vou escrevendo, num constante recordar das etapas que vou tentando ultrapassar, no dia a dia que atravessa a minha existência…

Louvo os que pela lei da morte se vão libertando das agruras que a vida deixa, em sulcos profundos de dor, na imaterialidade de cada um de nós…

Louvo os que nem por um momento, deixaram tempo para um adeus! Corajosos!

Um desapossamento de sentires e vontades, deixa em quem parte, um vento de liberdade, uma partida sem rumo, como o pólen que esvoaça pelos campos e caminhos, no fim da tarde brumosa….

E para além dos escritos que repovoam as minhas mesas e os arquivos que guardo no computador, nada, mas mesmo nada existe… apenas vai restando uma vontade de não voltar a escrever, não voltar a pensar, não voltar a sonhar… Ninguém existe! Ninguém é nada! Então, que fazemos neste deserto, onde nem os lacraus resistem…

27.05.06

terça-feira, maio 16, 2006

RODOPIO DE PENSAMENTOS

A água corre com um jacto forte e intermitente, não muito quente e acaricia-me o corpo numa massagem revitalizadora e reconfortante, enquanto o pensamento vai deixando desenrolar uma corrente imensa de factos e imagens que me entorpeçam as vontades e exaltam o desejo do que jamais aceitaria.

Passo em filme continuado todas as imagens que guardo religiosamente na memória, bem como todas as páginas que me foste passando, com tudo o que foste escrevendo e que querias que eu lesse. Tudo, sem omitir uma única virgula vai escorrendo, tal como escorre a água pelo meu corpo, neste duche matinal…

Nomes! Nomes e mais nomes de muitos e muitas (aventuras fáceis), de gestos aparentemente ingénuos e desprovidos do que quer que fosse, que me fariam pressupor que a simpatia e afabilidade eram o único e real sentido de tudo isso… mas eu não era mais do que o veículo para anestesiar as mentes de todos os incautos, que te fossem lendo, por mera curiosidade…

A paixão por este ou aquele nome (porque foram nomes e não gentes), que te acariciaram, que te beijaram, que compraram o teu sentir e depois se diluíram num mar de recordações amargas que vais esgravatando nos escombros de uma imaginação doentia, repleta de figuras fantasmagóricas, a quem disseste amar e a quem teceste os mais enaltecedores elogios … tempos… e vingativamente, eis que surjo de um beco sombrio (triste e desiludida do mundo onde me movimentava), e pões-me aos pés uma montanha de sonhos… só sonhos!

A amálgama de quereres e não quereres, repovoam o teu sentir deambulante, aparentemente inseguro, para te permitir granjear atenções e paixões que depois aniquilas, como se fossem apenas bocejos depois de um desses fortuitos encontros de devaneio…

Rodei a torneira. Parou o jacto de água. Encerrei o pensamento e um toque de campainha fez-me acordar do que poderia ter sido um sono fora de horas… Um silêncio sepulcral seguiu-se. Enrolei-me no toalhão e fui ver quem batia a uma hora tão pouco convidativa de receber fosse quem fosse… Apenas publicidade! Ainda bem!!!


16.05.06

sexta-feira, abril 28, 2006

FOLHA SOLTA…


Não vou procurar mais palavras para ser agradável. Não vou, gentilmente, voltar a dizer que sim a tudo. Não, não e não, vai ser a expressão usada com mais frequência. Não gosto. Não me apetece. Não quero! Não. Vai ser tudo o que direi sempre que sempre… (Sabem lá as forças ocultas o que isso irá custar…)

Não será perdido mais tempo a saber do que gosto ou do que me fere ou magoa. Perda de tempo! (Há coisas que só a sensibilidade pode deixar que se sinta). Não haverá necessidade de procurar agradar, para ser agradável (ao fim ao cabo, o que é ser agradável, quando nada se significa para quem desejamos ser tão gentis?!). Não será necessário fingir, porque vai deixar de haver necessidade de o fazer. Não haverá necessidade de omitir, (sim, porque quer queiramos, quer não, a omissão é uma mentira mascarada…). Será escusado. Conscientemente, admita-se que não me interessa (não será bem assim, mas sofrerei só para mim) … que não haverá comprometimento com nada… mas a verdade (que quero impor) é só esta, não quero saber de mais nada!

Não tenho disposição. Não estou bem de saúde, não tenho tempo… vai finalmente saber-se o que é ser-se posto no lugar de onde nunca se deveria ter saído: a penumbra…

Não haverá segunda oportunidade. Cada um perde a sua. O mundo é assim! Não posso aceitar, nunca mais, ser a última oportunidade. Não quero nem imaginar, ouvir de novo, que a culpa é minha, se não se verifica a realidade do sentir (quando se sabe muito bem quais são as razões camufladas a agitar a causa próxima).

A falha não é minha! Quem não sabe conquistar, não pode levar o troféu da batalha…

Eu estou cansada de ser o espólio de todas as batalhas…

Não chorarei mais, contorcida, entre os lençóis, por voltar a ser o boneco de palha, que mesmo ateado o fogo não arde… não! Não aceito ser preterida a belo prazer. Não concebo a ideia de ter de pôr em tudo a compreensão, que só a educação pode trazer. A cobrança, a troca, a vingança, a injuria, são inadaptadas às minhas características. Dócil, amorosa, compreensiva, dedicada, mas nunca a coisa que se tira e põe conforme apetece ou não, conforme é ou não útil… se, se joga assim, eu fartei-me de ser o dado que jogado no pano verde, só pode mostrar a face mais valiosa.

Não às leituras transversais. Não ao imaginar que letras e letras, palavras e palavras são para mim, quando eu nem entro em nenhuma delas… Nada de comentar as políticas como politicamente correcto, porque à partida, tudo está errado… isto de ser o pires que apenas tem utilidade para não sujar a toalha… acabou!

Acabou muita coisa! Acabou o permitir usar e esquecer logo de seguida. Acabou o momento seguinte cheio de lágrimas e frustrações. Acabou o dizer que está tudo bem, quando tudo está mal! Acabou tudo! Tudo! Eu acabei neste momento!

23.04.06

sexta-feira, abril 21, 2006

AS ÁRVORES

... mesmo feridas, maltratadas, as árvores morrem de pé...

quarta-feira, abril 05, 2006

MINHA GATA!



Com esse olhar dedicado
cauda erguida e ondulada
e de miar muito mimado,
está a gata apaixonada....

À voz da dona dá um gemido
E pede colo com doçura
Num lamuriar tremido
Mas tão cheio de ternura.......

Dissimulada e às vezes falsa,
Felina independente, é certo
mas terna quando estou perto.


airosa, parece dançar uma valsa
sempre a ronronar tão docemente,
numa fidelidade que não mente....

10.02.005

sexta-feira, março 31, 2006

O DIA 22 DE MARÇO

Por um instante acinzentou-se o que via. Não vi nada. Melhor dizendo, lembrei teu nome e balbuciei-o, mas caí no escuro por longos segundos.

Quando se fez claridade na minha mente e visão, lá estava a enfermeira a distribuir, pelos tubos de ensaio, o sangue vermelho escuro que havia acabado de me sugar…

Sem qualquer alimento, apenas me comecei a lembrar de uma fofa torrada amanteigada… mas cheia de náusea, tinha de continuar em jejum, pois a TAC estava marcada para daí a duas horas…

Saí do laboratório e durante uma hora caminhei. S.O.S.! Estou mal! Rodopiavam os carros avenida acima, avenida abaixo. Os vermelhos dos semáforos pareciam pequenos diabinhos a fazerem fosquinhas. As sirenes das ambulâncias soavam-me a gritos esganiçados, numa acusação persistente, de uma culpa que não tenho: ser eu!

Apressei o passo quando passei por uma avenida onde está instalado um qualquer ministério e um dos dois policias à esquina, estava armado com qualquer coisa parecida a uma arma de guerra… e lembrei-me do sibilar das balas e o baque de um estalido estranho… lembrei-me de tanta coisa! Mulher coragem, hoje feita idiota, colhendo os frutos da árvore que nunca plantou… chorando uma saudade do que nunca aconteceu…

Já na sala de espera do centro de diagnósticos onde faria a TAC, veio o auxilio e logo de seguida ouvi chamarem pelo meu nome e lá fui, depois de assinar uma folha de papel onde não autorizava que me ministrassem um determinado medicamento injectável por causa das minhas alergias. Fizeram-me deitar numa maquineta para além de uma porta onde havia um aviso que dia “Radiações”. Estava feita…

Zum…zum… e depois já esta! Até me assustei (aliás como em mim é normal), quando me soltaram a cabeça, que havia sido amarrada, para não deslizar (ou para eu não fugir…).

Finalmente a tão apetecida torrada! Soube bem, embora comesse para satisfazer o estado de enfraquecimento e não por prazer. Aliás, como por necessidade.

Mais uma bica e aí irei de novo, caminhando até à hora do cumprimento da minha tarefa.

Não me apetece ir dar aulas, mas os meus seniores precisam de mim, forte e sorridente e a fornecer-lhes uma dose de auto-estima, que não tenho para mim…

Espero pelo final da tarde para carregar baterias, para os dias seguintes…

Às vezes nem se consegue ter a percepção de quanto é importante uma palavra terna, para nos ajudar a carregar os fardos que diariamente transportamos de um lado para outro… e há tanta gente com uma importância desmedida em relação a outros, sem que tenha sensibilidade para se aperceber disso…

22.03.06

sábado, março 04, 2006

MEDO

Perante uma situação de ameaça, quer seja real ou não, reage-se assim:

· Cérebro: as estruturas responsáveis por iniciar a reacção a estímulos amedrontadores são as amígdalas cerebrais, localizadas na região das têmporas. Estas enviam um sinal ao hipotálamo, região de controlo do metabolismo, para que seja intensificada a produção de adrenalina, noradrenalina e acetilcolina. Numa fracção de segundo, a descarga dessas substâncias causa alterações no funcionamento de diversas partes do corpo.

· Olhos: a química do medo faz com que as pupilas se dilatem, diminuindo a capacidade da pessoa reparar nos detalhes que a cercam, mas aumentando o poder de visão geral. Em tempos ancestrais, esse recurso permitia que o homem identificasse no escuro das cavernas um predador e as possíveis rotas de fuga.

· Coração e pulmões: o aumento do nível de adrenalina faz elevar os batimentos cardíacos. Uma maior irrigação sanguínea faz com que cérebro e músculos trabalhem mais intensamente, deixando a pessoa alerta e ágil. O facto do coração bater mais aceleradamente, exige maior oxigenação e ­daí, que a respiração se torne mais curta e ofegante.

· Estômago: muitas pessoas, em situações de medo, sentem dor na região estomacal devido ao aumento na produção de acetilcolina. A liberação em maior quantidade de sucos gástricos, faz acelerar a digestão e a transformação dos alimentos em energia.

quinta-feira, março 02, 2006

Nenhum Homem,

Nenhum Homem,
O nosso ele
(inspirado em “Love Poems” de Danielle Steel)


Ele era um homem
O homem
Que era (?)
O meu homem?
Todos sabiam
Que aquele homem…
O homem era meu (?)
Era o dele…
O homem
Que era
O seu homem
Que era meu (?)
E soube
Que ele pensou
o mesmo também…
Loucura
pensar que o homem
era nosso.
Nenhum homem
O nosso homem
O nosso homem
O seu homem
O meu homem…
E eu apenas desejo
Agora e depois
Saber quem é
a mulher (?) dele …


27.08.05

sábado, fevereiro 25, 2006

Repercussões Psíquicas Possíveis


“………
Todas as crianças que andam na Escola têm direito a serem alegres, terem amigos e a brincarem com os outros. Têm o direito a ter uma Professora que não grite com elas.
Todas as crianças têm direito a, pelo menos uma vez na vida, escolher um chocolate que lhes apeteça.
Todas as crianças têm direito a terem orgulho na sua existência.Todas as têm direito a pensar e a sentir como lhes manda o coração, até serem velhas, aí com uns 20 anos.
Pedro Strecht - CRESCER VAZIO - Repercussões Psíquicas do Abandono, Negligência e Maus Tratos em Crianças e Adolescentes “
… … … … … … … … … … … … … …

Passa que não passa os olhos por aqui e por ali e eis que dou com um excerto de um dos livros de Pedro Strecht - CRESCER VAZIO - Repercussões Psíquicas do Abandono, Negligência e Maus Tratos em Crianças e Adolescentes - e vai daí, veio-me à memória uma cena a que assisti há uns tempinhos e que me deixou abaixo de esterco….

Uma mamã muito “tia”, exercia uma agressividade, sobretudo no olhar e no tom com que pronunciava as palavras que proferia, que cortavam o coração a qualquer pedra, se as pedras tivessem coração…

Todo o aparato daquela violência era derivado à criança não ter tido uma nota mais elevada (embora com positiva), numa disciplina qualquer e para a qual, ela mamã, havia perdido um tempo infindo a tentar explicar…e vai daí, só referia o que dava à menina, que qual flor açoitada por forte ventania, se vergava ao peso das lágrimas vindas de uns olhitos já massacrados de tantas anteriores lágrimas…

Falei com a menina. Acalmei-a. Prometeu-me estar atenta a próximas sessões de estudo mas doeu-me quando me beijou, segredar que a mãe não gostava dela. Ainda tenho a dor, uma dor profunda, porque é injusto que se seja assim para uma criança… quando se tem tantas prosápias e se mostra “gente grande”…
24.02.06

domingo, fevereiro 19, 2006

RENDAS

A moda redescobre no século XIX o encanto da renda que passa a ser, mais do que nunca, um símbolo de uma elevada classe social, depois do declínio ligado a transtornos políticos e sociais dos finais do século XVIII.
(detalhe do retrato de Giuseppina Negori Pratti Morosini, realizado por Francesco Hayez em 1853)

RECORDANDO-O


Chamei impaciente a madrugada
e só o silêncio me respondeu.
Gritei mais alto, desesperada,
mas o meu grito se perdeu.


Perdida, chorei angustiada,
mas nem o choro me valeu.
Depois, já não havia nada:
Só a cinza do que ardeu...


Foi-se o sonho, minha ilusão,
Suspiros de ternura e emoção.
E aqueles encontros de fugida.



O frio da cinza é frustrante.
E saudosa é a época distante
Que fica na memória perdida,
19.02.06

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

SO SAD!

Comoveu-me, entristeceu-me e revoltou-me… senti tudo isto num simples pestanejar.
Comoveu-me, porque a existência de um amor tão belo toca em quem quer que esteja apaixonado;
Entristeceu-me, porque não ter um amor assim, é triste. Ser amado assim perdidamente… é sempre para os outros.
Revoltou-me, pois que amando alguém que estivesse em circunstâncias iguais, creio que deveria ser respeitado esse amor, muito embora morresse de desgosto de não poder ter pelo menos uma parcela de tão belo sentimento…

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

CANÇÃO TRISTE

Entre as ruas, caminho, ando, vou:
Passos incertos, pesados, lentos…
Pela minha sombra não sei quem sou,
Apenas sou a senhora dos desalentos…


Cruzo-me com gente, que nem me olhou
Enquanto que perdida em pensamentos,
Choro a saudade de quem não me chorou…
E sinto seus beijos levados pelos ventos…


Entre esta multidão sem nome, pela rua
Continuo a caminhar, procurando a Lua…
Sinto-me nas veredas de um cemitério…


E com um luar pálido que me acaricia,
Na rua, entre gentes, vivo a fantasia
Que comigo, vais partilhando o mistério…

09.02.06

domingo, fevereiro 05, 2006

DESABAFO!


Deixai que abram as portas
para a Morte passar.
Deixai-a entrar!
Que entre,
que me tome em seus braços,
me abrace e me leve...
Deixem abertas as portas
para eu com a Morte partir.
Saiamos!
Prefiro ir a ficar.
Troco o Mundo pelo nada:
A Morte!
Mas prefiro ir a ficar.
Deixai por aí a monte
esse “mundo” infame
de rebeldes, de capitalistas, infelizes...
e vou com a Morte...

À saída, uma chuva de
mimosas rosas brancas cairá,
E eu, de tules,
nos braços da Morte,
irei para não voltar...

segunda-feira, janeiro 30, 2006

AI MEU NETO!

...Resposta ao desafio proposto...


(Foto do TOZE)

Olho para este catraio e penso como fui um garoto como ele e como me transformei no que estou agora… velho, viúvo, cheio de rugas, sem ilusões e a tomar conta do meu neto…

Recordo-me da Rosa! Ai se a Margarida tivesse sabido… nunca me teria perdoado…

- Pois é Pedrinho! Ainda não entendes nada da vida. Para ti essa areia com que brincas é um mundo. É um ror de pensamentos, tantos como os grãos que te enchem as mãos… mas o avô… ai o avô foi um louco…

Estou para aqui a fazer rabiscos na areia enquanto entretenho o Pedrinho e à memória só me vêm pensamentos de outros tempos… dos meus quarenta e tais… e aquela Rosa… como era bom rolarmos na areia até nos enrolarmos um no outro, numa fúria desenfreada de sexo, na praia e ao luar…

- Isto, tu não ouviste, Pedrinho… o avô conta a história da conchinha dourada… Vamos procurar uma conchinha e o avô depois conta…

Como poderia contar a uma criancinha tão pequena e inocente os desvarios de um avô cheio de galanteria para as jovens que conhecia, nos seus anos quarenta e tais… e avó Margarida, poderias perguntar… e eu teria de dizer que nunca desconfiou de nada, porque era fria e não me acarinhava como tanto necessitava, depois de horas a fio naquele escritório, cheio de maquetas e projectos… e meu netinho, sempre a tratei como devia um verdadeiro cavalheiro tratar uma senhora… porque a tua avó Margarida, era a senhora que eu mais considerava, mas não como a esposa que eu gostaria de ter tido… e não voltei a casar, porque mais ninguém poderia substituir o seu lugar, até porque a Rosa dos meus amores, também partiu cedo demais…

- Vá Pedrinho! Não ponhas as mãos na cara. A areia pode ir para os teus olhinhos e faz dói-dói. Já encontras-te a conchinha?...

sábado, janeiro 28, 2006

DESPEDIDA


Dois passos em frente: Vou dizer que sim!
Ela chegou imponente, firme e decidida,
Como uma sentença implacável
Apenas vou dizer que sim
Porque é a sentença merecida
E o momento é inadiável…

“Sabes por acaso ao que vim?”
Respondi saber, em voz indefinida…
Sabia que era improrrogável…
Estava a chegar o meu fim…
A hora por mim decidida
A hora inabalável…

É já! Nada custa dizer sim…
Foi a forma preferida.
Esquecer o momento inigualável
Para partir de mim…
Sarando assim esta ferida,
Que se tornou irremediável…


28.01.06

sexta-feira, janeiro 27, 2006

PENSAMENTO !


Sou aquela que entre os poetas,
Vive mais só e mais triste.
Sou como todos os profetas,
que embora sendo, não existe...


Sou corpo, sem pernas, de muletas,
com os punhos fechados em riste,
cheia de pensamentos patetas,
e a quem amor nem pediste...


Serei ou não serei este ser
sempre longínqua e fria,
que vive sem viver para a poesia.


Poderei, ou talvez não ter
um desejo diferente desta sorte,
que não seja só o da Morte...

1993

sexta-feira, janeiro 20, 2006

CHÃO DE ROSAS


Num manto de rosas deitada,
Toda tristeza, só, sofrendo,
Passa o tempo sem mais nada,
Apenas só, a sonhar vai morrendo…


Pelas doces rosas apaixonada,
O seu perfume vai bebendo…
Porque com rosas, o tudo é nada,
E tão só, a sonhar vai morrendo…


Neste roseiral da imensa solidão,
Vai vagueando a triste ilusão,
Pensando que vais trazer alegria…


A espera vai sendo longa e triste,
Mesmo querendo, não sabe se resiste
A iludir-se com mais uma fantasia…


20.01.06

domingo, janeiro 08, 2006

PENSO EM TI


Não fecho os olhos. Fechados, só te vejo.
Não respiro. Teu cheiro invade o meu lugar.
Não te penso. Pensar-te enche-me de desejo.
Um desejo louco, de não deixar de te amar
Um sentido perdido por não te ter…
E sem querer, de tanto te amar, só sei sofrer…


08.01.06

terça-feira, janeiro 03, 2006

DESALENTO

Com a minha almofada, com a minha dor, com o meu choro e com a sua indiferença……..

sexta-feira, dezembro 30, 2005

A AMANTE


Precisamente às três e trinta da tarde aquela mulher atravessou o átrio imponente do Hotel Meridian e dirigiu-se ao balcão de reservas e perguntou se podia subir ao quatrocentos e cinco.

Depois de aguardar uns breves segundos, o “groom” veio com um ramo de três belas orquídeas brancas, importadas da Holanda e com um sorriso (pago), estendeu-as dizendo que eram para a senhora e que a acompanhava.

Abriu-se a porta, depois de um delicado toque com os nós dos dedos da mão enluvada do empregado do hotel e a dama entrou, com um sorriso de muito obrigada.

O quarto estava ornamentado com dezenas de rosas cor de mel, cujo odor se espalhava como se fosse uma perfumaria… parecia um sonho de fadas (se elas existissem…) e lentamente aquela mulher atravessou o quarto, pôs as orquídeas sobre uma “chaise longue” e tirou o casaco e pôs a mala sobre a cadeira de talha dourada ao canto, perto da janela. Passeou sobre uma alcatifa macia e admirou todos os ornamentos daquele quarto onde iria passar as horas seguintes.

Não se despiu. Não se sentou. Não disse uma palavra. Caminhou de um lado ao outro do quarto e olhou o relógio…e estava só!

Voltou a vestir o casaco. Pegou na mala. As orquídeas, deixou-as no meio da cama. Sorriu e partiu…

Pela terceira vez ele dissera que chegava de Estocolmo e que a queria ver…e não aparecia...

30.12.05

sábado, dezembro 24, 2005

INSÓLITOS DO QUOTIDIANO

Como a época exige, contactam-se amigos e parentes, num vai e vem de bons votos e mais umas quantas frases feitas, por vezes, sem que as sintamos muito bem.

Ora neste vai que não vai de chamadas, acabei de falar com uma amiga que por ter sido transferida para longe, não falávamos há mais de um ano… e vai daí, teve de pôr a escrita em dia: Contou-me da festa de beneficência onde esteve há umas semanas, para angariar fundos para uma qualquer instituição, da qual nem nunca ouvira falar…

Mas o insólito é o que lá aconteceu…

Já tarde na madrugada, subiu ao palco improvisado, um “belezas” “peludinho” e musculado, que leiloava um beijo a favor da tal instituição.

A minha amiga, benemérita, mas aqui para nós, muito carenciada, foi entrando no jogo, até que lhe calhou o que ela começou por chamar…a sorte grande…

Subiu ao palco e beijou arrebatadamente o “Zeus” em calções… (segundo ela, nunca havia sido assim beijada…)…

Terminada a “farsa”, salta de lá um “rechonchudo paquiderme” e vai de dizer umas “bocas” à minha amiga… (bem, era o namorado do “Zeus”)…

Ora dizia-me ela, quase chorosa, que depois de ter tentado ter coragem para beijar um homem…saiu-lhe na rifa aquilo… e pior, nem sabe como justificar no IRS, dois mil e quinhentos euros…sem recibo!

E assim vão os nossos dias… neste quotidiano mais ou menos monótono…

quinta-feira, dezembro 22, 2005

DESALENTADA


Sem mais forças para lutar
Sem lágrimas para chorar
Sem coragem para enfrentar
Sem alento para aceitar
Sem condições para perceber
Sem conseguir entender
Sem sequer querer ver
Apenas quero morrer…

22.12.05

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Árvore de Natal


Como todos sabemos, o uso da árvore de Natal tem origem pagã, este costume predomina nos países nórdicos e no mundo anglo-saxónico e a sua tradição tem raízes muito mais longínquas do que o próprio Natal.
Os romanos enfeitavam árvores em honra de Saturno, deus da agricultura, mais ou menos na mesma época em que hoje preparamos a Árvore de Natal. Os egípcios traziam galhos verdes de palmeiras para dentro de suas casa no dia mais curto do ano (que é em Dezembro), como símbolo de triunfo da vida sobre a morte. Nas culturas célticas, os druidas tinham o costume de decorar velhos carvalhos com maças douradas para festividades também celebradas na mesma época do ano.
Segundo a tradição, S. Bonifácio, no século VII, pregava na Turíngia (uma região da Alemanha) e usava o perfil triangular dos abetos com símbolo da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo). Assim, o carvalho, até então considerado como símbolo divino, foi substituído pelo triangular abeto.
Na Europa Central, no século XII, penduravam-se árvores com o ápice para baixo em resultado da mesma simbologia triangular da Santíssima Trindade.
Nos países católicos, como Portugal, a tradição da árvore de Natal foi surgindo pouco a pouco ao lado dos já tradicionais presépios.

quinta-feira, dezembro 01, 2005

“is”


Infinitamente só, a solidão vagueia.
Indiferente aos sons fortes e dominadores,
Impacienta-se pelo tempo onde se passeia,
Incapaz de reagir às correntes dos amores.


Iludindo-se, a solidão tece a sua teia,
Imaginando quem cairá nas suas dores,
Inconscientemente, sem querer, planeia,
Irracionalmente, prender os seus amores…


E vivendo por aqui e por além, a solidão
Sempre a esperar por uma nova ilusão,
Deixa que os tempos passem, desregrados…


E muito só, a solidão, em dias sem dias,
Deixa-se esvair entre as suas fantasias,
Chorando estar só, recordando seus amados…

16.11.06

segunda-feira, novembro 28, 2005

APENAS PARA TI!


Não queria ter ódio à tua pessoa,
Apenas sentir uma profunda indiferença,
Porque com ódio há algo que magoa:
Ainda perdura a profunda dor de presença…


Tudo o que seja ódio, raiva, ira, é doença
E jamais quereria perpetuar o que me doa,
Por sentir, sentindo sempre a tua indiferença
Se me tocas, mesmo sem a tua presença…


Não queria sentir o desejo do teu beijar
Nem tão pouco queria voltar a recordar
Este sofrer constante, por me ignorares…


Não queria partir assim, sem, mais amar
Nem tão pouco partir, sem te levar
Como único e mais real dos amores…

26.11.05

terça-feira, novembro 08, 2005

NU?


Na cama, em casa, na rua,
Despido de fantasias
Sois Homem, verdade nua e crua!

Crê Homem, que a tua fama
Tão pouco ficará abalada
Mesmo que não uses a cama,
Para seres pessoa falada…

Na cama, fazes amor
Que apenas pode ser desejo,
Ou puro acto de favor,
Ou puro acto de manejo…

Em casa, controlador,
Podes acabar indesejado:
Mero acto de terror,
Se não te fizeres amado.

Se não souberes ser amado,
Ninguém te fará feliz
Serás sempre um ser acabado,
Como o ditado o diz…

Na rua, qual estátua, toda nua,
Não passas de um desconhecido
Mesmo que muito presumido,
Digas ao mundo que sou tua…

O ID tem destas coisas estranhas,
Que sem mecanismos de defesa,
Causa fervor nas entranhas,
Mesmo a quem se veste de esperteza…

Se estás defendendo tua atracção
E pretendes ser respeitado,
Mesmo sem roupa, a fazer revolução,
Apenas serás sempre rejeitado…

08.11.05

domingo, outubro 30, 2005

ESTÁTUA






A beleza de uma estátua age, quase sempre, como um mecanismo para nos transportar a um sem fim de pensamentos.

Contudo, nunca nos podemos esquecer que o pensamento é, invariavelmente e associado a muitos outros factores, um caminho certo para pormos a funcionar a imaginação… agora pensem…

terça-feira, outubro 25, 2005

SOFRER DESGASTANTE!


Sinto com que despudor sou usada.
Sinto que apenas sou capa de ilusão;
Que escreves e finges, mas não sou nada…
Em ti, contigo, vive aquela outra paixão…


Sinto que a tristeza me invade pela calada;
Sofro por uma dor profunda, sem perdão,
Porque mesmo não querendo, estou apaixonada
Por um mito; por quem não é rei nem vilão…


E como se descesse uma longa escadaria,
Lentamente vou mais fundo, sempre em agonia,
Por sempre querer acreditar no que não existe…


E fingindo que as tuas mentiras são verdade
E que me olhas sem olhar, cheio de saudade,
Vou iludindo o que me resta desta vida, tão triste…


24.10.05

terça-feira, outubro 18, 2005

MENSAGEM!


A vida é um jogo audacioso,
Em que a palavra usada e trocada
Diz e não diz, em tom malicioso
E pode dizer tudo; pode dizer nada…


Acusas, elogias, criticas vaidoso,
Que jogo com a palavra falada…
Mas esqueces sempre que és insidioso
Quando jogas ao que sinto - “não é nada!”


E num vai e vem de muito palavreado,
Muito mais por escrito, do que falado,
Agitas-te se não uso as palavras que queres…


Sem jogos, crê, apenas te quero dizer
Que uso todas as palavras, para te ver
Mesmo que partas ou se nunca mais vires…

17.10.05
in Cup&Cino
10H00

terça-feira, outubro 11, 2005

P. D. N. A.


Parti em busca de uma ilusão,
Andei só, por caminhos solitários.
Ri das tristezas que senti, em vão.
Tive sonhos banais e ordinários…


Dominei desejos, talvez sem perdão
Ou talvez não passassem de imaginários
Rasgos, de uma profunda reflexão;
Enterrei em cinzas, os meus fadários…


Naveguei por mares profundos, à vela,
Onde sempre resplandeceu a flor mais bela,
Vigiando sempre o meu profundo amor…


Almejei estar, querido, em teus braços,
Dominada pelos teus eternos abraços,
Onde, jamais sentisse tanta dor!...

quarta-feira, outubro 05, 2005

O QUE ME DESTRÓI



Sou uma carta do baralho da tua existência
Insignificante brisa que sopra sem sentires…
Excluis-me como lixo em cada ausência.
Tudo serve de pretexto para me preterires…

Não comentas o que lês, para não mentires…
Abominas sentimentos com muita pertinência,
Para me esconderes todos os teus sentires,
Que têm outros ritmos, outra cadência…

Deito meus olhos no leito do rio corrente
Para esquecer como minha alma é impotente
Para transformar, como Isabel, rosas em pão

Estendo meu olhar pelo monte ressequido,
Tentando esquecer quem me é tão querido…
Tentando até, esquecer esta doce paixão…


05.10.05

sábado, outubro 01, 2005

ESTOU RETRATADA

Estou retratada!
Foi demonstrado,
Com toda a clareza,
Que nos bastidores,
Sem estar mascarada
Também sou gente
E finjo não estar deprimida
E às vezes,
Com singeleza,
Abro de par em par o coração
E mostro que sou diferente:
Sou toda sonho,
Sem ambição;
Sou toda doçura,
Sem maldição…
Sou gente!

E porque sou gente
Choro com emoção,
Reclamo, grito, revolto-me
E vou em frente…

Estou retratada!
E como foi escrito
E demonstrado,
Estou sempre do lado oposto
E como veredicto,
Estou condenada
A não esconder nada…

Estou retratada!
Para dizer a verdade,
Não esconder mais a realidade
E reconhecer
Que estou só,
Caminho só,
Sonho só
E para vencer,
Sem lutar,
Só resta reconhecer
Que estou retratada!...
Devo submeter-me
E obedecer…
Tenho de cumprir
E sem reclamar,
A sorrir,
Que apenas me resta
Aceitar
Que estou retratada!... …

terça-feira, setembro 27, 2005

SOPRO DE VENTO


A aragem leva-me o pensamento
Para além do Sol-posto, tão só…
Até parece uma pena ao vento,
Ou apenas uma partícula de pó…


Penso sempre no mesmo momento:
As notas da tua música, em dó…
Com o que fazes, com sentimento
Aquele que me exclui e deixa só…


Deixo então o pensamento voar,
Silenciando o que me faz chorar
Por ter imaginado ser quem não sou…


Nem mostrando todo o meu amar,
Fui importante ou nem quis acreditar,
Que nos teus braços não fui nem vou…


06.09.05
Figueira da Foz

terça-feira, setembro 20, 2005

PRAZERES SIMPLES MAS DOLOROSOS


Adoro caminhar a teu lado
Adoro ouvir-te falar…
Adoro tudo o que escreves
Adoro que sejas meu amado
Adoro sentir-te pulsar
Adoro todos os momentos, mesmo breves…

Mas sofro por toda a ilusão
Mas resigno-me por não me quereres
Mas anseio por uma mudança…
Mas tento ser, sem ter teu coração…
Mas eu sou eu, quando vieres…
Mas, mesmo sem esperança…

Se algum dia me desejares,
Se algum dia não for mais do que um não
Se uma vez apenas disseres que me amas,
Se o que queres for um talvez não …
Se por me que reres, me chamas...
Se o teu querer não for só vingança…

Porque querer-te, para mim foi fatal
Porque desejar ter-te foi um sonho sofrido
Porque dizer adeus é muito penoso
Porque jamais vou ser igual…
Porque me foste muito querido…
Porque amar-te foi doloroso…

16.09.05 - Almograve

domingo, setembro 11, 2005

TU E EU!


Amanhã.
Amanhã vou ver-te.
Amanhã.
Amanhã, cuidar-me-ei
para resplandecer ao olhar-te.
Amanhã.
Amanhã vou pôr um sorriso nos lábios
para irradiar felicidade
e deixar-te cheio de saudade.
Amanhã,
Amanhã vou cantarolar
para não sentir a distância.
Amanhã,
Amanhã vou beijar-te
porque com um beijo quero apagar
toda a revolta, tristeza e ânsia:
Apenas quero amar!
Amanhã,
Amanhã vou escrever-te.
Quero-o fazer, para não esquecer.
Amanhã,
Amanhã, de olhos brilhantes
Vou declarar ao Mundo que sois cruéis,
num discurso de ódio e dor gritantes...
Amanhã,
Amanhã vou deixar-te.
Partir, para voltar.
Amanhã,
Amanhã, de corpo frio
com a solidão a reinar,
vou sentir um arrepio...
Amanhã,
Amanhã vou chorar
porque existe a distância
e não te posso amar...
Amanhã,
Amanhã será amanhã,
Mais uma aurora vã
Com a tua ausência...

quinta-feira, agosto 25, 2005

A ARTE DE SONHAR SER


Poucos sabem que o sonho
Está sempre presente na vida
Que é concreta e definida
Como uma árvore qualquer
Ou este vaso de barro
Por onde meus avós beberam,
Como o Mar onde eles navegaram
Entre serenos ou terríficos sobressaltos,
Como os choupos tão altos
Que com o vento se agitam
Como nossas mentes gritam
Em “pielas” de ciúme...


Poucos sabem que o sonho
É álcool, é espuma, é veneno
Por vezes agressivo e pequeno.
É bicho de focinho pontiagudo
Espicaçando todos e tudo
Num constante movimento.


Poucos sabem que o sonho
É um pincel, muitas cores e tela,
Um pedestal com uma mulher bela.
É um jardim florido
Pintado de verde garrido
E até melodiosa sinfonia
Enchendo todos de magia.
É vento que sopra do norte

gritando por aquela morte
que não se pára de recordar
mesmo sem nela se falar.


No mapa da imaginação
há rios de amor e paixão
há barcos e aviões,
destroços de corações.
Há esperanças sem fim
dos dias “sim”
em que o dinheiro combina
com poder, com ordem e menina
e os cones de vento
indicam a direcção do pensamento
e a esperança traz afazeres
e estes dão os prazeres
que num ai se vão
como uma noite de luar.


Poucos sabem e pensam
que a sonhar se vai vivendo
e sempre que sonham
o Mundo sofre mutações imensas
como um arco-íris colorido
entrelaçado nas nuvens cinzentas...

quinta-feira, agosto 18, 2005

SADNESS IS POISON!


The box was plenty of tablets. I looked at it and the only wish was to take all of them. Only one thought – to disappear for ever! (as too many had already done)…

Nevertheless, to take the poison would mean to cut the possibility to go on, I could not give up! I was not inside a deep hole.

What is friendship? Who knows its real meaning? How can people use the word to generate unhappiness? Or to suppose that is creating it? How can people use their good times to show the inferiority of the others?

And I looked at the box again, but I’m strong enough to think that should be a mistake. The best thing we have is to be alive ……

12.08.05

Post script – There are some moments during our lives that to die seems to be the solution for the whole sadness we are feeling, but to die is not really a solution and looking around we refill our loneliness reminding our friends, lovers, pets already died, and we decide that life is precious and the best way to celebrate them, it is to go on and never give up.

I suppose, I gave the explanation to my previous script and the picture was only operating as a “pay attention”, so, I decided to use another photo.

18.08.05

quarta-feira, agosto 10, 2005

O SONHO DO JARDIM



Juntou-se um dia a sardinheira à rosa
Para adornar meu jardim encantado
Ajeitámos canteiros de ternura, em prosa
Declamámos versos em tom apaixonado.

A sardinheira, beijou docemente a rosa
Com ares de gente muito enamorada
Entregou-se a rosa, sem espinhos, amorosa
Ao seu sonho querido e mais amado…

Rosa e sardinheira vão ficar eternamente,
Duas flores enlaçadas, apaixonadamente,
Num baile de perfumes e de muito amor

Açoitadas pelo frio vento de Inverno,
Esquecerão mágoas, com sorriso terno,
Porque só ama, quem do outro sente a dor…

1989,Jan.

quarta-feira, julho 20, 2005

VARIAÇÕES

Raiou pela manhã o Sol brilhante,
Os pássaros cantaram de alegria
Teu chamar foi seguro e vibrante:
Eu acordei de novo para a fantasia…


Deixei que o meu olhar cintilante
Voltasse de novo a ser poesia,
Mas aquela tristeza acutilante
Voltou, como nuvem de magia…


A incerteza toldou meu pensamento
A dúvida, de novo, foi meu tormento…
E insegura, procuro-te em vão…


Escondido do Sol, caminhando à toa,
Olhando a colorida borboleta que voa
Anda meu sonho em fascinação…



20.07.05

sexta-feira, julho 15, 2005

HORAS DE DESASSOSSEGO

Sei que nas horas de ansiedade,
Pela calada da noite escura,
Vais ler o que escrevo com ternura,
Para saberes a minha verdade…


Sei que nas horas de ansiedade,
Angustiado e cheio de secura,
Bebes ávido, as palavras de doçura
Que aprendi a escrever na saudade …


Saudades que tive e que vão voltar,
Porque nem tu me sabes amar,
Mesmo apenas com amor de amigo…


Sei que querendo, vou te esquecer,
Com esforço, mesmo antes de morrer,
Qualquer momento passado contigo.



15.07.05

domingo, julho 03, 2005

À MESA

Escrevendo palavras soltas, inspiradas,
Observando olhares e rostos sem cor,
Admirando silhuetas que só são fachadas,
Em tudo tentas esconder toda a tua dor…


Comendo, bebendo, entre duas olhadas,
Apenas para sobreviveres com sabor,
Vais modelando as palavras, encaminhadas,
Para esconderes de ti próprio o Amor…


Num jogo vago, contínuo e sem jeito
Vais escrevendo no teu próprio peito
Tudo o que à força queres esconder…


Jogas forte em muitas emoções inúteis,
Até finges, amedrontado, gestos fúteis,
E apenas queres confundir o teu ser…

03.07.05

sexta-feira, julho 01, 2005

NOITE!

Que a noite seja noite eternamente,
Que brilhe a lua vibrante de beleza
E que meu querer seja puro e veemente
Repleto de sonhos e sem tristeza…

Que cada estrela brilhe intensamente,
Trazendo alegrias, cheias de pureza.
Que cantem louvores incessantemente…
Para emudecer toda esta incerteza…

Que a noite seja a de todos amores
Libertos de velhos ódios e dores
Que seja enfim uma noite de glória…

Que seja a noite bela e promissora
Que seja delicada e encantadora
Para ser uma noite de vitória…
01.07.05

quinta-feira, junho 30, 2005

ÚLTIMO ADEUS

Velei-te toda a noite, desesperada.
Toda fui desgosto, cheia de dor
Foste nos braços dum vento acolhedor.
Nem houve coragem para dizer “nada”…

Apenas foste como uma rosa desfolhada,
Açoitada pelo vento, perdeste a cor
Desfolhada pelo tempo, só e sem amor…
Apenas foste tempo… mais nada…


Velei-te toda a noite só e angustiada
Deixei-me numa tormenta velada
Para sentir este meu luto inextinguível


Velei-te toda a noite com saudade
Perdoando, se fora essa a tua felicidade
E eu ficar para sempre neste luto perdurável…




30.06.05

segunda-feira, junho 20, 2005

DESABAFO

Deixei-me envolver pela madrugada
Numa feliz tristeza sem explicação…
Feita vagabunda, caminhei desamparada
Muito só, para não merecer compaixão…


Escondida no roseiral, chorei desesperada.
Tentei esquecer toda a minha ilusão,
Solucei desgostosa, alma só, desabrigada…
Procurei em vão dentro de mim a solução…


Quando vieste, foi tarde, já pouco havia.
Trazias alegria de um qualquer vencedor.
Contaste os sucessos, esqueceste o amor…


Deste um golpe fatal na dor que sentia,
Destruíste o que restava da minha ilusão,
Apenas ignoraste quem vivia com paixão……



19.06.05

quinta-feira, junho 16, 2005

UMA ROSA A FLORIR…

Casualmente, no interior de uma noite fria,
Aconchegada na ternura de um abraço,
Deixo tomar corpo a minha fantasia,
E no cosmos uma estrela deixa um traço…


E por breves momentos, um hino de alegria,
Com as tuas mãos macias em meu regaço
Suspirando e num misto de prazer e agonia
Sinto-te. Sou tua, dentro do meu espaço…


Deixa-me dormente este sentimento tão belo
E mesmo aquando do beijo mais singelo,
Eu deixo o meu corpo vibrar, entontecida…


E não querendo, quero sempre sentir,
Dentro de mim, uma doce rosa a florir,
Cada vez mais e só por ti, enternecida… …


15.06.05

quarta-feira, junho 15, 2005

YESTERDAY

Yesterday! Yesterday!
Oh, my love! Yesterday…
Yesterday, something wrong
In my life, I don’t say…
It was the beautiful song
Oh my love, yesterday…
Yesterday!
You were a sweet love
In my long day…
Yesterday, yesterday
The brightest night
Showed me the bright
Of the feelings
And the whole dreams were light…
Yesterday
Oh! Yesterday
Yesterday, yesterday
More than a show
More than everything
Yesterday! Yesterday
Yesterday…
It was only an only day…



14.06.05

sábado, junho 11, 2005

WHAT I SHOULD LIKE TO BE!

I should be a fly
To dance all night
And to land on your hands
To kiss them.

I should be a butterfly
To please your eyes
And in winter
I would become
A soft cocoon
With my dreams inside…

I should be a fairy
And with my magical powers
I would make you
What I have ever dreamt… …



11.06.05

IF POEM

If I were a book
I would be the most beautiful romance.

If I were a manual
I would be the most useful one.

If I were a song
I would be the most romantic music.

If I were a bird
I would sing sweet songs.

If I were a plant
I would show the most colourful flowers.

If I were a Man
I would deliver Love for all hearts

But

If I were God
I would put within their hearts LOVE!

11.06.05

PORQUÊS?

Sem respostas…


Porquê fica impune o Amor
Que castiga,
Que causa dor,
Que mente,
Que deixa o vazio
E mata sem pudor?!

Porquê se perdoa o Amor
Que engana,
Que joga,
Que não sente
E deixa desprezo e dor?!

Porquê se pergunta em vão,
Sem resposta,
Sem explicação,
Sem comentários
E com tristeza e desilusão!

Porquê se fica humilhado
À deriva, sem vida,
Morrendo de desgosto,
Com toda a esperança perdida…
Mas sempre apaixonado….

Porquê que é tão forte o Amor?
Só porque é o suserano dos sentimentos?
Só porque chefia toda a Humanidade?
Só porque conduz as nossas emoções?
E do seu trono, só dá momentos?!

Porquê tem de existir o Amor?
Porquê lhe prestamos vassalagem?
Porquê teimamos na dor,
Caminhando numa eterna viagem…
Procurando-lhe o sabor? ……

11.06.05

quinta-feira, junho 09, 2005

QUADRADO PERFEITO

Quadrado perfeito: ângulos e lados iguais
Eis a imagem que tenho para este amor
Que transcende esses ternos beijos estivais
E que têm da Aurora Boreal o esplendor…


Os ângulos são perfeitos, sentimentais,
Encaixando no teu carinho sedutor…
A pele macia ao tocar-me: são vendavais
E eis-me no centro do quadrado do amor…


E vindes sempre mais doce, apaixonado
Trazendo os ângulos do perfeito ser amado
Com terno olhar e palavras de encantar…


E contigo no centro de todos os lados,
Sinto que somos dois eternos apaixonados:
Um quadrado perfeito para te amar…


08.06.05

segunda-feira, junho 06, 2005

A MINHA DOR

A minha dor é como um vendaval
Rodopia, arrasta tudo. Devastadora…
A minha dor é como as dores em funeral
Chora, chora…é uma dor demolidora…


O vento a ulular é uma orquestra colossal
Ruidosa, turbulenta, agreste e arrasadora
E a minha dor, é uma dor sem igual
Profunda como uma caverna, avassaladora…


Nesta profunda dor onde vivo e moro,
Em uníssono com o vento, grito e choro.
Espero em vão, um afago de alguém…


A minha dor é como um vendaval: A dor!
Abandonada, em solidão, triste e sem amor…
Sempre esperando, em vão… não vê ninguém…







06.06.05

sábado, junho 04, 2005

SARDINHEIRAS NÃO DÃO ROSAS

Deixa escrever-te um último verso de amor
E deixa pela minha mente passar a ilusão
Que continuo feliz, resplandecente como a flor
Embalada pelo amor da minha imaginação…


Não estou abandonada, crê-me por favor,
Apenas me debato entre o “eu” e a reflexão
E entre as minhas lutas tento abafar a dor
Com muito ódio, muitos medos e paixão…


Não quero mais fins de tarde dolorosas,
Porque sardinheiras não dão rosas:
Só em filosóficos mitos me fizeste acreditar!


Queima toda a papelada e a minha poesia
Que não foi mais do que quimera e fantasia
E depois sopra ao vento a cinza que sobrar…


04.06.05

quinta-feira, junho 02, 2005

COM RIGOR!

Calibrei todos os meus sentidos.
Inspeccionei os meus pensamentos
E vi que ambos estavam perdidos:
São o que resta dos meus sentimentos…


Pesei rigorosamente as dores sofridas
Medi milimétricamente os momentos
E entre todas as cores já esbatidas,
Vejo-me no cinzento dos tormentos…


Olhei-me triste, de dentro para fora
Colhendo as lágrimas de quem só chora
E em vão procurei e não vi ninguém…


Esperei sem tempo o que tanto demora
Idealizei ser, sem ser quem te adora
E apenas o mesmo silêncio do além…


02.06.05

quarta-feira, junho 01, 2005

EMOTIVIDADE!

Perdi-me no labirinto das emoções.
A vaga certeza perdeu-se no abismo
E as ideias sobre amor foram ilusões…
Mesmo com palavra, vontade ou sofismo


Uma balbúrdia infernal de comoções,
Uma panóplia de mero equilibrismo
Uma guerra metabólica de sensações
E tu e só tu, dentro do teu silogismo…


Perdida, abandonei meu ser sem vida
Longe de olhares, da discórdia renhida…
Passei de ser ao não ser ninguém…


Perdida, indesejada, fiquei consumida
E sem sentido, nem a tua voz querida,
Será outra voz igual à voz do além…


01.06.05

terça-feira, maio 31, 2005

AS TUAS MENSAGENS

Todo o meu ser vibrou descompassado
Por breves e simples palavras balbuciadas.
Tomei-as como o sonho mais amado:
Apenas foram palavras… repetidas, viciadas…


A mensagem, nessas palavras mascaradas,
que dizias profundas, cheias de significado,
não passaram de palavras envenenadas…
para deixar meu ser, no ódio crucificado…


Apenas enganadoras, ditas só por dizer,
nunca me foram dedicadas, como fazias crer
As palavras de todas as tuas mensagens…


Todo o meu ser viveu em função de alegorias
Nas palavras que embora ditas, não dizias…
Foram palavras dirigidas a outras paragens...

31.05.05

segunda-feira, maio 30, 2005

ADEUS

Deixei de pensar: Morri. Deixei de viver.
Deixei que a catástrofe me dominasse…
Escondi-me cobardemente para não te ver.
Preferi deixar que a morte me aconchegasse…


Deixei-me triste e muitas lágrimas a correr.
Deixei de amar. Preferi que o ódio vivesse.
Fechei portas e janelas para não voltar a ver
Deixei-me na noite, sem que a Lua me olhasse


Deixei que outros te dessem meus carinhos
Deixei-me só, numa profunda agonia
E só irei, percorrendo meus caminhos…


Deixei meus sonhos em franca monotonia
Esqueci todo o ror de abraços e beijinhos
Que mais não foram que sonhos de fantasia…

30.05.05

terça-feira, maio 24, 2005

CONFESSO!

Na catedral do silêncio estou solitária,
Confesso silenciosamente o que queria gritar.
Expectante, fico presa a uma loucura imaginária.
Minha alma vagueante, vai continuar a procurar…


Para ti, meu sonho, minha imagem lendária,
Por quem vivo apaixonada, só de te olhar…
Não teria sons nem dizeres de ordem vária
Para compor uma bela ode para te cantar….


Neste silêncio sepulcral fico a morrer
Neste silêncio imposto, sem tempo de dizer
Aqui ficarei de olhar perdido no esquecimento…


Neste profundo silêncio, sem coragem de falar
Sem proclamar o quanto te estou a amar
Apenas te guardo, religiosamente, em pensamento….



24.05.05

O QUE VAI DENTRO DE MIM!

Tanto chora esta alma triste
Tão só, louca, apaixonada…
Alma que não sabe se resiste
Vivendo sem viver, só e isolada…


Porquê esta tristeza persiste
Entre choros, suspiros, enganada
E a esta verdade não resiste
E vai morrendo… morrendo sem nada…


Na gruta do silêncio, grito sem jeito
Porque morro sem te tirar do peito
E assim, quero e só quero morrer…


E cada vez mais e mais perdida
Sinto a angústia de ser preterida
E de tanto te amar e de não te ter…

24.05.05
in Miratejo Café

domingo, maio 22, 2005

MOMENTOS FUNEBRES!

A agonia prolongou-se noite fora!
Um vai que não vai, única partida…
No quarto, na rua, toda a gente chora…
Foi uma ilusão. Foi uma dor tão sofrida…


Quem vai repetir, dia a dia que te adora?
Quem vai manter-te, amiga, iludida?
Escolheste o dia, o mês, falhaste a hora!
Ficaste só? Tão só e triste e tão perdida…


E este tempo, intemporal, consumido
É ilusório, irreverente, deixou tristeza…
Mesmo nesse sorriso vago, muito assumido….


Melodias fúnebres. Indescritível ruído!
A palidez desse corpo inerte, que beleza…
É o que resta de tudo o que foi sofrido…



22.05.05

sábado, maio 21, 2005

PAISAGEM DE ANSIEDADE!

Uma dor! Uma dor profunda no peito,
Uma torrente de lágrimas a correr,
Prostrada, vazia, oca, só, no leito…
Aguardo sem esperança a hora de te ver…


Pensamentos em torvelinho, sem jeito
Sem esperança: apenas quero morrer…
Porque sem sonhos, está tudo desfeito,
Apenas sinto o vento, que passa a varrer…


Lá fora, apenas pássaros negros a voar.
As árvores parecem ter sido queimadas
Despidas de folhagem, estão a chorar…


As ravinas, rochas que parecem limadas
Escondem os gemidos, em ecos, a recordar
Todas estas dores, que são dores passadas…

21.05.05
12H45 in Bolinho Caseiro

SEM RESPOSTA!

Silenciaste o meu chamamento!
Ignorando-o, calaste-o outra vez.
Por isso repito: não passas de pensamento!
Não és sim nem não, apenas talvez…


Silenciaste o meu chamamento…
Ignoraste o que te queria dizer…
Fiquei na solidão, como ornamento.
Senti que o talvez é apenas desprazer…


Aqui fico, junto de um ninguém,
Esperando que o tempo passe veloz
Disfarçando a ilusão, esperando a tua voz…


Deixada ao acaso, chamando o além,
Sou louca! Abandonada e triste…
Sou eu! A que sendo, já não existe…




O7.05.05

sexta-feira, maio 20, 2005

FIM DE HISTÓRIA!

Nem uma palavra: Silêncio total.
Nem um ruído. Nenhum som posso ouvir
Nem aquele que seria o meu ideal…
Mesmo que fosse para me repetir
O que já sei, mas quero irreal…

Se conseguisse fingir e não pensar,
Esconder o que percebo em imaginação,
Gritar ao vento que não quero acreditar,
Ficaria louca, em silêncio, de paixão…
Minha demência far-me-ia rodopiar
Num remoinho imparável, colossal…
Onde tu, só tu e tuas loucuras
São imparáveis momentos de sedução…
São como o antídoto para me aliviar…
São momentos inexplicáveis, inéditos!
São palavras indizíveis e olhares de êxtase
Mas que sendo verdade, são mentira…
São o que não passa de explorativa aliciação…

Mas só o silêncio me embala nesta solidão…
E nem a promessa de bons dias a sorrir
Fazem apagar de mim a alucinação
Que um dia findou… tiveste de partir…
Aqueles braços fortes como um tornado,
Deixaram partido meu coração….
Apenas ficou saudade para me iludir…
Porque foi ele, o vento, o teu amado…

20.05.05
15H10

domingo, maio 15, 2005

INTERROGO-ME?!

Nesta incerteza vã, não me contenho
Se ignorar o silêncio que me espanta
Ou ter e não ter o que não tendo, tenho
Ou abafar o grito que me aperta a garganta…


Vejo ao longe o sonho donde venho…
Olho-o tão triste. Nada me encanta…
Um fio de lágrimas que não contenho…
Corre-me pela face enquanto o vento canta…


O meu soluçar é um ritmado grito
Que se perde num eco infinito…
Que me consome e destrói, impiedoso.


Porquê não ouves; porquê não vens?
Sempre ausente e com desdéns
E se voltas, vens rindo, vitorioso…



15.05.05

sábado, maio 14, 2005

OS MEUS “SES”

Se o sol quente, amigo, quisesse,
deixava livremente as nuvens partir.
Talvez, algo hesitante, até eu pudesse….
com elas, livremente, também ir…


Se as nuvens quisessem e me levassem
a navegar nos seus imensos interiores,
talvez, escondida, me transportassem…
velozmente, para junto de meus amores….


Se a vontade, fosse vontade real.
Se eu e eu quiséssemos de verdade,
Poder-se-ia juntar verdade e vontade….


E se ambas em uma, fosse o real,
não desejaria partir deste belo sonho.
Não teria angústia, nem um medo medonho….


11.05.05

segunda-feira, maio 09, 2005

INDECISAMENTE!

O sangue que te corre, descontraído,
tumultuoso, em catadupas, chama!
Teu pensamento, sem querer, é traído,
em oposição, nem sabes quem te ama!


E bailam-te os neurónios cansados…
Criando angustias, trazendo depressão.
E os olhos doces, ternos, apaixonados,
enganam teus sentidos, tua paixão…


Sem destino, numa eterna indecisão,
procuras sem cessar aquele amante
que te liberte ou te deixe errante…


De procura em procura, desesperado,
esse amor falso, sem um critério amoroso,
amarfanha teu sentir perdido, duvidoso…


07.05.05

sexta-feira, maio 06, 2005

PENSAMENTOS TRISTES

Na tristeza da vida que passa em vão,
sem nada, apenas um desesperado torpor
vou vagueando no desespero da ilusão
morrendo nesta carne, sem amor…


E o ululante vento, forte, desesperante
varre-me como folha seca, envelhecida…
Tropeçando aqui e além, sempre errante,
como a mais pobre das pobres, perdida…


E escorregando, esta vida vai e vem,
sem querer, querendo e já a partir…
Não falando, não pensando, só a fugir…


A fuga à toa, sempre sem fim, não tem:
Rumo. Não tem sonhos. Só tem ilusões.
Nos sem adeus, fujo das minhas paixões…


05.05.05

domingo, maio 01, 2005

OS TEUS … !

O pião rodou, rodou loucamente…
Aqueles jogaram a bola com ferocidade.
Raparigas! Que loucas, sem consciente…
Olham, criticam, desejam sem piedade…


O jogo de olhos, pernas e aquela boca…
veio o toque, o gesto e o desmedido desejo.
Sem pensar rolou o pião em volta louca…
Sem pensar, ambos no chão. O longo beijo…


Não acreditando, ressurgiu um gelo de morte,
porque sem querer, desabou toda a sorte,
num arrepio deixado pelo vendaval…


E sem querer, veio um ódio irreversível,
Sem um lamento das penas do inverosímil
Que arrasta o pensamento como temporal…



30.04.05
22H50

O MAIS POEMA !

A angustiante perturbação que um olhar causa
Deixando corpos estremecendo, abandonados,
Fazem sentir que no tempo houve uma pausa
E os sentir dos não sentir, estão acordados…


A intensidade ansiosa e um olhar meloso
Que obriga a vibrar um corpo intensamente,
Faz lembrar no tempo o que há de amoroso,
E estando sem estar, estamos plenamente…


E na dúvida do real e do esbatimento da cor,
Sem que haja “feed back” concernente,
Perdemos a realidade num sonho de amor…


Pairamos no desespero como dementes,
E no peito, em vez de prazer há dor,
Pensando na Morte como causa presente…



14H38
30.04.05
Saldanha

quinta-feira, abril 21, 2005

DOR DO SOFRER

No meu peito há uma profunda dor
A dor que das dores me fez sedenta.
Dores de todas as saudades de amor,
Que um peito sente, se experimenta…


No meu peito há a dor do sofrer,
Da saudade e do que queria verdade.
No meu peito há esperança de morrer
Por não aceitar tão triste realidade…


Com meus olhos chorosos de dor
E no peito a dor do ausente amor,
Vou morrendo por aí. Passos errantes…


E ao escolher a morte por companhia,
Escolho-a ao amor, pela fantasia,
Por tanto sofrer por amores vagueantes…



21.04.05

quarta-feira, abril 20, 2005

SUSSURROS

Que a palavra “doçura” seja um desejo
Entre os que em cada dia formulamos.
Que seja mais simples que um simples beijo.
Que seja a realidade do que falamos…


E se os longos silêncios forem doçura,
Que sejam tão longos como pensamentos
ou no seu todo sejam expressão de ternura
e eternamente sejam belos momentos…


Significando a doçura muita compreensão
E assim também, a mais pura dedicação:
Podemos chamar-lhe uma palavra perfeita.


Ouvi-la com carinho, ao ouvido, sussurrada,
Seria como se fosse a mulher mais amada,
Porque doçura é palavra para a doce eleita….



19.04.05

domingo, abril 17, 2005

COMPREENDEI A PALAVRA!

Agora que a hora se esvai,
dizei Senhora que a Morte é vinda.
Perde-se em sonhos o que me atrai
mesmo que perdida em sonhos, ainda…


Pois que venha a Morte, Senhora!
Porque sois bem vinda, de certo.
Deixarás da Morta sonhadora….
aquela que jamais tendes por perto!


De escritas a eito, sem expressão…
Lançam ventos a ventos, cheios d’ilusão:
São dores da escrita duma vida…


E da escrita, sem palavras, dizes
De todas as mentiras felizes:
São toda esta amálgama perdida!...



16.04.05
16H40

PSICOFILOSOFICAMENTE!

Vontade, pura ilusão psicológica,
resultante do desequilíbrio causa efeito
na sua acepção metafísica, estudada,
deixa que minha vontade fisiológica
me deixe andar aí sem jeito,
a pensar, em pensamentos do nada…
Mas pensando, ao pensar sinto
o que é a vontade ilusória,
num desequilíbrio designado preconceito,
com causa real e resultado aparente,
numa vibração aguda e constante
permitindo o orgasmo da glória,
que sendo pura ilusão não mente,
muito embora seja a vontade errante:
quer seja pura ilusão psicológica
quer fechando os olhos e gritando vitória!


13.04.05

sábado, abril 16, 2005

VULNERABILIDADES!

Meu poeta trovador
Feito de silêncios abstractos
Ou de monólogos agonizantes,
Ainda espero ter a alegria
Do teu carinhoso amor,
Sem da valoração ter artefactos
Nem dos intrometidos pensantes
Que nos apartam; nos deixam em agonia….


Já nem sei o que é vontade
Nem tão pouco a de te querer…
Talvez me iluda com essa fatalidade,
Com os silêncios que dizem, sem dizer…
Porque se a vontade tivesse autonomia
E tivesse toda a força de fazer…
Minha vontade não era esta agonia…
Nem esta agonia era a minha verdade!...


Se toda a poesia fosse luz
E a tua prosa me fizesse feliz,
Seria rainha e não escrava…
Jamais transportaria esta cruz
Mas na mão uma bela flor de lis…
E nas noites sucessivas não esperava…
Nunca faria perguntas desnecessárias,
Pois sabia ser aquela que se amava…



07.04.05

PROGRAMA DE DESACTIVAÇÃO

O acaso programou intencionalmente,
um ataque cerrado ao já caótico estado
deste alguém vagueando perdidamente,
Vedando-lhe a palavra ao seu amado…

Triste e tão só! Quase propositadamente,
Votada ao ostracismo e na distância
Quer por revolta, ciúme ou ódio ao amor,
Condenada à separação por circunstância…


Porquê o acaso promoveu a desactivação
Do elo de ligação ao mundo maravilhoso
De quem tão longe vivia uma bela paixão…


Os porquês sem resposta do silencioso,
São como o martírio de uma maldição
De quem “inocentemente” foi tão malicioso…



31.03.05
23:46

sexta-feira, março 25, 2005

APENAS SOU!




Neste meu fado, só meu, de sofrer,
Noite fora, tão escura, noite da morte
Serei o silêncio depois de morrer,
Pelo que me deste, desta sorte...


Porque sofrer desta dor tão forte,
Não mais me irá deixar viver,
Ou para ficar aí, vendaval sem norte,
Sem nunca te ter, mil vezes morrer...


Tão perto, mas tão longe estivemos
Teríamos tudo o que não quisemos,
Pois teu olhar jamais poisou no meu...


E em silêncio, sem ter os teus abraços,
E de tanto chorar, ter os olhos baços,
Apenas sou aquela que por ti morreu...


25.03.05

quinta-feira, março 24, 2005

ACABASTE !

Nem mais um minuto quero amar!
Enlouqueci . Assim fiquei perdida,
por tanto amor, por tanto te desejar
e não ter sido mais do que esquecida...


Andar perdida por aí, sempre a chorar
esperando uma esmola do teu amor.
Não quero mais! Quero morrer. Acabar,
para não voltar a ter tanta dor!...


Mas se te olho, sem querer, fico perdida,
Por isso deito minha alma ao vento.
Meu corpo em cinza, será só pensamento...


E não penses que podes sarar esta ferida,
porque palavras, jamais as irei ouvir...
Nem terei de dar-te perdão, pois vou partir!...



23.03.05
in Miratejo Café

terça-feira, março 22, 2005

VENDAVAL DE EMOÇÕES

Escrevo noite e dia sem parar,
olhando esses olhos indefinidos.
Escrevo, escrevo muito para calar
como meus sonhos estão perdidos...


Neste meu vendaval de emoções
apenas existem palavras escritas...
palavras para as tuas paixões,
que para mim estão entreditas ...


Palavras de ilusão, enganadoras
sôfregas dos que hão-de dar prazer
e dizendo tudo, sem nada dizer...


palavras de angústia, sofredoras,
do meu vendaval de emoções...
onde interagem as nossas ilusões...


21.03.05

Ainda outra folha do meu Diário


Quantas palavras! Quantas frases e tantos escritos... que leio, releio e ainda volto a ler. São escritos de quem as escreve, sem um rosto, sem uma silhueta sem uma verdade... São as palavras do além, para avivar uma recordação que jamais morrerá dentro de mim...

Quantas palavras, apenas palavras para confundir a saudade de outras tantas palavras que ouvi!...

As palavras chegam. As palavras partem... presumivelmente nem as entendi... ou convenientemente foram desentendidas. Apenas são palavras destituídas de um significado que pretendi dar-lhes, para que o sonhá-las impregnasse de esperança os meus silêncios, os meus frustrantes momentos de desalento...

Todo o meu eu, fervente de emoções mil, sem divulgação nem partilha, tem desbravado todas as essas palavras, numa busca constante dessa voz sem som e que dos interiores do infinito, algum dia, sem data, sussurrou palavras de doçura e de amor paradisíaco...

E as palavras voltam numa dança frenética. São um ritmo africano que pulula nas minhas veias entontecendo-me, ou são por vezes a melodiosa “valsa da meia-noite” com o teu sussurro de “amo-te tanto!” com os quilómetros de separação dos fios telefónicos dum tão distante passado...

Nesta conjugação de passado presente, neste enleio de morte e vida, tudo são palavras que leio, releio e volto a ler e a reler, como que me anestesiando, para ter o que sem ter tenho, por arte da minha imaginação...

As tuas palavras são minhas... os sonhos são teus...o sentir é o que Natureza te deu!



21.03.05

BELO PLATONISMO

Em espirais descontinuadas
esvai-se este pensamento sem fim...
São loucas perdidas e apaixonadas
as raivas mudas, dentro de mim!


Este esvair-se do meu pensamento
Em que vai e vem contigo em sonho,
um doce, mas louco momento.........
em que aceito todo esse belo medonho...


Belo, sentir amar o igual diferente
dando o corpo frágil e tremente
numa inexplicável e doce paixão...


Mas inigualável é toda a beleza
que sem o corpo, apenas a pureza
da palavra, como um todo de sedução....




21.03.05

segunda-feira, março 21, 2005

AO MEU AMOR ETERNO

Tão triste e triste de ser
quem jamais teve um amor.
E tão triste por só viver,
tão triste, de tanta dor...

Nas doze rosas vermelhas
quiseste dar-me paixão
ficaram tristes e velhas
por cima do meu caixão...

Se fora possível perceberes
quanto te amei sofridamente,
bastariam as rosas para saberes

que com beleza e loucamente,
sem na carne haver prazeres,
se vive e morre apaixonadamente...




20.03.05

quinta-feira, março 17, 2005

ESOTÉRICO !



Saudade do esotérico aconteceu.
Jacarandás de roxo floridos:
Teu olhar profundo no meu;
confusos os silenciosos pedidos.


Frondosas acácias rubras, ideal meu:
São os meus sonhos mais queridos.
E ele és tu. Contigo sou eu,
no éden dos meus sonhos perdidos...


É o sabor dos teus lábios coloridos
nas minhas mãos frias e crispadas
em ocultos delírios. Desejos perdidos...


E as carícias não tidas e desejadas
são o esotérico sussurro dos pedidos
de afagos e de ilusões apaixonadas...


16.03.005

domingo, março 06, 2005

Vermelho-rosa !

Raiar do dia!
Tão belas cores
são uma alegoria
aos meus amores...
O Vermelho-rosa
e o azul celeste
são como toda a prosa,
às vezes profunda e agreste,
que em silencio me deste...
A profundidade dos tons,
como a cor dos teus olhos,
funcionam como “dons”
a criarem-me a magia
de sem viver, viver
sempre triste,
cheia de alegria...



05.03.0514H25

in Holyday inn

Chanson d’amour




Je t’écrirai
pour te dire
combien je t’aime
et faire sentir
que je suis très heureuse
et si partir
j’irai chanceuse…
C’est la chanson d’amour
pour la chanter
a chaque jour
et amoureuse
répéter
que toute ma vie
c’est pour ton amour…
Tu m’a laissée
ici, toute seule,
et pour toi
mon âme vole…
Au revoir, amour d’ami
Je reste morte
avec mon poème
sans répéter que je t’aime…


Le 5 Mars 2005-03-05
08H00